33 anos

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Parkinson

Deu-me o Parkinson, quando tinha 35 anos de idade. Mas na verdade me apareceu, quando eu era muito mais novo. Aos 20 anos, estava eu no secundário, quando já sentia dores nas costas, sem que eu soubesse o porquê! Também comecei a ter, muita dificuldade em escrever. Nos testes que fazia, os professores, não conseguiam ler o que eu escrevia! Por causa disso, eu era prejudicado nas classificações. Tudo isto em 1983! Em 1984, fui trabalhar no Hotel Dom João II em Alvor, como empregado de mesa, no restaurante do Hotel. Aí continuava a ter dificuldade em escrever os pedidos dos clientes. Mas sempre lutando, sem saber o que realmente tinha, eu continuava a trabalhar.

Fui ao psicólogo, que me disse que o que eu tinha era nervos. O médico de família, receitou-me para as dores compridos.Em 1989, fui tirar carta de condução. Mas também com alguma dificuldade. Em Setembro de 1990, deixei o Hotel, tendo ir tirar um curso de pastor evangélico, no ano lectivo de 1990/91. Os professores continuavam a não entender, o que eu escrevia nos testes. Em Agosto de 1991, casei.

Em Setembro de 1991, comecei com pastor em Monchique. Em Maio de 1993, fui pai. Estive em Monchique até Novembro de 1995. Altura em que fui pastorear, a igreja de Évora. Em 1998, comecei a tremer de uma das mãos. Fui ao Neurologista no Hospital de Évora. O Dr. Costa Guerra, disse-me que eu tinha A doença de Parkinson. Comecei logo a fazer medicação. Em 1999, fui pastorear a igreja em Monção, onde estive até 2003. Nesse mesmo ano, vim para Lamego, onde permaneci até 2005.

Por causa da doença, deixei o pastorado e vim um ano de Baixa para Alcobaça. Em 2006 fui aposentado por invalidez. Mesmo assim vinha às consultas a Braga, até 2013. Nesse período de tempo terminei o casamento. Em 2014, depois de piorar da doença, vim morar para o Algarve. Ainda assim em 2015 fui dois meses à Suiça. Por ir piorando em 2022, fui operado no hospital de santa Maria, onde me puseram implantes no cérebro. Foi aí, que fiquei um pouquinho melhor.

Actualmente continuo na Unidade de longa Duração e Manutenção de Albufeira. Tenho 63 anos de idade.

Vinte anos atrás...




O teu rosto não sai da minha cabeça, principalmente quando tocam aquelas músicas cheias de magia atemporal,


Chego as vezes a sentir o teu cheiro no ar de tanto pensar naquilo que vivemos com tanta intensidade,


No intervalo da escola quando nos achávamos pelos corredores era tão bom,


Tudo era tão simples e real, parecia até um sonho,


Quando você teve que partir com a sua família para outro estado eu não consegui segurar as lágrimas e a saudade por muitos anos, cheguei a implorar a Deus pelo meu coração ser entregue com a tua volta, mas fiquei sem respostas,


O gosto dos teus beijos ainda me visitam, as nossas mãos juntas quando estou de olhos fechados me intrigam, fomos embora um do outro por coisas da vida, mas o sentimento que eu vive com você nunca deixou de me abraçar.

Onde estás?

Sinto a tua presença, você acordou há vinte cinco anos e eu sinto suas batidas do coração,
Por onde andas que ainda não apareceu para continuarmos a viver o nosso amor de vidas,
A distância machuca, mas saber que você reascendeu me dá esperança,
Não sei em que lugares te procurar, não sei em que rua ou estrada vamos nos achar, só posso afirmar que vai ser lindo quando nos reencontrarmos neste plano de vida.

