Textos reflexivos para professores que motivam a paixão pelo ensino

Meu coração de mulher
num constante pulsar
busca equilíbrio
aprende a amar.

coração que ama
coração que vibra
coração que clama
e silencia.

No silêncio encontra
a paz que tanto quer
olha pra dentro
desse coração de mulher.

encontra barreiras
encontra dor
encontra sonhos
encontra amor.

Coragem

Temos muito a aprender com os caranguejos.

Já tentou caçar algum?

É muito fácil.

A armadilha é uma jaula de metal com uma abertura na parte superior.

A isca, um pedaço de carne colocada no fundo da jaula. Coloca dentro da água.

Logo chega um caranguejo, entra na jaula e começa a beliscar a isca.

Um segundo caranguejo se junta a ele.

Depois um terceiro, um quarto... Uma festa.

Finalmente acaba a isca.

Os caranguejos poderiam sair subindo pelas laterais da jaula, mas não o fazem, permanecem lá dentro.

Outros caranguejos chegam esse unem a eles, muito depois que a isca, o suposto banquete, desapareceu.

E se um caranguejo se dá conta e tenta sair, os outros se unem e o impedem de deixar a jaula.

Se persiste, chegam a arrancar suas presas.

E se continuar, pode até morrer.

A principal diferença entre esses caranguejos e nós, humanos, é que eles vivem na água e nós na terra.

Qualquer pessoa que tenha um sonho que lhe permita sair da jaula, deverá tomar muito cuidados com os colegas "de jaula", os frustrados.

Eles não gostam de ver pessoas perseguindo sonhos, porque lembram-se de que não vivem os deles.

É fácil rir dos ideais dos homens.

É fácil despejar água fria no seu entusiasmo.

O mundo está cheio de desencorajadores.

Temos o dever de nos encorajar uns aos outros!

Não entre nessa jaula. Sonhe e realize. Sucesso!

⁠Sentimentos como explicar....
Sentir hoje o que você me ensinou é tão fácil, mas quando você não existia na minha vida era muito confuso, se alguém me dissesse que encontrou alguém do modo, da forma que a gente se encontrou eu diria “ você esta louco “ mas loucura hoje eu sei o que é, é o que eu sinto por você, loucura pra estar ao seu lado, loucura pra te ver, pra te sentir, pra te abraçar.
Me chame como quiser de louco apaixonado, de bobo encantado, mas jamais duvide de um sentimento tão bom, tão perfeito, tão gostoso..
Você me ensinou que sentimento não é apenas de desejo como eu imaginava, mas sim um sentimento sentido com a alma, o coração.
Todos os meus pensamentos do dia me levam a você, de um simples abrir dos olhos ao mais lindo lugar que possamos imaginar, eu imagino estar com você, imagino você comigo, imagino o seu sorriso, que alias é o que me encanta mais a cada dia.. obrigado por existir, obrigado por ser você, e muito obrigado pela chance de entrar na sua vida.
Te quero, te desejo, te vivo.
Minha menina.
FP

MINHA MADRINHA

Ela sempre me ensinava que não devia aceitar a responsabilidade de fazer algo, que não fosse capaz de desenvolver. Algo que estivesse além de nossas forças, e o gozado, muitas vezes me pegou fazendo castelo de cartas de sonhos, sem saber que na primeira lufada de realidade tudo iria a chão, e aquilo que era realidade, não passava de mais nada do que ilusão, então só restaria estórias para escrever
Até hoje não sei se escrevo poesia, verso, prosa poética ou o que, só sei que sou um poeta, pois vivo com um pé na realidade, outra na ilusão e a cabeça buscando a perfeição.
São curtas e pequenas minhas estórias, um pouco intensas demais, pois levam a pensar em tudo que está aí, e muito mais... Algumas vezes no que serão outras no sentir, questiono a mim e a vida, pergunto-me não se é sofrida, mas se é bem vivida. Está no meu escrever a razão e o fim do meu viver, sei que não escrevo poesia, mas pura filosofia, esta que um dia me disseram ser a ciência tal, que o mundo sem a qual, viveria tal e qual.
No começo gostei da frase, mas não gosto do sentido dela, e vi que tinha que construir não mais um castelo de sonhos, mas uma casa, cujos tijolos fossem palavras, que exprimissem sonhos, desejos e ilusões, analisadas pelos sentimentos e pela razão!
No começo procurei assunto, achei que a solução estava no mundo exterior, na vida dos outros, no viver em sociedade, e outras coisas mais que são tantas, que me cansa até em pensar nelas. Hoje sei que a minha realidade está em mim, na minha casa, na rua em que moro, no meu pequeno mundo, que todo tem igual: aí sou universal!

