33 anos
Foram anos de solidão aflição e angústia procurando uma saída e as setas me indicavam caminhos incertos.
E Deus nunca me abandonou.
Cada vez que eu tropesava ele me segurava.
Cada vez que eu quebrava.
Ele me consertava.
Nunca estive só.
Sonia Solange da Silveira
Poetisa do cerrado
FORTALEZA - 300 ANOS - Homenagem
Fortaleza completa agora, trezentos anos, e como é bom ser uma parte de sua história, as paredes do nosso tempo, atravessamos… o seu teto infinito e estrelado, assistiu o meu primeiro choro quando nasci, testemunhou dos meus primeiros passos às quedas que algumas vezes vida à fora, sofri… Depois, toda minha trajetória nesta cidade que com amor, cada filho meu recebeu, eles cresceram e bateram as suas asas, no meu canto permaneci, aplaudindo suas vitórias! E sempre percebendo o quanto Fortaleza, também cresceu.
Conheci tantos lugares! Tantas outras cidades do meu Brasil, tantos voos e paisagens que não me pertenciam, alguns dos sonhos que alimentei bem ousados, carregados de loucas fantasias, irreais, sonhos desenraizados! Nada seria em definitivo, foram pousos e estadias com um tempo mentalmente determinado… os nossos destinos, hoje sei; Totalmente predestinados.
Em alguns dos voos, na maioria fui feliz, outros voos com algum propósito, ou muitas desilusões, por este mundo à dentro, tropecei nos íngremes caminhos em busca de uma fúlgida felicidade, porque algumas certezas, só alcançamos (alcancei) com o passar dos anos, mas sempre, sempre, por onde fui, o meu amor pela minha terra, os meus pensamentos, sempre do tamanho da minha saudade na mesma dimensão de Fortaleza, a minha querida cidade!
Fortaleza de mar imenso, esplêndido! Feito a poesia viva com suas ondas jogadas pelas areias quantas vezes testemunhando as minhas loucuras, e também realizações e inesquecíveis alegrias… Fortaleza banhada de sol à iluminar o brilho nos olhares dos sonhadores, dos poetas, dos seus ilustres filhos, e dos bravos pescadores.
Fortaleza, à acalorar a vontade de vencer, de viver, e dentro de mim, nunca morreu essa profunda conexão, das coisas que construí e de alguns sonhos que eu mesma por inexperiência destruí, e assim fui construindo as minhas memórias, traçando os meus caminhos, no seu chão… e por onde eu andei, foi sempre para ti que quis voltar, e aqui quero enquanto viva ficar… e aqui morrer. Guardo de ti minha Fortaleza esplêndida, as melhores coisas que já vivi, as tuas ruas, os teus recantos, conheço e caminharia de olhos fechados, o que foi antigo e o que foi modernizado.
Aqui todo meu sentimento de gratidão e amor, quando te vejo em fotografias e te penso de longe, é sempre para você minha cidade amada, que eu quero voltar, aqui onde a lua cheia tem mais brilho, onde o mar é mais azul, e a linha do horizonte aponta lugares, eu até quero conhecer, porém sei que aqui é o meu melhor lugar, prometo à minha alma, Fortaleza, que nunca nunca irei te deixar.
Ah,tempo!
Como deixei enganar me por você !
Aos dez anos pensei que seria melhor aos vinte,aos vinte,pensei que os trinta seria o ápice.
Aos quarenta ainda pensei que havia tempo,aos cinquenta o espelho retrovisor me mostrava os dez,os vinte,os trinta e as rugas.
Aos sessenta não sei se te usarei ao meu favor porque entendi que não está ao meu dispor.
O que me resta,tempo,pois passei a vida toda a te perder?
Zuzu Fontes
Passei anos tentando descobrir quem eu era. Hoje desconfio que a pergunta mais honesta nunca foi essa. A verdadeira pergunta é: o que em mim ainda espera a coragem de ser vivido?
"A vida não se mede pelos anos que atravessamos, mas pelas verdades que descobrimos enquanto caminhamos."
