Textos sobre Olhar
Ela brilhava por onde ia, seu olhar resplandecia, suas conversas eram incansáveis e a alegria lhe acompanhava.
Ele chegou levando tudo, apagando o seu mundo, era o centro do próprio universo, vazio e totalmente seu inverso.
Ela cansou do cotidiano, das idas e vindas repetidas, da rotina cansativa e da ausência de vibração.
Ela cansou de ser boa o tempo todo, de ser luz em meio aos prantos, de ser leal ao desencanto e de sorrir fingindo tanto.
Agora ela grita seu furor, sem medo e sem gatilho, ela busca seu caminho onde a paz lhe encontrou.
A vida é simples e merece cuidado. Principalmente quando a gente para para olhar o que está ao nosso redor, respirar devagar e viver com calma. Ultimamente, tenho sido assim. Já levei tantos tombos na vida que agora vou mais devagar. Deixo a vida me levar. Isso me faz bem. Me faz perceber que no caminho não tem só pedras, tem coisas boas também.
Alexandre Sefardi
O tic-tac do relógio diminui o ritmo, ecoando como passos lentos sobre a madeira. O olhar se desvia da tela e busca a linha do horizonte pela janela.
A xícara fumaça sobre a mesa, ignorada pelo olhar fixo nas notificações que nunca cessam. Empilhamos minutos como se fossem moedas de um tesouro que nunca poderemos gastar. Planejamos o descanso para o próximo sábado, a felicidade para as próximas férias, a paz para quando a tempestade passar.
Mas a tempestade é o próprio andar dos dias.
Esquecemos o peso da gravidade que nos firma no chão. Esquecemos a textura da mesa sob os dedos, o aroma do grão torrado que se dissipa no ar, o calor que a porcelana transfere para as palmas das mãos. Vivemos na véspera de um futuro que teima em ser miragem.
Faça uma pausa voluntária.
Não ligue o rádio. Não abra outra aba. Apenas sinta o ar cru cruzar a garganta e preencher os pulmões, expandindo as costelas em um movimento que você faz milhares de vezes por dia sem notar. Cada batida no seu peito não é uma contagem regressiva, é a afirmação silenciosa de que você, contra todas as probabilidades do universo, está aqui.
O ontem é um rastro de fumaça, o amanhã, uma promessa sem firma reconhecida. O único território real que lhe pertence mede exatamente o espaço que o seu corpo ocupa neste milésimo de segundo.
Habite-o.
Passeia o teu olhar pelos meus recantos...
E se assim o desejas...
Dou-te a alma inteira...
Tudo fiz para ti...
E ingrato fostes...
Pagando-me com a ingratidão...
Sem fim...
Que importa?
Ninguém sabe...
Nem tu mesmo o sentes...
Entreguei-me em tuas mãos o que escondo dentro...
E foste indiferente...
Nada sentistes...
E ainda nada sentes...
Procuro-te por dentro da noite...
Ponho-me no silêncio nas horas duvidosas...
Morto é o contentamento...
O engasgo tão grande...
Que aperta-me o coração...
Não sei se fiz mal, se bem....
Mas fiz...
O dia e a noite são iguais por dentro...
E sigo com a ilusão...
Alimentando esse redemoinho de estranha situação...
Peço-te em pensamentos...
Não me atrevo a dizer-te...
Não me esqueças...
Embora ouça o eco do amor há muito soterrado...
Mas o que tem de acontecer que aconteça...
Triste escolha...
Triste fado...
Sandro Paschoal Nogueira
Saio sem mapa...
Sem promessa no bolso...
A noite aberta...
Um talvez no olhar...
Não espero milagres...
Só deixo o vento decidir onde vai dar...
Levo expectativas leves, quase nada...
Pra não pesar o passo...
Nem o coração...
Se vier riso, ótimo.
Se vier estrada, que seja canção...
Talvez um encontro...
Talvez o vento...
Um bar qualquer...
Conversa sem fim...
Ou talvez apenas um simples momento...
Vou assim: “vamos ver o que acontece”,
Sem cobrar do mundo...
Sem pedir um sinal...
Porque às vezes é quando a gente não espera...
Que a vida resolve surpreender no final.
Sandro Paschoal Nogueira
O LOBISOMEM DE TAMANDARÉ
Pé na areia, coração disparado,
Passo apressado, olhar assustado,
Dizem que o uivo corta a escuridão,
É o lobisomem solto na escuridão.
Trova antiga que o povo repete,
Entre um gole e outro de aguardente:
“Se ouviu uivar, não fique a olhar,
Corre pra casa, vai te pegar!”
Metade homem, metade fera,
Maldição antiga que nunca espera,
Quando a lua cheia vem clarear,
Em Tamandaré ele sai pra caçar.
Mas há quem diga, rindo baixinho,
Que o medo é maior que o próprio caminho,
Pois o monstro vive mais no falar
Do que nos passos que vão te pegar.
Ainda assim, se a noite chamar,
E o arrepio subir sem avisar,
Reza, corre e não olha pra trás…
Vai que o lobisomem corre mais!
