Um Estranho Impar Poesia
as águas que correm do monte se acalantam lentamente entre as pedras e se jogam oferecidas ao infinito.
ainda há sangue nas feridas que causou logo pela manhã o destino, quando cantava o novo dia o assobio de um passarinho.
haverá chuva e sol, assobios e caminho, um dia encontraremos nosso ninho...
o tempo é tão inútil quanto seu penar
e vou ter com esse tempo te esquecer
e com você em minha vida morrer
como se eu nunca tive que te amar
para sempre, não posso te chamar de amor
foi alguém em minha vida que tudo alegrou
a minha vida, minha vida de horror
almas sozinhas vagam e se espraiam
nos vazios das saudades desesperadas.
O sol se agoniza ao se pôr em seu próprio ventre com raios luminosos se envermelhando.
as flores despetaladas no caixão acenando para o fim em lágrimas contidas quando a garganta estava chorando.
o sangue que corre todo ser é algo perplexo que invade o peito quando nada dá jeito e o medo assola volta e meia assobiando.
o girassol se curva à noite na fidelidade espúria da natureza, com a certeza do nascer do sol.
as cálidas noites pareciam ensolaradas em quentes desoras no ápice sonoro do meu êxtase.
tudo era eterno e o sol no céu se perdia no lacrimejar de uma madrugada ensolarada.
só exista eu e apenas um eu na união envergonhada de nossos corpos.
o pensamento tem cheiro de alguma coisa com gosto de nada, porém, existe.
ensolarado os restos de nossas vidas, a vagar na escuridão do dia, esperando por alguma coisa que brilhe.
aonde você estiver guarde meus pensamentos
que lancei aos ventos
guarde-os, para saber que nunca vou te esquecer.
pois não consigo parar de pensar em você.
eu não posso dizer que te amo
alguma coisa tem
já duvidaram de meu amor
e sentindo esta dor
prefiro não mais amar ninguém.
Irei te esquecer de minha vida e como água cristalina pura e transparente será meu coração dormente de tando te amar e loucamente desejar esse corpo perdido em outros braços, essa boca carente de meus lábios, esse amor com saudade de nós dois.
pensamento da peça teatral "O devaneio dos Desesperados", voz do acaso em noites de tempestades.
nesta noite de luar
não estávamos contando as estrelas
não me achei em seus braços
engoli envergonhado minhas lágrimas
ao saber que de mim não queres nada
e saber que você eu não posso amar...
guardarei o que sinto com a mesma fragrância que te sentem e que lhe tem nas desoras de prazer
e o viver se silencia por debaixo de chuvas e ventos na espera do sol que se escondeu numa noite sem estrelas
e de manhã, na boca, apenas um gosto de café, uma cama me esperando deitar-se novamente e uma vida toda tentando lhe esquecer
enquanto a manhã ainda não amanheceu para vocês.
Inutilmente
Irá anoitecer, este sol quente,
no mar frio e infinito do horizonte.
As aves candoras não mais cantarão,
e os lobos uivantes se calarão.
No silêncio da madrugada,
não farei além de mais nada,
a não ser te amar, e te amar vou viver te amando.
Com os mesmos desejos castos,
que te ofertam no altar dos altos.
Irei beber o teu sangue para que sejais o meu sangue, no pulsar de seu coração e no incomparável sabor de sua fertilização.
Inutilmente vou vivendo,
simplesmente,
com algo não sabido, porém, escondido em meu coração,
inutilmente.
meus pés tocarão o chão de ruas dobradas em esquinas, iluminada pelo sol adormecido nas água do mar, iluminado pela luz da noite e pelas lágrimas de um tímido luar.
a vida arrisca a sorte no destino das cartas de Tarot e a rebeldia desafia a morte que se faz na arte um mondo novo de horror, a cada rosa que eu despedaço sinto o cheiro de você, amor.
e no silêncio de meus passos, nas palavras caladas que o coração intui, nas esperas pelo sol em frias madrugadas, vou viver o amor, esse esquisito ardor que da vida flui.