Eu sou apenas uma menina, nada, além disso, posso ter 100 anos, mas serei apenas uma menina, aquela que a infância fora roubada, e a imaginação recriada, desfiz toda a dor da infância e a adiei como sempre... Para mais tarde! – E o tarde chegou!
Eu sei que tenho problemas psicológicos, mas sei que de todos os fiascos que já passei é apenas uma questão de reflexão, talvez a loucura faça parte de mim, ou eu... Simplesmente faço parte da loucura.
Existe alguém aqui que seja são?
Tatyane Nicklas
A CASA DO CAMINHO E O NASCIMENTO DA PRIMEIRA IGREJA EM JERUSALÉM.
Entre os anos 34 e 35 da era cristã, logo após a ascensão de Jesus Cristo aos planos superiores, delineia-se um dos momentos mais decisivos da história espiritual da humanidade. Não se trata apenas de um episódio histórico, mas de uma transição ontológica profunda, na qual o ensino direto do Mestre cede lugar à responsabilidade viva dos discípulos. Nesse intervalo singular, emerge a chamada Casa do Caminho, núcleo inaugural da primeira igreja em Jerusalém, constituindo-se como expressão concreta e operante da Boa Nova.
Os quarenta dias posteriores à crucificação possuem densidade espiritual ímpar. Nesse período, o Cristo ressurgido não apenas consola os corações aflitos, mas realiza uma obra de reorganização psíquica e moral em seus seguidores. Suas manifestações assumem caráter pedagógico, fortalecendo a fé, dissipando o temor e preparando os discípulos para a autonomia espiritual. Sem essa intervenção metódica, o movimento nascente sucumbiria à dispersão, diante das pressões religiosas e políticas do contexto. Há, portanto, um cuidado estratégico e providencial na forma como o Cristo conduz a transição de sua presença física para a atuação invisível.
Após a despedida no Monte das Oliveiras, conforme descrito em Atos 1:11, os discípulos retornam a Jerusalém e se reúnem no cenáculo, tradicionalmente associado à última ceia. Ali se encontram Simão Pedro, João, Tiago, além de Maria e outros membros do círculo íntimo do Mestre. Esse agrupamento constitui o embrião de uma comunidade espiritual organizada, sustentada por vínculos de fé e compromisso moral.
É nesse ambiente que se configura a primeira manifestação da Casa do Caminho. Sob a coordenação inicial de Pedro, o grupo estabelece encontros regulares marcados por oração, cânticos, leitura das Escrituras e rememoração sistemática dos ensinamentos do Cristo. Surge, então, a fraternidade conhecida como “os do caminho”, expressão anterior à designação “cristãos”, adotada posteriormente em Antioquia.
A Casa do Caminho não se restringia a um espaço físico. Era uma instituição dinâmica, integral e profundamente funcional. Operava como escola espiritual, posto de socorro, abrigo, oficina e núcleo de culto. Ali se exercia a caridade concreta, com partilha de alimentos, vestimentas e cuidados aos enfermos, além da manifestação de dons espirituais. Essas ações, porém, não eram fins isolados, mas instrumentos pedagógicos para a transformação moral. O auxílio material tornava-se via de acesso ao despertar da consciência.
Tal metodologia revela compreensão avançada da psicologia humana. O socorro imediato criava abertura para a assimilação dos valores espirituais. A caridade não era apenas virtude, mas método de elevação gradual do ser.
À medida que a reputação da Casa do Caminho se expandia, crescia o número de adeptos. O ambiente moralmente elevado atraía tanto necessitados quanto buscadores de sentido existencial. Consolida-se, assim, a primeira igreja de Jerusalém, não como instituição dogmática, mas como organismo vivo de fraternidade.
Essa realidade é descrita na obra Paulo e Estêvão, onde se observa o intenso movimento de assistência e a organização progressiva da comunidade cristã primitiva.
No que se refere à liderança, embora Pedro exercesse a coordenação prática, registros indicam Tiago, o Justo como dirigente formal da igreja em Jerusalém, conforme relatos preservados na História Eclesiástica. A liderança apresentava caráter colegiado, sendo Pedro, Tiago e João reconhecidos como “colunas” da comunidade, segundo Gálatas 2:9.
