A Gente se Acostuma
A distância entre nós é amarga,
Eu a Bebo todos os dias e não me acostumo com seu gosto,
Sinto vontade de destruir o abismo dos quilômetros que nos separam,
Transforma-los em cinzas.
Não aprendi a dizer adeus. Não me acostumo com as perdas, apenas vou aprendendo a conviver com as ausências. Esquecê-las? Jamais!
Não me acostumo com a ideia que o amor é grande...Se ele transborda...Não entendo porque ele nunca me preencheu...Talvez me permiti viver de rotina, e esqueci de abandonar as migalhas que ele me ofereceu.
Não me acostumo a sua ausência. Por mais que me diga que está tudo bem, que isso pra você é normal, eu não consigo aceitar seus sumiços.
Por que sei, que por trás dessa aparente calmaria, você está diante de enormes ondas de conflitos. Remando sozinha em um pequeno barco.
Então, não me peça para aceitar. Eu preciso te ajudar a não afundar, a sobreviver a mais uma tempestade.
A chegar ao seu porto, segura e amada.
DURO MUNDO
Mundo duro
roubos sem rumo
político que só faz surrupiar.
Eu não me acostumo
e pago os prumos
do mundo, que só me faz levar.
Vida fita
se ajeita enrica
aqueles que não gosta de pagar.
Honesto acredita
que um dia sem roubo
na vida, ainda vai poder enricar.
Antonio Montes
Sempre que me acostumo com o mundo ele já mudou, sempre que me acostumo a uma ideia ela já é outra. Talvez amadurecer seja isto, saber que sempre estará atrás das evoluções do cotidiano e aceitar este fardo dia após dia, evolução após evolução.
Venha
Ou não
Venha
Não me acostumo
Com suas idas
E vindas
Se encontre
Nesse seu perdido
Caminho
Se apresse
Se decida
Apesar de no fundo
Sabermos
Que nada resta
Esse caminho
De estradas lindas
Árvores verdes
Flores colorindo
Pássaros cantantes
Continua e continuam
Mas em separados
Eles enfeitam
O caminhar
De todos
Não me acostumo com coisas ruins, sempre vai parecer que falta algo ou alguém pra completar a incompletude que ocasiona o frio na alma.
Procuro ao máximo não precisar de outra pessoa para sobreviver. Nunca me acostumo com as partidas alheias.
Um dia eu me acostumo com os fantasmas da noite, que velam seu sono da meia noite às 7 e depois somem pra todo o sempre.
105. “Acostumo com caras e bocas diferentes, independente de qual seja o estado emocional, de outro modo não irei te olhar. O meu coração está cheio de felicidade e vim aqui para compartilhar contigo.”
106. “Mergulhado no infinito, me sinto pequeno, sou pequeno, mas me tornei em seu grande e sem igual amor ao me misturar com esse azul sem fim, que chamam de mar que realmente é lindo, é único, e por isso que assim te chamo e sempre quero te chamar de mar, amar, te amar, nos amar.”
Com tudo me acostumo...
E por todos os lugares que eu ande...
Dentro ou fora do Rio Grande...
Não mudo o meu rumo.
TEMPO REMOTO (soneto)
É bom que eu prose ao léu, assim acostumo
na solidão, da privação de um amor passado
pois a lembrança surrara no pesar suspirado
perdendo no versejar aquele rítmico prumo
Terá, e virá, um certo dia, então, presumo
um sentido para o verso, o mais sonhado
talvez o que mais mime, o mais encantado
que anuncie juras, e sensação para o rumo
E, se ao chegar a hora de um verso absorto
que não se apague o ardor, seja conforto
poético, velando a minha aflitiva soledade
Ouvidos não darei a inspiração sem alento
pois, poesia de saudade tem padecimento
mesmo que de boa lembrança, a saudade.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
14 junho, 2025, 15’09” – Araguari, MG
Eu não quero restos, não aceito sobras e nem me acostumo com migalhas. Eu quero é tudo, eu quero muito, eu quero o mesmo infinito que eu posso te dar.