Haruto, o Peregrino de 93 Anos*
No vigésimo dia da minha caminhada pelo Caminho Francês, no sentido contrário a Santiago de Compostela, em direção a Saint-Jean-Pied-de-Port, avistei ao longe um peregrino caminhando em minha direção.
À medida que nos aproximávamos, percebi, pelos seus passos, que se tratava de um homem bastante idoso. Quando nos encontramos, fiquei impressionado. Com a coluna levemente curvada, apoiando-se em apenas um bastão, usando botas, um chapéu de estilo japonês e uma mochila com um saco de dormir preso a ela, transmitia serenidade e determinação.
Estávamos próximos ao topo dos Pireneus. Eram cerca de onze horas da manhã de um dia muito frio. Eu seguia para Logroño, enquanto ele caminhava em direção a Nájera, em uma etapa de aproximadamente 30 quilômetros.
Com a ajuda de um aplicativo tradutor, perguntei-lhe se era do Japão. Sorrindo, confirmou com a cabeça. Apresentei-me como português, residente no Brasil havia quase cinquenta anos, e perguntei seu nome.
— Haruto.
Perguntei de onde era.
— Osaka.
Em seguida, quis saber sua idade.
— Ontem completei 93 anos.
Fiquei sem palavras.
Então ele explicou:
— Quando meus filhos começaram a me dar pequenas tarefas para ocupar um idoso, eu lhes disse: "Enquanto eu tiver pernas, vou caminhar para não dar trabalho a vocês." Já faz cerca de vinte anos que não paro de caminhar.
Perguntei se os filhos não se preocupavam com ele.
Ele respondeu com sabedoria:
— Eles é que deveriam se preocupar consigo mesmos. A vida nas grandes cidades, longe da natureza, tira das pessoas a alegria de viver.
Também contou que já havia caminhado por todos os continentes, exceto a África, por causa do calor intenso e da pouca infraestrutura.
Conversamos por cerca de quinze minutos. Ao nos despedirmos, desejei-lhe uma boa caminhada e alertei sobre as longas e perigosas descidas que enfrentaria.
Sorrindo, ele respondeu com um antigo provérbio japonês:
"Caia sete vezes. Levante-se oito."
Ele fez uma reverência com a cabeça. Eu ergui a mão e disse:
— Que Santiago nos proteja.
Naquele instante compreendi que a verdadeira juventude não está na idade, mas na vontade de continuar caminhando.
O senhor Haruto, aos 93 anos, tornou-se um dos maiores incentivos da minha vida para jamais desistir dos meus próprios caminhos.
Peregrino Nino Carneiro

Mamãe
Você está morta há 27 anos agora
E eu preciso te dizer
Que eu não sou mais o velho Aldo
Que você costumava conhecer
Também você costumava dizer que
Eu não era totalmente adulto
Mas todo dia, quando eu
Ouvia
Você dizendo isso
Meus sentimentos ficavam muito magoados
E eu também ficava muito chateado
Eu já era um homem naquela época
Você não me deixava ter
Amigos
Você também costumava me dizer
Que eu não sabia me socializar
Com as pessoas
Mas você também nunca me deixou
Ter
Liberdade na minha vida
Mamãe
Hoje, se você estivesse aqui
Para ver o Aldo maduro
Que eu me tornei
Hoje eu tenho 58 anos
Mamãe
E também tenho muita
Liberdade
Na minha vida
Eu simplesmente amo que você esteja
Morta
Porque assim eu posso ter minha
Vida
E ser maduro
Também você odiava tanto
Minha poesia
Mas hoje estou escrevendo poemas
Há 27 anos
E nunca vou parar de
Escrever
Poemas porque é terapia
Para mim
Mamãe
Eu ainda tenho minha vida aqui
Na Terra
E tenho bons amigos
Que me apoiam
No meu dia a dia
Mamãe
Espero que você esteja descansando
No céu
Mamãe
No dia em que eu morrer, irei
Para o céu
E lá estaremos
Reunidos novamente

Os anos passam
e quando penso que já me formatei, percebo que preciso continuar me esculpindo para caber dentro das surpresas que aparecem. Seria muito mais fácil se minha mente e coração fossem de pedra…

⁠⁠A consciência é adquirida com o gotejar de muitos anos de atenção e pode se evaporar em alguns segundos de ilusão.

X


Aquele adeus a anos atrás não foi o suficiente para nos barrar,
O encontro de almas pode acontecer mais de uma vez na mesma vida, isso aprendi com o doutor tempo,
Nostalgia x almas x amor x tempo = Destino.

"O GRANDE MAQUIAVEL DISSE A 500 ANOS (1.523), E CERTAMENTE LIVROU MILHARES DE PESSOAS DA MORTE; SEMPRE QUE PUDER; FIQUE ATENTO:
"O EXCESSO DE CONFIANÇA GERA IMPRUDÊNCIA" Ademar de Borba

Tenho lutado contra princípios e padrões que a anos embalaram meu cérebro no saco de petisco...

TRUMP é um playboy mimado de 80 anos que nunca ouviu um não! LULA é um homem honrado, de 80 anos, que vai dizer a ele: "Não!"

Nos últimos anos, o Brasil enfrentou todo tipo de catástrofe, natural e não natural. Contudo, a mais devastadora foi Bolsonaro!

Há 2 anos das enchentes de 2024 e correndo sério risco de outra cheia nesse ano, Melo lança plano para salvar o aeroporto! Boçal!

