Textos que Falam sobre Mim

Cerca de 16147 textos que Falam sobre Mim

⁠VOE COMIGO

Não consigo voar por mim mesmo, não fui agraciado com tal dom, mas é no mínimo curioso, o poder de voou, quando me permiti transcender minha próprio ignorância, e em silencio prestar atenção à vida.

Nisso, uma corujinha tyto se apresenta nos céus entre ás estrelas, seu voou, ninguém escuta, quem pode ver-la? seu canto é puro e poderoso como a fúria de um trovão. Branca como a neve, imagino seus olhos, castanhos avermelhados.

Logo atrás seu parceiro, juntos completam a dança nos céus, e por notar minha atenção, inclina sua cabeça e olha diretamente para mim, quase como que dizendo... "voe comigo".

Inserida por Pablo_Flores

⁠Assumir


E eu falei a mim mesmo, eu sou mau, com verdade!
Sou mau de todo, eu assumo com sinceridade!...
O que há em mim de bom? Diga isso meu ser, então!
Eis que faço o mal, com os meus membros em ação!

Penso mal de meu próximo, quando sou pior do que ele.
Não reparto com os pobres, os meus bens que tenho!...
Digo no meu coração, sou mais santo do que aquele!
Faço o mal, mas ninguém me vê, nisso me empenho!

Confio nas minhas ações, que acho que me justificam,
E digo bem alto, vede como eu sou tão bom, nas obras!
E ainda tenho o desplante de ir à presença de Deus!...

Mas não passo de um hipócrita, sim admitirei, oiçam!
Eu sou o hipócrita de lindas e belas sempre trovas!
Mas hoje disse: Ajuda-me Deus com ensinos teus!

Inserida por Helder-DUARTE

⁠Sempre digo pra mim mesmo
que não é fácil ter setenta anos anos
meus documentos não dizem que eu tenho setenta anos...
mas quando eu tinha trinta eu já imaginava isso,
as lembranças pesam, as saudades machucam,
acho que já tenho oitenta; olhando adolescentes de hoje
penso que já nasci adulto, eu não fazia muito barulho,
eu não achava tudo engraçado, eu me encantava com as manhãs,
com o céu azul e as colinas, eu gostava de pensar,
não nas coisas que os adultos de hoje pensam,
talvez eu não seja normal, penso que já tenho cinco séculos...
quem normal pensaria que é eterno, quem normal pensaria que é Deus

Inserida por tadeumemoria

"Estou descansando nas promessas que Deus fez pra mim. Mesmo que muitas lutas e provações venham atravessar meu caminho. Não temerei.
Minha maior riqueza é estar cheia da Tua presença Senhor. É nela que recebo cada dia mais minha fortaleza, é nela que recebo a certeza de que está luta já sou mais que vencedora. Porque a entrega desta conquista não depende de homens e sim da sua misericórdia, graça e amor incondicional por mim. Toda honra e toda glória seja dada a ti o Pai. Te amo e te louvo para todo sempre eternamente serei tua serva a tua filha amada. Amém."

—By Coelhinha

Inserida por ByCoelhinha

⁠O oceano do teu amor
mora gigante em mim
mesmo que no instante
da maré inconstante
e deste desafio gigante.

Não existem correntes
do oceano para quem
nasceu peixe travesso,
e filha da Rainha do Mar
que sabe como nadar.

Manjar, canjica, uvas,
espumante, velas,
flores brancas e uma
cesta de oferendas
não tenho como ofertar.

Como quem pula
a terceira onda a poesia
oferto para a Sereia
tomar conta e a magia
da paixão nos aproximar.

Peço para nós um lugar
bonito no coração de Oyá
aonde quer que a gente vá,
que o destino seja gentil
e ajude o amor nos encontrar.

Inserida por anna_flavia_schmitt

"" A esmo
sobre mim mesmo
escrevo
e desse que tão pouco sei
mas hei
de ainda contar uma bela história
nas brancas folhas que encontro no caminho
o que serei?
talvez um menino levado
ou um senhor de barbas brancas
e cabelo pintado
poderei ser o que quiser
a caneta está em minhas mãos
se vou errar ou acertar
não sei
mas o fato que minha vida
será atrevida
e no final terá sido eu
que a desenhei...""

