Um Estranho Impar Poesia
O que sei de caos?
O que sei de caos?
Quase tudo,
tenho um coração quebrado
e uma alma em farrapos
eu sou humano.
O que sei de caos?
Quase tudo,
pois quem inventou o amor
se esqueceu de avisar
sobre o engano.
O que sei de caos?
Quase tudo,
pois quem inventou a esperança
esqueceu de falar
do desengano.
O que sei de caos?
Quase tudo,
pois quem inventou a fé,
se esqueceu de avisar
do caos humano.
O que sei de caos?
Quase tudo,
tenho um coração quebrado
e uma alma em farrapos
eu sou humano.
O que sei de caos?
Quase tudo,
pois que ensinou sobre a paz
se esqueceu de explicar
a razão e a necessidade
da guera...
Evan do Carmo 09/07/2016
ENTRE A MESA E A CAMA
Entre a mesa e a cama
Um espaço a ser percorrido
Com a imaginação do corpo
Com a cumplicidade dos olhos
Com as mãos e os dentes do vinho.
A boca saliva, degustando o amor
Em goles de suspiros e de saudade
Entre a mesa e cama há um limbo
Que purifica as almas “encarnadas”
Onde os amantes recuperam a santidade,
Entre a mesa e a cama, o prazer
O brilho do mundo e o encantamento
Entre a mesa e a cama, o sonho
A conquista, o delírio de estar vivo.
Evan do Carmo 21/07/2016
Sobre a verdade
A verdade não é relativa,
não a minha, nem a tua,
a verdade de cada um
é inexorável como o sol,
todos a verão...
Mesmo que a ignorem,
saberão da sua existência
cruzarão com ela
face a face...
Minha verdade
assim como a de Pilatos
não é relativa...
ela não é discurso de Cícero
nem retórica de Homero
ou banquete de Platão.
A verdade é transparente
e purificadora, na tragédia
e na comédia ela revela
a alma do seu agente
expõe o abismo das palavras
a verdade não é divina
a verdade é humana
é a soma das nossas ações.
Evan do Carmo
Eis o amor que vale a pena,
é aquele que nos faz virar poeta
ou alcoólatra!
Imaginem um amor
que nos dá as duas coisas!
UNIVERSO CAOS
Imagine um turbilhão de partículas flutuando no abismo. É a isto que cognominamos de universo. Partículas de todos os tamanhos e formas, fruto de um caos, desgoverno sem propósito.
E o homem, apenas mais uma partícula atômica empurrada pelas leis naturais, física e gravitacional.
A inteligência lutando em vão contra a perversidade do caos, com o fim de organizar, elaborar sistemas, classificar espécies e formas que garantam a sua existência duvidosa. Qual a condição e a possibilidade do homem reverter este fato que é o caos universal?
Mesmo que todos os homens, como partículas integrantes deste sistema sem objetivo se tornassem inteligentes, a ponto de desenvolver instrumentos para se isolar dos demais sistemas caóticos, não seria possível contornar nosso destino abismal, pois as inteligências difeririam e, logo estaria formado outro
caos dentro do caos, as ideologias, cada grupo "inteligente" apontado apenas para seu umbigo, e a desunião causaria a destruição da espécie. Eis o mundo atual.
Relembrar é morrer
a vida que não temos mais
um barco esquecido no mar
de saudade que ficou ao vento
no esquecimento dos temporais
relembrar é voltar ao passado
e saber que aquele cais já não existe
só o que persiste é a ilusão
em um lugar inatingível
que engana os incautos
relembrar nunca foi viver
só se vive uma vez
sentir saudades é voltar
ao que se perdeu no tempo.
O sabiá
Um sabiá canta no meu quintal.
Toda manhã ao pé da minha janela,
Um canto melancólico, ele parece contar
Uma história triste, porém singela.
Às vezes penso, que o sabiá que canta o dia inteiro
No meu pé de laranjeira é um lobo solitário,
Que vive entre as estações
E canta pra sobreviver, não porque é necessário.
