Wikney Edson

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"Na noite, eu rogo para que toda estrela despenque do firmamento e, para cada uma, eu possa pedir você aqui comigo.
Eu choro, imploro para que Deus me livre desse amar, meu eterno castigo.
Demasiada punição, amar quem não me ama, eterno martírio.
Amá-la, amada minha, é demasiado sofrido.
Quando Deus, por sobre os céus, me impôs o amor a você, passei a invejar a cruz e o sofrimento do próprio Cristo.
O que fiz? Indaguei-me na madrugada, não merecia, não mereço isso.
Eu sou calor, amor, erupção; ela é indiferença, ódio, o frio.
Uma vez e outra, mais uma e numa, ama-lá mais que eu, de novo.
A morte, ante amá-la, seria livramento, mas de ti não me livro.
Leio uma, duas páginas, um trago, uma caneta, te registro em meus escritos.
Queria apagar-lhe do de minha vida, o livro.
Bem da verdade, eu minto, eu finjo.
Tento me livrar de você e não consigo.
Pois, na noite, eu rogo para que toda estrela despenque do firmamento e, para cada uma, eu possa pedir você aqui comigo..."

"Viver alguém, sem nunca mais vê-la.
Querer alguém, sem jamais tê-la.
É ópio, é álcool, é trago, dose, cerveja.
Sou grato ao álcool, por fazer-me esquecê-la.
E quando não, ainda sim o agradeço, por fazer-me escrevê-la.
Cada verso, cada estrofe, cada letra.
Um, dois, três poemas, à de alma rasa, de paixão obsoleta.
Tentar encontrá-la em outros corpos, é loucura, tolice, bobeira.
Mas meu eu, parvo, crê que é 'vendetta'.
Pelo abandono, pelas lágrimas, pela solidão, a sarjeta.
Eu não queria muito, só roguei pelo veu e a grinalda, o buquê voando e o nosso beijo, na da praça, a igreja.
Só queria um beijo molhado, o encontro dos lábios, os corpos suados, e a única veste, nossas alianças, reluzindo sob a chama da lareira.
Amá-la, deixou-me com a alma enferma.
Deus não me ouviu, rogo pela a morte, pois minha vida é vivê-la.
E não creio que seja possível, viver alguém, sem nunca mais vê-la..."

"O dia passa e me acompanha os de minha mente, os horrores.
Você está bem, cada dia aumenta mais seus seguidores.
Dia após outro, mais linda do que antes, aumentando os admiradores.
Diz me amar, eu acredito, mas duvido que não tenha outros amores.
Um lugar desconhecido, uma mesa com amigos, segredos não ditos, duvido que dormirá em casa essa noite.
Um batom vermelho, uma foto no espelho, uma mulher que nunca vi, mas amaria desfilá-la pelos corredores.
Sonhei demais, uma família, um beijo, nossa cozinha, uma viagem pra Açores.
Amar é isso, é amaldiçoar-se e buscar em veneno a cura para as nossas dores.
Dores causadas por outros amores.
Rogo para que o amor morra, seque e esfarele-se, como aquele buquê de flores.
Pensar em você já fora meu alento, hoje são só horrores..."

"Diz que já me esqueceu, mas, amor, quando foi que de mim lembrou?
Diz que já não me ama mais, mas, mesmo em meus braços, nunca me amou.
Diz que encontrou alguém para lhe curar as feridas, mas quais? As que você mesmo causou?
Todo aquele que diz lhe amar é só mais um peixe na rede de um vil pescador.
Falácias e mentiras, disfarçadas de carícias, falsas juras de amor.
Xinga, briga, se faz de vítima, me abandonara às risas, foi meu coração que sangrou.
És perfeita no prazer, mas é melhor ainda em causar dor.
Diz que morri pra você, mas é claro, nossa paixão, que era minha vida, foi você quem matou.
Agora vens e diz que já me esqueceu, mas, amor, quando foi que de mim lembrou?"

