Verso com o Tema te quero
Ecos da Eternidade
Nas brumas do tempo, ouço um canto,
um sussurro antigo, um verso santo.
Há segredos na aurora e nas marés,
há promessas tatuadas nos pés.
Caminho entre sombras e luzes veladas,
minha alma é chama, em fogo bordada.
Busco no vento respostas silentes,
na dança das folhas, verdades latentes.
O que é o destino, senão um esboço?
Traços de sonhos num céu de alvoroço.
Sou rastro de estrela, sou poeira em dança,
sou lágrima e riso, sou fé e esperança.
Se o tempo me leva, deixo raízes,
palavras gravadas em almas felizes.
Pois sei que na brisa, nos cantos do dia,
meus versos renascem — pura poesia.
Litteris Mulher
Uns escrevem em prosa
Outros em verso
Não sabem a arte que envolve seus ritmos
Casa uma de suas letras, suas rimas
O que forma?
Palavra de força
Aço escrito por mãos divinas
És abraço que cura
Harmoniosa sinfonia
Nascer do sol e tempestade
Luz, azedo, áspero, dor, ternura e alegria
Única mistura
És Mulher
Ventre sagrado
És amor em cada um de seus traços
És Marielle, Penha, Izadora, Afrodite, Maria
És Mulher,
A mais bela poesia.
Eu sou o rio que flui contra a maré,
eu sou a semente que brota no asfalto,
eu sou o verso que o vento não cala,
eu sou o eco que ressoa no silêncio.
Teu Corpo, Meu Verso
Teu corpo é como um verso,
onde deslizo meus dedos,
percorrendo tua pele macia,
sentindo teu coração acelerar
a cada toque,
cheio de calor e desejo.
Teu sorriso é um poema,
tua voz, uma melodia,
teus olhos brilham como o sol.
Estar perto de você
é como um dia ensolarado,
onde os pássaros cantam,
o vento sopra,
as árvores se sintonizam,
e todo o resto desaparece.
Intensas como a chuva forte,
emoções à flor da pele,
sentimentos recíprocos,
Medo e anseios
Parecidos,
sinto
Um enorme
Ansejo.
EE
Hoje não escrevi
Não me atrevi
Em fazer um verso.
Toda vez que pego papel e caneta
Lembro de você
E aí tudo me leva a escrever
Sobre nós dois
E isso já é passado,
Necessito escrever novas histórias.
Eu espero que cada erro seu se transforme em verso
Que cada tristeza sua vire melodia
E que você aprenda a fazer um samba com a sua solidão
Em cada verso
Que escrevo
Deixo um pouco de mim,
Quando eu partir
Não será o fim,
Ainda estarei aqui
Em poesia.
ENREDADA DE NADA
Versejo triste, ralo, a poesia vazia
Verso sangrando de muito sonhar
Atrás de uma poética com alegria
Em vão me esforço para alcançar
Rimei paixão, sensação, ousadia
Sem nunca largar, ou desanimar
Em uma fé sedutora que me guia
Sofri, chorei... Noite e dia a idear
Poeto exausto, lerdo, desatento
Um canto de sussurro, lamento
Saem nos versos em enxurrada
E neste poetizar com verso rudo
A minha desilusão é quase tudo
Numa poesia enredada de nada.
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
10 abril, 2024, 20’36” – Araguari, MG
SOMBRAS
Guardo poemas soturnos e cinzentos
Numa inspiração desbotada, sem luz
Suspiro no verso sentido, que traduz
A minha poética, cheia de tormentos
Tem tons, inquietos, ais e lamentos
Nos sussurros, a poesia me conduz
Choro e apertos numa pesada cruz
Poetizando estes árduos momentos
E cada sentimento, então, aí figura
Sofrência, enchendo de desventura
A prosa que só queria, apenas amar
E triste, poeto e sinto, sofro e enleio
Vejo tudo feio, tenho o coração cheio
E, a noite sombria, a passar devagar.
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
13 abril, 2024, 19’32” – Araguari, MG
QUISERA, O QUE NÃO FUI
Quisera ter amor no verso de paixão
Ter carinho, gesto, estar enamorado
Sentir na poesia gentileza, a emoção
Ser olhado, estar encantado, amado
Quisera a singeleza em cada fração
Tal um lírio perfumado, tão delicado
Poetar o poema cheio de sensação
Nesta ilusão o tudo com significado
Quisera ser poeta, para dar-te poesia
Na prosa a palavra que acole, alumia
E sentir no meu versar o que conclui
Quisera ser a harmonia uma ternura
Ter da sedução a emoção mais pura
Quisera ser, ter, enfim, o que não fui.
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
16 abril, 2024, 12’48” – Araguari, MG
VERSOS MURCHADOS
Pelo soneto saudoso vou versejando
Verso choroso de emoção carregado
E pela poética a agonia vai passando
Suspira, sussurra, ah! sentir danado!
