Vai Ficar na Memoria
"Você diz que tentou me ajudar? A minha memória e a minha história dizem o contrário. Onde estava o seu apoio enquanto você se ocupava em fazer maldade?"
Sotaque não se corrige — se celebra.
É raiz que fala, memória que respira,
é a terra moldando a palavra
na boca de quem a carrega.
No chiado leve do Rio de Janeiro,
no ritmo firme de São Paulo,
na doçura mansa de Minas Gerais,
no vento aberto do Rio Grande do Sul,
e na cadência viva do Pará,
onde o falar carrega rios, florestas e histórias —
há vozes que não cabem na gramática,
mas vivem inteiras na identidade.
Cada fala é um mapa invisível,
um retrato que não se desenha,
mas se ouve.
Não há língua mais certa que a outra,
há caminhos diferentes para dizer o mundo.
E em cada som, em cada jeito,
o Brasil se reconhece plural.
Valorizar o sotaque
é reconhecer o outro —
e, no eco da diferença,
descobrir que somos muitos
e ainda assim, um só.
Perdoar é a chave que liberta feridas. Perdoar não é apagar a memória, nem justificar o erro alheio. Perdoar é decisão. É escolher soltar o peso que corrói, o rancor que cega, a mágoa que prende. É abrir espaço para que a paz floresça dentro de nós, mesmo em lembranças que doem, mesmo em cicatrizes que permanecem.
❝ ...Me encontro num mar de lembranças,
me perco em tantas buscas, saudades,
memoria. Fecho os olhos e vejo meu
passado, minha historiaria. Algumas
estampadas em dor e sofrimento. E
outras coloridas de Amor e aconchego.
Marcas na Alma de quem muito lutou
mas nunca perdeu a Fé. Saudades de
um tempo que não volta mas. Mas que
ficou gravado em minha memoria e
minha Historia...❞
--------------------------------------Eliana Angel Wolf
❝ ...Meu coração te reconheceu antes dos meus olhos, eu sei, Pois a memória da alma não se dobra ao tempo que corre. Você é a razão singela, a mais profunda das leis, A ponte onde a vida vale a pena e a saudade não morre.
É no seu toque, que é mais prece que carícia, Que eu encontro o porto onde a minha essência repousa. Você me ensinou que o amor não é apenas perícia, Mas a graça de saber ser abrigo quando a vida é ruidosa...❞
---------- Eliana Angel Wolf
Teu cheiro! Mas teu cheiro não é só perfume, é memória que não sabe partir, é saudade que dorme na minha pele e que acorda toda vez que penso em ti. Teu cheiro tem gosto de ontem, das risadas que ainda ecoam em mim, dos sussurros e das promessas sussurradas no escuro, que eu fiz esquecer, mas não sei fugir. E quando o peso do mundo cai em meus ombros, é teu cheiro que me mantém de pé, e ele me lembra de quem eu fui contigo e de quem eu ainda sou quando não estou com vc. Teu cheiro ainda mora nos nossos lençóis, nas minha camisas preferidas e nas músicas com melodias de saudades dos momentos que vivemos juntos. Teu cheiro é amor que não pede licença, é ausência que teme ficar. É presença invisível que me ensina a todo tempo a não te soltar! E se me perguntarem qual é o meu vício, qual é minha fraqueza e o meu lar, direi sem medo e sem defesa que o meu perfume preferido sempre foi te amar!
Tenho me sentido mais leve desde que esvaziei as gavetas do coração que estavam cheias de memórias desnecessárias.
Por enquanto vou guardando na memória todos esses pesadelos, para que um dia eu possa enfim desfrutar dos louros da vitória, com a honra e glória do meu Deus.
O COMPASSO DA EXISTÊNCIA
(Onde a memória fragmentada reencontra o sentido do caminho)
A velhice não carrega mais aquele entusiasmo do início; vive caminhando com a bengala do tempo entre a nostalgia do meio e a expectativa do fim, sinalizando, em sua fragmentada memória, as texturas de sua história.
Lu Lena / 2026
METAMORFOSE DA VIDA
(O bater de asas entre a memória e o agora)
O que mais dói na maturidade não é a dor física, mas a saudade da essência que ficou para trás. Nessa transição, somos como borboletas em constante metamorfose: ora asas que se abrem para a vida, ora casulos que se fecham, introspectivos, para ela.
Lu Lena / 2026
O Inventário do Tempo
Trinta e sete anos é o tempo exato que a memória leva
para transformar o luto em monumento. As décadas passaram
como forças erosivas, mas falharam em desgastar o essencial:
o incêndio absoluto dos teus cabelos ruivos e a lucidez
cortante dos teus olhos verdes que desafiam o esquecimento.
Para quem vive da arquitetura das palavras, a tua ausência
não é um vazio abstrato, mas uma presença muito concreta,
uma matéria densa que molda o contorno de tudo o que escrevo.
