Todo Amor Precisa ser Alimentado
Forte é todo aquele que perante as dificuldades e momentos difíceis da vida, consegue estampar um sorriso no rosto.
Todo o sucesso que alguém possa ter, não justifica seus atos de falta de humildade e compaixão pelo seu próximo.
O sentido da vida é não ter sentido.
Quando você achar o sentido da vida, ela perderá todo o sentido.
"Não é somente o ouvido que ouve; mas todo o corpo, não adianta
parar para ouvir e o corpo manifestar inquietações "
Triste é perceber tarde que todo esforço foi em vão.
Que toda dedicação não valeu à pena.
Triste é se dar conta de que não havia reciprocidade e sim interesses.
Triste é estar no lugar de quem acredita nas pessoas e no fim se decepciona.
Triste é achar que podíamos contar com a pessoa ao nosso lado e de repente, descobrir que sempre estivemos sozinhos, que a pessoa ao lado era apenas um recipiente vazio.
A beleza que há por trás da tristeza
Embora o mundo cobre que sejamos felizes o tempo todo, nós sabemos que isso não é possível. A literatura de auto ajuda, os meios de comunicação, as redes sociais tentam nos vender a utopia da felicidade perene, nos bombardeiam com essa cobrança injusta e desumana e com isso nos roubam o direito à tristeza. Não se pode ser feliz com dores e, estamos rodeados delas, algumas nossas, outras de entes queridos e há ainda as dores do mundo que nos atingem mesmo à distância. Somos uma engrenagem delicada acionada por um simples toque do pensamento, um cheiro, um gosto, uma imagem, um som que imediatamente nos remete à lembranças, algumas felizes, outras nem tanto assim e no seu interior, às vezes, nos deparamos com a tristeza.
Nossos sentidos são radares invisíveis, atentos a qualquer estímulo e, de repente, no meio de um riso solto somos alvejados por um dardo de tristeza; imediatamente nos vem aquela sensação de impotência por não encontrar o bolso do coração para colocar as mãos inquietas e esconder seu tremor; por tatear o tempo à procura do ombro da mãe para chorar e só encontrar o vazio, por procurar uma mão amiga e sentir os braços curtos demais para alcançá-la. Nesse enlevo, com o intuito de esconder a dor sorrimos para a tristeza e a beijamos com gosto de sangue na boca.
O que as pessoas não percebem é que existe uma alegria na tristeza, existe uma beleza oculta nas coisas tristes que insistimos em ignorar. Por trás delas, há um mundo de pequenas emoções, de mistério, poesia, sonhos adormecidos que vêm nos tocar, há músicas que inesperadamente nos tiram para dançar, amores supostamente esquecidos, o universo da nossa infância, o infinito amor por nossos pais. Há tanta história registrada na caixa preta das nossas emoções e nunca sabemos em que instante seremos forçados a acessá-las. Por isso, não se cobre demais felicidade, mas também não corteje a tristeza. Permita que ela venha te visitar sempre que necessário, sente-se ao lado dela, tome um café, só não a convide para ser seu hóspede, não ofereça o cômodo mais importante da sua casa para que ela possa morar.
Quando penso em você, todo beijo que me vem à memória acompanha a sombra da tua boca (Clóvis Rosa).
O erro começa quando a gente tenta mostrar para todo mundo o que realmente só nos interessa
Os nossos sonhos são apenas nossos,são únicos
Os nossos desejos são especiais
As nossas aventuras secretas, bom...são secretas
Conto do Pato
Jô Bragança
Chegou o grande dia; Pato Haroldo, criado com todo carinho pela família, ja estava no ponto para ir a panela. Era Círio em Belém do Pará:
- Haroldo! meu filho, cadê você?
- Cadê você? Sou pato, não sou pateta.
Haroldo saiu correndo, desembestado, pelo quintal. Saiu pela tangente. Pulando muro feito louco.
Família, vizinhança e amigos, e quem nem sabia da história, começaram a perseguição.
