Bruno Leitão
O que há na copa das arvores?
Em algum momento a vida nos convida a observar atentamente as pequenas coisas que não estávamos olhando e Hirayama aceitou o convite. Ele contempla, não há pressa.
Começamos a assistir e esperar que a introdução passe, não há introdução, há o filme, contemple. Não tem diálogos, existem cenas, os fatos e a sua atenção.
Todos os dias iguais, uma leitura, silêncio, dia nublado, chuva fina. No começo você pode até estranhar, mas depois você se acostuma e segue aquela paz com o Hirayama. Quando sua sobrinha aparece, ela te tira do seu confortável mundo, da sua cama, seus livros etc. Interagir não é o forte. O passado está na mente em preto e branco. Um pai, uma irmã e ele. Aparentemente a irmã tem boa vida e ele limpa banheiros.
Hirayama ama a música, ama os livros e seu mundo. Quando o passado vem à tona, o som do filme aumenta, é perceptível que há mais ruído. Hirayama está em agonia e nós também.
O filme segue, as coisas aparentam voltar ao enredo original. Faz sol. Hirayama ouve sua música, “i’m feeling good”, está se sentindo bem Hirayama?
Ele sorri enquanto lagrimeja, as coisas voltaram ao normal, mas Hirayama tem bagagem, tem história... ele se sente como um peixe no oceano, pássaros voando alto, sol no céu, é um novo amanhecer, é um novo dia, é uma nova vida, é o que diz a música.
Hirayama sabe disso, está tão feliz que não podemos distinguir de uma tristeza.