"Eu sei, prezei pela verdade.
Mas sou mentiroso e ela sabe.
Ela descobriu, quando eu disse que já não sinto saudade.
Quando ela disse que ia e eu respondi 'já vai tarde'.
É mentira, é verdade.
E ela sabe.
Sabe pois, a boca pode mentir, mas o ardor da pele, o brilho no olhar, servem à verdade.
A boca que lhe desenhava o corpo, em cada curva de prazer, é a mesma que professa inverdades.
Um todo de nada, palavras de amor, puro fulgor, juras, leviandades.
Amar é vaidade.
É crer que se é possível querer e conquistar a da alma, metade.
E eu a amei, amei-a em cada esquina da cidade.
Em cada bar, em cada copo, em cada dose, em toda parte.
Vá, amor, vá; me odeie, esperneie, grite, fale.
Acho é bom, que mesmo em ódio, estarei novamente em sua boca, em cada frase.
Rogo para que o silêncio lhe encontre e minha boca, novamente, te cale.
Sem voz, sem sussurros, somente os gemidos, e o arrepiar, o choque da tez, como eletricidade.
Eu minto, amor, minto, pois fingir não te amar, fazer te odiar, é o único jeito de manter a minha sanidade.
Lhe amaldiçoo por me corromper, logo eu, que sempre prezei pela verdade..."

"Eu sou só o palco em que desfilas.
Eu sou a escuridão, para que você seja a luz que brilha.
Serei palavras soltas, para que meus pedaços você os una e recite poesia.
Serei tristeza, para que sejas alegria.
Serei a carne, para que me sangre com sua lâmina fria.
De bom grado, serei a morte, para que sejas vida.
Serei a seca, para que você seja a chuva por sobre as pradarias.
Farei-me efêmero, para que tu se eternize em minhas escritas.
Entre modas, sonhos de bodas, palavras não ditas.
Alianças derretidas.
Palavras, promessas, juras vazias.
Sentimentos, olhares, mulheres malditas.
Percebi que sou nada, além do palco em que tu, amada minha, desfilas..."

"O ranger do tablado, na madeira, cada passo.
A valsa, a dança, de rostos colados.
O pulsar do peito, o coração acelerado.
Eu amo tanto aquela mulher, que pensá-la, lembrá-la, faz-me enfermo, febril, débil, acamado.
Chega a doer o peito, maldição minha ter te olhado.
Eu a amo, só amo, não existe explicação, verso, religião, Deus, para um homem apaixonado.
Ah, amada minha, como que te amo, amo, amo tanto, que quando lhe sonho, me amaldiçoo por ter acordado.
Se morrer for eternamente sonhá-la, então, Pai, ceife minha vida, e não me acorde nem para o Juízo Final, meu pecado foi ter amado.
Fazei-me julgado.
Declarar-me-ia culpado.
Hoje a madrugada inundou o meu quarto.
A solidão, fria, veio deitar-se ao meu lado.
Acordei trêmulo, assustado.
A chuva lá fora parecia inundar a escuridão e o vento frio deixa-me arrepiado.
Ao longe, ouvi um trovão, senti a lágrima escorrer pelo meu rosto cansado.
O som ao longe lembrou-me de nós, de rostos colados.
O ranger do tablado, na madeira, cada passo...

"Hoje não, estou sombrio.
Vi alguém com alguém que não deveria estar com esse alguém e sim comigo.
Alguém com alguém, daquele amor sou refém, dera o que era meu pra outrem, amar é sofrido.
Hoje não, estou sombrio.
Hoje não tem festa, nem riso.
Nem piada, nem grito.
Hoje é choro, lágrimas, delírio.
Viver por alguém, sem alguém, é só martírio.
A madrugada é a única que testemunhara de desespero meu grito.
Hoje me ofereceram um trago, uma bebida, um alívio.
Um escape, uma dose, um colírio.
Fiel ao meu sofrimento, ao que sou, ao meu eu lírico.
Declinei; hoje não, logo hoje não; estou sombrio..."

"Até hoje, meu caro amigo, vivo por alguém que não se abalaria por minha morte.
Até hoje, tento ser, da rainha de minha vida, o consorte.
Certa vez, li que era possível morrer de amor, sem saber o nome do sujeito, o invejei, que sorte.
Viver amando, sem ter quem se ama, é maldição, é sobreviver na fraqueza tentando ser forte.
Venha, sente-se, leia-me, escute-me, me ame, me note.
Da sua ausência, indiferença, já noto cada recorte.
Se quiseres ou se tiveres que ir, vá; mas, por favor, rogo que não volte.
Não me implore, não chore.
Não peça perdão, viva na solidão, seja feliz na sua indiferença, seu esporte.
Encontre seu rumo, ache seu norte.
Me perdi, tentando viver por alguém que, de bom grado, desejara a minha morte..."