...
Estou aprendendo a gerir melhor minhas emoções. Às vezes me questiono: "O que nos leva a escolher uma vida sem desafios?". ⁠Ou melhor, não me questiono, contesto. Já sei a resposta e ela está estampada na frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços e naquela rotininha chinfrim que muitos aceitam submissos à própria vontade.

Não adianta erradicar a minha essência. O morno não me inspira, não me move, apenas amplia o vazio que tenta me travar. Como me livro desta sensação de voz e eco? Preencho meu "ser" com a volúpia de quem não nasceu para ver a banda passar. Quero tocar o meu tarol, marcar o compasso do meu samba e desfilar por este mundão afora sem me preocupar com passados e futuros.

Quando a sensação de médio e mediano tentar inibir sua vontade, entenda que todos nós temos direito à grandeza, consequência da nossa melhor escolha.

Voar
Assim como os passarinhos, a gente aprende a voar.
Sair do ninho nos faz traçar caminhos.
Traçamos o destino, o futuro e os sonhos que nos fizeram acreditar.


Não sei como se voa, mas preciso acreditar.
Acredito naquilo que não vejo, mas tenho que enfrentar.
Enfrentar o medo, a fome e até o meu próprio eu, que carrego como um colar.


Decolar em profundo destino a me deparar.
Menino adulto, nem sei como o tempo me fez transformar.
O pedido de desculpas sempre foi o lugar onde tentei me refugiar.
O ninho que eu nunca quis deixar, mas do qual preciso sair para as asas esticar.


Obrigado por tanto e perdoe por muito.
E, como o vento que sopra, te entrego esse pranto...

Sou feito de palavras,
mas não sou delas refém.
Falo, ensino, conduzo,
mas dentro de mim mora o silêncio
de quem aprendeu a sentir
nas brechas do tempo que falta.


Carrego o mundo no ombro,
as demandas, as metas,
as pessoas que confiam em mim
quando ninguém mais sabe o que fazer.
E ainda assim,
o que mais me pesa
são os afetos que escolhi guardar.


Os amigos poucos, raros,
quase lendas na minha rotina corrida
cabem nos dedos da mão.
E talvez por isso sejam tão imensos.
Não estão sempre comigo,
mas moram sempre em mim.
E se um deles dissesse que vai,
que escolhe outro caminho,
me doeria mais que qualquer cansaço
que cole na pele ao fim de um dia longo.


Sou comunicador, mas meu coração fala baixo.
Sou presença, mas sinto falta antes mesmo da ausência.
Sou movimento, mas minhas raízes são feitas
de quem eu não quero perder.


E se hoje escrevo,
é porque há sentimentos
que nem o homem mais ocupado do mundo
consegue deixar para depois.
No fundo, eu só queria que soubessem:
mesmo vivendo correndo,
a minha forma de amar
sempre chega.


Mesmo quando eu não chego.

Ensinaram-me a ser bom em cada passo,
e assim caminhei.
Carreguei a bondade como espada,
ofereci paz ao mundo
e respeito a todas as criaturas.
Mas o que recebi em troca?
O silêncio frio da ingratidão.
A bondade não me deu abrigo,
não me ergueu muralhas,
não me protegeu da tempestade.
Fui bom — e o mundo foi duro.
Fui justo — e o mundo foi cego.
Agora sei:
a bondade sem força é frágil,
e quem só oferece flores
acaba esmagado pelos espinhos.

