Textos sobre Tempo
Não adie a vida enquanto há tempo pra viver , enquanto corre nas veias a intensidade do querer ,corra atrás do que for necessário, mesmo que venha perder , mas com certeza toda sua vontade estará focada em cada instante respirado e que faça tudo que puder fazer, enquanto o tempo não se esgote e vá embora e deixe vazio tudo que poderia realizar . Então, por favor, não adie a vida , pois ela é por demais preciosa , mesmo que alguns momentos, bata o desânimo e o fracasso , continue lutando pra que um dia encerre seus momentos com o prazer de ter enfrentado cada momento e assim feche os olhos com a convicção de que valeu a pena ter vivido sem adiar a vida !
João Batista Barbosa
JUGULAR DO TEMPO!!!
Nos esconderijos das memórias
Nas veredas de seus atalhos
Envolvidos em tantas histórias
Entrelaçadas entre retalhos
Na jugular do tempo marcado
Profecias ditadas ao sopro do vento
Eterno poder antes julgado
Direção eterna do pensamento
Tantos enigmas já decifrados
Esquecidos entre vários escombros
Da liberdade entre muralhas
Passado, presente indicando o futuro.
Espectros digitando a sorte
No dissabor da hipocrisia
Revelações diluídas novamente
Cavaleiros da própria morte!!!
AUTOR JOÃO BATISTA BARBOSA
A Hora do Descanso.
Muitas vezes a gente se cansa de ser forte o tempo todo. Mas escute o seu corpo: o descanso também faz parte da vitória. Quando você entrega suas lutas nas mãos Daquele que te criou, você não está desistindo, está confiando. Toda a sua trajetória de superação até aqui foi desenhada pelo amor divino. Hoje, permita-se apenas respirar e descansar no amparo do Criador. Ele renova as suas forças em silêncio para que, amanhã, você amanheça pronto para vencer mais uma vez
Passei tanto tempo sendo forte por todo mundo, que quase ninguém percebeu o quanto isso me custou.
Eu estive ali quando precisaram de mim.
Segurei minhas dores em silêncio.
Engoli o cansaço, escondi minhas lágrimas e continuei, mesmo quando por dentro eu só queria parar.
As pessoas se acostumaram a me ver como uma rocha, mas esqueceram que dentro de mim também existe um coração cansado, ferido e cheio de peso.
E o que mais dói não é lutar por todos.
É sentir que, enquanto eu cuidava de tudo e de todos, quase ninguém percebeu que eu também precisava de cuidado.
Eu também preciso de abraço.
Também preciso de colo.
Também preciso ouvir que está tudo bem descansar.
Porque a verdade é que eu não queria ser forte o tempo todo.
Eu só não queria decepcionar ninguém, mesmo estando em pedaços por dentro.
Eu estou cansado de ser forte o tempo todo.
Às vezes, tudo o que eu queria era terminar o dia e ter alguém que olhasse para mim e dissesse:
“Fica em paz, não se preocupa com nada, agora pode descansar.”
Mas quase nunca é assim.
Porque, na maior parte do tempo, sou eu quem cuida de tudo.
Sou eu quem segura as pontas.
Sou eu quem permanece firme quando todo mundo desaba.
Só que ninguém pensa no que acontece quando eu também me canso.
E a verdade é que eu cansei.
Cansei de carregar tudo sozinho.
Cansei de cuidar de tudo e de todos, enquanto por dentro também estou sobrecarregado.
Eu também preciso de cuidado.
Eu também preciso de colo.
Eu também preciso de alguém que enxergue a minha dor, mesmo quando eu tento parecer bem.
As pessoas me veem como uma rocha, mas esquecem que até quem parece forte por fora também pode estar quebrado por dentro.
Eu não queria ter que ser forte o tempo todo.
Eu só queria, pelo menos uma vez, sentir que alguém também cuida de mim.
Eu cansei de ser forte o tempo todo.
Cansei de ser aquele que todo mundo procura quando alguma coisa dá errado, aquele que resolve, que segura, que ajuda, que tenta não deixar ninguém cair.
Por muito tempo eu fiz isso em silêncio.
Sorri quando estava cansado. Continuei quando queria parar. Cuidei de todos, mesmo quando por dentro eu também precisava de alguém.
E talvez essa seja a parte que mais dói:
ninguém percebe quando quem cuida de todo mundo também está desmoronando.
Eu também tenho medo.
Eu também tenho dias ruins.
Eu também preciso de carinho, de atenção, de alguém que olhe para mim e diga:
“Agora deixa comigo. Você não precisa ser forte hoje.”