Outro marco decisivo é o Pentecostes, descrito em Atos 2, interpretado sob a ótica espiritual como manifestação mediúnica coletiva, evidenciando a continuidade da orientação do Cristo por vias invisíveis.
A Casa do Caminho, portanto, não foi apenas o primeiro templo cristão, mas o paradigma da vivência evangélica autêntica. Sua essência residia na integração entre fé, trabalho e caridade, sem formalismos excessivos, mas com profunda substância moral.
Ao revisitarmos esse período, compreendemos que o Cristianismo nasceu como experiência vivida de fraternidade. Antes de qualquer formulação teológica, havia a prática concreta do amor.
E é nesse retorno às origens que surge uma exigência silenciosa e inevitável. Não basta a identificação nominal com o Cristo. Torna-se necessário reconstruir, no íntimo e nas ações, a mesma Casa do Caminho, pois somente aquele que transforma a caridade em prática constante e o Evangelho em conduta efetiva torna-se legítimo continuador da obra iniciada em Jerusalém.
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FREDERICO FIGNER.
Deixou sua casa aos 13 anos em busca de seus ideais e percorreu diversos países até estabelecer-se no Rio de Janeiro, em 1892. Ali fundou a célebre Casa Edison e contribuiu decisivamente para a difusão da máquina de escrever no Brasil. Após seu desencarne, recebeu numerosas homenagens, sendo lembrado pelo jornal “A Noite Ilustrada” como “o mais brasileiro de todos os estrangeiros”, além de filantropo dedicado e protetor dos necessitados.
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“Passei anos acreditando que o amor bastava para esconder o cansaço de um pai que aprendia sozinho a não desmoronar diante dos próprios filhos.”
O celular não sabe que dói. Ele só sabe contar os anos e mostrar de volta, feliz da vida, achando que tá me fazendo um favor.
Aquilo que é óbvio para quem está há vinte anos na empresa, raramente é óbvio para quem chegou hoje.
A Amnésia Coletiva e a Ilusão do Conserto Imediato
Dizer que vinte anos não foram suficientes para "consertar o Brasil" é ignorar a profundidade das feridas históricas de uma nação.
Passamos séculos sob o comando de elites que desenharam o país para que a riqueza ficasse no topo e a base ficasse esquecida.
Destruir uma estrutura de direitos leva uma canetada; mas erguer uma classe média, alfabetizar milhões, universalizar a luz elétrica e dar soberania econômica a um país que sempre foi tratado como colônia exige tempo, resiliência e, acima de tudo, continuidade. Aqueles que reduzem décadas de inclusão social a um slogan de internet sofrem de uma miopia histórica deliberada.
Esquecem o Brasil de onde viemos porque nunca sentiram na pele o peso da fome que foi combatida.
A história não se apaga com algoritmos.
O progresso de um povo não se mede pela pressa de quem sempre teve tudo, mas pela dignidade conquistada por quem não tinha nada.
Repetir que nada foi feito em 20 anos não é opinião, é falta de leitura. É fácil cobrar a reconstrução de uma casa quando você ignora quem passou séculos sabotando os alicerces.