Um tour pelo centro nervoso de Santa Mariana
Final dos anos 1950 e início dos anos 1960

De frente para a praça, seguindo em direção ao antigo Banco Itaú, virando à esquerda, começava um verdadeiro passeio pelo centro de Santa Mariana dos finais dos anos 1950 e início dos anos 1960.

Do lado direito estava o Cine Rios, que futuramente se chamaria Cine Plaza. Ao lado do cinema havia um terreno baldio. De vez em quando aparecia por ali uma barraca de “tiro ao alvo”, que permanecia no local por algum tempo.

Mais tarde, naquele terreno foi construído um salão bem grande, onde se instalou a Sorveteria Ouro Verde — a mais linda do mundo! Quando a sorveteria encerrou suas atividades, o espaço se transformou em bar: o Bar Pinguim, do Dionísio Serafim. No luminoso do estabelecimento havia o desenho de um pinguim.

Certa noite, alguém com o teor alcoólico acima do normal resolveu atirar no pássaro do luminoso. Acertou. Durante muito tempo, ficou visível o furo da bala na placa. Uma pequena história, talvez, mas que ficou na memória de quem viveu aquela Santa Mariana.

Continuando pela mesma rua, cerca de cinquenta metros adiante, encontrávamos o Bar do Mathias. Aos sábados havia música sertaneja, cantada pelos irmãos Mathias. Era um dos pontos de encontro da cidade.

Na esquina, em frente ao bar, ficava a borracharia do Pedrão. Depois vinha a casa do Mauro Japonês e, logo adiante, o posto de gasolina, onde Mauro era o gerente.

Seguindo em frente, chegávamos à Farmácia do senhor Euclides/Florisvaldo. Depois da residência do senhor Euclides, ficava a loja de ferragens do Spagolla, o Henrique.

Chegando à esquina, do lado direito estava a residência do senhor Henrique e, em frente, o Posto de Puericultura.

Virando à esquerda, do lado esquerdo, ficava o Parque Infantil, no local onde hoje está o seminário. Em frente, estava a oficina dos Bampa.

Na esquina, do lado direito, ficava a residência do padre, a conhecida casa paroquial. Em frente seria construído posteriormente o Salão Paroquial Pio XII.

Nos fundos da igreja ficavam o Paço Municipal e o reservatório de água. Ao lado direito da prefeitura estavam o Posto de Saúde e a residência da família Zanini.

Um pouco mais adiante chegávamos à rodoviária, com suas lojas e seu movimento característico.

Logo na entrada da rodoviária ficava o açougue do senhor Júlio Rossi. Na sequência havia uma lanchonete que fazia uma vitamina muito gostosa. Vizinho à lanchonete estava o Bazar do Vitor.

Depois vinham outras lojas, uma barbearia e, fechando aquela sequência de estabelecimentos, o Bar do senhor Carlito Spagolla.

A rodoviária era servida pelos ônibus da Viação Garcia e por uma outra empresa cujo nome já não consigo lembrar. Essa segunda empresa fazia as linhas que ligavam Santa Mariana aos patrimônios próximos.

Em frente à rodoviária havia várias lojas. Estavam ali a Sapataria dos Serafim, o Armazém de Secos e Molhados do Shiguetomi, a Farmácia do Kamei — acho que era esse o nome — e, na esquina, um bar e restaurante.

Ah, e havia também a sorveteria, onde, além de tomar sorvete, era possível comprar figurinhas de jogadores de futebol. Para nós, aquilo também fazia parte da diversão.

Do outro lado ficava o Posto Shell.

Descendo em direção ao Fênix Clube, depois do bar das figurinhas, encontrávamos uma loja de sapatos chamada Calçados Bata. Mais adiante estavam a relojoaria do Nelson e o Foto Suzuki.

E, seguindo um pouco mais, chegávamos ao Banco América do Sul.

Esse era, mais ou menos, o nosso centro de Santa Mariana no final dos anos cinquenta e começo dos sessenta.

Hoje, talvez poucos consigam lembrar dessa cidade. Muitos dos que vivem atualmente em Santa Mariana nem sequer conheceram aquela época. Os prédios mudaram, os estabelecimentos desapareceram, as ruas ganharam outras paisagens e a cidade seguiu seu caminho.

Mas aquela Santa Mariana existiu.

Existiram o Cine Rios, a Sorveteria Ouro Verde, o Bar Pinguim com seu luminoso furado por uma bala, o Bar do Mathias e suas músicas sertanejas, a rodoviária cheia de movimento, as lojas, os bares, as oficinas, os bancos, os postos e, principalmente, as pessoas que davam vida a tudo aquilo.

