Um dia Vamos nos Conhecer
Após a tempestade, solitário, a deriva e na vastidão, até que um dia, terra a vista! O mar teve compaixão. Me levou então num Porto ensolarado, seguro e bonitão mas de nome Velho, Porto Velho, que me deu a mão, abrindo a possibilidade de nova vida, com muita esperança e gratidão.
Sonhar que está voando em um balão bem colorido, ao raiar do dia, com o mundo passando devagarzinho aos seus pés, às ordens do vento, não tem idade; é lúdico, é criança, é mágico. Bem-aventurados aqueles que realizaram ou realizarão seu sonho na magia de um aeróstato ou balão, ou ainda melhor, no balão mágico.
Que cada novo dia, seja sempre um elo de cumplicidade com a esperança e a determinação de cumprir nossa missão, sob o testemunho do sol, da terra e do mar.
Ao pensar que, ao ver uma lagarta, nada indica que ela um dia será uma borboleta, não podemos esquecer que o ser humano também está sujeito a metamorfoses. Se fosse para se tornar borboleta, o mundo seria um paraíso ou nirvana, mas, muitas vezes, acabam se tornando bichos peçonhentos.
Exercício de fé, proatividade e otimismo: nasce mais um dia, uma renovação da vida, que nos habilita para outros dias e muitos mais dias com saúde, paz, amor e alegria.
Não se deixe impor sequer um centímetro de distância de si mesmo, porque, a cada dia, essa distância aumenta de forma geométrica, a ponto de, quando se der conta, estar numa distância e profundidade abissais, sem retorno.
Uma noite maldormida pode levar a um mergulho tão profundo da sua existência que, quando o dia amanhece, você se surpreende por estar vivo.
Primeiro dia do ano, sonhos, construções, comprometimento e aprimoramento. Cada ser humano é um plantador de sementes, colheremos aquilo que jogamos na terra, sempre.
DIETA RADICAL
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Um dia o banjo
se viu obeso;
quis perder peso;
pesou a mão...
em pouco tempo
ficou em forma:
um violão!...
Não satisfeito
ou só de farra,
mudou de meta...
e fez dieta...
pra ser guitarra.
DESILUSÃO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Um dia ele percebeu que de ambos, era só ele quem propunha. Fora sempre assim. Nenhuma proposta era "de lá pra cá". Só de "cá pra lá". Nunca teve uma chance de responder. Dizer sim ou sim, como sempre seria, mas dizer. Ser solicitado por ela. Ficar envaidecido pela procura. Ter sua vez de ser cortejado.
Foi assim que outro dia resolveu trocar de margem. Remanejar os extremos. Ficar em silêncio e ver no que dava. Tinha esperança de que o silêncio faria "vir de lá" o que sempre "foi de cá". Jurava em seu íntimo que aquilo não era uma disputa, mas achava que ele mesmo nunca dera uma chance de ser o alvo; a caça. Era sempre o caçador.
O tempo se foi. Ele foi se deixando. Sua espera ganhou brio, quando percebeu que nunca "veio de lá" qualquer convite. Nenhuma proposta; solicitação. Ela não o amava; correspondia ao seu amor. Não o queria. Cedia generosamente ao seu querer. Até então, estava sempre ali. Provisoriamente ao seu alcance.
No fim das contas, ele não a tinha. Era tão somente contemplado pela preguiça do seu não... pela esmola do seu sim.
A PROFECIA DO ÓBVIO
DEMÉTRIO SENA, MAGÉ - RJ.
Virá um dia em que todos terão acesso ao melhor carro. À melhor moradia. Ao melhor celular, computador, energia, tênis, robô... Um tempo em que todos nós, pobres e ricos, faremos ponte aérea na primeira classe. Viajaremos pra lua e pra marte. Cometeremos livremente o consumismo irrefreável de todos os bens móveis, imóveis, e o mais importante: sem que nos falte o dinheiro para mais e mais novidades... vertiginosas novidades.
Nesse tempo, entretanto, logo não haverá um só grão; tubérculo; fruta; hortaliça; frio; laticínio; criação; caça; pesca... nenhum alimento para consumirmos. Nem água potável para matarmos a sêde sem nos matarmos a largos passos... profundos efeitos das bactérias letais que farão parceria definitiva com a fome generalizada nessa trágica igualdade social do futuro.
O destino da humanidade, caros humanos... é morrer de riqueza.
Respeite autorias. Ao divulgar o que não é seu, sempre cite o autor.
BEM-ME-QUER
Demétrio Sena, Magé – RJ.
Quando fores quem pede ou assedia,
por um dia, um momento, pouco importa,
não quem cede, avalia, vê se dá,
serei risos gratuitos pra mim mesmo...