O tempo limpou o excesso e o sentimentalismo ruidoso do peito,
deixando apenas a estrutura firme daquilo que nunca morre.
O que resta hoje é uma sobriedade clássica e definitiva,
a crônica de uma partida que fixou a tua imagem na eternidade.
Tuas cores vivas não desbotaram com o avanço dos invernos;
permanecem salvas da decadência dos anos pelo registro exato,
gravadas para sempre na folha em branco através da narrativa.
O mundo seguiu o seu curso perecível, confuso e esquecido.
Aqui, contudo, a tua existência permanece totalmente intacta,
guardada com zelo no ponto mais alto e frio da minha história.
Testemunha do tempo e também o guardião dessa eterna memória,
deixo registrado o fato que o destino jamais apagará.
AnjoPoeta
IBIAPINA: TRADIÇÃO, CULTURA E MEMÓRIA
Ibiapina, uma terra abençoada,
No alto da serra fica localizada.
Seu nome carrega origem tupi,
marcando seu destino,
“terra tosqueada” de relevo divino.
Yby significa "terra", o chão a florescer.
Apin significa "pelado" relevo a crescer.
Serra bela, forte e cristalina,
Guardiã do verde, linda Ibiapina.
E na culinária não pode faltar,
O caldo de cana de açúcar é o melhor que há.
Tudo feito na hora, tradição milenar,
Impossível não querer provar.
As cachoeiras e o mirante fizeram a vida erguer.
Bica do Pajé, Buraco do Zeza e a Bigorna a permanecer.
Com turismo de paisagem ecológica a encantar,
Fazendo cada visitante pela natureza se apaixonar.
Ibiapina também tem muita ancestralidade e história,
Em honra ao Padre Ibiapina, ficou na memória.
Era missionário dos pobres, homem de fé e caridade,
Levando sua religiosidade em forma de bondade.
Fundou casas de caridade,
Ajudando o próximo com muita vontade.
Seu legado vive em cada esquina,
Na vida simples de quem mora em Ibiapina.
No dia vinte e três de novembro, então,
A cidade festeja sua emancipação.
Mais de cento e quarenta e oito anos de glória,
Ibiapina é cultura, tradição e memória.
— Mara Ferly
Retinas e vidraça
O dourado do pôr do sol ficará retido
em minhas retinas e memória.
Todas as imagens juntas.
Desde que nasci, ainda menina,
Sentava-me no chão e, ao pé da cama de meus pais,
privilegiada visão do todo me invadia.
Olhos fixos na vidraça e muito além,
Sob o astro rei que reluzia -
eu confirmava, ainda pequena:
__ É redondo como uma laranja, enorme como o fim do mundo e o começar dos tempos!
2021
cidade sem memória é uma cidade vazia sem história" destaca a importância de conservar o patrimônio histórico e cultural de um lugar. Quando as memórias de uma cidade são esquecidas, a identidade coletiva e o sentimento de pertencimento de seus habitantes podem se perder
A memória do futuro é a eternidade no nascimento da despedida arqueológica da alma na permanência da mudança como o amor que morreu antes de nascer, assim como uma semente infértil que não chegará a ser árvore. E isso é natural como são todos os ciclos da natureza, mas eu não nego que a alma se lamenta se por debaixo da árvore absolvia sua sombra, tudo no presente possível se o passado tivesse acontecido. Mas a distância íntima que acompanha minha íris é uma tempestade silenciando a cidade e eu diria que a chuva são lágrimas já que o rosto não saber chorar. No entanto, eu nego o movimento e evoco um dia solar se é inconsistente a saudade do que nunca existiu. O amor que sobrevive ao amor são versos incessantes que ocupam a ausência dos instantes. O abraço entre o ser e o nada é uma madrugada inerte que desconhece o voo dos pássaros e ouve passos estridentes do mistério do ambiente. A eloquência do vazio é uma ilusão se o amor nunca pisou o chão e escrevo solenemente sobre a clareza obscura dos sentimentos, na certeza da dúvida que encobre um enigma evidente em uma canção tão transparente. E poderia se dizer que falo do nada, mas a ausência tem inúmeros movimentos de deixar o peito sem ar na fadiga de tudo que faltar. Então a simplicidade incompreensível encontra seu lugar nas ternuras indizíveis. E a sombra luminosa da árvore é esquecida ao deixar o sol aquecer o corpo na primavera de dias que florescem no destino. Tudo é como deveria ser, se as rotas são conhecidas e cada um navega o mar que lhe foi destinado e já não se lamenta o passado se o poema nega a tristeza e muito mais alegrias põe na mesa na abundância de uma certeza clara de um pôr do sol laranjado a refletir na praia nossas melhores ações. Viver o presente é o melhor conselho da face que reflete o espelho.
