Vaidade
Vaidade é uma das forças que movimentam a Humanidade, então cabe entender que a busca pelo próprio louvor estará sempre obscurecida atrás de uma aparente expressão de nobreza.
Ela não vem com coroa de vaidade,
nem se adorna com vanglória ou falsidade.
Sua beleza é feita de fé e renúncia,
vestida de linho puro, amor e obediência.
Fragmento IX - Livre-arbítrio
Que livre sou, me diz minha vaidade, contudo, nasci preso ao vício e à corrente, que me impôs o meu Pai, a minha Mãe e essa serpente. Estou a contorcer-me com isso, como quem no ventre é enlaçado pelo cordão que o alimenta.
Se penso, é pensamento de herança; se creio, é fé que veio por deveras, porque, até onde sei, fui criado em fórmulas austeras de um mundo partido por falsa percepção.
Dizei-me vós, ó sábios de batina: sou livre, ou apenas um desobediente?
Quem dá ouvidos ao próprio ego amplifica o ruído interno da vaidade e ecoa uma versão distorcida de si mesmo.
A extrema vaidade do corpo sufoca o espírito, que é o mais importante. A estética está acima da saúde?
Afasta de mim a vaidade e a palavra mentirosa; não me dês nem a pobreza nem a riqueza; mantém-me do pão da minha porção acostumada.
Aquele que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma à vaidade, nem jura enganosamente.
"Olhe, realmente, é a humildade que nos faz grande
e nos liberta da vaidade!"
Otávio ABernardes, o "Joli"
Goiânia, 21 de fevereiro de '25.
A vaidade é um balão inflado do ego que se dilata com o próprio sopro até estourar no vazio. Ela cega porque dilata o que a pessoa é de verdade e diminui o real valor alheio. Ela é um obstáculo à comunicação e ao amor. Pessoas vaidosas são solitárias porque olham o mundo na vertical e não na horizontal.
Minha boca é livre. Não se pinta por vaidade, mas por escolha. O batom não me adorna, me arma. Uso quando o desejo é meu, quando a festa exige cor ou quando a arte pede impacto. Minha boca não deve nada ao espelho, mas deve tudo à palavra.