Porque a verdade é essa:
eu estou cansado de carregar tudo sozinho.
Eu também preciso que cuidem de mim.
Não é a saudade comum das horas mortas,
Nem a dor previsível que o tempo traz.
É algo maior que habita em mim, e me devora,
Um fantasma de vida que não me deixa em paz.
Existe um mistério além do meu próprio peito,
Algo que sobrevive e pulsa no ar,
Enquanto eu me perco no labirinto imperfeito
De contar as horas sem te tocar.
O dia amanhece como uma sentença fria:
Saber que não terei o calor do teu corpo ao meu lado,
Que tua respiração mansa não vai embalar o meu dia,
E teu sorriso... Ah, teu sorriso estará guardado
Em algum lugar distante do meu alcance,
Deixando minha retina em um eclipse forçado.
Isto não cabe no molde estreito do dicionário,
Palavra nenhuma traduz a forma como me desfaço.
É um flagelo sem nome, um hábito diário,
Uma auto-tortura tecida em cada espaço.
É existir sabendo que parte de mim está em ti,
E que sem o teu toque, sou só a sobra do que sou.
Como jurista aprendi e exerci reflexões no tempo de academia, sobre o principio do Andrógino, e sua origem na obra " O banquete" de Platão, em seu personagem mítico Aristófanes, que fazia parte dos seres humanos originais no planeta que se mistura com o conceito da busca eterna da alma gêmea, pelo castigo de Zeus que os cortou ao meio resultando na busca incessante pela sua "metade perdida". A androginia sempre foi vista como uma representação original, um estado completo e um estado de ser superior anterior à divisão dos gêneros. Este principio da Androginia, literariamente sempre foi dissertado através de icônicas obras de grandes autores,
associado ao amor perfeito.
No Tempo de Deus
Dentre todos os caminhos que percorri,
desde as primeiras descobertas,
entre as imprudências, os erros necessários
e as escolhas que um dia julguei certas,
aprendi que as maiores lições
não moram nos grandes acontecimentos,
mas no silencioso exercício dos dias.
Foi na rotina, no dia após dia,
nas batalhas que ninguém viu,
nos desafios que pareciam maiores que minhas forças,
nas coisas inacreditáveis
que a vida, sem pedir licença,
nos obriga a atravessar,
que encontrei as mais profundas verdades.
Aprendi na esperança,
mas também na expectativa que decepciona.
Aprendi que o mesmo coração
que sonha com o amanhã
também precisa aprender
a sobreviver às frustrações de hoje.
Aprendi no remédio amargo,
no tropeço inesperado,
na lágrima escondida,
e, sobretudo, na coragem
de levantar depois da queda
e chamar de recomeço
aquilo que um dia pareceu ser o fim.
E mesmo depois de tantas lições,
a vida ainda me surpreende.
Ainda há o arrependimento,
aquela antiga pergunta que retorna:
“E se eu tivesse escolhido diferente?”
Mas talvez sejamos, tantas vezes,
os próprios autores de nossas dores.
Culpados por nossas escolhas,
por aquilo que decidimos enxergar
quando a intuição, em silêncio,
já havia nos pedido para partir.
Ignoramos os sinais
porque preferimos acreditar
naquilo que construímos dentro de nós:
um castelo delicado de cartas,
erguido com sonhos, expectativas
e ilusões que chamamos de certezas.
E então o tempo nos ensina.
Ensina que sonhos não se tornam realidade
apenas porque os desejamos,
mas porque aprendemos a caminhar em direção a eles.
Que é preciso agir, persistir,
cair algumas vezes,
recomeçar tantas outras
e aceitar que, quase sempre,
o destino tem maneiras diferentes
de entregar aquilo que pedimos.
Porque aquilo que queremos para ontem
talvez ainda não pudesse florescer hoje.
Há coisas que precisam de preparo.
De raízes profundas.
De tempo.
De cuidado.
Há sonhos que Deus demora a entregar
não porque tenha esquecido de nós,
mas porque conhece o peso daquilo
que ainda não estamos preparados para carregar.
E talvez seja essa a mais difícil das lições:
confiar.
Confiar quando não compreendemos.
Esperar quando temos pressa.
Continuar quando não enxergamos o caminho.
Entregar quando tudo em nós
quer controlar o destino.
Pois há uma escrita que não pertence às nossas mãos.
É no tempo de Deus.
Na forma de Deus.
No cuidado de Deus.
E aquilo que hoje parece demora,
amanhã talvez revele que era proteção.
