Trechos Clarice Lispector
Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir
De entrar em contato... Ou toca, ou não toca.
E, se me achar esquisita, respeite também.
Até eu fui obrigada a me respeitar
Repito por pura alegria de viver:
a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não vale a pena!
Que minha solidão me sirva de companhia
Que eu tenha a coragem de me enfrentar
Que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo.
Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome
Nota: O primeiro pensamento pertence a uma entrevista dada por Clarice em 1977. O segundo e o terceiro são do livro "A descoberta do mundo". O quarto é uma adaptação de um trecho de "Um sopro de vida". O último pensamento é do livro "Perto do coração selvagem".
...MaisQuero escrever o borrão vermelho de sangue com as gotas e coágulos pingando de dentro para dentro. Quero escrever amarelo-ouro com raios de translucidez. Que não me entendam pouco-se-me-dá. Nada tenho a perder. Jogo tudo na violência que sempre me povoou, o grito áspero e agudo e prolongado, o grito que eu, por falso respeito humano, não dei. Mas aqui vai o meu berro me rasgando as profundas entranhas de onde brota o estertor ambicionado. Quero abarcar o mundo com o terremoto causado pelo grito.
O clímax de minha vida será a morte.
Quero escrever noções sem o uso abusivo da palavra. Só me resta ficar nua: nada tenho mais a perder.
Cuidado com suas preocupações, dizem que dá ferida no estômago.
O dia corre lá fora à toa e há abismos de silêncio em mim.
E falo bem baixo para que os ouvidos sejam obrigados a ficar atentos e a me ouvir.
Mas não havia nela miséria humana. É que tinha em si mesma uma certa flor fresca. Pois, por estranho que pareça, ela acreditava. Era apenas fina matéria orgânica. Existia. Só isto. E eu? De mim só se sabe que respiro.
Estou absolutamente cansado de literatura; só a mudez me faz companhia. Se ainda escrevo é porque nada mais tenho a fazer no mundo enquanto espero a morte. A procura da palavra no escuro. O pequeno sucesso me invade e me põe no olho da rua. Eu queria chafurdar no lodo, minha necessidade de baixeza eu mal controlo, a necessidade da orgia e do pior gozo absoluto. O pecado me atrai, o que é proibido me fascina.
Sejam vocês mesmas! Estudem cuidadosamente o que há de positivo ou negativo na sua pessoa e tirem partido disso. A mulher inteligente tira partido até dos pontos negativos. Uma boca demasiadamente rasgada, uns olhos pequenos, um nariz não muito correto podem servir para marcar o seu tipo e torná-lo mais atraente.
Desde que seja seu mesmo.
Estamos levando na ponta da língua a frase de Clarice Lispector – “Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito”
Visão de Clarice Lispector
Clarice,
veio de um mistério, partiu para outro.
Ficamos sem saber a essência do mistério.
Ou o mistério não era essencial,
era Clarice viajando nele.
Era Clarice bulindo no fundo mais fundo,
onde a palavra parece encontrar
sua razão de ser, e retratar o homem.
O que Clarice disse, o que Clarice
viveu por nós em forma de história
em forma de sonho de história
em forma de sonho de sonho de história
(no meio havia uma barata
ou um anjo?)
não sabemos repetir nem inventar.
São coisas, são jóias particulares de Clarice
que usamos de empréstimo, ela dona de tudo.
Clarice não foi um lugar-comum,
carteira de identidade, retrato.
De Chirico a pintou? Pois sim.
O mais puro retrato de Clarice
só se pode encontrá-lo atrás da nuvem
que o avião cortou, não se percebe mais.
De Clarice guardamos gestos. Gestos,
tentativas de Clarice sair de Clarice
para ser igual a nós todos
em cortesia, cuidados, providências.
Clarice não saiu, mesmo sorrindo.
Dentro dela
o que havia de salões, escadarias,
tetos fosforescentes, longas estepes,
zimbórios, pontes do Recife em bruma envoltas,
formava um país, o país onde Clarice
vivia, só e ardente, construindo fábulas.
Não podíamos reter Clarice em nosso chão
salpicado de compromissos. Os papéis,
os cumprimentos falavam em agora,
edições, possíveis coquetéis
à beira do abismo.
