Acomodado
Nós em nossa maioria somos muito acomodados frente à seriedade da vida.
Perdemos tantas oportunidades e chances de mudanças, que lá no futuro, nos cobraremos, porém, sem chances de retorno.
Neste comodismo estamos sempre culpando algum detalhe, até inexistente, para ter prorrogado aquela decisão que nunca chegou.
Ficamos ali esperando melhores condições, e com isto perdendo aquele tempo precioso, irrecuperável.
Quando nos damos conta, nada mais poderá ser feito, pois não teremos mais tempo, saúde suficiente, ânimo e nem outras condições necessárias, que estariam disponíveis no princípio.
E desta forma selaremos de vez nosso destino inglório.
(teorilang)
As ocupações dos líderes hipócritas, obsoletos e acomodados com instrumentos de seus ministérios fracassados, usam as preciosas horas das habilidades de seus seguidores à mercê de seus estagnados propósitos, em vez de treiná-los para a edificação da igreja.
Seta da vida
Cerrei a porta do carro. Acomodado no banco percebo o movimento do tempo. Naquele instante eu despedia de mim os ruídos que estavam a minha volta, e almejava construir uma concentração. As provas de ruas da autoescola são enganosas. Provocam apenas ilusões de que o acontecido desacontece na realidade. A cena foi trágica: errei a seta. Naquele momento o corpo de minha continuidade humana estava sangrado. No vazio enorme daquele carro com duas pessoas me observando senti uma ausência de humanidade daqueles que me examinavam. Do carro, eu era o corpo, o examinador, a voz.
Aquela curta distância percorrida entre um quarteirão e outro era revelador. Era a reprovação. Não consegui a minha liberdade por causa da seta do carro, mas continuo dando certo as setas da minha vida.
Seja sempre seu alicerce emocional e espiritual. Não seja acomodado, porque aquilo que almejamos, somente nos podemos idealizar e concretizar. Não seja um encosto vivo na vida de ninguem, siga a diante mesmo com tantas feridas e abalos emocionais.
Patricia Diniz🌿🌻
Se nos rendêssemos aos caprichos dos acomodados, ainda hoje teríamos lampiões no lugar de lâmpadas ou carroças no lugar de carros, mas o progresso é dos vanguardistas e dos ousados.
O despertar
No anoitecer gélido,
acomodado junto ao supedâneo
contemplo a construção simétrica e harmoniosa,
com colunas e pórticos jônicos,
circunvalado pelo jardim recoberto de hera,
as luzes, reverberadas por candeeiros concatenados,
proporcionam beatitude!
Absorto nas obras helenísticas:
as aspirações, a razão e o irracional,
os questionamentos socráticos,
a busca das verdades pelas suas ideias,
as perguntas frequentemente reveladoras...
O saber, injustamente retribuído com uma taça de cicuta!
“Acalma-te poeta, a intenção não é a de emular nem exortar...
Quais as perguntas que te fizestes ultimamente?
Do que tens medo?
Pergunta-te, sê um crítico, não hesites!
Eis o ardil, conhece-te a ti mesmo, é fundamental...”
Na presença da solitude,
refutando imagens icônicas,
repleto de perguntas.
Repasso o epítome que desafia...
Recolho-me às mais profundas nuances do ser.
As luzes, impetuosas, irrompem...
Uma epifania...
É o despertar da filosofia
O triunfo da Eudaimonia...
Compreensível? Está indo a fundo? Não...
Tudo acaba no silêncio reflexivo deste poema...
É proibido ficar acomodado então
Vou devolver em dobro seus agrados,
Vamos dançar a vida
Vamos deixar o amor nos guiar,
Pois não há ninguém
Só existe alguém
Pra meu amor completar.
LUZ
Que mulher é essa
Que chega trazendo o dia,
Acomodado em seu regaço,
Todos os sonhos malogrados,
E sem mostrar nenhum apego, no solo enfia
Como a pouco tivera um parto sangrento,
Desses indesejáveis, pesadelos,
Que não lhe deu tempo
De tomar nos braços o alijado rebento,
Trouxe-o para fora, e límpida,
O expôs à aurora.
Que mulher é essa
Que cuida de todos os sonhos,
Que se predestinou dar o melhor de si a nós,
Poucos merecedores, do tanto que somos rasos,
E por mais vezes agimos como um ser ignóbil,
Assim, por bondade não vê, que somos pele
Do mesmo tanto que somos carne
Desprovidos de coração.
O tempo que Ela presenciou, tempo que era,
De indumentárias de santos e sem ação,
Que justificasse o transtorno ao amor dela.
Que mulher é essa
Que traz nos braços o alvor
E semeia no tempo, a que as almas se vejam
A que os homens não errem os caminhos agora,
E não tropocem, a cair, sobre seus erros próprios.
Todo ano é a mesma coisa, dizem os preguiçosos, os não criativos e os acomodados, enquanto que poderiam buscar coisas novas para mudarem a mesmice dentro da igreja.
Após anos de descanso, os acomodados levantaram de suas poltronas com pedras nas mãos!
Com a sensação de que perderam alguma coisa durante o sono, ficaram eufóricos e nervosos, gritando coisas do tipo: - 'TENHO CERTEZA QUE PERDI ALGO, SEI QUE ROUBARAM DE MIM! PRECISO APEDREJAR QUEM FEZ ISSO!'
Com aquele mau-humor típico de quem acabou de despertar, saíram por ai exigindo o que lhes foi tomado, pois sentiam que realmente precisavam daquilo de volta!
O único problema é que eles não sabiam o que exatamente tinha sido perdido e muito menos quem havia lhes tirado... Todo aquele tempo de quarentena foi preenchido por sonhos e pesadelos, o que dificultou o reconhecimento do que era real ou fantasia...
Depois de exaustivas procuras e enfrentamentos, alguns perceberam o que muitos não viram, que na verdade o que estavam procurando não era algo tocável/material, mas sim algo que pudesse preencher seus vazios interiores!
"É preciso entender que toda história tem seu começo, seu meio e seu fim. Por vezes, acomodados ou temendo mudanças, ficamos ali, à espera de um milagre, de uma revolução natural. Na verdade, pequenas atitudes já seriam suficientes para mudar um quadro que já não exala mais a tinta da felicidade. Mas, para isto, é preciso que você deixe o medo de lado e encare a situação. Sinceramente, o maior medo que você deve ter é o de viver, ali, infeliz para sempre. Faça o que tiver de fazer, HOJE! Sua felicidade não pode esperar. Uma pequena mudança pode trazer um mar de boas novas".
O acomodado quando olha para frente enxerga somente a crise, o obstinado quando olha para seu futuro consegue enxergar metas alcançadas.
Prosa...
Estou acomodado em algum desses brancos bancos, o dia está fresco e a maré, alta, a estrada engarrafada, o brilho do sol muito intenso, esse cheiro da água salgada me lembra o peixe-carapau e eu aqui sem objectivo, só escrevo... devia escrever sobre essas palmeiras, porque elas me lembram os meus cadernos, porque estão cheias de folhas, eu continuo sorrindo sem motivo nenhum, aqui às pessoas também só correm sem motivo nenhum, até o tempo passa sem motivo nenhum, mas eu sinto que vai sempre faltar algo, sempre faltou algo, por isso desapego-me...
Hoje tenho pouco tempo, então um pouco mais rápido escrevi em prosa...
Prosa...
