A Inteligencia Nao se Mede
não sabes o que é o mundo
onde termina o horizonte começa a ansiedade
e a cidade é um monstro consumindo tua presença
não sei o que quero , mas tua ausência só me diz:
não sabes o que é o mundo...
e eu sei, pelo menos até saber-te perto
então transito, assim como se fosse tudo tão bonito
mas a brisa só deixa teu perfume a me dizer
não sabes o que é o mundo...
eu não sei
É hora dos anjos dormirem,
não se preocupem com as rugas
que eficaz o tempo risca,
não se preocupem com as tribos,
com as queimadas, os seres da floresta;
a Amazônia renasce silenciosa e tranquila,
e os vultos sinistros que chacoalham a terra
e envenenam as águas, queimam e desmatam...
os demônios ganharão seus infernos
as forças divinas comandam a natureza
e os olhos de Deus orbitam no firmamento
é hora dos anjos dormirem
ninguém se oculta sob a luz da aurora
Sempre digo pra mim mesmo
que não é fácil ter setenta anos anos
meus documentos não dizem que eu tenho setenta anos...
mas quando eu tinha trinta eu já imaginava isso,
as lembranças pesam, as saudades machucam,
acho que já tenho oitenta; olhando adolescentes de hoje
penso que já nasci adulto, eu não fazia muito barulho,
eu não achava tudo engraçado, eu me encantava com as manhãs,
com o céu azul e as colinas, eu gostava de pensar,
não nas coisas que os adultos de hoje pensam,
talvez eu não seja normal, penso que já tenho cinco séculos...
quem normal pensaria que é eterno, quem normal pensaria que é Deus
Perceber ausências...
de repente o mundo tão bonito,
não é tão bonito,
ausentes entes que se foram,
entes que partiram,
entes que não viram a lua vermelha,
o eclipse, o cometa, o apocalipse;
lhes beijo as faces em face do que posso,
eu posso amar o mundo e possuir mulheres,
que queres de mim...
se eu fosse alguma coisa, eu seria o óbvio,
óbvio é amar o que eu fosse,
se eu não fosse o lago a acolher libélulas,
mas elas não sabem... perceber ausências,
as tardes são mais longas do que eram antes...
antes que eu me esqueça,
como eu tenho me esquecido,
como eu esqueço de mim, esqueça.
Não tenho medo mais da solidão,
já enganei meu coração
que posso ser feliz sem teu amor
se as noites são vazias eu penso assim,
e penso, assim eu vivo esta ilusão.
depois que eu aprendi a ser feliz, toda esta ansiedade me devora
depois que eu descobri que não sou só, sinto me tão solitário
olhava o céu sozinho como se as estrelas fossem minhas, agora olho a lua e os astros e nada me pertence; quero te contar algum segredo, mas não é mais segredo o que eu quero... segredo é a ilusão que me mantém vivo, essa coisa que grita no meu silencio; eu não tenho mais controle do meu descontrole, agora eu penso, eu tenho certeza dessa incerteza, esse cair é o que me ampara...
Não quero entender a noite, nem as mulheres ou a primavera...
as coisas que eu amo têm um lugar seguro nesta minha fragilidade e a minha fragilidade ocupa o mundo.
as vezes penso que sou triste,
as vezes não penso em nada,
as vezes tenho saudade do que nunca tive,
mas era tudo o que eu tinha
quando eu não tinha nada...
agora nem tenho essa ilusão...
TREM DA PAIXÃO
Não foi só paixão, foi muito mais
o que o rio leva e a cachoeira cai...
uma força além do que eu podia suportar
eu me perdi assim...
o meu lugar comum me guarda desse olhar
nem quero acreditar que o mundo é belo...
se uma andorinha só não faz verão,
verão que a dor do amor dói em qualquer estação
não quero nunca mais sonhar...
além desse ocaso o acaso deste além
o que nos conduz a dor, ao amor
é o trem dessa paixão, é o trem do teu olhar, é o trem...
Seria impossível uma mulher não ser feliz, se ela pudesse imaginar e tornar útil, todo o poder que Deus lhe deu.
E quando for verdade o que não for verdade
eu levo dessa cidade o que não for cidade
eu levo o tempo que eu não tenho
pelo tempo que eu tenho perdido...
eu acredito tanto que a vida pode mudar,
se mudarmos um tanto nesse acreditar;
ah, podemos ser felizes sim
mesmo se só restar um olhar, um aceno, uma canção...
a vida é pródiga, a existência profícua...
temos a lua e o tobogã, a esperança e mente sã...
e o lago que eu imagino,
eu atravesso a nado como se fosse um menino,
mas, nada nada assim no nada...
o que não existe além do que eu imagino
se a estrada é o sonho e o caminho é caminhar,
ainda sou um menino de cinquenta anos,
tenho minhas fantasias, ainda faço planos
ainda me apaixono às vezes, às vezes sete vezes por dia...
dezessete vezes por dia eu acredito nesta rebeldia
de me acreditar menino, de me acreditar poeta.
