Textos Reflexivos sobre Casamento

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Me Deixe Te Amar


Me deixe te amar sem pressa,
sem medo do que vem depois,
como quem encontra abrigo
em meio ao caos do mundo,
te olhar e entender que em
você existe um lar,
onde minha alma finalmente descansa em silêncio.


Me deixe te amar nos dias
nublados e nas noites inquietas,
quando o peso da vida insiste
em nos dobrar por dentro,
quero ser teu refúgio, teu chão,
tua certeza,
mesmo quando tudo
parecer incerto demais.


Me deixe te amar além
do queos olhos podem ver,
além da pele, do toque,
do instante que se perde,
te amar na essência, no que
você é quando ninguém vê,
no que há de mais puro,
mais frágil e mais verdadeiro.


E se um dia o tempo tentar
nos afastar de nós mesmos,
que o meu amor ainda encontre
o caminho até você,
porque te amar não é escolha
que se faz uma vez só,
é promessa que meu coração
repete todos os dias.

⁠No abraço dela encontro lar,
Em seus olhos, o mar a navegar.
Amar é poesia, é doce melodia,
Nos versos da vida, nossa sinfonia.

Seu toque, um verso suave,
Em cada palavra, um laço que grave.
No coração, um turbilhão de emoção,
Em seu amor, minha eterna canção.

No calor do seu abraço, meu desejo favorito,
No seu sorriso, meu lugar predileto.
Em cada beijo, a poesia se faz presente,
Em cada gesto, o amor reluzente.

Amar é assim, poeticamente intenso,
Um encontro de almas, um doce consentimento.
Em cada verso deste poema, eu te celebro,
Pois contigo, meu amor, sou completo.

Booom dia!❣️🌺☕


"Foca em se amar e se valorizar. Evite insistir em situações que roubam energia. Solitude é aprender a amar a própria companhia. É entender que não há problema em estar sozinha É um ato de se completar, valorizando o bem-estar consigo mesma acima de tudo. É não se permitir ser rotulada com os olhos alheios e acima de tudo é se amar, se aceitar e agradecer por ser exatamente como se é... Sem filtros ou rótulos


Quem mais está no caminho para o amor-próprio? 🤗"
#amorpropiosempre

Nossas lágrimas queimam a alma
Nosso espírito condenado por amar...
Somos o destino que abraço o fim..
Nos laços eternos o abraço te significado ligados para sempre.
O sempre amar a verdadeira verdade que sempre nos amamos.
Seria simplório de alegrias a lágrimas...
Revelamos o sentimentos observamos a eternidade como a poeira de nossos ossos tem mesmo sentimentos.
Os pássaros fazem ninhos sobre sonho que tivemos na vida foi nosso destino.

Amar é direcionar energia com a intenção consciente de promover o bem, sem expectativa de retorno.

A incondicionalidade do amor não nasce da emoção, mas do entendimento profundo do que é o bem e de sua aplicação prática.

Assim, o amor incondicional só pode emergir como resultado da fusão entre amor, conhecimento e ação.

Amar nao vale a pena..
Eu nao amo.. eu jogo..
Jogos excitantes..
De tirar o folego..
Porque amar.. amar e sem graca..
O fogo nao.. o fogo arde..
Paixao queima... entao se entregue..
Aqui tudo pode.. so nao se apaixone..
Eu sou uma incognita.. me desvende..
Me decifre.. me reinvente...
Me olhe alem dos olhos..
Eu nao sou apenas o que vc ve..
Eu sou aquilo que vc sente..
entao me toque!!
Me beije.. me enlouqueca..
realize suas mais loucas fantasias..
So nao me ame..
Porque o amor e perigoso..
E eu nao nasci pra ser vencida por ele..

