Velocidade
NO TEMPO
Sou o eu que marcha, que andeja
Princípio, sou fim, poesia agarrida
Levo o plural: a tristura e a peleja
As vaidades, e os alardes da vida
O tempo passa, repassa, ou seja
Corre, e nesta ventura, a medida
Pra cada hora: a fé, assim esteja
Os anos no muito na sua torcida
Vou levando acertos e os danos
Vou levando o tudo e o instante
O amanhã a extensão dos anos
Ninguém pode evitar o talvez
Assim, que tudo seja vibrante
E o amor, o primordial da vez!!!
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Novembro de 2018
Cerrado goiano
Olavobilaquiando
Quando eu era pequena
adorava passear de ônibus com meu pai
ele sempre ia a cidade
eu ficava observando da janela
as palmeiras plantadas no canteiro central da avenida
Como era linda aquela vista
Eu observava os letreiros das fachadas das lojas
e lia uma por uma na velocidade que o ônibus corria durante o trajeto
os meus olhos também eram ágeis como o vento
este era um dos meus favoritos passatempo
Olhava a natureza em volta em meio a tantas palavras
mesmo sem saber o que elas significavam
Quando se tem sete anos de idade e você aprende a ler
você quer mesmo é aprender
Ate os 18 anos de idade, 1 ano parece uma vida.
Depois dos 50, 1 ano parece 1 mês, e um mês uma hora
É a velocidade do tempo!
Chegar a uma conclusão de que Deus não existe é uma estima tão tola e estupida, que é como se um alguém inexistente pensasse em existir, o que é impossível, pois não existe. Tal pensamento e argumentação veio de alguém que perdeu a lucidez pelo álcool da insensatez.
O poder abrange apenas aquilo que é possível, o que não é possível ultrapassa a barreira do poder e alcança o que até então poderia ser impossível.
Como são desajeitados os seres humanos quando comparados com os animais! Veja, por exemplo, os macacos. Sem nenhum treinamento especial, eles tirariam medalhas de ouro na ginástica olímpica. E os saltos das pulgas e dos gafanhotos! Já prestou atenção na velocidade das formigas? Mais velozes a pé, proporcionalmente, que os bólidos de Fórmula Um! O voo dos urubus, os buracos dos tatus, as teias das aranhas, as conchas dos moluscos, a língua saltadora dos sapos, o veneno das taturanas, os dentes dos castores...
Sua mente também é uma rede social, onde a conexão com outros é rápida e instantânea, podendo enviar na velocidade dos pensamentos, as tempestades ou brisas que desejar
Quando somos rejeitados por um amor, fugimos para viver um segundo amor bem rápido. Mas a maioria das vezes isso não dá certo. Sei que todas as pessoas não são iguais. Sei que a falta de um amor nos faz sentirmos sós. Mas colocar uma outra pessoa, só para preencher o vazio que temos dentro do nosso coração, e ficar só por ficar, esse o maior erro que podemos cometer pós relação. Devemos nos dar a chance de conhecer uma outra pessoa, sim, pois se não, como saberíamos que iria dar certo. Mas vá com calma. Nessas horas a direção é mais importante que a velocidade.
O amor é toxico e tem presa, ele não deixa para o amanha o agora, nada mais é tão belo como o sentimento, a fúria do tempo faz-se com que um amor vai de encontro com o outro na mais alta velocidade e quando separados faz com que a eternidade exista.
Nada melhor para demonstrar o conceito de Modernidade Líquida de Sigmunt Baumer do que a política brasileira. Tudo muda com uma velocidade espantosa. O que hoje é preto amanhã é visto como branco. A honestidade muda para desonestidade rapidamente, mas dificilmente retorna ao status de honestidade, porque parece que nunca teria sido. O bandido é preso e o STF o solta. Outros estão soltos e o STF, por vingança os prende. Nada é permanente nesse país, com Leis para não serem respeitadas.
Imaculada simplicidade era aquela, onde se fazia cumprir a lei de um artigo só: aquele que dispunha sobre a velocidade do gatilho.
Tendemos a propor soluções iguais para problemas semelhantes e isso é muito perigoso em um mundo com mudanças a uma velocidade exponencial. Podemos estar usando paradigmas e modelos de pensamento que não servem mais, mas como aparentemente a situação é a mesma, a solução aplicada continua sendo a mesma. Não é possível mais operar no piloto automático, sendo necessário estarmos constantemente reavaliando a forma como fazemos as coisas.
A maneira como você enxerga a vida e as circunstâncias a sua volta irá definir o caminho, a velocidade e onde você irá chegar.
Como o garoto aprendeu a voar?
- Acho que ele sempre soube? Disse Lincoln.
Um dia ele está aqui me ajudando a dobrar o metal. No dia seguinte ele e o professor estão voando a 650 quilômetros por hora. No escuro, com aqueles primeiros motores.
O veneno de uma serpente não é tão poderoso quanto a química de suas palavras, que podem intoxicar o próximo com a velocidade de um relâmpago
ATRAVÉS DA JANELA DO ÔNIBUS
(...)
As pessoas não nos ouvem porque estão em seu caminho andando rápidas demais, ou então caminhando como zumbis surdos-mudos. Quando sofremos, paramos diante do sofrimento, pois, enfim, algo de extremamente real está a nos deixar perplexos. O conforto da ilusão acaba, e a boa vida, simples, tranquila, é interrompida por algum fato traumático, insólito, estranho. Algo nos arranca da hipnose coletiva e nos põe sozinhos, não por estarmos sozinhos no mundo, mas por nos acharmos fora da catalepsia cotidiana de quem levanta da cama, toma café, põe o mesmo uniforme ou terno e vai para o mesmo trabalho quase que sem lembrar-se em que dia da semana está. Para uns, isso é a glória e o orgulho por se sentir um herói fora do gado humano. Para outros, experiências dolorosas ou alegres, desde que excedam o "script", são sintomas de que estão fora da realidade.
(...)
Naquela noite, não pude dizer nada à garota, pela distância em que me encontrava dela. Os policiais já tinham se encarregado de soccorê-la, além de, eventualmente, servirem de psicólogos de improviso. O gado do ônibus seguia para seu estábulo, bem disciplinado e anestesiado. A garota ficou lá, à mercê do princípio que diz que seres humanos não devem estar fora do convívio social. O ser humano é um animal domesticável, interdependente de seus pares. Nenhum de seus pares parecia lhe ouvir, as manadas humanas lhe passavam sem notá-la. O ritmo do mundo a atropelava e a redoma em torno de nossos ouvidos impedia que seu uivo ecoasse em nossas mentes. Apenas o vidro da janela do ônibus me permitiu ver a paisagem do medo e da perplexidade. A banalidade da Vida veloz e sem conteúdo impera sobre o sabor das lágrimas daquela garota.
("Através da janela do ônibus": http://wp.me/pwUpj-L6)
"mais vale uma caminhada na direção certa do que uma corrida na direção errada,melhor chegar devagar do que se afastar depressa."