Inserida por OscarKlemz

ODEIO ESTE TEXTO

(...)Eu odeio que encostem o cotovelo, a bunda ou uma cerveja molhada em mim enquanto eu tento encontrar um espaço para dançar. Eu odeio que encostem em mim, odeio a pele de um desconhecido indesejado.
(...)Odeio homens que olham para bundas como se admirassem uma carne pendurada no açougue e odeio mais ainda quando fazem bico e aquele sim com a cabeça, tipo "concordo com o mundo que ela é muito gostosa". E se ele fizer aquela chupada pra dentro do tipo "hmmmmm delícia" já é algo que ultrapassa os limites do meu ódio.
(...)Odeio mau hálito e mais ainda o fato de que justamente as pessoas podres são aquelas que falam mais baixo e nos obrigam a ter que chegar perto. Eu odeio machismo, submissão e mais do que tudo isso ter que ser forte o tempo todo e não ter um ombro másculo para chorar até minha última gota desamparada.
(...)Odeio pessoas muito oleosas, muito peludas, muito suadas e acima de tudo meninas que cheiram a lavandas e gostam de adesivos de ursinho.
(...)Odeio quem comemora porque passou numa faculdade que meu primo de 8 anos passaria e quem diz "peguei a mina".
(...)Odeio os Estados Unidos mas odeio muito mais o fato de a gente ter sangue europeu mas ficar imitando esses estúpidos, que também têm sangue europeu mas são estúpidos por herança criada. Odeio a frase "eu vou no super, comprar umas cervas para o churras".
(...)Odeio quem passa o dia no shopping com a família, churrascaria com aquele desfile de bichinhos mortos, principalmente porque você está lá tranqüilamente comendo e vem alguém com um espeto (que é grosseiramente imposto ao seu lado), te espirra sangue, fala um nome idiota e você nunca sabe exatamente de que parte se trata.
(...)Odeio quem casa virgem, odeio quem chega em casa depois de uns malhos no carro e enfia o dedo no meio das pernas porque tava louca para dar mas "ele ia me achar muito fácil". Mas eu também odeio mulher que sai dando pra meio mundo e perde o mistério. Sei lá, essa coisa toda de dar vai ser sempre uma dúvida.
(...)Odeio meninas caçadoras de homens ricos mas odeio sair com um cara que está tentando começar um relacionamento e ter que rachar a conta, seria mais simpático me deixar pagar a conta toda. Rachar é péssimo.
(...)Dividir banheiro, pêlo alheio em sabonete, acordar cedo e meninas adolescentes peruas com voz de pato.
(...)Quando eu era criança sonhava todas as noites que arrancava os olhos de todo mundo e só eu podia enxergar o quanto era feio eu ser como sou.

Terça-Feira Gorda

De repente ele começou a sambar bonito e veio vindo para mim. Me olhava nos olhos quase sorrindo, uma ruga tensa entre as sobrancelhas, pedindo confirmação. Confirmei, quase sorrindo também, a boca gosmenta de tanta cerveja morna, vodca com coca-cola, uísque nacional, gostos que eu nem identificava mais, passando de mão em mão dentro dos copos de plástico. Usava uma tanga vermelha e branca, Xangô, pensei, Iansã com purpurina na cara, Oxaguiã segurando a espada no braço levantado, Ogum Beira-Mar sambando bonito e bandido. Um movimento que descia feito onda dos quadris pelas coxas, até os pés, ondulado, então olhava para baixo e o movimento subia outra vez, onda ao contrário, voltando pela cintura até os ombros. Era então que sacudia a cabeça olhando para mim, cada vez mais perto.

Eu estava todo suado. Todos estavam suados, mas eu não via mais ninguém além dele. Eu já o tinha visto antes, não ali. Fazia tempo, não sabia onde. Eu tinha andado por muitos lugares. Ele tinha um jeito de quem também tinha andado por muitos lugares. Num desses lugares, quem sabe. Aqui, ali. Mas não lembraríamos antes de falar, talvez também nem depois. Só que não havia palavras. havia o movimento, a dança, o suor, os corpos meu e dele se aproximando mornos, sem querer mais nada além daquele chegar cada vez mais perto.

