Textos sobre Tempo
Nem tudo que vai embora
dá volta de novo.
Há partidas que o tempo não devolve,
palavras que nunca encontram retorno,
e pessoas que viram apenas lembrança
morando em fotografias da memória.
A vida também é feita de ausências.
De portas que se fecham
sem aviso, sem despedida, sem explicação
Helaine machado
Não adianta esconder.
A vida sempre traz à tona
aquilo que mais tememos enfrentar.
O tempo pode até silenciar verdades,
mas nunca consegue sepultá-las para sempre.
Uma hora, a máscara cai,
o coração transborda,
e a alma revela o que os olhos tentavam negar.
Porque fugir de si mesmo
é carregar um labirinto dentro do peito.
E por mais distante que alguém corra,
a verdade sempre encontra caminho para voltar.
Talvez o segredo não seja esconder as feridas,
mas aprender a encará-las
antes que elas nos consumam em silêncio.
Helaine Machado
Afinal, o que é o tempo?
O tempo não é uma corrida, nem uma medida exata do quanto você já conquistou.
O tempo é algo construído por você, no seu próprio ritmo, no seu modo de caminhar pela vida.
O tempo acontece quando você consegue respirar novamente.
Quando encontra forças para tomar fôlego e seguir adiante.
Quando sente medo, mas ainda assim decide continuar.
O tempo é a forma singular como cada pessoa vive suas experiências, elabora suas dores e constrói novos significados para a própria história.
Cada trajetória possui pausas, recomeços, avanços e momentos de espera. E tudo isso faz parte do processo.
Respeite o seu ritmo.
Honre a sua caminhada.
Confie no seu processo.
Você não está atrasado.
Você está vivendo no tempo que é seu.
Trago no peito a lembrança de um tempo simples, onde o riso corria solto e a vida cabia inteira na inocência de dois caminhos que ainda não conheciam despedidas. Éramos feitos de chão, de poeira e de afeto bruto, desses que não se explicam, apenas se vivem, como se o mundo fosse pequeno demais para nos separar. Mas o tempo, silencioso e inevitável, foi abrindo distâncias onde antes só havia presença, transformando parceria em memória. Hoje carrego comigo aquilo que ficou, não como peso, mas como parte de quem me tornei, marcado pelas ausências que ensinaram mais que qualquer permanência.
Porque existem laços que nascem lado a lado, mas o destino insiste em escrever em caminhos diferentes, deixando na alma a saudade do que poderia ter sido eterno.
- Tiago Scheimann
Às vezes, o olfato me trai e me devolve aquele cheiro ferroso, acre, de um tempo que eu gostaria de ter deixado para trás. Vejo-me novamente confinado naquelas caixas de concreto frio, em quartos de hospital onde o sol nunca ousava entrar com força. A memória é um curto-circuito, flashes de um ambiente sem relevo, uma monotonia de cinzas onde o único relevo era o barulho incessante das máquinas monitorando o que nos restava. É uma lembrança que não flui, ela fere em fragmentos frios e mecanizados.
- Tiago Scheimann
O tempo é um escultor que usa a dor como cinzel para esculpir em nós uma beleza que a superfície desconhece, uma luz que só emana de quem já foi moído pelas engrenagens do destino e se reconstruiu com o ouro da experiência. A vida não nos deve nada, e é nessa falta de garantias que encontramos a nossa maior liberdade. No fim, o que resta não é o que acumulamos, mas a forma como permitimos que a existência nos atravessasse, transformando o nosso barro em estrela.
- Tiago Scheimann
Qual a vantagem de viver muito tempo e nunca descobrir quem somos? Passamos tempo de mais querendo ganhar o mundo, que acabamos perdido naquilo que tanto sonhamos em conquistar.
Desejamos tanto isso que abandonamos oque realmente importa.
Esquecemos o criador da vida, nosso próximo e nossos familiares. Tudo isso por um desejo egocêntrico, que nem percebemos que mesmo dando tudo que temos, não conseguiremos alcançar o mundo
A Volta do Poeta Lunático
Estive perdido por um tempo,
tentando me encaixar em espaços que não me cabiam. Me matei por dentro por isso, me permiti sangrar para o benefício de outra pessoa.