Aquilo que parece perda
talvez estivesse apenas abrindo espaço
para algo que jamais conseguiríamos imaginar.
A mim, então, cabe continuar.
Continuar caminhando,
mesmo sem conhecer a estrada inteira.
Continuar acreditando,
mesmo quando a esperança vacila.
Continuar fazendo a minha parte,
enquanto Deus, em silêncio,
cuida daquilo que meus olhos ainda não podem ver.
Porque aprendi, enfim,
que nem tudo precisa acontecer
quando eu quero.
Algumas coisas precisam acontecer
quando eu estiver pronto.
E outras,
somente quando Deus disser:
“Agora.”
O Abraço
O abraço é uma pausa no tempo.
É quando dois mundos se encontram e, por um instante, descansam um no outro. Não exige explicação, não pede permissão, apenas acontece — como um porto seguro diante da tempestade.
Há abraços que curam mais do que palavras. Abraços que dizem “estou aqui” sem emitir som algum. Abraços que seguram firme, mesmo quando tudo parece desabar por dentro.
Existem abraços que guardamos na memória por anos, como quem guarda um cobertor em dias de frio. Porque há toques que não se esquecem, há gestos que marcam a alma.
Nem sempre o abraço vem com os braços. Às vezes, ele vem em forma de silêncio, de presença, de um olhar que compreende. Um gesto que diz: “Você importa”.
O abraço é um lugar. Um espaço de pausa, de reencontro, de amparo. É onde a dor encontra descanso e a alegria se amplia. É onde as palavras perdem a pressa e o coração ganha fôlego.
Que nunca nos faltem os abraços verdadeiros — aqueles que não precisam de ocasião, que não esperam permissão, que simplesmente nascem do cuidado.
Porque no fim das contas, todos nós só queremos isso: um pouco de calor, um pouco de paz, um pouco de abraço. D
Onde o Tempo Não Existe
E se o tempo nunca tivesse existido?
Se aquilo que chamamos de ontem,
hoje
e amanhã
fosse apenas uma maneira limitada
de organizar o infinito?
Talvez exista algum lugar
onde eu ainda tenha um ano.
Onde minhas mãos ainda sejam pequenas
e eu não saiba que um dia
vou aprender o significado da palavra saudade.
Nesse mesmo lugar,
eu tenho cinco.
Corro sem saber que estou correndo
para longe de uma infância
que passarei o resto da vida tentando encontrar.
Tenho dez.
Ainda existem pessoas ao meu redor
que, em outra parte dessa linha,
já não estão mais aqui.
Eu olho para elas,
converso com elas,
e não faço ideia
do privilégio que é poder ouvir suas vozes.
Tenho quinze.
Acredito que a vida está começando.
Tenho vinte.
Acredito que tenho tempo.
Tenho trinta.
Começo a perceber
que algumas portas se fecharam
sem fazer barulho.
Tenho quarenta.
E talvez já olhe para os vinte
como quem observa uma pessoa
que um dia conheceu muito bem.
Tenho cinquenta.
Sessenta.
Setenta.
Cem.
E se todas essas versões de mim
não estiverem esperando para acontecer?
E se elas já existirem?
Agora.
Todas juntas.
Talvez em algum lugar
o menino esteja sentado ao lado do velho.
O menino pergunta:
“Quem é você?”
E o velho responde:
“Sou aquilo que aconteceu com você.”
Mas talvez o velho também pergunte:
“E você, quem é?”
E o menino sorria:
“Sou aquilo que você perdeu.”
Então os dois ficam em silêncio.
Porque nenhum deles está realmente no passado.
Nenhum deles está no futuro.
Somos nós que atravessamos a vida
acreditando que deixamos versões nossas para trás.
Mas e se ninguém tiver ficado para trás?
E se a criança ainda estiver brincando?
Se o adolescente ainda estiver sofrendo
por algo que hoje parece pequeno?
Se aquele dia perfeito
ainda estiver acontecendo em algum ponto
que nossos olhos já não conseguem enxergar?
Se as pessoas que perdemos
ainda estiverem sentadas naquela mesa?
Se aquela porta ainda estiver aberta?
Se aquela voz ainda estiver dizendo nosso nome?
Talvez o tempo seja apenas uma parede
que nos impede de ver tudo de uma vez.
Porque seria insuportável.
Imagine olhar para uma pessoa que você ama
e enxergar simultaneamente
o bebê que ela foi,
o adulto que ela é
e o último dia em que você poderá abraçá-la.
Imagine olhar para si mesmo
e ver todos os seus rostos.
O primeiro.