a noite se cobre de véu
o véu das noivas e das clericais
noites de pernoites virginais
onde não há pecado, é só céu,
e a inocência de nós dois.
aos poucos tu vai seguindo o seu caminho
amarelando o céu com o sol que vai se nascendo
o teu corpo não sei quem vão invadindo
e fica eu, aqui, morrendo.
a fumaça do charuto do Jobim
é a música de Elis
a voz de Adoniran
as águas de março
chuviscadas pelos querubins.
a fé de Pe. Cícero
os conselhos de Frei Damião
os benditos do horto
de um pobre poeta esquecido
é lição de amor, à um pobre coração.
Entre a luz dos olhos do Jobim amante
rezei com Adoniran na capela São João
naveguei com Elis no falso brilhante
aprendi a amar e amar sem razão
Vou mijar no poste da rua e está tudo bem
jogar lixo no chão e andar totalmente nú
andar de terno na chuva, abrir meu escritória sem esperar por ninguém
Vou viver feliz na rua de Raul
na cidade de Raul
Na rua de Raul
na cidade do além
Comer lixo com sabor de ketchup
jogar meus livros na rua pro mendigo ler
rasgar dinheiro e falar pra alguém I love you
viver na rua esperando um dia morrer
Vou viver feliz na rua de Raul
na cidade de Raul
Na rua de Raul
na cidade sem você.
E vou vivendo pra ninguém me conhecer
sou louco nesta rua, sozinho,
sozinho com vontade de te ver
Vou viver feliz na rua de Raul
na cidade de Raul
Na rua de Raul
esta cidade é uma rua sem você.
Ouço o grito da rua rouca
o brilho da loucura
essa mente muito louca
é a felicidade da doçura
Vou viver feliz na rua de Raul
na cidade de Raul
Na rua de Raul
na cidade com esta rua, de loucura
só nesta rua se cura!
A noite se cobre de véu,
o véu das noivas e das clericais,
noites de pernoites virginais,
onde não há pecado, é só céu,
e a inocência de nós dois.
As graúnas em revoadas pela fé,
em seu canto saudosista de gratidão,
bendizem ao glorioso São José,
e lhes pedem chuvas para o sertão.
Da catedral se escuta a oração,
dos pássaros em procissão de fé,
na majestosa sinfonia do coração,
pois hoje é dia, é dia de São José!
Sei que meus caminhos vão ao encontro teu,
Mas os seus passos fogem dos caminhos meus.
Sigo a essência do poder do teu olhar,
Fecho os seus olhos pra não ver os meus chorar.
Sinto um coração que se pôs a declarar,
Hoje se esvazia, sua voz se fez calar.
Crio uma razão, nova forma de sentir,
Pra que seu coração com o meu possa sorrir.
Fale ô meu amor, pois preciso saber,
Para que assim eu possa escolher.
Vou viver agora a solidão do anoitecer,
Para nunca mais me esquecer de você.
Meu desejo incendeia todo o seu ser.
Em sua fogueira quero feliz morrer.
Um redemoinho sopra forte sem parar,
O nosso amor é forte, e ninguém pode apagar.
Sigo a esperança em sempre te amar
Onde quer que eu vá, hei de te lembrar.
Pombal assim nos dá
a felicidade que nos adorna
foi na terra de maringá
de vovô Luiz Barbosa.
E saudando a vida
esbanjando sorrisos e amor
recordo-me de Valdecira
na Budega de vovô
E sentada no recanto
espreitando as idas e vindas
está vovó Belarmina
nossa mãe de acalanto.
Pelas ruas de Pombal há esperas
que encontro na imensidão
o amor de Dona Vera
que preenche meu coração
e a sombra que escure o céu, a terra seca se abre esperando por água, meu coração renasce tão puro feito véu, de noivas indormidas de noites mal vividas.
e as nuvens vai passando e água na terra jogando, feito o rio desaguando no mar, meu coração vai lavando e pela vida vou te amando.
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