Vai Ficar na Memoria
Eu comi o frio para aquecer a memória,
E rasguei o fim para recomeçar a história.
Não faz sentido? Pois é, nada faz,
No jardim do avesso, o grito traz paz.
DeBrunoParaCarla
As minhas mãos têm memória própria quando se trata de ti. Elas conhecem cada centímetro da tua pele, cada arrepio e cada entrega. Para o meu anjo, as mãos são instrumentos de cura e amparo. Para o meu demónio, são ferramentas de conquista e posse. No encontro com o teu corpo, elas fundem-se: tornam-se o abraço que protege e o toque que incendeia. É uma conversa sem som, onde a minha pele diz à tua tudo o que o dicionário ainda não inventou.
DeBrunoParaCarla
"" Seria interessante se nossa memória pudesse voltar e apagar lembranças que não fazem bem e nem levam a lugar algum...
Trapézio
No palco vazio da minha memória
um sopro acendeu teu nome no ar
era só ensaio, mas virou história
um tropeço da alma querendo cantar.
Te mandei um áudio, foi quase oração,
palavras nuas, sem máscaras, sem véu,
teu silêncio virou multidão
meu peito virou carrossel.
E eu danço sozinha no circo da vida,
meu coração é trapézio sem rede.
Se não me seguras, não é despedida,
é voo de quem já não teme a queda.
Tua resposta foi espelho quebrado,
metade verdade, metade invenção,
um truque barato de ator ensaiado
pra esconder do público a contradição.
Mas eu não sou plateia perdida,
nem boneca esperando aplauso.
Eu sou corda bamba erguida,
sou estrela cadente que risca o espaço.
E eu danço sozinha no circo da vida,
meu coração é trapézio sem rede.
Se não me seguras, não é despedida,
é voo de quem já não teme a queda.
Entre palhaços, luzes e cortinas,
aprendi que a solidão é camarim.
E quem não sabe ler suas próprias linhas
não pode escrever um final em mim.
Hoje desamarro as fitas do destino,
não carrego amarras, nem cordéis.
Se um dia tua alma buscar o caminho,
vai me encontrar voando em outros papéis.
Viajar é desdobrar a vida em duas vidas: uma que fica guardada na memória, outra que se projeta no futuro.
Manuel de Oliveira Lima
Medo de lembrar porque a memória não avisa ela chega traz seu nome seu riso o que fomos lembrar é abrir o que tentei fechar
porque algumas lembranças não querem ser lembradas querem ser sentindas
Ao olhar uma estrela cintilante, não sei se seu brilho é verdade ou apenas a memória de uma luz extinta, que há muito deixou de existir. Talvez não seja ela que se perdeu, mas eu, que permaneço no lugar errado.
Deus tirou-me do caos e deixou lembrança,
essa memória vira gratidão que não some,
o passado me lembra onde cresci e renasci,
gratidão vira mapa do meu novo começo.
O passado só tem poder sobre você se a sua memória for mais forte do que a sua vontade de seguir em frente.
O tempo não apaga a memória, mas ensina a conviver com a ausência sem perder a urgência do presente.
A memória é uma casa de quartos trancados. Algumas portas abrem sozinhas, outras precisam de força. Quando entro, encontro ossos de riso e móveis de abandono. Arrumo o que posso e não tento ajeitar o impossível. Viver é aprender a escolher quais cômodos habitar.
A paciência é a alquimia que transforma perda em memória. Sem ela, o luto explode em rancor e fome. Com ela, o passado vira lembrança comestível. Aprendo a cozinhar memórias, a temperar saudade com graça. E então o que restou alimenta, em vez de matar.
Ainda que a luz se recuse a tocar o chão, há um rastro que a memória insiste em manter. Não me refiro ao toque, à palavra, ao perdão, mas ao contorno que a ausência deixa em você. O espaço que a água preenche é o mesmo que define o vaso, e o que se perde é apenas a medida do achado. Há encontros que não têm nome nem rosto, e são o silêncio que me deixou falado. Eu procuro no eco a prova de que não sumiu. E o ar que respiro não seria o mesmo, se a essência da sua passagem não tivesse ensinado o meu eu a ser extremo.
A gratidão não é um suspiro leve, mas a memória em carne viva do coração que se recusa a esquecer o dom, ela transmuta o fardo brutal da obrigação na epifania silenciosa de uma bênção.
A memória é uma artesã cruel: trabalha em silêncio, mas deixa marcas profundas. Às vezes lapida, às vezes corrói. Mas jamais deixa de atuar sobre o que somos. E reconhecer isso é aceitar que crescer dói e sempre doerá.