Um dos meus maiores desejos ao entrar na psicoterapia era descobrir quem eu era. Após cinco anos me deparo com o mesmo questionamento. Me deparo com o mesmo questionamento mas, o que mudou, foi o espanto da descoberta. Se segue assim, no inicio: o mundo. Logo depois vem a ideia: associação livre. Quando a apreendi, nunca mais parei. Meu inconsciente não se segurava mais. Ainda o seguro. Estava prestes a descrever uma série de etapas que se seguem quando se quer seguir etapas afim de obter uma máxima quando percebi que, depois da associação livre, me perdi. Descobri tantos novos caminhos. Poderia falar da série de fragrâncias com cheiros exóticos que descobri: sangue, plástico, pele, iodo. Não, não era isso o que queria dizer. O que quero dizer é que: aprendi a gostar de fragrâncias! Lembro de quando era pequeno, ia ao mercado central da cidade. La encontra-se de tudo: Galinha, pombo, cobra, rato, queijo, tempero, goiabada. Tudo isso misturado me gerava uma extrema náusea - odor fétido. O estranho que, depois de organizado, se tornou cheiro. Sei que, quando criança não era capaz de distinguir todos os odores, acabava misturando tudo em uma coisa só. E ai vinha um odor fétido - que não pode nem ser chamado de cheiro. Ah.. as produções humanas. Todas sempre me fascinaram assim como seus criadores. Gosto mesmo é de pegar um pensamento e escamá-lo. Moldá-lo. Emaranhar-me em sua elasticidade, tocá-lo de dentro para fora a tornar visível externamente o relevo de meu toque sob a superficie. Depois quero virá-lo do avesso. Durante o processo, caso o locutor se perca assim como perde-se entrando em uma rua desconhecida, seu corpo é passível de acomodar-se entrando em sincronia invertida, descompasso de onda - pulsar, assim como se faz o coração: Tu dum. Percebe, entre o _Tu_ e o _Dum_ existe um espaço, eles não são no mesmo tempo mas também não são espaços iguais em tempos diferentes. Uma vez li que a diferença de um pulsar para o outro indica a capacidade do ser vivo de se adaptar e permanecer vivo em meio as mudanças. Quem diria que, através do coração se pudesse saber da mente. Milênios que separam a mente do coração. Nunca pensamos na possibilidade de serem um sistema conjunto. Meu coração bate, minha mente age. As vezes minha mente bate de frente, mas meu coração não mente: age! Não é todo dia que isso acontece, mas quando acontece, sinto que posso enfrentar o mundo: A brisa do amanhã oferece, ao encontrar-me em meu caminhar, um suspiro aldeídico de esperança - movo-me, ajo! Os dias ordinários continuam, o que muda é a lente ocular. Foi tarde que descobri a possibilidade de troca. Claro, está muito abstrato. Amiúde, quando lhe desabrocharem as graças, troque-as. A mudança exige um certo tipo de expertise. Esteja disposto a encontrá-la e aprimorá-la, afinal, ninguém anda por ai com os óculos sujos. Mas chega de falar de óculos até porque, não faço uso. As vezes não enxergo. Não por falta de luz. Não enxergo à luz do dia! Não como Diógenes. Não enxergo pois estou tão entranhando em uma linha de pensamento que, as vezes esqueço de processar as imagens que estão sendo recebidas e processadas. Deixo esse processamento em Stand-by. Ah como seria bom se pudéssemos levar as coisas mais no stand-by. Logo sinto um calafrio, assusto, começo imediatamente a ação mecânica de analisar e categorizar toda luz que entra nesse cano que chamo de olhos. Não sei, poderia falar mais quanto quisesse. Não estou falando! Me dispus de um tão mais renomado trabalho, o da seleção de palavras para dizer - mas dizer o que se não falo nada? A diferença entre dizer e falar é da mesma natureza ontológica entre hear e listen, no inglês. Seguimos com o exemplo:
Can anyone hear me?
Alguém pode me ouvir?
Curiosamente podemos escrever e traduzir:
Are you listening to me?
Você esta me ouvindo?
Percebe? O emprego de duas palavras, em inglês, distintas se deu em uma tradução, em português, idênticas.