Quem entende não corre atrás,
Aprendeu que o silêncio também é resposta.
O espírito desperto sabe atravessar,
Mesmo quando a estrada cobra o preço da perda.
Pessoa fraca se ancora em promessas alheias,
Tem medo do vazio, da própria solidão.
Pessoa forte encara a noite de peito aberto,
Segue só, mas firme, guiada pela razão.
Não é orgulho, é clareza.
Não é frieza, é evolução.
Quem se encontra não implora presença,
Caminha inteiro na própria direção.
Os caminhos relevantes não chamam multidões,
São trilhas estreitas, feitas de verdade.
E quem tem coragem de andar sozinho
Descobre força onde antes havia saudade.

⸻

Poderia eu mudar o destino?
Se nasci para curar os outros
e aprender a deixá-los ir,
há algo de cruel nesse acordo silencioso
entre o amor e a despedida.

Carrego mãos que saram,
mas um coração que sangra em segredo.
Nunca foi fácil.
E, às vezes, compreender
é a forma mais profunda de sofrer.

Eu queria dizer ao destino
que, só desta vez, me permitisse ficar.
Ser amada sem medida,
sem medo,
sem partida.

Não mereci as lágrimas que caíram de mim,
mas ainda assim, nunca deixei de amar.
Se toda luz que espalhei tiver algum peso,
peço apenas isso, em silêncio:

que ele fique.
E que, dessa vez,
o amor não seja cura —
seja lar.

"Uma hora você aprende, a diferença de segurar a mão ou não querer soltar...
Aprende a aceitar suas derrotas de cabeça erguida...
Aprende que depois de algum tempo a flor seca,
mais sabe que mesmo assim vai deixar um perfume
suave em suas mãos.... Então faça com que seu jardim seja sempre florido, não espere alguém plantar para você, seja jardineiro da sua vida, cultive com carinho cada flor que plantar pelo caminho, e vera que mesmo com todas as dificuldades, sua
vida sera sempre linda e com um perfume deixado na alma de todos que você encontrar pelo caminho"...

Luciana: O Coração que me Ensinou a Viver
​Está chegando o Dia dos Namorados, e meu peito transborda a urgência de falar sobre ela. Luciana, minha amada, minha companheira, minha esposa.
​Ela não apenas entrou na minha vida; ela reconstruiu o meu mundo. Quando eu já não sabia mais o que esperar, Luciana me fez acreditar em um amor sincero, puro e absolutamente verdadeiro. Enfrentamos barreiras que pareciam intransponíveis, mas o nosso amor foi sempre mais forte que qualquer embate.
​Houve dias em que o céu escureceu tanto que eu mesmo deixei de acreditar em mim. Mas ela não saiu do meu lado. Nos momentos mais difíceis, quando a vida me testou com duas cirurgias no coração, foi a mão dela que segurou a minha. Enquanto meu coração lutava para bater, o amor dela servia como o fôlego que me faltava. Ela me fez acreditar na cura, me ensinou a superar cada obstáculo e me deu forças para atravessar o vale do medo.
​Hoje, as lágrimas que me vêm aos olhos não são mais de dor, mas de uma gratidão infinita. Eu sou outra pessoa porque ela escolheu estar ao meu lado. Olho para trás e vejo que cada cicatriz em meu peito carrega o carinho dela.
​Luciana, obrigado por tudo o que você fez e por tudo o que continua fazendo. Você é a razão do meu sorriso e o motivo pelo qual meu coração — agora renovado — bate com tanta força e alegria. Eu te amo hoje, mais do que ontem, e muito menos do que amanhã.

Durante sua longa carreira de agitador, Hitler estudou os efeitos do veneno gregário e aprendeu a explorá-los em benefício dos seus próprios fins. Descobriu que o orador pode apelar para aquelas 'forças ocultas' que provocam as ações dos homens, muito mais eficientemente que o escritor. Ler é uma ocupação privada e não coletiva. O escritor dirige-se apenas a indivíduos, sentados em suas casas, num estado de sobriedade normal. O orador fala para massas de indivíduos, já bastante contaminados pelo 'veneno gregário'.
(Admirável Mundo Novo)

Eu não sou escritor, você sabe. Sou apenas o homem que aprendeu a ler as entrelinhas do teu olhar. O que eu vi ali, entre o barulho das ondas e o nosso porto seguro, foi um segredo que nem a ciência explica a gravidade do teu amor é a única coisa que me mantém no chão enquanto minha mente viaja pelo cosmos.