Pato Haroldo correu mais que os carros, e se duvidar mais que os aviões. Passando pela feira, derrubou tudo no chão. Se armou, criou a maior confusão. Quebrou barracas, até as crianças não escaparam, e carroças. Tamanha foi a lambança que o dito Pato causou. Também pudera, eu também não quereria ir pra panela.
Depois de mais de uma hora de caça e quebradeira. Chegou o batalhão. Tropa de choque e cavalaria. Capturaram Haroldo, o pato fujao.
Não teve acordo. O delegado decretou "Pato Haroldo, por desordem e destruição, escapou da panela. Mas não escapará da prisão".
Todo tempero do mundo:
Carneiro com Hortelã
Pensando:
“Decidi encontrar com ele. Não posso mais voltar atrás e me
despir desse sentimento. Só quero o movimento desse amor, que sinto tanto, para guardar em minha memória e meu coração. Amar não é pecado, pecado é não amar e nunca decidir. E toda decisão, às vezes, não é pela paixão, mas pelo o que construímos pelo caminho.”
Eu criei tanta coragem e tantos anos para dar aquele telefonema.
Acho que meu erro foi ser ovelha, número quatro, depósito,
e ainda disse:
–Boa tarde!
E você, que nunca reconheceu minha voz, me disse:
– Quem é?
– Sou eu!
– Diga.
– Está ocupado?
– Estou esperando dois telefonemas.
Pensei: “Dois, começo de alguma conversa que pode dar
certo”. Mas você nunca acreditou em numerologia, silenciei.
– Pegue o calendário vamos nos encontrar.
E você atirou pimenta malagueta em meu rosto, disse:
– Capsicum bacctum, não enche o saco. Você é...
E não completou.
Continuei.
– Fale, gosto de saber dos meus defeitos para corrigi-los. Não gosto de charadas.
Acho que desistiu de dizer por que viu o que ardia em meus
anseios.
– Não gosto de brigar, entende?
E não estava ali para brigar, mas te beijar.
E disse que sim, mas eu não entendi aquela violência comigo
e as feridas se abriram, empanadas de pimenta malagueta. E tremia, mal consegui erguer e caminhar uma xícara de café com anis estrelado em minha boca.
Saí de tudo, fui até a janela para acreditar como fui
sobrevivente e aterrissei depois de tanta turbulência, como deixei de gostar de mim mesma.
Chorei.
E tudo escorreu calado debaixo daquele que nunca viu e
sentiu. Recolhi toda indigestão com minhas mãos que cheiravam a anis estrelado.
Pensei em Monteiro Lobato, íntimo naquela hora.
Toct passe - Tudo passa.
Toct casse - Tudo quebra.
Toct lasse - Tudo se gasta.
Naquele instante eu era outra substância e a minha energia e
transcendências ficaram presas em suas palavras.
Não fluíram.
Capsicum bacctum, pimenta malagueta, você esgalhado,
folhas ovais agudas e alternas, flores solitárias.
E eu cheirando à China, Illicium anisatum, erva doce de sete
ou oito cápsulas, comprimidas, avermelhadas e guardando uma semente:
“O sentimento”
Desistam: ISTO NÃO É RECEITA DE NADA.
Eu era uma vela, um tremular, uma intenção. Era a mesma,
mas havia mudado a substância e o tempero.
Deliberei.
Esmaguei anis estrelado com pimenta malagueta e muita
hortelã para aliviar.
Temperei o carneiro, era quase Páscoa.
Paz.
O resto exalava paixão.
Livro Pó de Anjo
Autora: Rosana Fleury
“Por que apreciar apenas a fragrância de uma única flor, em detrimento de todo o jardim? Não! A minha predileção é pelo todo”.
Caso as boas palavras que procuro se mostrarem fugidias, não ficarei aborrecido, a atirar para todos os lados, em vãs escritas.
Sinto todo sentimento do mundo
Vejo os amores pelas ruas
Os casais que se buscam
Nos beijos, as fugas.
Invejo os amores alheios
Não os entendo, desconheço
Afinal, do quê o amor é feito?
Minha eterna busca, meu desespero.
O amor é qualquer coisa
Tal cousa qualquer
Dor curada de placebo
Inexistente, mas não percebo.