Aprendi a ser eu e a solidão ...
Minha única companhia..
Aprendi a amar o silêncio , a viver o caos dos meus pensamentos e a viver o vazio de uma vida sem ti...
Depois que você foi embora eu me fechei tanto..que quando precisei abrir a porta da minha alma denovo eu já tinha perdido as chaves....
M.I.R.L Maria Isabel Ribeiro Lopes

Amar Não É Pecado


Amar jamais será errado, jamais será pecado, jamais será perversão. O amor entre duas pessoas capazes nunca será um crime, ainda que leis retrógradas, ignorantes, preconceituosas e criminosas tentem assim torná-lo. Não há barreiras que impeçam sentimentos, desejos e relações consensuais entre adultos conscientes ou adolescentes iniciando suas vidas sexuais e afetivas.
Não importa se a relação é entre duas mulheres, dois homens, um homem e uma mulher, se são pessoas não binárias ou binárias com não binárias. Nada disso impede ou torna um sentimento, um desejo ou uma relação menos digna, menos real, menos válida e, muito menos, menos verdadeira. O amor não vê gênero, classe, cor da pele, o valor que se tem guardado no banco e nem a aparência. O amor apenas é, e não tem como fugir dele. Ainda que tente, o máximo que conseguirá é a tristeza e o arrependimento de não ter vivido o que era seu por direito, assim como a tristeza de uma vida falsa, camuflada e dominada por medos inúteis.
A vida no armário não é vida, assim como fugir do que sente não apaga o sentir, apenas o amplia. Como mostra a psicanálise há séculos, tudo o que reprimimos cresce. A sombra, que é tudo aquilo que escondemos, muitas vezes até de nós mesmos, devora aqueles que tentam, com todas as forças, reprimi-la. É como uma mola que você aperta e, fatalmente, terá que soltar em algum momento, só que, ao invés das suas mãos e possivelmente também os seus braços, machucará a sua alma, e esses cortes podem nunca cicatrizar.
- Marcela Lobato

Amar Corrói

Amar corrói o profundo
do ser.

Quando a dor vem,
a tristeza bate,
e, em prantos,
o coração inquieta.

Amar corrói até
a mais pura essência,
e a solidão machuca
até queimar a alma,
pelo amor que não
se pode ter.

E a vida fica uma bagunça:
viver com dor
e viver sem
o amor do lado.

"Amaldiçoar o maldito.
Amar-te, daqui ao infinito.
Eu grito, eu xingo.
Eu finjo.
Eu minto.
Largado na rua, eu rosno, ladro à Lua coisas sem sentido.
Sou o crime, a lei, sou o bandido.
Sou o que rouba o coração, por ter o meu ferido.
É mais fácil te odiar do que admitir: ainda te amo, ainda te preciso.
Difícil admitir que também errei, queria poder fazer voltar tudo o que fora cuspido e dizer o que deveria ter sido dito.
Tudo aquilo.
Que consome, que dentro mata, externalizado, faz vivo.
Cansei de esperar o cupido.
Ser sem alma? Sou; eter, espírito.
Sou a razão e a loucura em uma frase sem sentido.
Será a vida um sonho? Delírio?
Se sim, invejo-os por viver em sonho onde o meu eu sobrevive em um pesadelo infinito.
Sou a linha tortuosa em que Deus ousou ter escrito.
Cansei de olhar-me no espelho e amaldiçoar o maldito..."

Quando Amar se Torna Dependência

Penso o quanto deve ser difícil encarar a realidade de estar com alguém que não se ama e, na perversidade de si mesmo, encontrar tantos motivos para permanecer, menos a coragem de reconhecer a própria dependência emocional.

Penso o quanto essa dependência dificulta amar a si próprio, porque talvez você tenha aprendido a vida inteira a buscar amor, mas não a se dar amor. Aprendeu a procurar no outro aquilo que nunca conseguiu oferecer a si mesmo.

Penso na dificuldade de estabelecer relações, porque muitas delas acabam sendo construídas na lógica da troca: eu me dou, eu me entrego, eu ofereço, eu espero. E quando não recebo, sinto que perdi. Quando, talvez, já estivesse me perdendo antes mesmo de perceber.

Penso, e logo existo.( René Descartes 1596–1650)

Mas talvez você precise pensar para além do outro. Precise desistir de desistir de si. Desistir daquilo que disseram que você deveria ser. Desistir da necessidade de ser amado para se sentir alguém.

Talvez seja necessário voltar para dentro.