Na minha frente, ficamos nos olhando. Eu também dançava agora, acompanhando o movimento dele. Assim: quadris, coxas, pés, onda que desce, olhar para baixo, voltando pela cintura até os ombros, onda que sobe, então sacudir os cabelos molhados, levantar a cabeça e encarar sorrindo. Ele encostou o peito suado no meu. Tínhamos pêlos, os dois. Os pêlos molhados se misturavam. Ele estendeu a mão aberta, passou no meu rosto, falou qualquer coisa. O quê, perguntei. Você é gostoso, ele disse. E não parecia bicha nem nada: apenas um corpo que por acaso era de homem gostando de outro corpo, o meu, que por acaso era de homem também. Eu estendi a mão aberta, passei no rosto dele, falei qualquer coisa. O quê, perguntou. Você é gostoso, eu disse. Eu era apenas um corpo que por acaso era de homem gostando de outro corpo, o dele, que por acaso era de homem também.

Eu queria aquele corpo de homem sambando suado bonito ali na minha frente. Quero você, ele disse. Eu disse quero você também. Mas quero agora já neste instante imediato, ele disse e eu repeti quase ao mesmo tempo também, também eu quero. Sorriu mais largo, uns dentes claros. Passou a mão pela minha barriga. Passei a mão pela barriga dele. Apertou, apertamos. As nossas carnes duras tinham pêlos na superfície e músculos sob as peles morenas de sol. Ai-ai, alguém falou em falsete, olha as loucas, e foi embora. Em volta, olhavam.

Entreaberta, a boca dele veio se aproximando da minha. Parecia um figo maduro quando a gente faz com a ponta da faca uma cruz na extremidade mais redonda e rasga devagar a polpa, revelando o interior rosado cheio de grãos. Você sabia, eu falei, que o figo não é uma fruta mas uma flor que abre pra dentro. O quê, ele gritou. O figo, repeti, o figo é uma flor. Mas não tinha importância. Ele enfiou a mão dentro da sunga, tirou duas bolinhas num envelope metálico. Tomou uma e me estendeu a outra. Não, eu disse, eu quero minha lucidez de qualquer jeito. Mas estava completamente louco. E queria, como queria aquela bolinha química quente vinda direto do meio dos pentelhos dele. Estendi a língua, engoli. Nos empurravam em volta, tentei protegê-lo com meu corpo, mas ai-ai repetiam empurrando, olha as loucas, vamos embora daqui, ele disse. E fomos saindo colados pelo meio do salão, a purpurina da cara dele cintilando no meio dos gritos.

Veados, a gente ainda ouviu, recebendo na cara o vento frio do mar. A música era só um tumtumtum de pés e tambores batendo. Eu olhei para cima e mostrei olha lá as Plêiades, só o que eu sabia ver, que nem raquete de tênis suspensa no céu. Você vai pegar um resfriado, ele falou com a mão no meu ombro. Foi então que percebi que não usávamos máscara. Lembrei que tinha lido em algum lugar que a dor é a única emoção que não usa máscara. Não sentíamos dor, mas aquela emoção daquela hora ali sobre nós, eu nem sei se era alegria, também não usava máscara. Então pensei devagar que era proibido ou perigoso não usar máscara, ainda mais no Carnaval.

A mão dele apertou meu ombro. Minha mão apertou a cintura dele. sentado na areia, ele tirou da sunga mágica um pequeno envelope, um espelho redondo, uma gilette. Bateu quatro carreiras, cheirou duas, me estendeu a nota enroladinha de cem. Cheirei fundo, uma em cada narina. Lambeu o vidro, molhei as gengivas. Joga o espelho no mar pra Iemanjá, me disse. O espelho brilhou rodando no ar, e enquanto acompanhava o vôo fiquei com medo de olhar outra vez para ele. Porque se você pisca, quando torna a abrir os olhos o lindo pode ficar feio. Ou vice-versa. Olha pra mim, ele pediu. E eu olhei.