Talvez este relato seja apenas uma caminhada pela memória de um velho morador.

Mas é uma caminhada por uma cidade que existiu.

E eu sou prova viva.

⁠Se eu passar quarentas anos orando e não tiver nenhuma resposta, já terá valido a pena, pois eu passei quarenta anos em comunhão com Deus, na dependência de Deus.

Moisés precisou de oitenta anos para descobrir que o propósito de Deus não nasce da força, mas do coração rendido. O palácio ensinou poder e liderança; o deserto ensinou humildade e dependência. Nunca é tarde para quem caminha no tempo da graça.

Fico perplexo ao ver calvinistas tentando provar que Calvino, mil e quatrocentos anos depois, entendia mais da doutrina bíblica do que a Igreja Primitiva e os seus líderes — os pais apostólicos —, muitos dos quais caminharam e foram discipulados diretamente pelos Apóstolos.

O Tatu Comedor de Defuntos

Eu tinha uns doze anos quando fui morar com minha irmã e meu cunhado em uma fazenda no Mato Grosso do Sul.

Era uma fazenda enorme de criação de gado. Tinha uma sede bonita, daquelas que impressionam qualquer menino do interior, mas não havia energia elétrica. Quando a noite chegava, a escuridão tomava conta de tudo.

Meu cunhado vivia aprontando comigo. Como sabia que eu tinha medo de fantasmas, inventava uma história diferente a cada noite.

Na fazenda havia um cemitério muito antigo. Segundo ele, era da época da Guerra do Paraguai. Sempre que passávamos por perto, surgia uma nova história de assombração.

Apesar disso, eu preferia ficar perto dele do que da minha irmã. Onde ele estava, eu estava por perto.

Numa noite, resolveu sair para caçar nas proximidades do velho cemitério. Antes de sairmos, contou mais uma de suas histórias.

Disse que naquele cemitério vivia um tatu gigante que havia comido todos os defuntos enterrados ali. Depois de se acostumar com carne humana, passou a procurar gente viva.

— Deu moleza, o tatuzão traça mesmo! — garantiu ele.

Mesmo assustado, escolhi acompanhá-lo. Entre ficar sozinho na sede e sair para caçar, achei que a segunda opção era menos perigosa.

No caminho passamos perto do cemitério. Era possível ver os túmulos no escuro. Dali até o local da caça, rezei todas as orações que conhecia e inventei mais algumas. Proteção nunca é demais.

Chegamos a uma árvore onde ele havia construído um girau, uma espécie de plataforma entre os galhos. Subimos e ficamos esperando algum bicho aparecer.

As horas foram passando. Encostei-me num galho e acabei pegando no sono.

Foi então que aconteceu.

Comecei a ouvir uma voz estranha me chamando. Como ainda estava meio dormindo, parecia vir de muito longe.

Era uma voz chorosa, vindo da direção do cemitério.

Assustado e confuso, procurei meu cunhado ao meu lado.

Nada.

Ele havia desaparecido.

A voz chamou meu nome outra vez. Dessa vez veio acompanhada de grunhidos estranhos, parecidos com os de um animal.

Na mesma hora tive certeza:

Era o tatu comedor de gente.

Como desci daquela árvore eu não sei explicar. Só sei que, em questão de segundos, eu estava dentro do jipe. O veículo havia ficado estacionado bem distante por causa do cheiro da gasolina, que poderia espantar a caça.

Até hoje desconfio que naquela noite eu voei.

Mas o pior ainda estava por vir.

De repente ouvi novamente o grito.

Agora bem ao meu lado.

Quase morri de susto.

Era meu cunhado.

Ele ria tanto que mal conseguia falar.

Na volta para a sede da fazenda, ainda havia várias porteiras de arame pelo caminho. Em cada uma delas eu precisava descer para abrir e fechar a passagem.

E toda vez acontecia a mesma coisa.

Ele me deixava para trás no escuro e saía gritando:

— Corre, que o tatu está vindo!

Eu nunca vi o tal tatu.

Mas tenho certeza de que naquela noite ele correu atrás de mim mais do que qualquer bicho daquela fazenda.

Um dia, lá pelo meu centenário, vou sorrir chorando: ah, meus oitenta anos!

Lá vai ele, deslizando, a camisa inflada pela brisa, as pernas fortes de noventa anos. Ainda quer mais um filho, ama as mulheres, elas soam como o piano. Ele sabe tocá-las.