Eu o vejo pela vidraça da Janela,
Por vezes embaçada de neve ou de poeira.
O sabiá, assim como eu,
Escolheu a solidão como companheira.
O sabiá sabe, assim como eu sei
Que o que era sublime e tão bonito
Ao mudar de estação se perde tudo
Seu canto fica mudo...Tudo cai no infinito.
XIII - Emissário de um rei desconhecido
Emissário de um rei desconhecido
Eu cumpro informes instruções de além,
E as bruscas frases que aos meus lábios vêm
Soam-me a um outro e anómalo sentido...
Inconscientemente me divido
Entre mim e a missão que o meu ser tem,
E a glória do meu Rei dá-me o desdém
Por este humano povo entre quem lido...
Não sei se existe o Rei que me mandou
Minha missão será eu a esquecer,
Meu orgulho o deserto em que em mim estou...
Mas há! Eu sinto-me altas tradições
De antes de tempo e espaço e vida e ser...
Já viram Deus as minhas sensações...
Na correria do dia a dia
Um momento de pausa é fundamental
visite áreas verdes, observe a natureza
Veja a seu redor quanta beleza
Faça caminhadas ao ar livre
Caminhe ouvindo o canto dos pássaros
dê bom dia ou boa tarde
a quem porventura encontrar
Isso desanuvia a mente
passa uma aura de simpatia
Gente contente
que não é indiferente
Ao que acontece do seu lado
Faça sol ou faça chuva
A natureza é sempre pródiga em novidades
Seja um belo sol nascente
um céu enevoado
ou um arco íris após a chuva
editelima 60
Janeiro/2025
Duas distancias de um único meio de sentir.
Uma historia e duas formas de imaginar e levar;
Lembranças de um futuro com fotografias retro.
Ponte aérea Porto alegre e Paraguai.
Espero não deixar a saudade matar.
Um/Uma
Um Simples Gesto
Um Café da Manha
Uma risada sincera
Uma aventura na praia
Uma família à espera
Um jogo qualquer
Um almoço corrido
Uma noite de jogos
Uma surpresa agradável
Uma virada com fogos
Um abraço apertado
Um conselho gentil
Uma viagem inesperada
Uma sessão de cinema
Uma bela morada
Um rapaz tímido
Um paizão incrível
Uma pequena linda
Uma mãe perfeita
Uma família unida
Do alto um vento quente
Bate no rosto da gente
Um ar meio eloquente
É Deus inconsequente
Tomando tudo à frente
A literatura é a forma mais coerente de se dizer o que se pensa.
Se queres ganhar um inimigo diz o que pensas, dizia Luther King.
A escrita vivia num tempo de falta de liberdade, num tempo controverso.
Provavelmente era uma forma de expressar que rompeu barreiras e hoje podemos dizer o que pensamos.
No trilho
Em frente
Há um desvio
Para outro horizonte
Acender o pavio
Que ilumina o caminho
Que me conduz
A um destino
Um porto seguro
Nesta luz
Quero ver
O que vai acontecer
Na minha determinação
Que passa ação
Deslumbrado com reboliço do viver
Banqueteio do gosto
Do sentido de amar
De me prostar
Na minha humilde pessoa
Procuro- me e repleto de um vazio cheio
Busco o perfeito
Na minha natureza
Onde observo
A minha destreza
De querer ser
Aquele que foi
O caminho faz-se
Fazendo -se
Hoje eu lembrei, o coração aperto palpitou.
Mas não chorei, um sorriso me brotou.
A saudade da falta se vai indo embora,
cedendo lugar ao amor de outrora.
Essa calma que a mim regressa,trazendo paz a minha pressa.
É você, que eternizada em minhas mais doces lembranças.
O céu cinério de Niterói
na manhã invernal
descansa sobre a baía
como um manto de silêncio...
As nuvens espessas
e pacatas
carregam consigo
o verso das saudades
guardadas...
Lá à frente
o contorno do MAC
esconde a sua exuberância
na névoa que sobe
como o suspiro antigo
de linhas e curvas
do seu Arquiteto...