Perguntar a si mesmo: quem sou eu quando não estou tentando ser suficiente para alguém? O que desejo quando ninguém está desejando por mim? O que existe em mim quando retiro todas as expectativas do outro?

Talvez encontrar quem você é seja a maior possibilidade de cura.

Porque, no fim, amar alguém não deveria exigir que você desaparecesse de si mesmo.

E talvez amar a si seja justamente isso: voltar para casa depois de passar tanto tempo procurando morada no outro.

Amar e ser amado é ganhar na loteria da vida…
Ter bens que o dinheiro compra e não ter com quem compartilhá-los é uma conquista ilusória…
Valorize quem tem o abraço que enlaça, o cheiro no cangote que arrepia, o beijo-estátua que te faz rir e ainda te oferece a lua…
São tesouros que só o amor conquista.

UMA SÓ VIDA!

Uma só vida para viver
Uma só vida para amar
Uma só vida para sonhar
Para sorrir ou chorar!
Uma só vida
Para sermos criança, jovem, adulto
E a certeza maior da partida...
Uma só vida para acreditar
Escolher entre o bem e o mal!
Uma só vida pela salvação
Que far-se-á somente
Através da mais poderosa força
Que Deus gerou entre céus e terra:
a força eterna do AMOR!
JOÃO BATISTA BARBOSA

TOLO EU?
Tolo seria eu por te amar?
Tolo seria eu por acreditar
que mesmo não sendo amado
posso compartilhar sua presença
posso admirar cada palavra sua
posso assim mesmo ser feliz?
Tolo seria eu se naõ a conhecesse
Se através de cada dia que passa
eu não enxergasse o seu valor...
Tolo seria eu se não te amasse
mesmo sabendo que jamais serei amado.
Enquanto passa o tempo assim
Vou levando os meus pensamentos
Nesse amor que me satisfaz
Pelas veredas dos sentimentos
que me fazem cada vez mais
amar você...
Tolo?
Isto sei que não sou
pois amor não é para qualquer pessoa.
Por isso é que amo você
Mesmo que para alguns
Seja tolo te amar assim!

DESPERTAR

Chuva para refrescar
Sol para esquentar
Alguém para se amar
E a vida assim passar
Buscando paz para acalmar
Faço planos a sonhar
Cada segundo realizar!
Alma pura a brilhar
Chuva e Sol
Noite e dia
Risos e lagrimas
Partes dos momentos
Onde os sentimentos
Rolam nos pensamentos
Nos fazem perder ou ganhar
A formula para encontrar
Partes de uma felicidade
Que existe com certeza
Na vida sempre a despertar !