DeBrunoParaCarla

Você não foi feito para acertar tudo de primeira. Foi feito para aprender, ajustar a rota, amadurecer e participar ativamente daquilo que deseja ver dar certo.


Tenha os pés no chão, os olhos lúcidos e a alma alinhada.


Porque acreditar em si não é imaginar que tudo será fácil. É decidir que as dificuldades não terão autoridade para escrever o último capítulo.

Minha onda, meu oceano, me ensina como não te navegar!
Eu amo mais você do que eu...como não te amar?
A gente já falou muito por falar,
mas, de repente a gente sente que tudo vale à pena...que ainda valerá!
Sorriso lindo, um corpo divino,
oh, meu menino, me diz como não te amar...
Te quero aqui comigo, sentir teu carinho,
juntinho de teu afago, você tocar em mim...
Eu não tenho muito pra dizer, nem pra tentar explicar,
eu apenas amo mais você do que eu, mais do que sempre pude amar!
És uma continuação de mim, de tudo o que posso ser,
és meu começo sem fim, és minha vida e meu morrer,
és tudo para mim, sois o meu próprio "eu"...
Oh, tão pequena és tua boca, que à mim deixa louco,
que nada mais sabe falar...
Calo com teu olhar, me afogo em tua voz,
que ao teu beijo fico à esperar...e que não poderá ficar pra depois!
O toque de tua pele na minha, me alucina,
tua voz ao meu ouvido, me arrepia,
ao te ver, sou menino,
ao te beijar, um anjo, eu diria!
Não espero muito de ti,
somente o suficiente...
Te ter todo dia, ser dono de tua mente!
Quero poder acordar e te ver sempre ali,
poder deitar e saber que não vais partir,
sentir o teu abraço sempre que puder,
e provar o teu beijo, sempre que quiser!
Quero apenas sair por aí, sem destino,
e fazer de tua companhia,
o meu único caminho!
Quero segurar a tua mão, quando eu tiver medo,
olhar nos teus olhos, quando eu tiver inseguro,
guardar em ti, o meu maior segredo,
e me inspirar em tua beleza, quando quiser ser puro...
Quero beijar a tua boca,
cair no teu abraço,
contigo me sinto louco,
loucuras por ti faço!
Quero sempre dizer que te amo,
não como você se convenceu,
eu te amo muito mais que o muito,
eu te amo mais do que eu...
Minha vida sem você, não é um existir,
é um durar, apenas...
ainda que não esteja junto de ti,
creio que ainda assim, você me tenha...
És minha dona, és minha conselheira,
és a única pessoa com quem sonho o tempo inteiro!
~~ANJO ARREBATADOR~~

Travessia


Nem todo fim
é uma perda.


Alguns
são portas
que aprenderam
a se abrir
para dentro.


Há despedidas
que não levam.
Devolvem.


Devolvem
o nome esquecido,
a face verdadeira,
a coragem
de habitar
a própria vida.


O fim
não apaga.


Transfigura.


Como a semente
que desaparece
para que exista
a árvore.


Como o inverno
que não anuncia
a morte,
mas a paciência
das flores.


É preciso
deixar de ser
para continuar
existindo.


Porque a vida
não nos salva
do fim.


Ela faz dele
uma ponte.


E toda ponte
é feita
para ser atravessada.
No outro lado,
não espera
alguém diferente.


Espera
alguém
que finalmente
teve coragem
de nascer
outra vez.

A mulher que nunca foi amada


Ela aprendeu a se vestir de silêncio,
a sorrir sem pedir colo ao mundo.
Guardou o coração como quem guarda uma carta que nunca teve endereço, e mesmo assim continuou acreditando que o amor saberia chegar.