O de agora.
E o último.
Talvez seja por misericórdia
que enxergamos apenas um instante de cada vez.
Talvez o presente seja uma pequena janela
aberta sobre algo infinitamente maior.
Mas às vezes…
em certos sonhos,
em certos cheiros,
em certas músicas,
em certos silêncios,
parece que alguma coisa quebra.
Por alguns segundos,
temos cinco anos outra vez.
Dez.
Quinze.
Vinte.
E não estamos lembrando.
Estamos lá.
Talvez seja por isso que algumas lembranças doem tanto.
Porque talvez a memória
não seja exatamente olhar para trás.
Talvez seja tocar, por alguns segundos,
um lugar onde aquilo ainda está acontecendo.
Um lugar onde ninguém envelheceu.
Ninguém foi embora.
Nenhuma despedida aconteceu.
Onde todas as nossas idades
estão sentadas na mesma sala,
esperando umas pelas outras.
E talvez, quando tudo terminar,
não exista um fim.
Talvez apenas descubramos
que nunca estivemos caminhando por uma linha.
Estávamos dentro de algo eterno.
E então veremos:
o primeiro choro,
o primeiro passo,
os amores,
os erros,
as perdas,
os reencontros,
a juventude,
a velhice,
todos acontecendo
no mesmo instante.
E talvez finalmente entendamos
que o tempo nunca levou nada.
Nós é que só conseguíamos enxergar
uma parte da eternidade por vez.
Memórias póstumas e sua beleza
"Tempo que foi, não volta. Tempo que vem, mas que nunca chega.
Tempo que tudo leva e nada deixa; nada além de memórias póstumas e sua beleza. Tarde demais nos ensinou a amar, tarde demais nos ensinou a aproveitar.
Segundos parecem tão pouco, mas daria algumas décadas para ter de volta um segundo do seu riso. Lembro do gosto do seu bolo de trigo. Fui a um excêntrico chef em Paris, mas ele não conseguiu replicar o gosto daquele bolo.
Talvez não se trate de gastronomia. Talvez sejam suas mãos, mágicas e cheias de amor. Seja o que for, nada me trará novamente aquele sabor. Tentei ir a um show de humor, mas nem mesmo a melhor piada já contada me faria rir como você me fez.
Talvez, um dia, eu ame, delire de amor e escreva versos apaixonados.
Mas nenhuma amante poderá me presentear com os seus cuidados. O seu colo era um lugar sagrado, onde, em questão de segundos, o homem virava outra vez menino. Sinto falta daquilo.
Ah, tantas palavras que gostaria de ter dito, mas que hoje são só versos escritos; doce delírio da eternidade, em que, mais uma vez, encontrarei seu riso, em que, de novo, teremos aquela tarde com café e bolos de trigo, onde serei, novamente, o teu menino.
Teu doce e distraído menino.
Amo-te. Sonho que saiba."
Miguel Espinoso
Sua atenção, seu tempo e seu bem-estar são seus maiores bens. Cuide deles com carinho.
Para isso, se permita dizer "não" ao que te drena e "sim" ao que te nutre. As vezes temos que silenciar o barulho do mundo para ouvir a nossa própria voz. O descanso não é um luxo, é uma necessidade, pois é na pausa que a alma se reconecta, a mente se reorganiza e a vida ganha novo fôlego.
"Temos muito pouco tempo nesta morada, façamos bom uso do tempo que nos resta para conhecer nossos vizinhos, para alargar a sala de visita de nossa alma.
Não seria prudente gastar muito tempo em adornar a casa que impreterivelmente se desmoronará. Evitemos as disputas mesquinhas, ideologias falíveis que segregam e escravizam os homens, produzem guerras, injustiças e sofrimento.
Portanto, mantenhamos-nos aquecidos com o calor humano dos amigos verdadeiros, com a chama dos afetos, façamos uma fogueira para celebrar a amizade e a paz, iluminemos a nossa caminhada com o fogo inextinguível da esperança ... "
Sou um renascentista
Talvez eu tenha nascido fora do tempo,
mas minha alma caminha pelas ruas de Paris.
Não as ruas apressadas do turismo,
mas aquelas onde a madrugada ainda cheira a vinho, tinta e papel.
Onde os músicos tocam como se o destino dependesse de um acorde
e os poetas bebem a lua em silêncio.
É ali que existo — entre o som e a palavra,
entre o piano e o abismo.
Sou um renascentista: músico, poeta, pianista.
Vivo entre o sagrado e o profano, entre o vinho e o verbo.