Quando a lua sobe mansa no mar,
Tamandaré começa a se escutar.
Não é só uivo, não é só temor,
É a alma chamando quem se esqueceu do amor.
O lobisomem não corre na rua,
Ele desperta quando cresce a lua.
Mora no fundo do peito humano,
No instinto antigo, no medo arcano.
“Vai me pegar”, diz a mente em aflição,
Mas quem persegue é a própria emoção.
É a sombra pedindo para ser vista,
Não como fera, mas como conquista.
Metade luz, metade escuridão,
Somos todos essa divisão.
Homem e bicho num mesmo olhar,
Aprendendo quando é hora de uivar.
Se você foge, ele cresce em poder,
Se você encara, começa a se dissolver.
Pois o lobisomem, ao se revelar,
Quer apenas ensinar a integrar.
E quando a lua enfim se deitar,
Você entende sem precisar falar:
Não era ele que vinha te pegar,
Era você chamando pra se libertar
Sandro Paschoal Nogueira
O peso da comparação
A comparação tem um jeito curioso de roubar a paz.
Ela faz você olhar para a felicidade dos outros e esquecer o caminho que percorreu para chegar até aqui.
Cada pessoa enfrenta batalhas que nem sempre aparecem nas fotografias, nas conquistas ou nos sorrisos.
Quem vive comparando capítulos diferentes acaba acreditando que a própria história nunca é suficiente.
Talvez a única comparação que realmente faça sentido seja entre quem você era e quem está se tornando.
Pepita de Oliveira
A coragem de olhar de novo
Há momentos em que acreditamos conhecer a nossa própria história.
Repetimos os mesmos acontecimentos tantas vezes que passamos a acreditar que existe apenas uma maneira de compreendê-los.
Construímos explicações. Criamos certezas. Defendemos conclusões que, durante anos, pareciam suficientes.
Mas a mente humana tem uma característica extraordinária: ela é capaz de atribuir novos significados às mesmas experiências.
O fato permanece.
O olhar pode mudar.
É por isso que duas pessoas podem viver situações semelhantes e guardar lembranças completamente diferentes. Não é porque uma delas esteja mentindo. É porque cada mente organiza a realidade de acordo com sua história, seus medos, suas perdas, suas expectativas e suas esperanças.
Elas começam quando muda a maneira de enxergá-la.
Quantas vezes sofremos por uma interpretação construída em um momento de dor?
Quantas vezes carregamos culpas que nunca nos pertenceram?
Quantas vezes deixamos de seguir em frente porque acreditávamos que o passado havia escrito, definitivamente, quem seríamos?
Talvez a liberdade não esteja em apagar a história.
Ela esteja em permitir que a história seja lida com outros olhos.
Olhar de novo exige coragem.
Coragem para reconhecer que algumas certezas nos protegeram por um tempo, mas já não nos ajudam a crescer.
Coragem para admitir que mudar de perspectiva não significa negar quem fomos, mas honrar quem estamos nos tornando.
É um exercício de humildade.
É aceitar que a vida pode ser mais ampla do que a versão que contamos a nós mesmos.
Se este texto despertar em você uma única pergunta, já terá cumprido seu propósito:
Existe alguma história da sua vida que talvez mereça ser olhada de novo?
Porque, às vezes, a mudança que tanto esperamos não começa quando o mundo se transforma.
Começa quando temos coragem de transformar o nosso olhar.
Tem coisa que a palavra não explica, mas o nosso olhar, o nosso toque e o nosso cheiro escrevem sozinhos. É um sentimento que a gente não precisa forçar, ele simplesmente acontece e preenche tudo. Estar junto é saber que, no silêncio de um abraço, a gente já disse tudo o que o coração precisava ouvir.
DeBrunoParaCarla
Existem olhos que não apenas nos veem, eles nos traduzem. O seu olhar é o lugar onde minhas confusões descansam, é o único espelho que não me julga, que me devolve inteiro, mesmo quando me sinto em pedaços. É uma conversa sem som, onde um segundo de silêncio diz mais do que uma biblioteca inteira sobre o que significa pertencer.
DeBrunoParaCarla
Às vezes eu paro para olhar o céu e vejo como as nuvens mudam depressa. Elas não têm medo de sumir ou de se transformar em chuva; elas simplesmente seguem o vento.
Dá uma vontade danada de amar assim, sem complicação. Olhar para aquela imensidão azul e sentir que o coração é igualzinho, um espaço enorme que só faz sentido quando está cheio de vida. O desejo de amar é como o horizonte por mais longe que a gente caminhe, ele sempre convida a gente a continuar indo em frente.
DeBrunoParaCarla
Parei um pouco para olhar o caminho que percorri e percebi que a maior riqueza não está no destino final, mas em quem segura a nossa mão durante o trajeto. No fim das contas, a gente só quer alguém que entenda nossa bagunça e que escolha ficar, mesmo sabendo que não somos perfeitos.
E saber que você está ali, mesmo que não esteja perto.
DeBrunoParaCarla
C
Como se o mundo parasse quando você aparece,
e tudo encontrasse sentido no seu olhar.