As minhas muitas escolhas erradas me levaram à beira da loucura emocional. Logo já não era eu. Por pouco não me sucumbi à loucura dos sensatos, por pouco já não era eu.
A escuridão da solitude foi, por muito tempo, meu lar, mas nesse momento de loucura emocional não conseguia mais me encaixar também na solidão.
Não me encaixei no lugar onde jurei que era o meu, e a solidão não me permitia voltar. Foi estranho estar preso em alguém, mas se sentir sozinho e não poder desfrutar da solidão que tanto amei.
Logo vi que muitas decisões erradas eu tomei, inclusive a que fiz diante de promessas eternas, mas estava prestes a tomar mais uma. Mas essa era romper o laço que eu mesmo escolhi apertar.
A decisão errada, porém certa, que me traria de volta do caos em que vivi. Tenho novamente a virtude da solidão e a contemplo melhor agora, graças à maturidade das experiências com escolhas ruins e caminhos tortuosos.
O poeta lunático, o grande lobo solitário, está de volta ao lar.
Por muito tempo, sentimentos como solidão e vazio
dominavam aquilo que eu escrevia. Ainda sou um garoto solitário,
mas agora não dependo apenas da solidão para escrever.
A verdade é que chega um determinado momento em que precisamos crescer.
É necessário deixar para trás velhas feridas; precisamos parar
de cutucar aquilo que nos causou dor. É tempo de respirar.
Tempo de aproveitar as coisas boas que aparecem em nossas vidas,
principalmente os amigos que nos resgatam e nos dão asas.
Meu voo já não é tão solitário;
não me encontro mais no abismo.
Tem algo em você que
Parece desacelerar o tempo.
Não sei explicar…
talvez seja esse sorriso discreto,
como quem guarda segredos bonitos no coração
e deixa escapar só um pedaço
deles pro mundo.
Você tem aquele tipo raro de beleza:
a que não chega fazendo barulho,
chega devagar…
e quando a gente percebe,
já ficou.
Te olhar parece aquelas músicas
que no começo a gente só escuta,
mas depois começa a sentir.
E sem perceber, a melodia vira memória, a memória vira saudade,
e a saudade aprende teu nome.
Talvez o mais perigoso em você
não sejam os olhos,
nem o sorriso.
É essa calma bonita que você carrega, porque tem gente que
entra na vida da gente pela porta…
e tem gente que entra direto no coração.
Congelado no tempo
Poder nas mãos dos revolucionários
Erguida foi a nossa bandeira,
República imposta por nossos lendários
Normas para uma terra ordeira.
Avante! conquistemos nosso ideário!
Miramos uma terra altaneira
Boas novas dos nossos emissários
Unicidade de pátria alvissareira
Cada canto, um lugar extraordinário
Otimismo de alma guerreira
Memórias de um tempo congelado
Exaltaremos sim, queira ou não queira.
Unicidade de João Ribeiro nos ceminarios
Prossigamos firmes nessa trincheira
Agradeçamos a Barros Lima, o Leão Coroado
Íntegro, plantou a nossa videira
Semente da liberdade, a nossa maneira.
Roda Gigante
Quando mais precisei, você me deixou
Um vazio no peito que o tempo curou
Achei que era o fim, um beco sem saída
Mas a vida é um jogo, uma nova partida
O coração é uma roda gigante, girou
E tudo que não me fazia bem, arremessou, longe
Você se arrependeu, desceu, perdeu não tá mais aqui
Nessa roleta russa, que bom, sobrevivi
A roda gigante deu a volta completa
Agora você volta, com a cara desfeita
Diz que quer me encontrar, que a saudade bateu
Mas essa porta fechou, quem perdeu foi você
O coração é uma roda gigante, girou
E tudo que não me fazia bem, arremessou, longe
Você se arrependeu, desceu, perdeu não tá mais aqui
Nessa roleta russa, que bom, sobrevivi
Preferi ficar só a girar o cilindro
Num jogo perigoso, um amor quase findo
Agora sou mais forte, aprendi a lição
Quem manda na minha vida é o meu coração
O Peso dos Dias
Os ponteiros do relógio arrastam as horas,
E o tempo, esse carrasco, não tem dó.
A alma recolhe as dores que choras,
E o coração vai se tornando pó.
É um cansaço que vem lá de dentro,
Uma fadiga que a carne não traduz.