Brilhávamos, os dois, nos olhando sobre a areia. Te conheço de algum lugar, cara, ele disse, mas acho que é da minha cabeça mesmo. Não tem importância, eu falei. Ele falou não fale, depois me abraçou forte. Bem de perto, olhei a cara dele, que olhada assim não era bonita nem feia: de poros e pêlos, uma cara de verdade olhando bem de perto a cara de verdade que era a minha. A língua dele lambeu meu pescoço, minha língua entrou na orelha dele, depois se misturaram molhadas. Feito dois figos maduros apertados um contra o outro, as sementes vermelhas chocando-se com um ruído de dente contra dente.

Tiramos as roupas um do outro, depois rolamos na areia. Não vou perguntar teu nome, nem tua idade, teu telefone, teu signo ou endereço, ele disse. O mamilo duro dele na minha boca, a cabeça dura do meu pau dentro da mão dele. O que você mentir eu acredito, eu disse, que nem na marcha antiga de Carnaval. A gente foi rolando até onde as ondas quebravam para que a água lavasse e levasse o suor e a areia e a purpurina dos nossos corpos. A gente se apertou um conta o outro. A gente queria ficar apertado assim porque nos completávamos desse jeito, o corpo de um sendo a metade perdida do corpo do outro. Tão simples, tão clássico. A gente se afastou um pouco, só para ver melhor como eram bonitos nossos corpos nus de homens estendidos um ao lado do outro, iluminados pela fosforescência das ondas do mar. Plâncton, ele disse, é um bicho que brilha quando faz amor.

E brilhamos.

Mas vieram vindo, então, e eram muitos. Foge, gritei, estendendo o braço. Minha mão agarrou um espaço vazio. O pontapé nas costas fez com que me levantasse. Ele ficou no chão. Estavam todos em volta. Ai-ai, gritavam, olha as loucas. Olhando para baixo, vi os olhos dele muito abertos e sem nenhuma culpa entre as outras caras dos homens. A boca molhada afundando no meio duma massa escura, o brilho de um dente caído na areia. Quis tomá-lo pela mão, protegê-lo com meu corpo, mas sem querer estava sozinho e nu correndo pela areia molhada, os outros todos em volta, muito próximos.

Fechando os olhos então, como um filme contra as pálpebras, eu conseguia ver três imagens se sobrepondo. Primeiro o corpo suado dele, sambando, vindo em minha direção. Depois as Plêiades, feito uma raquete de tênis suspensa no céu lá em cima. E finalmente a queda lenta de um figo muito maduro, até esborrachar-se contra o chão em mil pedaços sangrentos.

Caio Fernando Abreu
Morangos Mofados

Nossa, mano, você realmente tem alguma ideia do quanto é importante para mim? Mano, tipo, você me alegra, me motiva, me inspira. Você me faz bem mano. Nunca vou me esquecer de você. Olha, ultimamente vc tem sido minha melhor amiga, vc é aquela que está sempre lá quando eu preciso, se eu cair, vc me levanta, e se vc cair eu vou te levantar. Vou te dar sempre vários conselhos, vc poderá desabafar comigo sempre... Cara, vc é a melhor pessoa que eu conheci esse ano, obrigado de coração! Vc é demais, mano, tamo junto até o fim...

Hoje é um dia preto e branco, um dia que tudo vai errado, o creme dental acabou e perdi o ônibus das 6 horas, agora está chovendo. As ruas esburacadas se enchem de água,os carros passam e me molham. Dia daqueles, meu guarda chuva nem abre. Esses dias nublados, nublado igual meu coração. Me sinto frustada, estou presa dentro de mim e aqui faz frio. Frio demais, sinto um nó nas tripas e um arrepio na espinha. Meu peito dói, tenho pensamentos acelerados, mas os passos lentos. Alguém pode me ajudar?! Estou morrendo, sinto-me como um náufrago perdido em mar aberto, que qualquer minuto virará comida de tubarão ou será para sempre levado pelas ondas do mar.