Nos olhos, mora um pedido antigo,
desses que não fazem barulho.
Ela ama com cuidado, ama inteiro,
mas sempre por dentro,
como quem tem medo de quebrar o pouco que restou de esperança.


Um dia, alguém vai enxergar
o amor que ela sempre foi.
E quando isso acontecer,
não será sobre salvar
— será sobre reconhecer
que até quem nunca foi
amada sempre soube amar.

zelo verde.

Existem pessoas que a gente aprende a guardar sem nunca ter assinado esse compromisso. Não existe promessa, não existe cerimônia, ninguém entrega nada nas nossas mãos dizendo “agora é sua responsabilidade”. Acontece antes. Num olhar pequeno demais para entender o mundo, num par de olhos verdes que ainda não conheciam a crueldade das coisas, e de repente alguma parte da gente decide que aquilo precisa chegar inteiro até a vida adulta.

Foi assim.

Antes de saber o que era proteger alguém, eu já queria protegê-la.

Talvez porque eu tenha visto cedo demais que nem todo lugar chamado de casa sabe ser abrigo. Enquanto algumas crianças aprendiam que os adultos eram aqueles que resolviam as coisas, ali se aprendia o contrário. Aprendia-se a reconhecer o peso de uma discussão pelo jeito que o silêncio vinha depois. A perceber quando alguma coisa estava errada antes mesmo de alguém dizer. A amadurecer não porque queria, mas porque certas coisas não deixam escolha.

E ela amadureceu cedo.

Talvez cedo demais.

Carregou coisas que não deveriam caber em alguém tão nova e, ainda assim, conseguiu conservar uma das coisas mais bonitas que alguém pode conservar depois de conhecer o lado difícil da vida: a doçura.

Isso sempre me impressionou.

Porque seria fácil endurecer. Seria compreensível fechar as portas, perder a delicadeza, deixar o mundo ensinar que sentir demais é uma fraqueza. Mas não foi isso que aconteceu. Ainda existe nela esse jeito doce, essa capacidade de se importar, de amar os animais quase como se eles fossem pequenos pedaços de um mundo que ainda vale a pena, de olhar para quem ama e se entregar de verdade.

E existe esse amor pelos irmãos também.

Talvez ela nem perceba o tamanho que isso tem.

Mas eu percebo.

Eu sempre percebi.

Talvez seja por isso que exista dentro de mim esse instinto quase absurdo de proteção. Tive que aprender a ter olhos de pai sem ser pai, cuidado de mãe sem ser mãe, e aquela vigilância silenciosa de quem sabe que alguma coisa preciosa está atravessando um lugar que nem sempre é gentil.

Eu não podia impedir tudo.

Mas queria.

Queria colocar meu corpo na frente de qualquer coisa que pudesse feri-la. Queria que certas palavras nunca chegassem até ela. Queria que certas noites não existissem. Queria que ela pudesse crescer sem precisar entender tão cedo coisas que ninguém deveria precisar entender cedo.

Só que o mundo não pede licença.

E talvez uma das coisas mais difíceis de assistir seja justamente perceber que alguém que você ama possui suas próprias tempestades.

Existem altas e baixas.

Dias em que tudo parece respirar melhor e dias em que a própria cabeça parece um lugar difícil de morar. Momentos em que aquela doçura aparece com força, em que ela se ilumina pelas pequenas coisas, pelos animais, pelas pessoas que ama, pela própria vontade de continuar sendo quem é. E existem momentos em que tudo parece perder o tamanho certo, em que sentimentos chegam como ondas grandes demais e levam consigo aquilo que parecia estável.

Eu gostaria de poder estar presente em todos.

Mas não posso.

Hoje existe distância.

Goiânia está longe. A vida mudou. Cada um está vivendo seus próprios dias, carregando seus próprios problemas, e eu não consigo mais estar perto de cada silêncio estranho, cada noite difícil, cada momento em que alguma coisa parece sair do lugar.

Mas a preocupação não diminuiu.

Ela só aprendeu a viajar.

Agora ela aparece numa mensagem.

Num “saudade ga”.

Num pensamento que surge do nada no meio do dia.

Na vontade de saber como está, mesmo quando ninguém disse que havia alguma coisa errada.