Trova e canta o canto, assim, rimando
Com a rudeza do vazio, tão atordoado
E a alma do sentimento vai murchando
Deixando sem comando o ritmo do fado
Guarda escondido dentro desta poesia
Um tesouro de amor, outrora de alegria
E, a paixão de um romântico coração...
Nem se compara os dias tão elevados
Versados aqui sem reação, despejados
Murchados e, sem qualquer percepção.
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
23 abril, 2024, 19’45” – Araguari, MG
*Minha dor*
E fez-se verso oque era incerto,aquela coisa meio sem nexo,deixou uma marca de grandes restos,e tudo aquilo que sobrou ,foi apenas um vazio,grande e frio.
E cada palavra dita,cada pedaço de frase escrita, não é capaz de distinguir, a essência da dor que restou,em meio a trapos e Farrapos,nada ficou.
E aquilo que um dia foi eterno,hoje não passa de um instante,apenas um verso constante,que as vezes reaparece,que pena que ele não me esquece.
MENTIRA
Acreditei em ti, poética, no emocional
Verso, foi assim, que me vi com ilusão
Cevando dentro de mim algo especial
O amor singelo e ledo, na composição
Pensei ter alcançado então, um final
Enredo, cheio de alegria, de emoção
Tão desejado, e, tão transcendental
Num soneto com sentido e sensação
Tudo em vão, mentiste, burlou tudo
Disfarçou cada detalhe do conteúdo
Deixando túrbido poetizar que delira
Ah! a ode de paixão que tanto ansiei
E o sentimento que contigo poetizei
Acabou, afinal, sendo uma mentira!
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
08 maio, 2024, 13’18” – Araguari, MG
PERDURAR
Se poeto verso cheio de piedade
Com rima leve de coração gentil
Retalham-me inquieto e tanto vil
Com a poética cheia de vaidade
Não quero maldade, nem deidade
Tão pouco um cântico mais hostil
Mas sim, sensato, amoroso e sutil
Feito com sentimento e suavidade
Meu amor delira, meu peito chora
Sinceramente, no prosar e, assim
Embriagado na inspiração, aflora
Ah! Paixão, dá-me o tom no viver
Tira a exclusão de dentro de mim
Para não deixar a emoção morrer.
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
09 maio, 2024, 12’28” – Araguari, MG
REMEDO
Belo verso, bela poética, bela poesia
belo ritmo, belo canto pro belo atraído
belo compasso tão belamente sentido
sendo belo de delicadeza e harmonia
Aquele que arfa terno a terna sintonia
mitiga a rima sombria do pesar vivido
despegando o gemido que hás doido
para o que é ao poeta singular agonia
Dia virá que a gratulação, então, recite
o seu dom cheio de jeito, e de quimera
que por valioso amor fez o seu enredo
Assim, ó sorte exigente e sem limite...
por que o amoroso verso não nascera
só fazendo do meu versar um remedo?
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
18 maio de 2024, 14’30” – Araguari, MG
Divino Deus, clamo por Ti, clamo pelo universo,
E lanço no alento a minha prece, num verso.
Que minha voz ecoe aos sete mares, nas montanhas e vales,
Nos rios que correm livres, em brumas e cristais.
Oh, Senhor dos céus, ouve meu clamor profundo,
Traga para mim aquele que deixou-me neste mundo.
Percorro terras distantes, grito ao infinito vasto,
Onde está meu amor, meu coração em descompasso?
Minha alma perdida vaga, em busca do perdido,
Divino, peço-te, escuta meu rogo sentido.
Que o vento leve a mensagem, que o céu possa ouvir,
E que minha voz encontre quem me fez sorrir.
Nos segredos da noite, na luz do alvorecer,
Traga-me de volta, aquele que me fez viver.
De montanhas a vales, aos mares e ao rio,
Elevando a Ti, meu grito, meu eterno brio.
Que a força divina una nossos destinos dispersos,
E que, na imensidão do cosmos, achemos os versos.
Pois meu coração clama, num eco de amor,
Divino, traga-me aquele que é meu verdadeiro ardor.
Que importa a diferença de idade,
Quando o que nos une é a cumplicidade,
És a musa dos meus versos, a inspiração do meu ser,
E em ti encontro a razão de viver.
APENAS
Que eu trove, somente, a minha saudade
Como se fosse o suspiro em mais um verso
A rima perdida na recordação, no disperso
Enfim, a sensação de liberdade e de vontade
Que eu liberte uma qualquer imaginação:
Olhares meigos e aquela aprazível alegria
Inspirada pra você, com a ventura luzidia
Inteira, pelos vários sentidos duma emoção
Que me tenhas teu, só teu, a todo momento
E seja o sentimento, a tua boca o meu alento
Ousadia, companhia e tão cheio de fantasia
E que, apenas, sinta, sussurre á minha prosa
Agrados, emoções, aquela ternura carinhosa
Na poética saudosa com porção de nostalgia.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
10 dezembro, 2021, 21’04” – Araguari, MG