Cada nota que toco é um pedaço de mim tentando renascer,
cada verso, uma confissão que o tempo não conseguiu apagar.
Não bebo para esquecer, bebo para lembrar —
que a vida, como a arte, é feita de breves eternidades.
Quando sento ao piano, sinto Paris me ouvir.
Os fantasmas de Debussy e Ravel espiam por sobre meu ombro,
e o Sena, lá fora, parece repetir minhas notas nas águas.
O poeta em mim escreve o que o músico sente;
o músico traduz o que o poeta pressente.
É uma comunhão silenciosa entre o som e o pensamento —
a forma mais bela de loucura.
Ser renascentista é não aceitar a indiferença dos tempos modernos.
É crer que a beleza ainda pode salvar,
que o corpo é templo e o amor é arte.
É brindar com o vinho e com o caos,
com a esperança e o desespero,
porque tudo o que é humano é divino quando há música no coração.
Sou um renascentista.
Poeta, músico, homem que vive nas ruas de Paris —
onde o tempo se curva diante de um piano,
e o vinho se torna prece nas mãos de quem ainda acredita
que a vida é, acima de tudo, uma sinfonia inacabada.
O AMOR, QUANDO ELE CHEGA
I
O amor, quando ele chega,
altera o tempo e o clima,
transforma a rota do vento,
desloca o eixo da Terra
e o hemisfério se inclina.
II
O amor, quando ele chega,
organiza o caos infindo,
desmantela o imponderável,
rasga as vestes da razão,
e o que antes era utópico,
nas cordas do coração,
desamarra o improvável.
III
O amor, quando ele chega,
desperta o desconhecido,
faz oscilar estações
pra confundir os sentidos.
IV
E, nessa linha de sombra,
respira uma verdade fatal:
o amor, quando ele chega,
nos expõe à vil tragédia
que não raro é seu final.
Há muito tempo perdi o medo de encarar a vida, de desafiar a sorte, de olhar a morte com a cara suja após um pesadelo. Ao nascer, perdi-me no corredor da vida. Pouco me importam a cadeira elétrica, a injeção letal, a sentença do juiz, o golpe fatal do carrasco ou a lenta caminhada até o cadafalso.
Pouco me importa a espada de fogo à porta do paraíso. Eu quero a alegria desta vida. Quero o sorriso infante e a embriaguez dos delinquentes. Quero a alma aquecida na fogueira ardente que consome a esperança. Quero o risco e a vertigem de estar vivo. Quero encarar o medo com o espanto doce de uma criança.
Quando a morte vier, que me encontre de pé, ainda com a poeira do caminho no rosto e o coração em brasa. Para quem estreou neste palco de loucos, a única vergonha é não ter vivido.
Exercício para ganhar tempo
Eu queria nesta tarde chuvosa
nem de alegria ou lamento
um pouco de urbanidade do tempo
e neste dia vinte e seis
outubro quase fim que é
deste ano que apressou o pé
um pouco mais de consideração
Do senhor de todas as horas
Peço todas as demoras
Não tenho pressa não
O Tempo e a Realidade...
O tempo não me foi um bom conselheiro
Sequer companheiro fiel
Não baniu lembranças de dores
Não suprimiu gostos de fel
Não curou férreas feridas
Nem estancou saneamento
Teimosos e incessantes
Que emudeceram minh'alma
O tempo não fez sumir cicatrizes
Restadas das batalhas insanas
Nas noites de razões equivocadas
Fiadas em falas de um frágil amor
O tempo, converteu minutos em dias
Que trouxeram brisas e temporais
Num ciclo de encontro e despedida
Nos segredos de flor desmedida
Cego e poderoso como um raio
O tempo riscou minha vida
Ascendendo no céu de minha paixão
Uma estrela de ensinar a dizer não
Segredos de Cais...
O tempo é um bom conselheiro
Cuida de ser um companheiro fiel
Não bane boas lembranças
Suprime, sem temor, gostos de fel
Cura e cicatriza férreas feridas
Nem se manifesta ante o pranto
Que requer rolar, mesmo que incessante
Pois as lágrimas, mesmo mudas, amadurecem
O tempo não faz sumir cicatrizes
Restadas de batalhas insanas
Nas noites de razões que resgata
Fiando em falas de amores febris
O tempo, converteu minutos em dias
Rasgando brisas e temporais
Num ciclo de encontro e despedida
Desses que silentes, guardam segredos de cais desmedida
Cego e poderoso como um raio
O tempo riscou minha vida
Ascendendo no céu de minha paixão
Uma estrela de ensinar a dizer não
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