Estou perdido bem no próprio centro,
Carregando o peso de uma falsa luz.
Já não há forças para o bom combate,
A armadura é pesada, o chão é frio.
A cada golpe que o destino bate,
Responde o peito com um grande vazio.
E o coração, coitado, pulsa em brasa,
Um ferimento que ninguém consegue ver.
A vida passa feito o vento na asa,
E eu só queria... ver o sol se recolher.
A beleza da Lua passa despercebida por nós depois de algum tempo. Solitária e fria, como a imagino, algumas lendas dizem que seu amante, o sol, foi separado de sua amada por desejos dos astros. Seu toque eram os raios que refletiam nela e nos atingia na Terra. Então seríamos nós agraciados pelo amor do Sol pela Lua, quando nos banhamos com sua luz? Seríamos testemunhas do amor infinito e distante entre os dois?
Solitária e fria, é assim que sempre imaginei a Lua. Já seu amado sol, humildemente se cala, nos permite sentir a luz de sua amada, sem ciúmes, sem arrependimentos. Testemunhamos sem perceber, o amor dos longínquos.
Bom, assim reza a lenda...
Não há jeito mais medonho de perder Tempo do que passar Tempo longe do Dono do Tempo.
Há os que erroneamente acreditam que o Tempo só se perde nas distrações, nos atrasos, nos desvios da vida…
Mas, na verdade, não há forma mais sombria de desperdiçá-lo do que tentar vivê-lo longe Daquele que o sustenta.
Distante Daquele que até dele é Senhor.
Tempo sem sentido é aquele que tentamos carregar sozinhos — como quem tenta segurar água nas mãos.
Esse é o Tempo que inevitavelmente escorre, some e evapora.
Estar longe do Dono do Tempo é caminhar com pressa, mas sem destino; é preencher os dias, mas não a alma; é envelhecer por fora sem amadurecer por dentro.
Quando nos afastamos da Fonte, até os minutos pesam.
Mas quando nos reaproximamos, até o silêncio floresce.
O Tempo ganha outra textura quando lembramos que não somos seu dono, apenas passageiros.
E que sentido maior existe do que entregar essa travessia a quem conhece todos os portos?
No fim, o maior desperdício não é o Tempo perdido — é a vida não vivida na presença de quem a criou.
É ali, e apenas ali, que os dias se encaixam, que as horas respiram e que o Tempo, enfim, encontra propósito.
Tempo bom é aquele vivido nos braços de seu Dono!
Sempre que
oTempo Trabalhado estende o tapete paraa Arrogância desfilar, erros são Ignorados —Minimizados ou Romantizados.
Quando o “tempo de serviço” passa a ser usado como 'Currículo Moral', algo se perde à beira do caminho.
A experiência, que deveria ensinar humildade, acaba estendendo um tapete vermelho para a Arrogância desfilar a fantasia de mérito.
E, nesse espetáculo, os erros deixam de ser mestres severos para se tornarem figurantes das conveniências.
O que antes exigia revisão, agora se justifica pela “bagagem”.
O que cobrava correção é minimizado pelo “histórico”.
E o que deveria causar constrangimento acaba sendo romantizado como traço de personalidade ou preço do sucesso.
Assim sendo, o tempo deixa de lapidar e passa a blindar.
Mas tempo não absolve falhas, só as revela com mais nitidez.
Quanto mais longa a caminhada, maior deveria ser a capacidade de reconhecer tropeços e aprender com eles.
Quando isso não acontece, o problema já não é o erro em si, mas a vaidade que lhe empresta as sandálias medonhas para desfilar.
Porque Experiência sem Autocrítica não é Sabedoria — é apenas a repetição confortável dos mesmos equívocos, agora amparados pelo tic-tac do relógio.
Não é sobre ter 10, 20 ou 30…
É sobre ter plena consciência de que errar é um risco inerente aos que se entregam, aos que fazem, aos que vivem.
E corrigir erros é permitir-se muito mais humano!
Talvez o mais trágico não seja os humanos terem que provar para as máquinas, o tempo todo, que não são uma delas.
O drama maior parece estar na naturalidade com que passamos a imitá-las — e, pior, na pressa com que nos deixamos confundir com elas.
A máquina não sente cansaço moral, não hesita diante do outro, não se constrange com a própria indiferença.
