Vai Ficar na Memoria
Como se perde uma palavra? Ela desaparece na memória, como um brinquedo velho no armário, e fica escondida nas teias de aranha e na poeira, esperando para ser limpa ou redescoberta?
Gostava das coisas só para ele, guardando tudo na memória, dono sozinho de seus feitos e fracassos.
Nota: Trecho do conto Varandas da Eva.
...MaisFoi chegando aos poucos
como quem não quer nada
se fixando em minha memória
e fazendo morada
isso tudo sem que eu perceba
agora mesmo que eu não ceda
você se faz presente na minha história.
Minha memória recente já não funciona como antes (pausa...). Sobre o que mesmo eu estava falando ou pensando?
As lembranças são como vinho de uma boa safra guardadas na garrafa da memória. Vez ou outra, por mero descuido ou propósito a abrimos e nos embriagamos de saudades.
passam meus dias em suspenso, a memória estagnada, sinto que além do que sou e do que penso, que a vida parou, trago a alma angustiada...estou entre o ser e não ser nada!
Eu poderia passar mil anos tentando bloquear aquele momento da memória, e ele ainda arderia em minha mente.
Eu quero esquecer! Quem escolheria permanecer sozinho, aprisionado pelas suas memória doentio ?
às vezes se brigar na própria mente ou se prender nós próprios pensamentos se torna um remédio mortal e letal mas um remédio...
eu fiz a minha escolha e qual é a sua ?
No vale da minha memória,
Tudo se resume à mesma rua,
Devasta esta ausência tua,
Tudo me lembra nossa história.
Não posso agradecer sem antes ter recebido a memória.
Não posso evitar sem antes ter acesso ao destino.
O que me preocupa é quando poderei discutir algo sem importância na hora do almoço.
O futuro desaparece na memória
Em apenas um instante
Habita naquele momento para sempre
A esperança é o que continua a ser visto
The Garden
A maior tarefa do Psicanalista é resistir à tentação de nunca ter memória... nem mesmo desejo.
Com nossa memória, vestimos irresponsavelmente um paciente com certa patologia...
Com o nosso narcísico desejo de responder, quem veste a patologia somos nós.
Via o mar entorpecido,
Num dia extinto da memória,
Quando a Lua parou e disse:
-Estou cansada de ver-o-mar,
Como se estivesse a marinar.
Por vezes fico pensando,
Se é por causa desse desmando,
Que Lua fora, Lua posta
É um quarto de maré na costa!?
Verde na memória
Lembro daquele dia verde. Nublado, mas verde.Era de um chove-mas-não-molha impressionante. E tanto era, que ficamos nós dois ali, deitados na tua cama: eu tentando te convencer de que o dia valia ao menos um mergulho na piscina, e você dizia que ia começar a chover. E chovia, sempre. Você olhava nos meus olhos, eu olhava teus sinais e tentava ligá-los, fazer algum desenho no teu rosto; e aí meus olhos encontravam os teus, tão atentos e sorridentes em mim. Eu me perdia em você. Ria, chacoalhava pra lá e pra cá. Te beijava os olhos fechados, e te amava mais uma vez. Pelo menos eu tinha consciência do quanto estava feliz ali, naquele momento - e em tantos outros. Hoje, só me resta saudade. E quando o dia é assim, parecido com aquele verde-nublado, meu coração dói, meus olhos choram a cor deles para fora, minha boca treme tua ausência, meu corpo sente a falta do teu contorno. Dias assim me fazem querer estudar física e o que mais for necessário só pra poder construir uma máquina do tempo e te viver mais uma vez, sem ser apenas dentro de mim desse jeito.
