Poemas de reflexão curtos que dizem muito em poucos versos
Por vezes sinto que nada sou
Por vezes sinto que muitos sou
Só sei que o sou
Porque se não o fosse
Nada seria;
Pouco sei
Não por querer
Mas por desistir
O saber não é algo meu;
E daqueles que sou
Um deles de algo sabe
Eu que eram todo
E agora sou muitos nada
Que dos muitos
Pouco sabem.
Nós somos os do fundo.
Piores do que ser nada,
Somos os que não se aguentam de pé
Pois nem pernas tem
Porque as perderam na queda.
E os que em baixo nos colocam
Os de mente poluída
São os que almejamos ser
Para sermos mais que nada
E sermos tudo.
Quem nos dera ser os outros
Que percebem o que digo
Sendo que nem eu, o nada,
O percebo.
Eu sou nada e eu sou tudo
Porque tudo é nada
E ninguém é algo;
Somos um mundo de nadas
E assim o seremos
Até que tudo acabe
Ou paremos de fingir que já não acabou;
Os outros que vêem a verdade
Não sabem se os ilusionistas a sabem
Pois será que sabe a lua que não brilha
Pois eu sei que sou tudo.
Foi há muito tempo
Mas eu ainda me lembro
Como se fosse hoje
Por amor a um grande amor
Deixe de viver um grande amor
Sob a face serena
E o olhar tranquilo
No fundo do peito
Acima de qualquer suspeita
Há sempre um vulcão
Louco para entrar em erupção
O que é isso, o poeta?
Poeta é aquele ser estranho
E cujas palavras
Eu encontro palavras
Para explicar a minha dor
E o meu amor
A alma acostumada
A navegar
Em mares sombrios
E tempestuosos
Nas manhãs de calmaria
Desencanta-se...
Então, o vento veio
E levou tudo
E me deixou
Desde então
Ando a procura de ventanias
Que me arranquem – com raiz e tudo
Deste chão - onde eu fiquei pregado pelo medo
Olho para o alto, tentando ver o céu
E o que vejo são os edifícios
e sinto pena, um arranha-céu inteiro
Não vale um poema.
Hoje o céu não está azul
E nem os meus olhos estão alegres
Quão trite é a solidão
Que aos meus olhos me parecem.
Não consigo entender
Esse meu pobre coração
Que todas as vezes que me encontro
Ele me arrasta para a solidão.
Como é triste ver a vida
De uma forma tão estranha
carregando em um olhar
uma aterrorizante lembrança.
Eu sou meio eu
E, tambem meio voce.
Inexisto sem meu eu
Pouco existo sem voce
Dois mundos em um so mundo
Nao sei em qual estou
Foi apenas num segundo
Que tudo mudou
Eu era apenas um
Agora sou mais que um
Nao sei como aconteceu
Eramos os dois sós
Hoje somos um nós
Dividindo o mesmo eu.
É primavera penso. Mas,
Sempre fica algo lá no
Fundo, um resquício
De outros outonos. E
Sempre me recordo
Das paixões que não
Vingaram, dos amores
Que não brotaram e
Dos romances que esfriaram
Por falta de calor. É ninguém,
Nem mesmo o amor,
Resiste a tantos invernos
Batendo no peito, no
Coração e na alma.
CAIXINHA VERMELHA
Sinto que deverás preencher um vazio que possuo nesta caixinha vermelha
Que trago no bolso esquerdo.
Sinto que eu posso estar te fazendo feliz
ao te dar um futuro
embalado na caixinha vermelha
The Silence
O que faço eu?
Quanto para eles
O meu silêncio é perturbador
e o meu falar é devastador?