"Não sei se era o vestido vermelho que parava o lugar.
Talvez fosse o cabelo preto, ou a beleza no olhar.
Só sei que eu estava ali e ela estava lá.
A cada vislumbre, troca de olhares, era eu um mero mortal a admirar.
Pensei que a beleza fosse um veneno, pois senti meu coração acelerar.
Linda, dos pés à cabeça, cada detalhe digno de se pintar.
As palavras são pobres para descrever, a beleza narrar.
Sei de muitas coisas, mas o que não sei é se era o vestido vermelho ou a beleza dela que parava o lugar..."

"Relembro nós e amaldiçoo até o meu piscar.
Naquele micro instante, deixei de sua imagem admirar.
Relembro tudo, amaldiçoo o meu respirar.
Por que o fiz? Se estava você ali, o meu ar.
Relembro nós, amaldiçoo do meu peito o pulsar.
Eu deveria ter morrido ao lhe vislumbrar.
Jazer em seus braços, sob seus olhos, roguei para o meu coração parar.
Relembro nós, amaldiçoo o vento, os pássaros, até das folhas o farfalhar.
Todo som doce e belo que existe na natureza deveria Deus ter feito com o som de sua voz, do mais belo anjo o cantar.
Relembro nós e amaldiçoo o tempo, por quando em vislumbre de seus olhos não parar.
Quando o entrelace de nossas almas, com um único olhar.
Senti que a eternidade seria pouca para lhe adorar.
Relembro nós e amaldiçoo o meu amar.
Por não tê-la, por não vê-la e ausentar-me de minha felicidade e essa mesma felicidade, contigo, ser incapaz de compartilhar.
Lembro da última vez que estivera em meus braços, maldito fui, por quê, pra quê piscar?"

"Não existem mais milhas para percorrer.
Não existe mais a quem recorrer.
Não existe mais para que correr.
Cansado, exausto de toda essa caminhada, descanso sobre seu seio, consegui, hoje somos eu e você.
Não existe mais indiferença, nem olhar blasé.
Não existe mais amor de um só, não existe solidão, venceu o meu querer.
Sob seus olhos, a infinidade do brilho, vencemos amor, viverei a seu lado, para ao seu lado morrer.
Os filhos na varanda, já ouço os risos, já sou capaz de ver.
Consegui, com versos e rosas, conquistá-la com meu amor clichê.
Acordei do meu doce sonho, ela não quer, fazer o quê?
Desistir de ti é desistir de nós, deverá ser assim, não tem o que fazer.
Não existe amor, não existe prece, não existe um bom Deus, sou incapaz de crer.
Darei descanso para minha pobre alma, sua indiferença mostrou-me: Não existem mais milhas para percorrer..."

"Estou péssimo, amor.
A ausência do que me fizera mais vivo, jamais me matou.
Azar o meu, roguei para que o fizesse ao criador.
Estou péssimo, amor.
Só fico bem sob a iluminescência do seu olhar, aquecido em seus braços, sentindo do beijo o calor.
Estou péssimo, amor.
Seu corpo, que era minha fonte mater de prazer, deixou um vazio; eu queria tanto, mas Deus, parece-me, levou-me até a dor.
É só indiferença, rancor.
Queria odiar, queria gritar, mas já não há mais choro; toda lágrima secou.
Quisera eu ir onde você for, ser para sempre o seu redentor.
Eu faria de tudo para lhe fazer bem, ser do seu coração o senhor.
Obrigado por perguntar; jurei não mentir-lhe, então não o farei, minha flor.
Sem você, eu estou péssimo, amor..."

"Até o toque me causava receio.
Fecho os olhos e ainda vejo o castanho dos olhos, o negror do cabelo.
Sinto em todo canto o cheiro.
Estou ficando louco, pois ainda ouço o aveludar da voz quando me pego em devaneio.
Não, não deveria ter ido; não sei porquê, mas agradeço aos céus porque você veio.
O coração inflamava e a boca rogava por um beijo.
Mas de tão perfeita, até admirá-la me dava medo.
Medo de me perder e entregá-la meu eu por inteiro.
Como santa, até o toque me causava receio..."

