Poemas curtos de Clarice Lispector
Aquela relutância em ceder, mas aquela vontade do grande abraço. Ela se abraçava a si mesma com vontade do doce nada.
Eu romperei todos os nãos que existem dentro de mim.
Entregar-se a pensar é uma grande emoção, e só se tem coragem de pensar na frente de outrem quando a confiança é grande a ponto de não haver constrangimento em usar, se necessário, a palavra outrem.
Sou muito mais lunar que solar.
Que simplicidade. Nunca pensei que o mundo e eu chegássemos a esse ponto de trigo.
Quero exigentemente que acreditem em mim. Quero que acreditem em mim até quando minto.
Mas ela já o amava tanto que não sabia mais como se livrar dele, estava em desespero de amor.
Eu quero o pensar-sentir hoje e, não, tê-lo apenas tido ontem ou ir tê-lo amanhã. Tenho certa pressa em sentir tudo.
Viver é extremamente tolerável, viver ocupa e distrai, viver faz rir.
Ora, não sou linda. Mas quando estou cheia de esperança, então de minha pessoa se irradia algo que talvez se possa chamar de beleza.
Quem não tem pobreza de dinheiro tem pobreza de espírito ou saudade por lhe faltar coisa mais preciosa que ouro – existe a quem falte o delicado essencial.
E então eu soube: pertencer é viver.
Que alívio. Felicidade, meu bem, é alívio.
Eu acho que, quando não escrevo, estou morta.
Experimentamos ficar calados – mas tornávamos inquietos logo depois de nos separarmos.
Eu nunca fui livre na minha vida inteira. Por dentro eu sempre me persegui. Eu me tornei intolerável para mim mesma.
A esperança também não tem número. Perder uma coisa é inefável: nunca sei onde as coloquei. (...) Ser é de um provisório impalpável. (...) Juro que preciso de soluções. Não posso ficar assim completamente no ar.
Às vezes escrever uma só linha basta para salvar o próprio coração.
Sei que as coisas são complicadas. Mas são ao mesmo tempo simples. Elas se complicam à medida em que se tem medo da simplicidade – porque essa simplicidade seja o fato em si, a verdade.