Quando o humano começa a responder sem escuta, decidir sem empatia e repetir padrões sem reflexão, não é a tecnologia que o desumaniza: é a abdicação silenciosa daquilo que o tornava distinto.
Há um perigo sutil em trocar o tempo do cuidado pelo tempo da eficiência, a dúvida honesta pela resposta pronta, o encontro pelo desempenho.
Nesse processo, já não é a máquina que nos exige provas de humanidade; somos nós que, pouco a pouco, deixamos de exigi-las de nós mesmos.
No fim, talvez a pergunta mais urgente e necessária não seja “como convencer as máquinas de que somos humanos?”, mas “em que momento nos tornamos tão confortáveis em agir como se não fôssemos?”.
A imagem de
“forte o tempo todo”
só é vendida nas gôndolas da falta de opção.
Essa imagem muitas vezes não nasce da coragem, mas da falta de escolha.
É uma armadura vestida quando não há espaço para fraquejar, quando o mundo exige produtividade, controle e respostas prontas, mesmo em dias em que tudo o que existe é só o cansaço.
Ser forte, nesse contexto, vira sobrevivência — não virtude.
Ninguém é forte o tempo todo.
E nem deveria ser.
A força constante quase sempre desumaniza, silencia dores legítimas e transforma vulnerabilidade em culpa.
Há uma força mais honesta em admitir o peso, em parar, em pedir ajuda, em permitir-se sentir.
Porque a verdadeira resistência não está em nunca cair, mas em reconhecer os próprios limites e ainda assim continuar, um passo de cada vez, do jeito que dá.
Felizes os que não extraviam o Tempo do Propósito para desperdiçá-lo em guerras erradas.
Porque tempo é vida em estado bruto — e vida não admite rascunho.
Há batalhas que seduzem pelo barulho, pela plateia, pela falsa sensação de heroísmo.
São guerras que inflam o ego, mas esvaziam a alma.
Lutas que parecem urgentes, mas não são importantes.
Conflitos que prometem justiça, mas só alimentam vaidades feridas.
Escolher as próprias guerras é um ato de maturidade espiritual.
É entender que nem toda provocação merece resposta, que nem toda divergência exige trincheira, que nem todo ataque precisa de contra-ataque.
Às vezes, a maior vitória é permanecer inteiro.
Quem aprende a escolher suas guerras descobre que propósito não combina com distração.
Que energia é recurso sagrado.
Que paz não é covardia — é estratégia.
E que há combates que só existem para nos afastar daquilo que realmente fomos chamados a construir.
Felizes os que discernem.
Felizes os que aprenderam a escolher suas guerras.
Porque não vencem todas as batalhas — mas preservam aquilo que nenhuma vitória pode devolver: o próprio destino.
Não há desperdício de tempo mais bobo que tentar explicar algo para os que já escolheram em que acreditar.
Porque, no fundo, não se trata de falta de informação — trata-se de decisão.
E decisões, escolhas, quer coincidam com as nossas ou não, devem ser religiosamente respeitadas.
Há quem não busque a verdade, mas apenas argumentos que sustentem o que já foi escolhido antes mesmo da reflexão começar.
E contra decisões disfarçadas de convicção, a lógica se torna quase inútil, como chuva fina tentando atravessar vidro fechado.
Explicar exige abertura.
Não só de quem fala, mas principalmente de quem ouve.
Exige um espaço interno onde a dúvida ainda tenha permissão para existir, onde o desconforto de estar errado não seja imediatamente rejeitado como uma ameaça pessoal.
Mas quando alguém transforma sua crença em identidade, qualquer questionamento deixa de ser diálogo e passa a ser ataque.
E então nascem conversas que não caminham.
Palavras que não encontram abrigo.
Ideias que morrem no ar antes mesmo de serem compreendidas.
Não por falta de clareza, mas por falta de disposição.
Talvez a maturidade esteja em reconhecer esses limites.
Em entender que nem toda verdade precisa ser defendida a todo custo, nem toda discussão precisa ser vencida, nem toda explicação precisa ser dada.
Há um tipo de sabedoria muito silenciosa em saber quando parar de falar…
Porque, às vezes, insistir em explicar não é um ato de generosidade — é apenas um apego nosso à necessidade de sermos compreendidos.
E isso também pode ser um desperdício.
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