"A única coisa, que acolhe os homens sem indiferença, nessa terra, é o túmulo." - EDSON, Wikney - Reflexões

"Não existe um ano novo.
O que existe? Nós, separados, de novo.
Existe a solidão, a dor, o desgosto.
Existe o sonho de um novo amor e o pesadelo de um amor, que já não é novo.
Os fogos da meia-noite, não chegam perto do, na noite, o nosso fogo.
Só mais um ano, aí deixarei de ser o tolo.
Esquecerei ela, seguirei minha vida, viverei com gosto.
Entra ano e sai ano e continuo iludido, parvo e mentiroso.
O passar dos anos já não é mais doloroso.
A vida está amarga, a bebida já não tem mais gosto.
Passou-se mais um, esperarei mais um, dois e um outro.
Por você, aguardar toda a eternidade parece-me pouco.
Hoje, quando o relógio marcou meia-noite, lembrei você, lembrei nós, senti o peito roto.
Sei que não existe, mas amada minha, feliz ano novo..."

"Eu te amo.
Mas também, se não te amasse, o que eu faria?
Eu te amo.
E como amo, mulher, amo-te da tarde quente à manhã fria.
Eu te amo.
E meu amor por ti é todo grão de areia, toda gota de chuva e cada bisão na pradaria.
Eu te amo.
Não amo sua beleza, o contorno do seu corpo, o curvilenear da boca, tampouco nossas bocas juntas, minha fantasia.
Eu te amo.
E meu amor é pura metafísica.
Eu te amo.
Amo sua alma, sua essência, o seu ser, amo-te, meu amor, nesta e na próxima vida.
Eu te amo.
E sei que Deus, por sobre os céus, em suas nebulosas e galáxias, supernovas, me castiga.
Pois eu te amo.
E ele queria que amasse a figura d’Ele; o que ele fez foi covardia.
Sabia que minha existência sem ti seria mesquinha.
Eu te amo.
E nesse amor, no castanho dos seus olhos, o tirano fizera minh’alma cativa.
Eu te amo.
Amo do cabelo cada fio; do corpo, cada átomo; da tez desnuda, cada pinta.
Eu te amo.
E por amá-la em demasia, esquecê-la seria sorte minha.
Eu te amo.
E não posso tê-la, incapaz de embalar em meus braços, guardar em meu abraço minha menina.
Eu te amo.
Como um mantra, rogarei, implorarei por ti na noite fria.
E direi uma e mais uma vez a minha frase preferida.
Eu te amo, amada minha…"

"Meu amor, eu não te quero de volta.
Roguei tanto para que não fosse; hoje, aos céus clamo para que nunca mais bata em minha porta.
Perdão, amor, mas eu não te quero de volta.
Meu peito, no seu aconchego, era um todo de alegria; hoje, ao pensar em ti, minh’alma chora.
Ouvi, entendi, mas, amor, por favor, eu não te quero de volta.
Lembra das juras, dos pedidos, a mudança que nunca veio, as brigas fora de hora?
Então, amor, sei que lembras, e é por isso que não te quero de volta.
A vida é sofrida, a solidão aguerrida; por um dia ter lhe amado, eu queria ter arrancado o meu coração fora.
Amor, por favor, sem beijos; o seu corpo me atiça, é tão difícil resistir. Nem mais um passo: eu não te quero de volta.
A pele arde, os olhares se cruzam, sou incapaz de resistir, mas hoje, sim, as recaídas se tornaram histórias.
Memórias, só memórias, amor, pois hoje não te quero de volta.
Por favor, amor, não chora.
Você sabia o que viria, sabia o que haveria quando decidiu sair por aquela porta.
Obrigado por vir, tentar um beijo, um ardir; obrigado pelo cheiro doce e o vislumbre ao se despir, mas agora vá embora.
Amor, eu não te esqueci, mas resolvi lembrar de mim e, com lágrimas nos olhos, te digo: — Eu não te quero de volta..."