SOBRE AS ESTRELAS CADENTES
E A CADÊNCIA DAS ESTRELAS NO TEU OLHAR
Eu sei que não existe nada
além do que eu sei que não existe.
quem imaginou o fim do mundo diferente,
o mundo não deixa de ser mundo
somos nós que deixamos de ser gente...
SUSSURROS
[Rascunho]
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Salvo: Ter, 10/12/2024 04:00
quando a gente pensa que sabe quase tudo
chega-se a conclusão
que quase não é bom pensar
e tudo pode ser quase nada
quando pensar e ponderar poderá não poder quase
atrás de um poema vão todas as aflições
em forma de palavras, sínteses, metáforas
mas o que sabemos da vida
vai mudo acalanto ou bramido a assustar
o silencio de qualquer sensatez...
quando a gente sabe que pensa tudo
algo canta indecente doce delicado terno
prazeroso e poetico prosando inconveniente...
quando a gente pensa que sabe quase tudo...
quando pensar e ponderar poderá não poder quase
o melhor é abrir a janela e aprender com os sussuros da vida
que a natureza grita suas dores, a solidão tambem é divina
a minha verdade não é minha
e a minha essência é multidão
eu brinco de ciranda ao redor da montanha
de mãos dadas comigo mesmo
penso que sou feliz e isso é tão longínquo
que os rios me carregam
e as estradas me conduzem
em fila indiana até que eu caia de um crepúsculo
e ressurja no nascente e os primatas
que eu fui eram tão ternos,
tinham a ternura das tristezas e das indecisões
e isso fazia deles seres melhores do que hoje somos
agora eu fico sozinho comigo mesmo e os meus cromossomos
ora refletindo, ora contemplando
e eu me pergunto: será que eu não sou Deus?
porque afinal de contas, eu também sou solitário,
eu também sou triste, fico perdido no que me constitui
e no que compõe o meu DNA.
Primata? -Não, os dias gloriosos se foram;
preservei daquele símio só o angustiante prazer
de se entregar a paixão... e quando ela passa
iluminando o vale com sua aura, eu brinco de ciranda
de mãos dadas comigo mesmo ao redor da montanha
até que ela o encontra sob a copa de uma amendoeira frondosa
se abraçam terna e loucamente apaixonados
a fazer piscar de acanhamento astros há mil anos luz ...
e eu fico pensando: ah, se eu não fosse Deus...
ainda é cedo, mas o medo que eu tenho não tem noção de tempo
de clima ou de temperatura
o medo que tenho chove com sol e se aquece com a chuva
o medo que eu tenho não tem olhos nem ouvidos
ainda é cedo pra ter medo, mas o medo que tenho acorda tão cedo
sem noção de emoção ou sentimento, sem segredos nas periferias
"Os que não sou, mas que deixaram rastros"
por Luiza_Luiza_Grochvicz.
Alguns filósofos não fazem parte de mim, mas suas ideias são como vestígios que deixam marcas, sem nunca se fundirem com o que sou. Eles não tocam minha alma, mas de alguma forma me lembram de quem não sou, de caminhos que jamais trilhei.
Descartes acredita que a dúvida leva à certeza.
Mas para mim, a dúvida não é ponto de partida — ela é uma constante. A certeza que ele busca é algo que nunca almejei.
Sua confiança na razão me parece uma tentativa de fugir da incerteza que é a essência da vida.
Hegel vê o mundo como uma progressão inevitável, mas eu não acredito que a história seja uma linha reta.
Eu não vejo a totalidade que ele fala, porque a vida, para mim, é feita de rupturas, não de continuidade.
Aristóteles fala da razão e da moderação.
Mas eu não sou feita de equilíbrio — sou feita de intensidade. A vida, para mim, não é sobre encontrar a média, mas sobre viver sem medidas.
Spinoza quer explicar tudo pela razão universal.
Mas eu acredito que a razão não pode capturar a caos da vida. A liberdade que busco está justamente no que não pode ser controlado, no que é imprevisível.
Comte quer medir e explicar tudo.
Mas para mim, a verdade não está na quantificação. A vida não é para ser controlada, mas para ser sentida.
Esses pensadores não se conectam a mim.
São como estradas que eu nunca percorri, como mapas de um mundo que não é o meu.
Eles deixam rastro, mas não definem quem sou.
Eu sou mais que isso, sou o que não sou em relação a eles.
Deixa-me mergulhar no mais profundo da minha alma,
para ver se ainda existe saída.
Se não houver, que a minha própria estrutura
ofereça agarras,
para que cada um que se apoie em mim
possa escalar montanhas.
