Tragédia
Talvez a maior tragédia não seja sofrer, mas descobrir que nenhuma explicação elimina o sofrimento. A existência não nos deve respostas. No máximo, concede-nos alguns instantes de lucidez entre um espanto e outro. E talvez seja precisamente essa lucidez — tão insuportável quanto indispensável — que chamamos, por falta de um nome melhor, de fé.
- Tiago Scheimann
A grande tragédia não é que a vida termine, mas que alguns nunca se permitam amar profundamente enquanto existe.
A tragédia climática começa quando o Direito confunde a ausência de proibição com a existência de legitimidade.
A maior tragédia da humanidade não é morrer sem ser amada, mas sim passar pela existência sem a capacidade de amar de verdade.
Pensador
O indivíduo que conhece seus limites não precisa transformar cada despedida em tragédia nem cada encontro em promessa eterna.
Toda morte é fluxo. Chamar uma de tragédia e outra de nada é o atrito de quem esqueceu que também é natureza.
Não deveríamos encarar a morte como uma tragédia ou pagamento doloroso de pecados, mas como mais uma forma de aprendizado onde no final o sentimento que fica é de dor e perda e uma ponta de conforto por termos convivido com o ser espiritual cheio de falhas mas com ensinamentos em busca de aprimoramentos também.
“A tragédia do pensamento não está na existência dos que pouco compreendem, mas no tempo em que a intolerância dos superficiais impõe silêncio aos que ainda ousam pensar. Quando a ignorância se convence de sua própria sabedoria, a razão deixa de ser instrumento de esclarecimento e passa a ser tratada como ameaça.” — Leonardo Azevedo.
Talvez a mais obscura tragédia da existência seja a incapacidade de contemplar o vazio sem lhe atribuir significado. Erguemos propósitos sobre o abismo, inventamos verdades para disfarçar a vertigem de não saber e chamamos esperança à nossa recusa em aceitar o silêncio. O universo talvez não oculte mistério algum; é a consciência, em seu delírio de grandeza, que transforma a ausência de sentido numa pergunta interminável, condenando-nos a procurar, no silêncio absoluto das coisas, uma resposta que justifique a nossa necessidade de existir.
- Tiago Scheimann
A dor, o luto e a tragédia de todas as ordens são escolas muito duras, ninguém está imune a elas.
Acolher estes acontecimentos com coragem e respeito é dever individual e coletivo.
E sobretudo, é dever aprender com elas e da maneira que for possível cada qual da sua maneira ser o ombro amigo e a palavra amigo ou até mesmo o silêncio oportuno para quem precisa.
Ideal seria se conseguíssemos desafiar o cotidiano e estar acima das influências contemporâneas e incorporar como ato de vida formar uma rede de apoio social dentro do nosso espaço existencial.
No teatro da Humanidade
a sereia do Rio Reno canta
seja para expurgar a tragédia
ou para atrair para as profundezas
os muitos senhores da guerra.
[[[A razão é poeta e profeta]]].
“A maior tragédia da vida humana é que o homem nasce sendo um ser, passa a vida inteira tentando se tornar alguém e morre sem perceber que o personagem que construiu para existir foi exatamente aquilo que o afastou da humanidade que nasceu para viver.”
A maior tragédia do ser humano não é ser manipulado; é ser manipulado e ainda defender o manipulador. O sistema descobriu que não precisa acorrentar pessoas quando pode entretê-las, distraí-las e convencê-las de que suas prisões são escolhas. Criou-se uma multidão de consumidores de ideias prontas, compradores de verdades embaladas e repetidores de pensamentos que nunca tiveram coragem de investigar.
Muitos não possuem opinião; possuem uma programação. Não formaram convicções; apenas absorveram condicionamentos. Não pensam sobre aquilo que acreditam; acreditam porque foram ensinados a não pensar.
A mente preguiçosa é o território mais fértil para qualquer manipulação. Quem não desenvolve consciência vira depósito de narrativas, vitrine de desejos fabricados e porta-voz de interesses que nem conhece.
O maior triunfo da manipulação não é calar uma voz; é criar uma voz que repete exatamente aquilo que deveria questionar.