Busco o que há de verdadeiro dentro de mim. Muitas vezes escondido onde nem sei como encontrar. Está em algum cantinho, na alma, no coração, esperando os momentos certos para aparecerem e me apresentarem do jeito verdadeiro que sou. Transformações são necessárias, fases da vida, adaptações. As máscaras sempre caem, as aparências sempre enganam, até mesmo as nossas. Nem tão bobos, nem tão sérios, nem tão santos. Metamorfose. Somos o que precisamos ser em cada situação. Se mais emoção ou se mais razão, quem define, definitivamente, é você.

Eu estou cansado. Cansado de fingir, fingir que está tudo bem, fingir que estou feliz, fingir que o mundo é um sonho, sonho colorido, lindo, sem defeitos. As pessoas olham pra mim e vêem apenas alegria. Sabe por que elas vêem só isso? Porque é isso que eu demonstro, mas se elas olhassem no fundo dos meus olhos veriam o que eu sinto. Um tal de Alexander Lowen diz que " Os olhos são o espelho da alma." Se alguém olhasse nos meus olhos enquanto eu estampo um sorriso falso na cara, veriam o reflexo triste, e solitário. Escondido atrás daquele sorriso, mas ninguém faz isso. A minha frase é daquela cantora, que estava a frente do seu tempo. Maysa o nome dela! E a frase? A frase é essa "Sinto em mim vazio profundo, desamor pelo mundo, sinto falta de mim." Lendo está frase eu sei que mais alguém sente o mesmo que eu. Maysa sentia o mesmo que eu sinto, ou melhor, eu sinto o mesmo que Maysa sentia, eu a entendo.

Sonhos, nossa sonhos, eu os tenho, mais as vezes dá vontade de desistir e deixar que a solidão me tome, mais me vem a esperança que Deus sempre me dá, e me dá a sensação que ele é o único que se importa comigo.Só ele me ouve nas caladas da noite e é o único que me entende mesmo que não consiga me responder no momento, ele me mostra no dia seguinte que eu não estou sozinha e que ele me ama muito. Nossa! Eu quero conquistar meus sonhos, mais todos riem de mim, será que virei palhaço ou eu me deixo abater muito fácil, há! tem algumas pessoas que acreditam e que me fazem confiar e não desistir, mais e as condições? aff vou dar um jeito, vou trabalhar e conseguir ser feliz, não só me ajudando mais ajudando outras pessoas, sem egoísmo, sem ser carente eu irei ser reconhecida e vou ajudar de qualquer forma com roupa, comida, carinho, amor, elogios, ou até mesmo com um simples sorriso cansado de Bom Dia. Eu irei conhecer a garota que Deus colocou no meu caminho para que eu pudesse acreditar em mim mesma, vou querer ser amiga dela, cantar uma música com ela, tirar uma foto, pedir um autografo, e dizer à ela que não foi fácil pra mim mais eu consegui, superar meus medos e desafios durante meu trajeto, vou ser celebridade e alcançar o céu, fazer besteira e acordar com gritos na janela, mais não serão gritos da minha vizinha brigando com filho dela, mais sim o grito dos meus fans que me amam muito e que através de mim conseguiram sorrir. Muitas vezes pensei em me cortar pra ver se passava a dor, mais aquela dor dos cortes que eu iria sentir não me ajudaria, e através da escrita eu tô conseguindo desabafar, tá sendo tão bom, não ter que me deixar levar pelo choro que eu tenho vontade de compor e fazer trilha sonora da minha vida sozinha e traumática. Eu sei que não sou a única a sofrer, mais eu penso que fazer os outros sofrer é bom, me deixa aliviada e me faz acreditar que eu sou satisfeita com minhas reações diante da perda da felicidade, mais eu talvez devesse sofrer sozinha e não fazer outros sofrerem como se eu fosse má, como se eu fosse chata, mais não é isso eu apenas me importo com meu coração e ele já sofreu demais, por favor consciência não me faz pensar assim, me faz mudar e me faz ver minhas dificuldades de outro modo, por favor, faz pelo menos isso pra mim, eu prometo que se eu me sentir bem não vou mais atrapalhar ninguém vou deixá-los viver suas vidas e vou viver minha solidão, por favor, só isso? faz por mim? mesmo que eu não mereça. Beijos de uma menina muito egoísta.

