Vaidade
Para o bem ou para o mal o fato é que a vaidade e o interesse próprio são duas das maiores forças propulsoras da humanidade!
A vaidade mais corrosiva, solitária e longeva é a intelectual. Quem a tem sabe o que isso significa. Importante é que o bom-humor sobreviva em tempos de tanta acidez.
A LUA
Quando dourada e cheia de vaidade,
cintilante encanta os apaixonados.
Sensual, flutua com majestade,
nua se insinua para os namorados.
Se no espaço míngua sua metade,
tímida e indecisa esconde um dos lados.
Camufla nas nuvens de ansiedade,
com silhueta triste canta fados.
A donzela sorridente no céu.
sem sono vaga, gira e dança ao léu.
ao ressurgir serena e prateada.
Vacila modesta, envolta em um véu,
Numa repetida e eterna jornada.
luz calada - oscilante caminhada.
* Poema premiado em 3º lugar -
no 11.º Concurso de Literatura de Francisco Beltrão - 2017.
A vaidade, o imediatismo, a eterna incompletude e insatisfação humana, bem como a busca incessante pela felicidade, são ingredientes fundamentais para que a publicidade e o mercado consumista vendam seus produtos.
É necessário cultivar serenidade para escapar dessa lógica capitalista.
Vergonha como sintoma da vaidade, revela um narcisismo oculto na busca constante por aprovação do outro.
A gente vai embora
A gente vai.
E não leva nada,
só o que ficou por dizer.
Mentiras,
vaidades,
status —
tudo fica.
Ficam também os objetos
que nunca emprestamos.
Mas o afeto…
esse é o que deixamos.
É a única coisa
que de fato
damos.
Quem mora no interior
não quer saber da cidade
em terra de plantador
não se fala em vaidade
aqui se diz sim senhor
e quem oferta o amor
jamais entrega a metade.
O espelho se quebrou,
O infinito se multiplicou,
Reflexo da realidade,
Perdição da vaidade.
Para sempre é só ilusão,
Do eterno apenas na imaginação,
Finitude e brevidade,
Um dia chega com a idade.
Mais vale o silêncio do justo do que mil vozes que gritam em vaidade, pois Deus exalta aquele que busca o saber no segredo da oração.
Se houvesse um Deus, acho muito improvável que Ele teria uma vaidade tão inquieta a ponto de se ofender com aqueles que duvidam de Sua existência.
"CONSIDEREM"
Talvez me considerem na vaidade,
na vida de luxúria e de pecado,
entregue a essa velhice em bom estado,
porém sem ver o peso dessa idade!
Sou, do que fiz de mim, o resultado
e, francamente, vivo, é bem verdade,
com força da paixão, na intensidade,
fazendo, co'a poesia, um bem-bolado.
Se a lua pode amar estrelas tantas,
também tive paixões reais (e quantas)
sabendo que o amor é um bom caminho…
Me considerem, pois, um mero poeta
que tem uma alma impura e indiscreta,
mas sofre e chora quando está sozinho!