JOAO BATISTA BARBOSA
POESIAS E PENSAMENTOS

AMAR COM LUCIDEZ: QUANDO O CORAÇÃO CAMINHA AO LADO DA RAZÃO.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
"Espíritas! Amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo."
— O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. VI, item 5. Tradução de José Herculano Pires.
A recomendação do Espírito de Verdade, dirigida especificamente aos espíritas, está longe de ser uma exortação meramente afetiva. Ela constitui uma síntese admirável da pedagogia espírita, revelando que a verdadeira transformação moral nasce da união entre o sentimento e a inteligência. Não se trata de escolher entre amar ou instruir-se, mas de compreender que ambos são inseparáveis.
Entretanto, é comum observarmos que esses dois imperativos são vividos de forma fragmentada. Há quem exalte o amor, mas relegue o estudo a um plano secundário; há também quem cultive o conhecimento, porém se esqueça da ternura, da humildade e da fraternidade. Em ambos os extremos, perde-se o equilíbrio proposto pela Codificação.
O amor, quando desprovido de discernimento, pode transformar-se em sentimentalismo inconsequente. Sob a aparência da bondade, acaba tolerando o erro sem esclarecê-lo, confundindo indulgência com conivência e misericórdia com omissão. Nesse estado, a caridade deixa de educar para apenas consolar, esquecendo que o verdadeiro bem também orienta, desperta e corrige.
José Herculano Pires, um dos mais lúcidos intérpretes de Allan Kardec, advertiu com admirável precisão:
"Não basta amar. É preciso saber amar."
— Curso Dinâmico de Espiritismo.
E, aprofundando ainda mais essa reflexão, acrescenta:
"Não se pode confundir Espiritismo com sentimentalismo barato. A emoção sem inteligência é o caminho mais curto para a mistificação."
— Introdução à Filosofia Espírita, cap. 4.
Essas palavras permanecem profundamente atuais. Quando o amor abandona a razão, abre espaço para interpretações personalistas da Doutrina, para concessões injustificáveis e para atitudes que, embora revestidas de aparente bondade, acabam obscurecendo os princípios espíritas.
Foi justamente para impedir tais desvios que Allan Kardec estabeleceu uma das maiores salvaguardas da Doutrina:
"Fé inabalável é somente a que pode encarar a razão face a face em todas as épocas da humanidade."
— O Evangelho segundo o Espiritismo.
No Espiritismo, a razão não limita o amor; ela o ilumina. A inteligência não esfria a caridade; ela lhe oferece direção. O verdadeiro amor jamais contradiz a justiça divina, porque nasce dela e para ela converge.
Por isso, o espírita que busca apenas ser "amoroso", sem estudar, sem refletir e sem vigiar as próprias tendências, corre o risco de substituir o Evangelho pela emoção. Em vez de auxiliar o próximo em seu crescimento moral, pode apenas alimentar ilusões, evitando confrontar o erro quando a consciência exige esclarecimento.
Ao mesmo tempo, o conhecimento sem humildade converte-se em orgulho intelectual. A instrução que não sensibiliza o coração produz rigidez, vaidade e espírito de superioridade. Saber muito sobre a Doutrina não significa vivê-la.
É precisamente nesse ponto que a máxima do Espírito de Verdade revela toda a sua profundidade. "Amai-vos" e "instruí-vos" não representam duas etapas sucessivas, mas duas forças simultâneas que se sustentam mutuamente. O amor preserva o conhecimento da frieza; a instrução preserva o amor da ingenuidade.
O próprio Allan Kardec recorda que:
"O verdadeiro espírita não é o que crê nas manifestações, mas o que se reforma moralmente, esforçando-se por dominar suas más inclinações."
— O Evangelho segundo o Espiritismo.
Essa reforma íntima exige constante vigilância sobre nós mesmos. Ainda estamos longe da perfeição. Muitas vezes, defendemos o amor enquanto nos irritamos diante da menor contrariedade; pregamos humildade, mas desejamos que tudo se faça conforme nossas ideias; falamos de fraternidade, porém resistimos às críticas e aos limites que a própria consciência nos apresenta.
O verdadeiro amor não elimina a responsabilidade moral; antes, fortalece-a. Amar não é aprovar indiscriminadamente. Amar é desejar sinceramente o progresso do outro, ainda que isso exija orientação, firmeza e exemplo. A caridade autêntica jamais abandona a verdade, porque sabe que somente ela conduz à libertação espiritual.
Assim, algumas responsabilidades permanecem inadiáveis para todo aquele que deseja viver autenticamente o Espiritismo:
Amar é unir misericórdia e justiça, jamais fraqueza moral.
Instruir-se é dever permanente da consciência, e não simples ornamento intelectual.
Evangelizar-se significa vigiar a si mesmo antes de corrigir os outros.
Preservar a Doutrina exige fidelidade aos princípios codificados por Allan Kardec.
Reconhecer as próprias imperfeições é o primeiro passo da verdadeira humildade.
Compreender que o amor sem esclarecimento pode transformar-se em indulgência equivocada, enquanto o conhecimento sem amor converte-se em orgulho.
No Espiritismo, não basta possuir um coração sensível; é necessário possuir também uma consciência esclarecida. A luz da inteligência e o calor da caridade não competem entre si: completam-se. Quando uma delas falta, a outra perde sua plenitude.
O Cristo jamais separou a verdade do amor. Kardec jamais separou a razão da fé. O Espírito de Verdade jamais separou o estudo da fraternidade. Eis por que amar com lucidez é amar de verdade.
Frase final.
" Quanto mais a consciência se ilumina pela verdade, mais o coração aprende que o amor não consiste apenas em sentir, mas em servir, educar e transformar, começando sempre por si mesmo. "
#Espiritismo #AllanKardec #JoséHerculanoPires #EvangelhoSegundoOEspiritismo #EspíritoDeVerdade #FéERazão #ReformaÍntima #Caridade #EstudoDoutrinário #LucidezEspiritual #AmorComLucidez #EducaçãoMoral #DoutrinaEspírita #Evangelização #Autoconhecimento

Você se foi desse mundo...
do nosso mar...
do nosso amar...
para longe ...
muito longe...
para além do meu olhar
mergulhado no teu...


