Velha
O jeito é voltar á velha rotina de ser um jovem poeta, escrevendo melancólicas frases pra ver se um dia essa felicidade que por um tempo me pegou, volte!
Enquanto você não abandonar a sua velha versão, Deus não poderá te conduzir ao propósito grandioso que preparou para sua vida.
Cemitério.
Madrugada.
O orvalho fede a lembrança e carne velha.
E eu tô ali.
Com flores murchas na mão
e esperança enfaixada em gaze suja.
Sabe o que é amor?
É escavar a terra com as unhas
porque a pá ficou leve demais.
É sentir o cheiro de formol
e ainda assim achar perfume.
É abrir o caixão devagar,
como quem desembrulha um presente proibido.
E lá está ela.
Minha musa cadavérica.
Rainha do silêncio.
Pele cinza como as manhãs que eu perdi.
Lábios rachados,
mas o sorriso?
Mais sincero que o de muita gente viva.
Dizem: “isso é doente.”
Mas eu te pergunto:
e aquele cara que finge amar só pra não dormir sozinho?
Ou aquela que sorri por obrigação no jantar de família?
Quem é mais doente?
Eu amo cada verme que beija tua carne.
Cada lasca do teu osso que brilha na luz da vela.
Eu passo os dedos pelas costelas
como quem dedilha um piano
e ela me canta, em silêncio.
Uma ária morta.
Um sussurro do além.
Te vesti com seda e desespero.
Te deitei no lençol da minha culpa.
E fiz juras que até Deus viraria o rosto.
Mas ela não.
Ela me olha com olhos secos
e ainda assim me vê por inteiro.
E sim, a cama geme.
Não de prazer.
Mas de peso, de passado,
de pactos que não têm volta.
Velha Amiga
Não corro da morte,
não tremo ao seu nome.
Ela não é sombra,
é apenas silêncio que chega sem alarde.
A vejo como uma velha amiga,
de passos lentos,
que caminha à margem da estrada,
esperando o dia em que nos sentaremos
para conversar,
como quem reencontra alguém
depois de uma longa jornada.
Ela não me assusta.
Me ensina.
Me lembra que cada nascer do sol é raro,
que o riso de hoje não volta,
e que amar vale mais do que temer.
E quando chegar o momento,
não haverá luta.
Apenas um aceno leve,
como quem parte de casa,
mas sabe que foi inteiro
enquanto esteve.
Velha embalagem
Embalagens luxuosas fazem do insensato um soberano intocável. Uma cobertura deliciosa e delicada, com data de validade. Consumidor final iludido, disposto a pagar caro pela embalagem desprezando o produto essencial interno. O ritmo do jogo faz parte de uma nova partida entre os bons e os melhores. É na ilusão da embalagem que se perde a essência e o valor da razoável dignidade.
Seu desejo atendido foi mera coincidência passageira da moda , do gosto , da ilusão que agora não passa de uma velha embalagem...
Autor: Gilson de Paula Pires
Quem sou eu?
Um humano entre as vielas na Velha Calçada
A pequena Londres te recebe de braços abertos
Confesso que
Imaginei um coadjuvante para o novo longa metragem
The Walking Dead ressurreição na cidade sol nascente
Após longa prosa o desconhecido abriu seu coração
Seu moço perdi minha familia, vício droga e destruição
Da ferroviária para linha de ferro não tenho parada
Quem já foi craque no futebol um dia
Hoje o "craque" dominou, sem amigos longe dos amores
Sou "nômade", becos, rodoviária, albergues, mocó, praças, viaduto
Olhar perdido sem rumo um cachimbo na mão
Meu Deus, o saci Pererê está sem pito
O breu é seus misterio nas frias noite inverno
Nosso povo generoso muita esmola e um sopao
Viva o assistencialismo, ah sou solidária sorriso estampado na face
Os anjos assistidos, sonham com um futuro melhor
Viva os maus políticos da velha política nacional
O pé vermelho encantado com a cantata natal
'Noite feliz noite feliz o menino Deus nasceu"
Nas noites natalinas corpos cobertos com papelão enfeitam as marquizes da cidade.
16/08/2021.
Os meus doces olhos lânguido
ficará pousados sobre o poente
naquela velha estradinha,
donde chegam e se vão as almas aventureiras...
Quem fica,
quem parte...
E que por alguns instantes de anos, horas imaginei avistar ao longe sua chegada...
O tão sonhado encontro naquela pequena praça,
disfarçando toda a nossa vontade em meio a pessoas estranhas que ali trafegavam...
A emoção, feito flor na pele,
exalava o odor único e incomparável,
o de nossos desejos...
Os meus olhos, então debulhado do que me transbordava o coração,
escorriam em lentidão, feito o orvalho da manhã,
gotas aveludadas e cristalinas.
Entre mãos e braços entrelaçados,
o seu corpo aconchegado ao meu corpo tão frágil e pequeno,
nos deixamos ali ficar como se todo o resto do mundo tivesse desaparecido da face da terra.
Aquele momento imaginado e tão esperado,
se fez como tanto sonhamos.
Já nem sei o que foi real ou ilusório,
e se todos os instantes idealizando um abraço seu no meu,
teria sido só loucura da minha cabeça...
Presa estou entre o que criei,
acreditei,
escrevi,
vivi,
senti,
e o que desconheço.
Você!
Rabiscando Palavras.
A liberdade não é um fato, um ato parado no tempo, imutável e inabalável como uma velha montanha. Não! A liberdade é uma jornada, um empreendimento humano milenar, cuja marcha exige sacrifícios gigantescos. Ela é um milagre extravagante, que está sempre por um fio de se perder.
Quando um novo dia começa e uma velha alma se vai, e nesse momento que faço minha passagem, irei subir junto com o sol ou descer junto com a lua? Não sei, só irei fazer.
Aquele bolo que falaram,
Nascido da velha forma mágica,
Ser de fubá cremoso,
De tão bom,
Tinha gosto de creme fuboso,
GENTE GRANDE
Em minha velha infância eu queria ser gente grande
Quando eu tinha tempo para olhar o céu
Quando ficava de bem com o amiguinho entrelaçando os dedos
Quando dormia cedo para chegar logo o dia seguinte
No tempo em que as águas da chuva levavam meus barquinhos de papel
No tempo em que subir em árvores era tão normal quanto um sorriso ao comer chocolate
Mal sabia eu...
Naquela época é que eu era grande.
Certa vez; um homem que morava em uma casa velha se cansou por já está ali desde sua infância, e resolveu ir morar em um palácio. Lá descobriu que não havia alimentos. Retornando a sua velha propriedade, onde a lavoura era farta, descobriu que ela estava habitada por novas pessoas, e assim ele mendigou o resto de sua vida.
Cuidado com as escolhas que você faz, pode não haver retorno, e nem sempre o luxo tem a felicidade que aparenta ter.
A velha e inquietante pergunta.
Somos livres?
Há quem afirme e passe recibo com um enorme "Yes", "Sim."
Porém delibero um pressuposto inquietante de:
Se algo ou alguém nos detém ou controla ou dependemos;
dá-se a entender que liberdade é algo dúbio e fugaz.
... e indago-lhes!
Quem é livre?!.