Levitando acima do abismo Clarice riscava
um sulco rubro e cinza no ar e fascinava.
Fascinava-nos, apenas.
Deixamos para compreendê-la mais tarde.
Mais tarde, um dia... saberemos amar Clarice.
Clarice Lispector
(homenagem)
Clarice é a clareira
Que meu dia ilumina
Sua escrita hermética
É paixão e fascina
Lispector nem sempre
Compreende-se tão fácil
Pois instiga o pensamento
A não pensar o pensado
Clarice que é Lispector
Nos convida à dança
Muitas vezes inventada
Com amor e esperança
Dizer de Clarice
É desafio na certa
Pois Lispector não brinca
Quando o assunto é desperta
Desperta... Desperta... Desperta...
Desperta...Desperta...
Desperta...
...
Clarice Lispector dizia que “Perder-se também é caminho..”
Acho que perder-se nos braços de alguém é.. Um dos melhores caminhos.
Já disse Clarice Lispector; " Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, porque vou seguir sempre o meu coração! Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente! "
É preciso amar ao outro, por mais diferente que ele seja e aceitar isso por mais dificil que pareça.. Ninguém nunca precisou de motivos para amar, e sim de razões parta continuar amando. Afinal, o amor é feito flor.. nasce quando menos se espera e morre quanto menos se cuida. Então, como se canta por aí;
" Cuide bem do seu amor, seja quem for.. "
Beijos!
ALFABETIZAR É POSSÍVEL
No conto "Felicidade Clandestina", Clarice Lispector nos apresenta uma protagonista tímida e sonhadora. Uma menina cujo sofrimento é
Publicado no Jornal da Tarde
Reflexão...
Clarice Lispector DISSE: "Brasília…Uma prisão ao ar livre."
Porém muito mais que isso, é a prisão perpetua que todos
os bandidos perigosos adorariam fincar território
como os que estão lá!
Bárbara Cleide
Só há uma coisa a aprender com as ideias de Clarice Lispector, que a loucura é uma forma de sanidade.
Aquele algo pitoresco estúpido e tolo!
Somos todos universos particulares, de assimétrica sobrevivência.
Ah, Clarice Lispector, se você soubesse o quanto também me tornei intolerável para mim mesmo, o quanto tenho me perseguido. Dentro de mim, criei inúmeros labirintos, e todos eles me conduzem à prisão da minha alma. Por fora, estou livre, mas por dentro sou dominado pelo peso de ser escravo de mim mesmo.
Desejo que um dia me vejam como veem Clarice Lispector, tão humana e igualmente etérea, unindo em si o sensível e o inteligível, como se não houvesse sangue correndo em suas veias. Espero muito que me descrevam como outrora a descreveram, com os mesmos adjetivos ambíguos: seu olhar aparentemente triste, porém sempre atento e sábio, de quem não espera nada de ninguém, nem mesmo do mundo. Entretanto, o próprio mundo parecia se desdobrar diante de suas palavras, tão difícil é defini-la, pois ela não se encerra em si mesma, continua em mim e em tantos outros filhos. O verbo de Clarice, tão celeste, materializou em texto palpável os sentimentos mais indecifráveis; ela escrevia com a destreza de um anjo os mistérios que só o divino conhece.
Como desejo a sombra daquele olhar de quem consegue enxergar além das cortinas, desvendando o próprio e perverso cosmo, que recaia sobre mim o mesmo dom dos céus, a mesma intimidade com o pensamento e a palavra. Como pode ter existido um olhar tão efemeramente fatal quanto o dela? Como seu grande pupilo, só posso esperar que um dia conquiste sua beleza, pouco compreendida por olhos despreparados. Poucos são os que compreenderam sua verdade. E te coloco em devoção, pois fui salvo por tudo o que desaguou de teu ser.
Não me tome como um usurpador, mas, ao me tornar à tua imagem, quem sabe eu encontre o acalento de um coração que lamenta não ter te encontrado, que cesse a saudade e a culpa de não ter te encontrado em vida. Pois não haverá no mundo ninguém com seus olhos hipnóticos e demoníacos.
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