A
Amor que não se explica, só se sente,
profundo o bastante pra nunca acabar.
R
Raro como o que não se encontra duas vezes,
e forte como o que insiste em ficar.
L
Luz que atravessa até meus dias mais escuros,
e me lembra que ainda vale a pena amar.
A
Assim, sem pedir, você virou tudo em mim,
um infinito que eu nunca quero deixar.
DeBrunoParaCarla
Vitória de verdade não é chegar no topo sem nenhum arranhão. É olhar para trás, ver o tamanho do desafio que você enfrentou e perceber que você não desistiu quando tudo parecia perdido. Quem vê o seu sorriso hoje não imagina o tamanho da força que você precisou buscar no silêncio para continuar caminhando
DeBrunoParaCarla
Sem aviso prévio você chegaste em minha vida, calando a tristeza do meu coração com o seu olhar; batendo de frente com a minha solidão, os seus beijos ressuscitou a minha paixão.
Ti amando sem ver a hora passar, me apego nos encantos do seu coração; o toque da sua pele me faz sonhar em ter você pra vida inteira, te acariciar além do tempo.
No meu olhar está escrito que o meu amor é pra sempre e que ele é todo seu; em meus versos de amor vou curar o seu partido coração.
A Fenomenologia do Amor: O Olhar de Jalison Santos
I. A Tese Central
Para o pensador Jalison Santos, o amor verdadeiro não reside na estática das promessas ou na superfície das palavras, mas na cosmovisão — na maneira como o indivíduo enxerga e interpreta a própria vida amorosa. Ele propõe uma distinção entre o amor de aparência e o amor de resiliência.
II. O Cenário da Observação
A reflexão nasce da observação da diversidade humana. Ao caminhar por uma cidade bela, o filósofo contempla o amor em todas as suas fases cronológicas:
- A descoberta (adolescentes);
- A construção (jovens e adultos);
- A consolidação (meia-idade);
- A transcendência (idosos e longevos).
Essa diversidade mostra que o amor é um fenômeno universal, mas que o conhecimento sobre ele é acumulado de forma distinta em cada etapa da vida.
III. A Dialética do Ônibus (O Conflito)
O ponto de mutação do pensamento ocorre em um ambiente comum: um ônibus. Ali, Jalison depara-se com o contraste absoluto — a dualidade do amor presente em dois casais próximos:
1.O Casal da Euforia: Imersos em risos, alegria e animação aparente.
2.O Casal da Angústia: Atravessando o silêncio pesado da briga e do momento difícil.
Surge então a pergunta ontológica: Qual desses amores possui a substância da eternidade?
IV. A Iluminação e a Conclusão (O Amor-Resolução)
A resposta não veio de uma teoria abstrata, mas do tempo da trajetória. Ao observar o casal que antes brigava agora sorrindo e em paz, o filósofo Jalison Santos alcança a verdade:
A eternidade de um casal não é garantida pelo riso constante, mas pela capacidade de cura.
O amor verdadeiro não é a ausência de problemas (o que seria uma ilusão), mas a capacidade de resolução. O casal que permanece junto é aquele que, diante do abismo do conflito, escolhe construir uma ponte em vez de saltar.
"O amor que fica para sempre não é o que aparenta estar bem o tempo todo; é aquele que, mesmo em situações difíceis, sabe se resolver."
— Jalison Santos
UMA CARTA PARA A MORTE
Tenho medo de olhar em teus olhos, mas tenho vontade de sentir o teu beijo frio e o teu abraço gelado, me envolve com tua mortalha, me leva daqui, quero derramar minhas tristezas em teus braços. A vida me fez te desejar, sinto que nasci para morrer, parece que fui feito pra você, quero ir ao mais profundo do abissal, onde ninguém possa me encontrar. Deixa eu lavar tua veste com minhas lágrimas, canta pra mim uma música triste, então deitarei em teu colo e dormirei e não mais acordarei.
Autor: Raone Fonseca
Primeiro Amor
É o olhar que se esconde,
o sorriso que vem sem querer,
um calor leve no peito
que a gente não sabe explicar.
São passos hesitantes,
palavras que ficam presas,
um segredo guardado
como flor que acaba de abrir.
Não há cobrança, nem peso,
apenas o encanto de existir:
o primeiro amor é puro,
inocente, inteiro —
um raio de sol
que marca a alma
para nunca mais sair.
Hoje é dia de recomeçar, olhar para a frente, esquecer o que passou, colher fé, amor, perdão e acreditar que vai dar certo, seja com lutas e vitórias, que esse dia possa ser regado com esperança, pois mais um presente nos foi dado, viver e contemplar toda beleza do Criador. Que o nosso coração saiba agradecer e aproveitar a chance de ser feliz mais uma vez...
Bom dia!
RÉU
o beijo roubado
o coração vagabundo
pelo olhar assaltado
neste charco profundo
o amor bandido
a paixão que tortura
o sentimento proibido
o incidente da aventura
pelas palavras sequestrada
está a vítima consentida
sua alma amarrada
e a consciência amortecida
reles inconfessa
argui-se depressa
prisão de ardor
ardendo de amor
{William Frezze}
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