Vai Ficar na Memoria
O corpo tem memória de batalhas que a mente quer esquecer. Há dias em que ele se recusa a colaborar, cobra presença no presente. Quando obedece, eu celebro em silêncio, quando nega, aprendo a negociar, ofereço chá, música, paciência, pequenos tratados de trégua.
Há palavras que se escondem no bolso justo da memória. Aparecem só quando o corpo precisa de consolo. Algumas são duras, outras acariciam a garganta. Se pudesse, as colocaria em moldura e as olharia todas as manhãs. Seria um museu íntimo de pequenas verdades.
A memória é pássaro que pousa em qualquer janela. Quando pousa, canta e revela céu. Algumas músicas me levam a lugares que nem sei nomear. Elas nascem de saudade e terminam em consolo. E eu as coleciono como quem junta estrelas.
Minha infância ainda soluça em algum sótão da memória. Peço perdão ao menino que fui por não ter sido o herói que ele esperava.
Viver é equilibrar-se no fio da navalha entre a memória que nos prende e a esperança que nos puxa, tentando não cortar os pés enquanto caminhamos em direção a um futuro que nunca promete nada, mas que nos seduz com a possibilidade de um novo amanhecer.
Porque há coisas
que o tempo não apaga,
apenas transforma em eternidade dentro da memória.
No fim, continuamos caminhando…
carregando aquilo
que o coração escolheu eternizar.
— Helaine Machado
A memória
A memória é uma biblioteca curiosa.
Esquece datas, confunde nomes, mas guarda para sempre aquilo que nos transformou.
Nem tudo o que permanece continua vivo. Mas tudo o que nos muda permanece.
O Primevo nunca nasce nem morre. Precede o tempo, sobrevive à memória e permanece indiferente às metamorfoses da identidade. Apenas aguarda o instante em que as máscaras se enfraquecem para recordar ao homem aquilo que jamais deixou de ser.
Cada osso guarda uma memória mais antiga que a própria história. O Primevo não habita apenas a alma; sedimentou-se na carne, nos nervos, no sangue e na arquitetura silenciosa do corpo. Antes que a consciência aprendesse a pensar, o corpo já sabia sobreviver, temer, desejar e recordar. Há memórias que jamais passaram pela linguagem, porque foram inscritas na matéria muito antes de existirem palavras para descrevê-las.
A memória é um espelho quebrado que reflete não o que fomos, mas o que tememos que sejamos. Cada gesto carregado de intenção deixa rastros invisíveis, e o mundo, indiferente, coleciona-os como quem guarda cinzas frias. No fundo, toda presença é sombra de ausência, e toda certeza, prelúdio de um silêncio que ninguém ousa ouvir.
A memória não guarda fatos, mas cicatrizes; cada lembrança é uma ferida reorganizada em narrativa, e quanto mais a repetimos, mais nos afastamos da verdade e mais nos aproximamos do mito íntimo que nos sustenta.
O tempo esmaga com delicadeza cruel: cada memória se desfaz, cada esperança se dobra, e no espaço entre o que fomos e o que seremos, o vazio se revela como o único companheiro fiel.
Há algo anterior ao nome, ao trauma e à memória — o PRIMEVO — onde a alma não se explica, apenas pulsa. É desse território que brotam as neuroses, não como falhas, mas como mensagens mal traduzidas do fundo arcaico que insiste em existir. Quando a consciência tenta domesticar o PRIMEVO, nasce o sintoma; quando aprende a escutá-lo, nasce o sentido. Toda cura começa no instante em que o ser aceita que não é senhor da própria origem, apenas intérprete tardio de um chamado antigo.
A memória não é arquivo — é seleção inconsciente daquilo que ainda não foi elaborado. O aparato psíquico não retém o que passou: retém o que insiste, o que retorna em busca de sentido que não encontrou, o que permanece aberto como ferida que nunca cicatrizou por completo. Lembrar não é revisitar — é testemunhar o retorno do recalcado que, sob a forma de imagem, afeto ou sintoma, continua reclamando o trabalho psíquico que lhe foi negado. A memória, portanto, não fala do passado: fala do que, no passado, ainda não terminou de acontecer.
Hoje você é apenas uma memória, mas por muito tempo, você foi meu tudo, minha vida. As lembranças estão aos poucos se apagando, embora algumas ainda permaneçam intactas na minha mente. Quantos momentos lindos vivemos juntos, mas tudo isso ficou para trás. Todo o meu futuro será longe de você.
CARTA ABERTA: SOBRE A MEMÓRIA QUE ALGUNS HOMENS PERDERAM 📜✨
É triste ver uma disputa onde todos perdem. De um lado, mulheres que se esforçam dobrado para provar sua competência e capacidade. Do outro, homens que se perdem em comentários machistas e desprezíveis, protegendo uns aos outros na ignorância.
O que esses homens esquecem é que a existência deles tem um nome: MULHER.
Esquecem que:
🤰 Passaram 9 meses sendo carregados em um ventre.
🤱 Foram amamentados para que pudessem sobreviver à própria fragilidade.
🙌 Devem cada fôlego de vida ao sacrifício e à força feminina.
Atacar o feminino não é sinal de força, é sinal de amnésia. É ignorar a própria origem. Não existe evolução onde não há respeito e gratidão. Que a estupidez dê lugar ao reconhecimento, pois uma sociedade que não honra suas mulheres é uma sociedade que esqueceu de onde veio.
#RespeitoFeminino #Igualdade #CartaAberta #ForçaFeminina #Consciência