Uma sociedade que abandona o pensamento crítico não precisa de censores: ela mesma se vigia, se limita e se condena a repetir. O ser humano que não conquista a própria mente passa a vida inteira defendendo ideias que invadiram sua cabeça sem pedir permissão.
A RAZÃO DA RAZIDÃO
A maior tragédia da humanidade não é a ignorância.
É a perda da humanidade.
A alienação nunca foi o destino; sempre foi o caminho. O destino é muito mais profundo e infinitamente mais perigoso: a desumanização do homem.
Desumanizar não significa retirar a inteligência. Significa retirar a consciência.
É possível possuir informação sem possuir sabedoria. Conhecimento sem discernimento. Tecnologia sem propósito. Poder sem caráter.
É exatamente isso que estamos testemunhando.
Jamais a humanidade produziu tanto conhecimento e, paradoxalmente, jamais se conheceu tão pouco.
Vivemos cercados de pessoas e vazios de presença.
Conectados às redes.
Desconectados da realidade.
Aproximados pelas telas.
Separados pela alma.
A comunicação nunca foi tão rápida.
A comunhão nunca foi tão rara.
A mente cresce quando aprende.
Mas amadurece quando desaprende.
Porque aprender acumula.
Desaprender purifica.
Toda mentira ocupa um espaço que deveria pertencer à verdade.
Por isso, desaprender é um dos atos mais elevados da inteligência.
A razão da razidão consiste justamente nisso: ensinar o homem a esquecer quem é, para que jamais descubra por que existe.
Quando o homem perde sua identidade, qualquer identidade lhe serve.
Quando perde seus princípios, qualquer ideologia o seduz.
Quando perde a verdade, qualquer narrativa o domina.
E quando perde Deus, passa a adorar qualquer coisa.
O dinheiro.
O status.
A imagem.
O prazer.
O poder.
A opinião dos outros.
Ou, pior ainda…
A si mesmo.
Desde o princípio da história, o homem tenta construir um deus semelhante a si. Um deus que nunca confronte seus desejos, nunca questione suas escolhas, nunca exija arrependimento, nunca transforme seu caráter.
Um deus domesticado.
Mas Deus nunca foi criado para caber dentro da consciência humana.
É a consciência humana que precisa caber na verdade de Deus.
Toda desumanização começa quando o homem deixa de olhar para dentro.
E toda reconstrução começa exatamente no mesmo lugar.
Ao pensar naquilo que pensamos, pensamos de fato.
Poucos fazem isso.
A maioria apenas repete.
Repete opiniões.
Repete indignações.
Repete discursos.
Repete comportamentos.
Repete medos.
Repete sonhos que nunca escolheu sonhar.
Pensar tornou-se um ato raro.
Reagir tornou-se um hábito coletivo.
A mente mente.
Ela fabrica justificativas para aquilo que o coração já escolheu.
Por isso, inteligência não garante discernimento.
O discernimento começa quando temos coragem de desconfiar até mesmo dos nossos próprios pensamentos.
Toda escravidão começa quando deixamos de questionar aquilo que controla nossa mente.
Conforme venho afirmando há anos, a maior guerra da história não acontece entre nações.
Acontece dentro da consciência humana.
É uma guerra silenciosa.
Sem tanques.
Sem bombas.
Sem sirenes.
Mas com milhões de vítimas.
Quem conquista a mente não precisa conquistar territórios.
Quem governa a consciência governa comportamentos.
Quem governa comportamentos molda culturas.
E quem molda culturas redefine o destino de civilizações inteiras.
A estratégia nunca foi impedir o homem de pensar.
Foi convencê-lo de que já pensa.
Se eu me acho, não me procuro.
E quem deixa de se procurar jamais se encontra.
Vivemos uma geração perdida que acredita ter encontrado a si mesma porque encontrou um grupo ao qual pertence.
Confundiu pertencimento com identidade.
Popularidade com valor.
Visibilidade com relevância.
Seguidores com amizade.
Informação com conhecimento.
E emoção com verdade.
Pessoas rasas arrasam pessoas profundas.
Não porque sejam mais inteligentes.
Mas porque a superficialidade sempre se espalha com mais facilidade do que a profundidade.