Como quem cumprimenta o próprio espelho,
farei gestos de apupo e reverência,
por achar o meu olho em um olhar
que me dê transparência pra seguir...
Seu amor sem patente nem escala
será santo remédio em minha estima;
meu afeto não rima hierarquia...
Vou deixar a saudade ser mais tua
uma vez, uma lua, um por acaso;
terminar uma flor no bem-me-quer...
NOVO TEMPO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Por um dia sem ranço de mágoa passada;
uma nova partida pro sonho de após;
pela voz renovada pra cantar a vida
que renova os caminhos; recicla os contextos...
Nossos braços abertos acolhem o mundo
sempre novo, refeito e disposto a girar,
esse ar que nos ronda não quer desperdício
com aqueles cansaços inférteis e fúteis...
Pelo amor a nós mesmos, amemos viver,
ver nos olhos à frente um espelho perfeito
e reler nossa história com olhar maduro...
Ninguém seja guerreiro, lutador, herói,
porque dói guerrear; combater; brandir arma;
recriar uma era que não era humana...
RECUO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Apaguei o meu fogo pra todos que um dia
só me deram soslaio em troca dos meus olhos,
foram hora tardia se lhes dei mais tempo,
pois desconfiaram de minha confiança...
Abortei meus afetos por todos aqueles
que me deram as costas quando fui frontal,
viram mal nos empenhos do meu bem querer
desarmado e disposto feito exposição...
Dou ausência completa para quem me viu
como aquela presença que já era tanta,
quase planta excessiva para pouco solo...
Deixo em paz quem parece temer uma guerra
ou enterra o seu brilho porque tem temor
do calor mais humano; menos trivial...
MAU PAGADOR
Demétrio Sena, Magé - RJ.
O que faço é sentir que avancei mais um dia
ou pulei outra casa do jogo no fim,
sei de mim mas não sei do momento seguinte
que releva e vou indo como pouco importa...
Não é choro de alguém que se cansa do mundo,
mas de quem já viveu e não chora por mais,
é a paz de saber que já chegou a conta
e não vejo motivo pra fingir que não...
De repente o que faço é gastar os trocados
do meu troco previsto e dos dons perecíveis
que não foram quitados por todo esse tempo...
Minha vida parece brincar de credor
sem apego ao montante que devo e não nego,
não me apego nem pago e me deixo fluir...
BRUXISMO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Se você acha que um dia perdoará, fazê-lo agora será uma boa economia para seus dentes. Caso contrário, prepare-se para rangê-los até o fim da mágoa ou da vida... e dos próprios dentes.
SEJA BEM IDA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Pergunte aos meus ex-amores que um dia resolveram partir, como foi fácil me dar adeus. Como lhes dei prontamente o sinal verde. Alforria imediata para o que não era escravidão.
Depois pergunte ao meu coração, se por acaso ele saiu pela boca. Também indague ao meu peito se lhe faltou ar; se a pulsação coronária o nocauteou. Você há de constatar, talvez com alívio, que não me rasguei todo em tiras e que a polícia, em todas essas dispensas, não teve o menor trabalho comigo. Nenhuma das algumas partidas de meus ex-amores terminou em prisão para mim, porque nunca tentei ser prisão de quem um dia me amou ou fez que o fizesse. Respeito amores e vontades. Verdades e mentiras. Não cobro juros por juras não cumpridas.
Se seu desejo é partir, não se avexe. Só preciso saber. Não posso responder ao adeus não dado, e quem quer partir não sou eu. Sendo assim, não imponha esse jogo de me cansar. De me fazer tomar uma decisão que é sua. Facilitar o que já é fácil, quando afinal, será exatamente como foi com os demais amores desistentes. Não se acanhe por me desamar e se desmentir de seus tantos “eu te amo”. Do seu automático “não vivo sem você”. Da sua mania de “você é tudo pra mim”, entre outras declarações que se tornaram clichês; carimbos compulsivos de seus lábios que já nem precisavam articular para reproduzir esses textos.
Conheço bem essa hora. Esse olhar. Essa distância, mesmo de perto. Esse mesmo silêncio. Tive outros amores que seriam pra sempre. Que até foram, mas o sempre se limitou. Ficou curto. Depois mais curto, até se tornar nunca mais, e sempre com o mesmo jogo no qual não entrei: o de forjar minha desistência; dizer adeus em meus lábios; acenar com a minha mão. Quando não teve outro jeito, a surpresa: foi tão fácil me dar adeus; fui tão compreensivo e liberal, que me acusaram de frio; que se revoltaram posteriormente com a facilidade, pois doeu na vaidade humana.
Vá em paz. Não é preciso jogar. Estendo meu tapete à sua partida. Seja bem ida e se avexe não... a porta pro mundo é a serventia... do meu coração.
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