Ventre
CERNE (soneto)
Do ventre do cerrado ergui meu gemido
Estrugido duma saudade que me eivava
Furtando o fôlego duma dor que escava
O coração já aturado e um tanto dividido
Da solidão a tramontana reviu-se escrava
No cerne da sofrença no peito desfalecido
Que és de tudo escárnio no fado contido
Grito! Que ao contentamento então trava
Que labareda tal me arde no esquecido
Me remanescendo qual tétrica cadava
E me prostrando na réstia do suprimido?
E, se toda sorte aqui me falhe, és clava
A esperança, dum regresso ainda vivido
Factível, sem os que a quimera forjava...
Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Janeiro, 2017
Cerrado goiano
Em nome de Deus...
Sou semente de milagre milenar
Brotada criança do ventre de mãe forte
Menino somado de verbo e esperança
Que a sorte desdenha e a dor já não alcança
Sou filho de muitas aldeias
E de todos os mundos
Trago no peito todas crenças
E no sangue frágil, um sonho que teima
Não tomo a fome por inimiga
Nem o sol, por castigo
Das defesas, que me são poucas
A tez é a de mais orgulho e valia
Meu melhor emana de meu olhar
É ele que fere de vida qualquer morte
É ele que leva o perdão que entrego
Aos dias da infância que não visitei
Eu chorei todas as dores e lágrimas que entupiam minhas vísceras.
Eu lhe arranquei de meu ventre, com intenção de abortá-lo, aos prantos, ninguém me ouviu.
Venho de tantos lugares de tantos luares,
vivi no ventre e em meio a tanta gente,
estive feliz como um passarinho em vôo,
batendo livre as asas por sobre os mares,
visitei varias mulheres, milhares de casas,
amei, amei muito, ah! como eu amei.....
Temos imperfeições de dois tipos, as primeiras são as que carregamos desde nossa formação no ventre de nossa mãe, são imperfeições no DNA que definem geneticamente se um fio de nosso cabelo crescerá torto para esquerda ou direita, se nosso nariz será grande ou pequeno e gracioso. As segundas imperfeições são as piores, pois são de cunho comportamental, são feridas no caráter de alguém, se não bastasse ser fator definitivo de convivência social, implica em ferir também outras pessoas.
Procuremos ficar longe de pessoas assim, pessoas que nos fadigam e nos fazem sofrer, mas também, procuremos fazer uma introspecção para vermos e enxergarmos as nossas próprias feridas, elas também machucam outras pessoas e a nós mesmos por tabela.
Esse pequeno alô, é de valia para percebermos que ninguém é perfeito, que nós não somos e que estamos muito longe de ser uma essência pura de viver em sua plenitude, somos pessoas, algumas, que procuram melhorar dia após dia e, talvez isso nos torne um pouco mais humanos para cada 24 horas que vivemos ...
Nascer para este mundo nao é uma conquista e sim, um desafio. A sua conquista foi chegar ao ventre.
05.
“O político corrupto, com certeza, não sai com essa deficiência do ventre de sua Mãe, ele nasce a partir do momento em que o povo se ilude com seus bonitos discursos e promessas, e, o elege com seu voto!”
Gutemberg Landi
06.02.2016
Mãe!
Ser mãe não é só carregar no ventre uma criança e dar a luz.
Ser mãe é bem mais que isso.
Mãe é aquela que cuida, ouve, aconselha.
Mãe da bronca, carinho, amor.
Mãe briga COM o filho e briga PELO filho.
Mãe chora de alegria e de saudade.
Mãe sente a dor do filho, e se alegra com a vitória.
Vemos muitas mães que não deram a luz, mas são MÃES.
Mãe-vó, mãe-tia, mãe-irmã, mãe-madrinha e às vezes até mãe-vizinha.
QUERIA SEMPRE PODER PROTEGE-LOS
Como foi bom sentir-los em meu ventre ,
Nele eu poderia protege-los.
Nada de mal os aconteciam
E quando nasceram senti falta quando nele se mexiam .
Quando vocês nasceram
Agradeci a DEUS, pois eram tudo que eu queria
Amamentar olhando seus rostinho
Emoção maior não tinha.
Sempre pegando em suas mãos
Ensinando passo a passo,
E o tempo voou feito um furação.
Como era bom se o tempo parasse
E vocês não crescessem ,
Crianças vocês ficassem
Para que eu sempre os protegessem.
Relatos de uma mãe, que do seu ventre para ele deu vida.
E triste ao pó da terra lhe devolve.
Ninguém lhe amou como eu amei
Sonhou como eu sonhei
Nunca lhe sorriram como eu sorri
Nem cuidaram como eu cuidei
E perdoaram como eu perdoei
Não choraram com sua partida
como eu chorei.
Amor, sonhos, felicidade, carinho e perdão lhe dei.
E com ele para terra se vão.
Não mudamos. Podemos melhorar, mas não mudamos. Somos o que somos desde o ventre da mamãe. Ser é uma questão de ética. A ética é imutável e universal. E eu venho descobrindo que tudo em nossa vida é questão de ética. A justiça tem seu alicerce na ética. Amar é um comportamento ético. Podemos nos transformar, mas não deixamos de ser, não mudamos. A transformação é uma questão moral. O leite se transforma em doce, mas continua leite. O leite não muda para ser café. É um esforço desnecessário e vão tentar mudar a si e, principalmente, aos outros. Vivemos acercados destes dois pilares da convivência: a ética e a moral.
"Um sol para constar o universo em flor que rasga o ventre da terra e poetisa o amor.
Um céu para anunciar o futuro em cor que colore a vida e ameniza a dor."
Longe do mar, me sinto como uma cria, expulsa do ventre materno e brutalmente separada do liquido amniótico, que lhe garantia a vida!!
odair flores
Você não me conhece
Eu não nasci do ventre da terra
Meus pais não são a lua e o sol
O mar não foi o lençol
Que usaram para me criar
Não sou irmão dos animais
Até conheço uns tais humanos
Mastigam certezas cheios de engano
E por achar que pensam
Se acham demais
Eu sou filho de mim mesmo
Ninguém sabe donde eu vim
O porteiro do inferno já me viu
Já tomei café com os querubins
Eu podia ser tudo e bem além
Mas adoro o título de “zé ninguém”
Porque assim eu surpreendo
O mundo de quem se acha alguém.