"Pai, eu não quero paz, não quero sossego; eu quero guerra.
Não quero algo melhor, Pai; eu quero é ela.
Dê-me, atenda meu único pedido, e deixe recair sobre mim tudo que me livrais até agora. Se tê-la for um erro, então me dê todas as mazelas.
Jamais entrarei em uma igreja, Pai, sem a certeza de que sairei de lá casado com ela.
Se respiro, se vivo, sei: tu és o motivo, mas eu vivo é por ela.
Não existe nós, não existe louvor na capela, só existe eu amando-a à capela.
Se amá-la for uma prisão, então, Pai, leve minha liberdade, e por toda uma eternidade e mais uma me aprisione na dela os braços, a cela.
Perdão, Pai, não consigo adorá-lo, não consigo amá-lo. Seja Deus para os meros mortais, para os que não amam, pois minha divindade, meu amor, minha adoração é ela.
Muito antes do verbo, de Abraão, muito antes de sê-lo, muito antes das águas, do vazio, eu amava ela.
Sei, Pai, que amas os teus filhos, sei que amas o Cristo, e nem mesmo o amor do Crucificado chega aos pés do meu amor por ela.
Se blasfêmia, pequei; se amar for um erro, errei; que me condene ao inferno, mas de lá, aos céus, entre anjos e demônios, deuses e reis; lhe afirmo, YHWH, eu fui único, eu amei, graças a ela.
A trombeta soa, não ouço, ficarei por aqui, viverei uma nova era.
Meu pecado? Mais do que o próprio Deus, amar ela.
Perdão, Pai, mas eu não quero paz, sou um soldado, eu quero do amar e não ser amado, a guerra..."

"Que vergonha, amor, confesso, hoje deixei a embriaguez me vencer.
Em meu âmago, ou vencia ela ou vencia você.
Quando o álcool vence, é só vergonha, por vezes prazer; mas quando és tu, é sempre o sofrer.
Mas foi só hoje, amor, amanhã não vai acontecer.
Não vai, só peço que não me faça prometer.
Mazelas que em nada dependem de mim, somente de você.
Mais um dia, enfim, que esqueço de mim para lembrar de você.
Questão de existência, minha eterna penitência, o meu 'ser ou não ser'.
É coisa do ser.
Amar, viver.
Sem lhe ter.
Melhor morrer.
Batalha aguerrida, vida sofrida, será possível vencer?
Falando em derrotas, vidas opostas, já não me recordo o que eu iria dizer.
De antemão, amor, lhe peço perdão pelas palavras, eu confesso, hoje eu deixei a embriaguez me vencer..."

"Você pode o quiser, meu amor, quem não pode sou eu.
Você pode ser de quem quiser, eu não posso, pois sou seu.
Você pode errar o quanto quiser, quem não pode errar sou eu.
Tudo o quanto quiseres um outro alguém pode lhe dar, quem pode me dar o que eu quero é só eu.
Bem da verdade, o que eu quero é você, então é só Deus.
Você pode ser feliz, radiante; tudo o que almejo, parece-me, morreu.
Você pode desfilar sob o Sol, você é luz, é brilho; pra mim, restou somente o breu.
Podendo ser o que quiser, você escolheu ser tudo, menos o amor meu.
Na sua vida repleta de prazeres, jamais imaginara que na minha, a sua ausência, fora o que mais doeu.
Você pode ser a Santa, devota, fiel, mas na madrugada, ninguém ouviu minhas orações, restou-me ser ateu.
Na injustiça da vida percebi que: você pode o quiser, meu amor, quem não pode sou eu..."

"In the night, i feel the cold, i feel you, and i still alone.
To conquer you, it's just brake my back, to make a couple bones.
Ice heart, heart of stone.
I'm still hearing your voice, even after i turn off the phone.
I love you my queen, before you, i bend my knee, my head are prone.
To have you, i would kill a hundred kings, conquer a thousand thrones.
I don't know what to do, i don't know what you've done.
You vanished, destroied my soul, and gone.
I gaved you shelter, you take it, and leave me without no home.
I begged you, i tried, God knows i've; and now, i'm done.
I fought like a hell, to live in your Paradise, but i realize, i'm not the one.
You have to many kisses, so many hugs, give me some.
And in the night, praying for you, nothing changes, i'm still here, all alone..."