Porque certas responsabilidades não obedecem a quilômetros.

E talvez seja isso que a distância tenha me ensinado: eu não preciso conseguir salvá-la de tudo para continuar cuidando.

Existem batalhas que ninguém consegue lutar pelo outro. Existem dores que não desaparecem porque alguém ama muito. Existem momentos em que tudo o que eu posso fazer é permanecer disponível, lembrar que existe um lugar para voltar, uma voz que não vai julgar, alguém que não vai transformar uma fase ruim na definição de uma pessoa inteira.

Eu não quero que ela seja reduzida às partes difíceis.

Não quero que as baixas apaguem as altas.

Porque eu conheço a pessoa que existe entre uma tempestade e outra.

Conheço a menina que gosta de animais, que ama os irmãos, que ainda consegue ser doce depois de tudo. Conheço aquela parte que sente muito, talvez até mais do que deveria, mas que justamente por isso consegue oferecer um tipo de carinho que pouca gente sabe oferecer.

E talvez seja isso que eu queira proteger de verdade.

Não uma versão perfeita.

Não uma versão sem remédios, sem crises, sem dias ruins.

Quero proteger a essência.

Aquela capacidade de amar.

Aquela delicadeza que sobreviveu ao caos.

Porque algumas pessoas passam pelo inferno e voltam diferentes.

Ela passou por coisas que poderiam ter feito dela alguém frio, mas ainda existe ternura ali.

E isso, para mim, sempre foi uma vitória.

Às vezes eu volto naquela lembrança antiga. Uma criança pequena, aqueles olhos verdes, sem saber que alguém já tinha decidido silenciosamente que ela seria cuidada.

E talvez ela nunca tenha percebido o tamanho disso.

Tudo bem.

Algumas formas de amor funcionam melhor quando não fazem barulho.

Eu não preciso estar ao lado o tempo inteiro para continuar sendo abrigo. Não preciso aparecer em todas as fases para continuar fazendo parte daquilo que permanece. Existe uma parte de mim que continua em vigília, mesmo de longe, mesmo quando estou ocupado, mesmo quando tenho meus próprios demônios batendo na porta.

Porque existe coisa que a gente não abandona só porque cresceu.

Existe coisa que a gente não deixa de guardar só porque aprendeu que não pode controlar o mundo.

E talvez esse seja o verdadeiro espírito de quem nasceu primeiro: carregar uma espécie de radar permanente para aquilo que ama. Querer enfrentar monstros que nem existem ainda. Imaginar perigos antes deles aparecerem. E, mesmo sabendo que não pode impedir todas as quedas, continuar disposto a correr quando ouvir o barulho de alguma coisa quebrando.

Eu não posso blindá-la do mundo.

Ninguém pode.

Mas posso ser uma das poucas coisas que o mundo nunca precisará ensinar a ela:

que existe amor que não depende de distância, de fase, de humor ou de circunstância.

Amor que observa de longe.

Amor que espera.

Amor que não exige nada.

Amor que sabe que existem altas e baixas, dias claros e dias em que tudo pesa, e ainda assim permanece.

Porque, no fim, proteger alguém talvez nunca tenha sido impedir que a vida a machuque.

Talvez tenha sido apenas garantir que, depois de tudo, ela ainda tenha alguém olhando para aqueles olhos verdes e enxergando muito mais do que as cicatrizes.

Enxergando a doçura.

A força.

A menina que amadureceu cedo demais.

A pessoa que ama os animais, que ama os irmãos, que sente o mundo de um jeito próprio e que, apesar de tudo, continua aqui.

E talvez seja por isso que, mesmo de tão longe, uma parte de mim ainda permaneça exatamente onde sempre esteve:

de guarda

"No futuro, a educação terá como objetivo aprender a arte do filtro. Já não fará falta ensinar onde fica Katmandu ou quem foi o primeiro rei da França, porque isso se encontrará em toda parte. Por outro lado, terá que se pedir aos estudantes que analisem quinze sites para determinar qual é para eles o mais confiável. Haverá que lhes ensinar a técnica da comparação"