Tenho em mim uma imensidão de pensamentos, vou deixar aqui registrado um por um. Só aqui posso desabafar, só aqui posso ser quem realmente sou. Aqui ninguém vai apontar meus defeitos e minhas fraquezas, posso dizer tudo aquilo que sempre quis dizer. Posso contar meus sonhos, planos e deslizes. Aqui ninguém vai estar rindo da minha cara e nem dizer que sou bizarra. Aqui posso ser eu mesma sem cortes e nem retoques, vou deixar registrado tudo o que eu sinto, só assim posso trazer pra perto de mim a felicidade!!!

E a vida sempre reserva novas flores, novos jardins, novos canteiros perfumados, nova primavera dentro de mim. E a vida faz as manhãs com estrelas e noites com sol revitalizante. E a vida, de repente, convida-me a dançar uma valsa coreograficamente inusitada: sem preparo, sem ensaios e sem supor... Assim é o amor!

Não: devagar.
Devagar, porque não sei
Onde quero ir.
Há entre mim e os meus passos
Uma divergência instintiva.
Há entre quem sou e estou
Uma diferença de verbo
Que corresponde à realidade.

Devagar...
Sim, devagar...
Quero pensar no que quer dizer
Este devagar...

Talvez o mundo exterior tenha pressa demais.
Talvez a alma vulgar queira chegar mais cedo.
Talvez a impressão dos momentos seja muito próxima...

Talvez isso tudo...
Mas o que me preocupa é esta palavra devagar...
O que é que tem que ser devagar?
Se calhar é o universo...
A verdade manda Deus que se diga.
Mas ouviu alguém isso a Deus?

I

Que este amor não me cegue nem me siga.
E de mim mesma nunca se aperceba.
Que me exclua do estar sendo perseguida
E do tormento
De só por ele me saber estar sendo.
Que o olhar não se perca nas tulipas
Pois formas tão perfeitas de beleza
Vêm do fulgor das trevas.
E o meu Senhor habita o rutilante escuro
De um suposto de heras em alto muro.

Que este amor só me faça descontente
E farta de fadigas. E de fragilidades tantas
Eu me faça pequena. E diminuta e tenra
Como só soem ser aranhas e formigas.

Que este amor só me veja de partida.

Hilda Hilst
Cantares do Sem Nome e de Partidas

Os meus pensamentos foram-se afastando de mim, mas, chegado a um caminho acolhedor, repilo os tumultuosos pesares e detenho-me, de olhos fechados, enervado num aroma de afastamento que eu próprio fui conservando, na minha pequena luta contra a vida. Só vivi ontem. Ele tem agora essa nudez à espera do que deseja, selo provisório que nos vai envelhecendo sem amor.
Ontem é uma árvore de longas ramagens, e estou estendido à sua sombra, recordando.
De súbito, contemplo, surpreendido, longas caravanas de caminhantes que, chegados como eu a este caminho, com os olhos adormecidos na recordação, entoam canções e recordam. E algo me diz que mudaram para se deter, que falaram para se calar, que abriram os olhos atónitos ante a festa das estrelas para os fechar e recordar...
Estendido neste novo caminho, com os olhos ávidos florescidos de afastamento, procuro em vão interceptar o rio do tempo que tremula sobre as minhas atitudes. Mas a água que consigo recolher fica aprisionada nos tanques ocultos do meu coração em que amanhã terão de se submergir as minhas velhas mãos solitárias...

Hoje eu acordei com sono e sem vontade de acordar
o meu amor foi embora e só deixou pra mim
um bilhetinho todo azul com seus garranchos
Que dizia assim "Chuchu vou me mandar!"
é eu vou pra Bahia (pra bahia) talvez volte qualquer dia
o certo é que eu tô vivendo eu tô tentando Uuu!!!
Nosso amor, foi um engano

Com que inocência demito-me de ser
eu que antes era e me sabia
tão diverso dos outros, tão mim-mesmo,
ser pensante, sentinte e solidário
com outros seres diversos e conscientes
Da sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio, ora vulgar ora bizarro,
em língua nacional ou em qualquer língua
(qualquer, principalmente).
E nisto me comprazo, tiro glória
de minha anulação.