Deve existir um ângulo
nas páginas do mistério
entre a vida e a morte
onde os meus versos escritos
possam alcançar a tua leitura ...


✍©️#MiriamDaCosta

Minhas mãos nasceram para amar a terra ❤

Cuidar da terra é um gesto de fé,
é como entoar orações
e seguir rituais ...

Retirar, com paciência e delicadeza,
o que impede a vida de respirar
(as ervas daninhas...),
oferecer alimento , nutrientes
(adubo e fertilizantes...)
lançar sementes ao solo
e confiar no tempo
( o senhor da sabedoria...).

Regar com presença,
proteger com ternura,
aceitar o ritmo das estações,
as vontades do céu
e os ciclos da terra.

E então…
um dia,
quase em segredo,
silenciosamente
e com imensa generosidade
a vida responde...

germina, cresce,
floresce e frutifica lentamente,
como quem agradece
ao cuidado que a chamou
para existir e nutrir.

©️✍@MiriamDaCosta

Amar é permitir que alguém alcance os lugares mais profundos da nossa existência sem precisarmos esconder as próprias fragilidades. É encontrar no outro não a metade que nos falta, mas uma presença diante da qual podemos ser inteiros.


O amor não é posse, perfeição ou ausência de dor. É escolha, cuidado e reciprocidade. É oferecer abrigo sem construir prisões, entregar-se sem abandonar a si mesmo e acolher o outro sem exigir que ele deixe de ser quem é.


Amar é ser visto além do corpo, das palavras e das aparências. É ser reconhecido naquilo que quase ninguém percebe. Porque o amor verdadeiro acontece quando duas pessoas não precisam diminuir a própria luz para permanecerem juntas: elas se iluminam, respeitam suas individualidades e crescem lado a lado.