Em Niterói
cada sopro de vento
traz o aroma do mar
e uma melancolia doce
como se o tempo
estivesse suspenso
em vôo lento
na Ponta das gaivotas...
É um inverno
que não gela a pele
mas aquece a alma
num instante poético
de contemplação...
✍©️ @MiriamDaCosta
O sedentarismo cognitivo
está cada vez mais epidêmico
e a atrofia do pensar
um dado de fato sistêmico...
Há cérebros imóveis
como corpos no sofá
deitados nas certezas
e afogados em telas
que piscam e calam...
Pensar cansa
sentir dá trabalho
imaginar é perda de tempo
num mundo que lucra
com a pressa
e com a distração contínua...
Mentes antes acesas
hoje pisoteiam o ócio criativo
com rotinas programadas
para não questionar...
A palavra vira ruído
A dúvida um defeito
O silêncio um incômodo...
E o pensamento
atrofia em repouso
sem uso
sem impulso
sem pulso...
Mas o cérebro
Ah!
O cérebro precisa dançar
com ideias novas
quer sangrar versos
errar teorias
enlouquecer de beleza
e de dúvida...
O cérebro necessita sentir
sede de perguntas
não se embriagar
com respostas prontas...
O perigo
não é a ignorância
é a inércia
é o conforto da mente
anestesiada
pela repetição...
Despertar dói
mas viver em coma
é o fim do pensamento
e da sua poesia...
✍©️@MiriamDaCosta
Antes de se apaixonar por um poeta, ou por uma poetisa;
Tente não cair no erro de acreditar
que você será uma exceção em sua vida;
Quando na verdade for apenas mais uma poesia.
Início do Fim
A morte
não é um golpe final,
nem o apagar abrupto
de uma chama que ardeu em vão.
Ela começa
no primeiro sopro de vida,
como um murmúrio ancestral
gravado na espinha dorsal do tempo,
uma promessa silenciosa
de que tudo que nasce
traz em si
o prenúncio de partir.
Somos nós
quem tenta adiá-la
ou apressar sua chegada,
como se a permanência
fosse um direito herdado,
como se o fôlego
fosse posse
de quem o exala,
esquecendo que o ar
é só um empréstimo
da eternidade.
Entre o nascer
e o desfolhar da última pétala,
somos intérpretes falhos
de um roteiro
traçado pelas mãos do acaso,
dançando na corda bamba
do existir,
prolongando cada passo
como se a terra
não estivesse sempre
a um deslize
de nos tragar.
A morte
não é antítese da vida,
mas sua sombra inseparável,
um vulto paciente
que nos acompanha
até o instante
em que já não há mais corpo
para projetá-la,
quando o vazio,
enfim,
reivindica o espaço
que sempre lhe pertenceu,
e nós,
como poeira,
nos dissolvemos
no ventre do universo.
Aparência de Vida
Não há vida.
O que sou?
Um coração que pulsa
por reflexo de um hábito ancestral,
meus órgãos em perfeito estado,
como engrenagens meticulosas
de uma máquina que opera
sem memória ou intenção,
mantendo o teatro fisiológico
de um corpo que respira
por mera obediência biológica,
como se o oxigênio
fosse um combustível imposto
e não uma escolha consciente
de permanecer.
De certa forma,
sinto-me morto,
não pela ausência de pulsação,
mas pela falência do querer,
pela insuficiência da alma
em habitar o corpo que a carrega.
Sou um vulto cotidiano,
uma sombra que vaga
nas bordas do tempo,
um espectro inacabado
que percorre os dias
como um verso esquecido
no meio de um poema
que nunca se completa.
Vivo,
mas sem a densidade
de quem ocupa o próprio ser,
de quem molda o instante
com a intenção de permanência.
É como se a pele
repelisse o próprio contorno,
e o corpo,
apesar de intacto,
fosse apenas a moldura
de uma ausência dolorosa,
uma estrutura que insiste
em se manter ereta
mesmo quando o espírito
já desabou.
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