Versos curtos de Desculpas a quem Amo
Esta é uma confissão de amor: amo a língua portuguesa. Ela não é fácil. Não é maleável. E, como não foi profundamente trabalhada pelo pensamento, a sua tendência é a de não ter sutilezas e de reagir às vezes com um verdadeiro pontapé contra os que temerariamente ousam transformá-la numa linguagem de sentimento e de alerteza.
Há as pessoas que eu amo, as que eu gosto, e as que "nem fedem, nem cheiram". Também há aquelas que cabe o ditado: "Quando eu não gosto da galinha, até os ovos fedem".
Eu amo ter sentimentos, mas amo ainda mais quando passo a não sentir nada e sigo leve, sigo não, flutuo alheia a tudo.
Quando se fala de amor temos uma noção doce, gentil, alegre, sutil e feliz. Mas eu lhes digo: o amor é uma pancada, é despencar do 8º andar, é agridoce, é melancólico, é doloroso. Porém mesmo assim insistimos. O amor é um vício. Sentir todo esse mix doloroso disfarçado de boas intenções é maravilhoso, é viciante, nos dopa.
Eu amo tanto à mim que se me desse um copo de água e um pão eu trocaria por um tostão e procuraria um vendedor de espelhos para comprar um espelho pequeno e ficaria me vendo fixamente, olhando a perfeição atrás da inconsciência de um tolo sábio.
Eu amo a mentira, por dois motivos, o primeiro é por quê eu amo tudo e a todos, como diz o primeiro mandamento, e o segundo é por quê eu sou um grande homem - Hah achei uma falha na equação de Voltaire, vou escrever isto no túmulo dele.
Eu sou Ulisses na ilha de Calypso, mas saí de Calypso para encontrar Penelope. Eu amo e por isso existo.
Dizer te amo, é uma inspiração pra quem ama ser amado, olhando com carinho o presente de todo amor.
Eu te amo hoje e sempre, conte comigo, saiba que sou seu esposo, parceiro e o melhor amigo que você pode contar!