"Eu não tenho talento, só amor.
Não sou poeta, escritor.
Nem músico, trovador.
Só tenho saudades e dor.
Tenho sonhos de contigo e, no pesadelo da sua ausência, horror.
Eu não tenho talento, amor.
Tenho só um coração que bate por ti e, se tivesse um outro e mais um, bateriam por você até quando o universo se for.
Eu não tenho talento, só amor.
Tento ser o que sou por ti, meu amor: a lágrima que lhe banha o rosto; sou de sua face, quando tímida, o rubor.
Sou marinheiro sem porto, sem mar, Arpoador.
Para cada noite fria, para cada tormenta em sua cercania, lhe serei abrigo, lhe serei calor.
Para a sua infelicidade, quando o âmago do seu ser for gris, eu serei cor.
De tudo o que há no mundo, só posso te oferecer amor.
Perdão, minha religião: hei de abster-me, cessarei meu clamor.
Tentando afastar minhas agruras, louca paixão, minha eterna labuta, percebi algo que me causara torpor.
Escrevendo e relendo, jogado ao relento, sofrendo com o vento, percebi que: eu não tenho sequer um único talento, só amor..."

"Se muito antes de Abraão Ele é, então, muito antes d’Ele eu te amo.
O amor d’Ele por ti é infinito, mas é gota onde o meu é oceano.
Se é pecado amá-la mais que Ele, então, morrerei pecando.
Sou eu, blasfemo, apaixonado e insano.
Se 70 vezes 7 eu devo perdoar o irmão que contra mim peca, então, por 70 vezes 7 e mais uma, seguirei te amando.
Não sei o que escrevo, tampouco o que ando falando.
Não sei o que penso, não sei os pecados que venho cometendo, o quanto ando blasfemando.
Eu me olho no espelho e não me reconheço, mas sei que Ele, o Deus, o criador de minh’alma mater, conhece o meu âmago.
Ao me criar, ele se enganou, achou que eu poderia existir sem minha metade, um meio homem, mas sou um todo de sofrimento; a quem estou enganando?
Ele sabe, sabe, sei que sabe: parei de sorrir, parei de chorar, é só indiferença, Ele sabe que nem mesmo por ela venho orando.
Punição, Pai, sem ser amado, seguir amando.
É como sem ar, continuar respirando.
É como se em meu corpo não houvesse sangue e, ainda assim, meu coração continuasse palpitando.
É como se em meus olhos não houvessem mais lágrimas e, ainda assim, eu continuasse chorando.
Que existência miserável, Pai! Por sobre os céus, eu lhe amaldiçoo, pois tens tudo o que queres e me fizeste um ser de paixão e servidão ao seu mais belo anjo.
Que existência pífia, o homem que olha no espelho e sabe que viver sem aquela mulher é somente existir, definhando.
Se és onipotente, me tire esse amor que, no deserto da solidão, por tanto tempo vem me tentando.
Caso não, tudo bem, continuarei olhando para o chão e o olhar dela imaginando.
Não olharei mais aos céus; de minh’alma não merece nem mais um lampejo, um vislumbre, a ti, Deus Pai, não abrirei meu flanco.
Digo e repito, seja blasfêmia ou não, venho falando.
Se muito antes de Abraão Ele é, então, muito antes d’Ele, meu amor, eu te amo..."

"Quando sonho contigo, o meu pesadelo é acordar.
Despertar-me de mim, olhar ao meu lado e ver que você não está lá.
Vivendo você, meu pesadelo é amar.
Sim, pois, viver sem quem se ama é o próprio ser amaldiçoar.
Odeio todo sonho, pois eles nos mostram que tudo àquilo que poderíamos viver é impossível alcançar.
Por vezes, parece-me, o próprio Deus priva-me de contigo sonhar.
Ao meu ver, é o mais terrível dos pecados, a felicidade de contigo, mesmo em noutra realidade, almejar.
Hoje sonhei contigo, mas quando desperto, senti todo o meu paraíso, em segundos, desvanear.
Só me recordo os lampejos, um seio, um beijo, o macio aconchego e da tez morena, o aveludar.
Maldição do homem, ter coração e poder amar.
Me amaldiçoa aquele ósculo, que jamais pude lhe dar.
O amor é ópio, é preferível ódio, por ser mais fácil de lidar.
Ter quem se ama, tentá-lo, não importa a gana, é demasiado mais fácil secar o mar.
Cada estrela do céu, por cem vezes e mais uma contar.
O próprio Sol, o invejoso de sua luz, amada minha, se apagar.
Quem sabe até o próprio firmamento despencar.
Hoje eu tive um pesadelo, sonhei que nos amávamos e eu lhe dava um beijo, só pude percebê-lo, ao acordar..."