Construir exige tempo.
Destruir exige apenas descuido.
Talvez seja por isso que tantos adoecem.
A depressão, a ansiedade, o vazio existencial e tantas outras formas de sofrimento nem sempre nascem da ausência de recursos.
Muitas vezes nascem da ausência de sentido.
O homem suporta quase qualquer sofrimento quando encontra um propósito.
Mas dificilmente suporta uma existência sem significado.
A sociedade ensina como ganhar dinheiro.
Pouco ensina como não perder a alma.
Ensina a competir.
Esquece de ensinar a servir.
Ensina a convencer.
Esquece de ensinar a compreender.
Ensina a vencer.
Mas raramente ensina a vencer a si mesmo.
Enquanto isso, seguimos formando profissionais extraordinários e seres humanos emocionalmente analfabetos.
Especialistas em produzir.
Iniciantes em amar.
Especialistas em consumir.
Iniciantes em contemplar.
Especialistas em aparecer.
Iniciantes em existir.
Quem não possui valores inevitavelmente terá preço.
E quem possui preço sempre será comprado por alguma coisa.
Talvez por dinheiro.
Talvez por poder.
Talvez por reconhecimento.
Talvez apenas por medo.
Toda venda da consciência começa com um pequeno acordo contra a própria verdade.
A realidade continua existindo, ainda que seja negada.
A verdade não depende da nossa aprovação para continuar sendo verdade.
Podemos fechar os olhos para o sol.
Mas jamais apagaremos sua luz.
Toda fuga é uma saída sem saída.
Porque ninguém foge da realidade.
Apenas adia o encontro com ela.
E quanto maior o adiamento, maior será o impacto desse encontro.
Vivemos como se a vida fosse infinita.
Adiamos conversas.
Adiamos mudanças.
Adiamos perdões.
Adiamos Deus.
Até que um dia percebemos que o tempo nunca esteve parado.
Era apenas a consciência que estava adormecida.
Aprender amplia a mente.
Desaprender a liberta.
Libertar-se significa abandonar tudo aquilo que nos impede de sermos plenamente humanos.
Porque ser humano não consiste apenas em existir.
Consiste em despertar.
Consiste em discernir.
Consiste em amar.
Consiste em servir.
Consiste em reconhecer que nenhuma transformação social será suficientemente profunda enquanto o homem continuar desconhecendo a si mesmo.
A verdadeira revolução nunca começou nas ruas.
Sempre começou dentro da consciência.
E toda consciência verdadeiramente despertada inevitavelmente transforma o mundo ao seu redor.
Por isso, antes de tentar mudar a humanidade, tenha coragem de encontrar o homem que existe dentro de você.
Porque quem transforma a própria consciência deixa de ser apenas parte da história.
Passa a ser parte da solução.
E jamais se esqueça:
Tudo aquilo que plantamos colheremos.
Essa lei não pode ser negociada.
Não pode ser comprada.
Não pode ser manipulada.
Ela não distingue ricos de pobres, governantes de governados, religiosos de ateus, famosos de anônimos.
Ela apenas responde, com absoluta precisão, àquilo que decidimos semear.
A vida sempre devolve ao homem aquilo que primeiro encontrou dentro dele.
Porque toda colheita é, antes de tudo, o espelho invisível das sementes que um dia escolhemos lançar sobre a terra e sobre a eternidade.
Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista • Neuropsicopedagogo • Pedagogo
31/07/2026
Uma personagem clássica.
A vida é uma tragédia.
Sua história é uma epopeia.
Suas frases são versos.
Suas ações são uma peça.
Deixe-me ser sua simetria.
Faça-me bela como a nona sinfonia.
Torne-me o motivo da guerra de Tróia.
Lapide e crie a mais bela joia.
Contudo, o fim é cruel.
Não vou negar o que sinto por você,
E beberei cicuta.
Chamar-te-ei Tétis, e será minha ninfa,
E estarei preso nas tormentas.
Ficarei na incerteza de sua traição,
E serei mais um casmurro.
O Destino, autor da minha literatura
É inteligente e irônico,
Ele tornou-me um clássico,
Minha vida em folhetins que são escritos todos os dias.
