Vaidade
O que fica?
A beleza se vai
A vaidade não existe mais
A força se acaba
Os olhos ficam brandos e lagrimais
A voz quase não sai
As marcas aparecem cada vez mais
O tempo
Como queria que durasse um pouco mais
Então o que fica?
Quando chegamos uma determinada idade
Sabemos muito bem
Mas o que da saudade
Que saudade
É do que já se foi há muito tempo
Espelho Mentiroso.
-
Minha vaidade existe, confesso.
Criado por duas mulheres, uma mãe e uma irmã, não poderia ser diferente.
Ao passar por qualquer espelho ou vidraça não me custa conferir minha aparência dos pés a cabeça.
Meu cabelo é o que mais dá trabalho.
Me chame de fresco se preferir, xingue minha mãe se quiser e ainda assim teremos um dialogo, mas isso acaba quando destrói meu penteado, não pelos outros, mas por mim.
Descobri em minha casa um espelho mentiroso, vejo-me diferente nele.
Ele sempre me passa uma imagem de esbelto escondendo o rosto amanhecido, até disfarça a ressaca.
O tal espelho foi apelidado de mãe por mim, pois como toda mãe acha seu filho o mais perfeito dizendo sempre que está lindo e bem alinhado.
Assim como não devemos confiar em mães sobre a beleza dos filhos, não cofio em meu espelho, no entanto sempre que brigo com minha auto-estima corro para lamentar-me em seus braços. Percebi que de fato meu melhor ângulo é sempre em sua frente, me faz fotogênico por inteiro.
Mas mesmo assim, mesmo com todo esse afago em meu ego concretizado por meu espelho nunca me vi tão belo quando refletido naqueles olhos de amêndoas que um dia mirava-me com desejo.
Bento.
Vaidade é algo que passa
Não se diz isso do amor
Às roupas vêm as traças
E assim é o desamor.
Ao fim não se espera
Ninguém quer decepção
Vale muito quem esmera
E cuida do coração.
Não se iluda com o momento bom;
Não desanime por causa do momento ruim;
É tudo vaidade; vaidade é algo que passa.
EGO INFLAMADO
.
Comparar com autoestima
O vício da vaidade
É o que a maioria faz
Para esconder a verdade
De um ego super inflamado
Que é o retrato falado
Da mais vil vulgaridade.
.
NO ENTANTO:
Todos nós precisamos de alguns salpicos de notabilidade. Não à toa Mestre Freud disse: o intelecto nunca descansa até conseguir audiência.
O medo e a glória dos céus extasiantes, aniquila meu ser.
A vaidade nas suas múltiplas nuances, cativa a ambição do cativo
alimentando a força do seu coração ilusões que clama pelo descanso sem desejo algum pois tudo já foi delido tragado pela ferida de outrora...
Esta vaidade e a sua impotência que decapita o amor sem pudor
Fanadas e mortas como a relva dos campos, seca
Abraçar os espaços sentir que o vazio é mais alguma coisa sentir o nó na garganta como um fumaça a qual não se escapa
Penetra os séculos eternos, e todas configurações a vaidade e ambição que destrói estão lá... ruína dos sóis
Se apenas tu ficasses... mas o sopro vai abolir as tuas formas.
Meu medo murado agora, jardins onde rosais orvalhado e chovem
neste instante
Nos meus sonhos calado os sons silêncio mudo com a mão o vento brincava em meus cabelos dourados
Sua voz me contava as maravilhas do céu ao falar do seu dia
Bela lua que costurava meus olhos em meus desejos
Viciado em seu hálito bosques rosa povoados pelas trevas do presente...
As lagrimas escorre e rumoreja como um sonho de seda
Sua voz miriápode em lembranças corta o espaço deixada por ti
momentos de um alma fagueira...
Amante que me enaltecia e me acaricia os sonhos mais sublimes
Hoje a noite solene, cujo morno silêncio aperta meu coração.
sob a lousa profunda esboço a irredimível dor
Sonhos estéril grita e exibe o seu flanco nu
O sol sob olhares da aurora suas primordiais imagens nascentes.
A memória fiel da minha alma, seu retrato como as sombras amada será eternamente que concorri
Vaidade é condizente a cuidado, desde que o segundo sobressaía ao primeiro. Fora isto, é apenas vaidade!
Fragmento IX - Livre-arbítrio
Que livre sou, me diz minha vaidade, contudo, nasci preso ao vício e à corrente, que me impôs o meu Pai, a minha Mãe e essa serpente. Estou a contorcer-me com isso, como quem no ventre é enlaçado pelo cordão que o alimenta.
Se penso, é pensamento de herança; se creio, é fé que veio por deveras, porque, até onde sei, fui criado em fórmulas austeras de um mundo partido por falsa percepção.
Dizei-me vós, ó sábios de batina: sou livre, ou apenas um desobediente?
O ser humano por orgulho vaidade ambição ganância desejo de poder acatou esquecendo que, ele é descartável, o teu dinheiro não vai te salvar na doença e morte, o carro não vai te proteger do acidente, a joia é um enfeite visível vaidoso, a casa é apenas uma moradia passageira, com todas as quedas e derrotas ser humano não evoluiu o caráter moral, no final pensam que é Deus.