AMAMOS, MESMO SABENDO QUE UM DIA SERÁ SAUDADE

Talvez uma das maiores coragens humanas seja amar sabendo que podemos perder. Sabemos disso desde o princípio, embora quase nunca tenhamos coragem de dizer em voz alta. Quem chega pode partir. Quem abraçamos hoje talvez amanhã exista apenas na memória. A voz que agora escutamos poderá um dia transformar-se em lembrança, e aquele rosto que conhecemos de olhos fechados talvez passe a habitar somente o território silencioso da saudade. Mesmo assim, amamos.
E talvez seja justamente nisso que o amor revele sua grandeza.
Porque amar nunca foi possuir. Possuir é desejar permanência; amar é compreender a impermanência e, ainda assim, permanecer enquanto for possível. Há uma espécie de loucura consciente no amor: entregamos partes de nós a pessoas que o tempo não prometeu conservar. Construímos casas sabendo que envelhecerão, fazemos planos sabendo que a vida poderá interrompê-los, criamos lembranças sabendo que algumas delas um dia doerão. Beijamos como se houvesse eternidade, embora saibamos que somos feitos de tempo.
E por que fazemos isso?
Porque talvez o contrário da perda não seja a permanência. Talvez seja nunca ter amado.
Quem tenta proteger-se de toda perda precisa proteger-se também de todo vínculo. Para jamais sentir saudade, seria necessário jamais ter alguém de quem sentir falta. Para nunca sofrer uma despedida, seria preciso nunca experimentar verdadeiramente um encontro. Para impedir que o coração se parta, teríamos que impedir também que ele se abrisse. E que espécie de vida seria essa?
Talvez seja por isso que o amor seja tão profundamente humano. Ele não exige garantias para existir. Ama-se sem contrato com o amanhã. Ama-se uma mãe sabendo, ainda que não queiramos pensar nisso, que um dia seu abraço poderá nos faltar. Ama-se um companheiro sabendo que nenhuma promessa pode derrotar completamente o tempo. Amam-se os filhos sabendo que eles crescerão, partirão e construirão caminhos onde talvez já não sejamos presença cotidiana. Amam-se amigos sabendo que a vida espalha pessoas por cidades, distâncias e destinos diferentes. Ainda assim, continuamos dizendo: fique. Venha. Sente-se ao meu lado. Conte-me sobre seu dia.
Isso é extraordinário.
Talvez Viktor Frankl estivesse certo ao perceber no amor uma das grandes possibilidades de sentido da existência. E talvez C. S. Lewis também compreendesse que amar nos torna vulneráveis justamente porque aquilo que realmente importa pode ferir-nos quando desaparece. Não existe amor profundo completamente protegido da dor.
Por isso não considero a saudade uma inimiga do amor.
A saudade é uma de suas consequências.
Só sentimos profundamente a ausência daquilo que um dia teve presença dentro de nós.
E há algo ainda mais difícil de aceitar: às vezes perderemos tudo.
Perderemos juventude, lugares, objetos, certezas, pessoas. Um dia outros entrarão nas casas onde vivemos. Nossos passos desaparecerão dos corredores. Nossos nomes serão pronunciados cada vez menos. O tempo continuará fazendo aquilo que sempre fez: passando.
Mas existe uma pergunta que o tempo não consegue responder por nós:
enquanto tivemos, nós amamos?
Talvez essa seja uma das poucas perguntas verdadeiramente importantes.
Não quanto acumulamos.
Não quanto conseguimos preservar.
Não quantas vezes vencemos.
Mas quanto estivemos presentes enquanto aquilo que amávamos ainda estava diante de nós.
Porque existe uma tragédia maior do que perder: perceber tarde demais que tivemos alguém ao nosso lado e não soubemos estar ali. Guardamos palavras para depois. Adiamos abraços. Economizamos “eu te amo”. Deixamos para amanhã uma conversa que pertencia a hoje, como se tivéssemos recebido alguma garantia secreta de que o amanhã nos seria concedido.
Não recebemos.
E talvez seja justamente por isso que o amor seja urgente.
Não uma urgência desesperada, mas consciente. A consciência de olhar demoradamente para quem amamos. De escutar um pouco mais. De perdoar quando for possível. De dizer aquilo que precisa ser dito enquanto ainda existem ouvidos para ouvir. De abraçar enquanto ainda existem braços capazes de nos devolver o abraço.
Amar é aceitar silenciosamente uma verdade terrível e maravilhosa:
isto pode acabar.
E, em vez de fugir por causa disso, aproximar-se ainda mais.
Talvez a grandeza do amor não esteja em vencer o tempo.
Talvez esteja em dar sentido ao tempo que nos foi dado.
Porque no final talvez percamos muitas coisas que julgávamos nossas.
Mas aquilo que verdadeiramente amamos terá participado daquilo que nos tornamos.
E então compreenderemos que algumas pessoas podem partir de nossas mãos sem jamais partir completamente de nossa existência.
Elas permanecem na maneira como falamos, nas coisas que aprendemos, nos gestos que repetimos sem perceber, nas histórias que contamos, nas músicas que ainda nos comovem, nas palavras que herdamos e até naquele silêncio inexplicável que às vezes chega quando uma lembrança atravessa o coração.
Talvez seja isso que reste quando tudo parece perdido.
Não a posse.
Não a presença.
Mas a transformação.
Amamos alguém e nunca mais somos exatamente a mesma pessoa.
Por isso continuamos amando, mesmo sabendo que um dia poderemos perder aquilo que amamos.
Porque a alternativa seria atravessar esta breve existência intactos, protegidos e vazios.
E talvez a maior derrota de uma vida não seja terminar com o coração marcado pelas pessoas que amamos.
Talvez seja chegar ao fim com o coração perfeitamente inteiro porque nunca tivemos coragem de entregá-lo.