A diferença esta no afeto. Há sim! As palavras afetam. Primeiro: Nossas cordas vocais geram ondas físicas que são percebidas por partes do nosso aparelho auditivo que separam e, com a ajuda do cérebro organizam o som para nosso entendimento. Ufa...! Não só isso, estava prestes a dizer o modo que a diferença ontológica entre hear e listen se dá: Hear é vago, pense, podes ouvir um ruido na rua de um carro. O som se torna tão insignificante que sei bem que mal percebeu. Agora, acredito que, ao primeiro contato da onda do som de um homem aos berros aos seus tímpanos, o interesse florescerá e a atenção será furtada de modo tão sutil como o da arte dos batedores de carteira. Define-se essa diferença ontológica através da atenção do ser que se coloca naquilo. Quando se fala, se pode falar qualquer coisa, minha mãe dizia: Até papagaio fala! Mas quando se diz, deposita-se a verdade da existência de si ao que está sendo proferido: Quando digo Digo, digo Digo, não digo Diogo. Quando digo Diogo, digo Diogo, não digo Digo. Na maioria do tempo estamos falando - ah, e como falamos! Mas quando queremos dizer algo, em inglês diríamos: _I mean it_. Em tradução literal: Eu significo isso. Em tradução livre: quero dizer. A palavra interpola entre a ideia e o ser da coisa, o sentido. Nem sempre funciona muito bem, mas pra isso, temos as outras artes. Claro, como exprimir os infinitos pensamentos do ser humanos nas palavras? Delas, faço de instrumento. E, nessa repetição mecanicamente instrumental que é falar, um dia, disse. Disse: Não quero ser! Mal sabia o que era, mas, o que era, não me dizia mais. Mal sabia se era, mas se o era não queria mais o ser. Quero ser! Mas o que ser? Não sei, quero ser, não importa o que ser, além do mais, passei a achar o ser em seu singular muito tedioso. Quem é, é! Não há de ser outra coisa. Se a maçã é vermelha é porque é! A não ser que seja maçã verde - não é. Nunca vi uma maçã cor de rosa.
E se um dia eu, como maçã, não querer mais ser vermelha? A quem devo à suplica de meu ser? Pergunto pois, no mesmo instante rogarei: quero ser cor de rosa! E se o Deus das maçãs escutar as minhas preces, ficarei feliz ao saber que, ao mínimo pigmento que cobre a superfície lisa e brilhante de meu ser, fui inventada enquanto maçã. Bom, é da palavra que tenho então hei de usá-la! Usarei-a sem sentido dessa vez: Biboca, Pimpolho, coração de neném, cão, gato, sapato, amianto, aparelho, internato. Proponho um desafio, já propus o dizer - e o falar - bem como o escutar - e o ouvir. Agora peço que, escute o que vou lhe escrever. Não. Não. Melhor. Escute as palavras. Não! Não! Melhor! Se escute as palavras que tenho a lhe dizer:
Biboca, Pimpolho. Coração de Neném. Cão, gato, sapato, amianto, aparelho. Internato!
Se pões atenção ao que se ouve, creio que tenha sacado de inicio o rimar das palavras antes mesmo de eu as dividir na ordem que devem ser faladas. Aqui _faladas_ pois aqui o que importa é seu som, não seu sentido. Repita mecanicamente e verá que criou-se do que se imaginava não ter serventia alguma, a mecanização instrumental de falar as palavras, uma rima! Usai-vos os sentidos! Acredito que a ideia acerca da existência de sentido quando a palavra falta tenha se lançado a luz da dúvida aos instrumentalistas de plantão. Repito: Para isso temos outras artes. Se o que tenho é a palavra, hei de usá-la. Desta vez, usarei-a com sentido: preciso ilustrar uma imagem que ganhe sentido através da palavra: eis o ser. Sendo assim, comecei a falar dizendo. Sempre que falo, digo! Sempre que digo, digo de mim. Por ai, digo que escuto o que dizem de mim e assim, sou sendo.
Em 42 anos, meu coração só soube de amor uma única vez. Não há passado onde ela existe, pois o tempo, diante desse sentimento, perde o sentido. A lembrança de seu sorriso se confunde com o presente, como se estivesse aqui, ainda agora, acendendo em mim algo que o mundo não apaga.
Você foi, e ainda é, o que define o raro. Em meio a tantas vidas que cruzei, foi no seu olhar que encontrei o infinito. E por mais que os anos tenham desenhado sua ausência, meu amor não conhece o esquecimento. Amar você foi como encontrar a essência de todas as minhas buscas — e mesmo que o destino tenha seguido seu curso, você sempre será minha verdade mais profunda.
O que é raro nunca se desfaz, apenas se eterniza em silêncio.
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