Textos que Falam sobre Mim

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carta aberta para mim

você entra em uma sala como quem procura saídas de emergência.

não porque queira fugir de mim, mas porque alguém fez do amor um incêndio e, desde então, qualquer faísca parece suficiente para reduzir tudo às cinzas.

eu percebo isso na maneira como você demora para acreditar em um elogio, como transforma carinho em coincidência, como espera que eu vá embora mesmo quando acabei de chegar.

quem foi que te ensinou que afeto sempre cobra um preço?

quem foi que fez você acreditar que toda gentileza esconde uma intenção e que toda promessa nasce com prazo de validade?

às vezes eu tenho vontade de pedir que você descanse.

não nos meus braços.

na ideia de que, desta vez, talvez ninguém esteja tentando vencer uma disputa invisível. talvez ninguém queira moldar você até caber nas próprias expectativas. talvez existir ao lado de alguém não precise ser um jogo onde sempre há um perdedor.

você não precisa me amar hoje.

nem amanhã.

eu só queria que, por um instante, você parasse de conversar com o passado como se ele ainda tivesse direito de responder pelo presente.

porque eu não sou as portas que bateram.

não sou as palavras que diminuíram você.

não sou os silêncios usados como castigo.

e seria uma injustiça comigo carregar a culpa por mãos que nunca foram minhas.

é estranho…

às vezes quem mais precisa de amor é justamente quem menos consegue reconhecê-lo quando ele chega. não por falta de coração, mas porque passou tempo demais aprendendo a sobreviver. e quem vive sobrevivendo esquece que carinho não precisa ser uma negociação.

eu não quero convencer você de nada.

o amor que precisa de provas o tempo inteiro acaba se tornando um tribunal.

eu só queria que um dia você olhasse para mim sem esperar a parte em que eu decepciono.

como quem finalmente entende que nem toda história precisa repetir o mesmo final.

e, quando esse dia chegar, talvez a pergunta deixe de ser “quem foi que te machucou?”

e passe a ser:

quem foi o primeiro que fez você acreditar que ainda era possível não se machucar?

Intenções que não me servem pra nada:

Não tenho a intenção de fazer ninguém sofrer por mim, esse ego é muito vazio, cru, não faz sentido, não preciso disso.

Não tenho a intenção de fazer ninguém se arrepender por causa de mim, essa vaidade é superficial, mimada demais, é perder tempo atoa.

Não tenho a intenção de fazer ninguém correr atrás de mim, esse orgulho é muito arrogante, desumilde, fraco.

Não tenho a intenção de fazer ninguém se sentir culpado, tento o máximo não deixar ninguém assim sem querer, esse comportamento é infantil, injusto, egocêntrico.

Não tenho a intenção de deixar ninguém pra baixo, senso de "superioridade" me da vergonha e só demonstra o quão inseguro eu sou.

Não tenho a intenção de prejudicar ninguém, essa intenção só mostra o quão frustrado minha vida é.

Não tenho a intenção de querer ser melhor que ninguém, isso só me torna uma pessoa pior.

Não tenho a intenção de fingir ser o que não sou para agradar alguém, é artificial, pessoas gostar apenas do fingimento e não do que de fato sou.

Não tenho a intenção de me orgulhar com o que eu tenho, não faz sentido eu me orgulhar do que consegui, do que tenho, sendo que alguns não tem, me da vergonha.

Não tenho a intenção de desmerecer o que o outro faz, eu não mereço isso.

Essas intenções não me servem pra absolutamente nada, é só atraso de vida mesmo, atrás de migalhas de ego ferido, é como se eu não estivesse evoluindo direito.

Eu construo.
Eu destruo.
Eu reconstruo.
Porque nada em mim aceita permanecer igual.


Eu construo.
Eu destruo.
Eu reconstruo.
Não por fraqueza — mas porque evolução exige ruína.


Eu construo.
Eu destruo.
E toda vez que algo em mim morre, algo mais forte ocupa o lugar.


Eu me refaço antes que o mundo tente me refazer.


Como aço eu me desfaço, como espada eu renasço.

Ouvir você dizer que o amor havia acabado despertou algo terrível em mim.
Porque, pela primeira vez, eu entendi que te perder era real.
Foi tarde demais para voltar atrás. Tarde demais para desfazer as feridas. Tarde demais para amar você da maneira certa.
E talvez o pior seja saber que eu ouvi isso da pessoa que mais tentou ficar.

Balanço da rede

Diante de mim a rede balança
Nela está o segredo dos dias de verão
Suas madeixas alvas deixam à mostra
Os trabalhos das mulheres rendeiras

O gato sentado observa o balançar da rede
Sendo acariciado pelas mãos de sua dona
Rosna agradecendo as carícias
Com um sorriso nos lábios a dona fica...

É uma tarde de sexta-feira
As nuvens encobrem o sol deixando
O dia nublado e com cara de triste
O gato e dona adormecem...

Há um amor

Há um amor dentro de mim
Dentro de mim há um amor
Ele grita querendo sair
Eu o alimento para não morrer

As cortinas do tempo abriram-se
E o palco da vida se iluminou
Transformando o espaço
Em um grande cenário mágico.

Fechei os olhos para te imaginar
E trazer-te para junto de mim;
Vieste, trouxeste teu sorriso maroto.
Meu coração dedicou-te todo meu sentimento.

A bruma da manhã divide seu aroma,
A cortina se fecha guarnecendo a cena
Deste amor que guardei
Esperando-te chegar.

Olho para o mundo e tenho medo dele. Acho que no fundo tenho medo da felicidade ou ela de mim. Sempre que estou muito feliz fico desconfiada. Desconfio secretamente e vou-me afastando para que ela não acabe por si só. Prefiro eu correr dela, assim não corro o risco da felicidade me deixar.

Fico em silêncio por um longo tempo e procuro saber o valor dele. Há tantas coisas que eu queria escrever, mas, não posso. As palavras me deixam com medo, por isso fico calada. Há tantas coisas que nunca escrevi e que morrerão comigo. Este silêncio é a minha garantia. Dentro dele está o meu EU gritante.

Quero explodir para que as palavras se libertem. Seria uma loucura as palavras soltas por aí. Ninguém entenderia nada, porque elas se misturariam. Às vezes quero a verdade outras vezes o oposto dela me alimenta. O cotidiano me mata de tédio, por isso me reservo e escrevo.

A vida é tão passageira! É como um sopro. Sopramos e ela se vai. Não entendemos nada da vida e isso me deixa angustiada. Pensar que a vida é um sopro, logo vem à minha mente uma bolha de sabão solta no ar. Tocamos nela e ela explode.

Ficam no ar apenas pedacinhos que vão se desintegrando um a um. Assim imagino o sopro da vida. Uma película muito fina, quase invisível, transparente, brilhante com multicores como se fosse um arco-íris. Duram apenas alguns segundos e explodem.

São os segundos mais belos que nossos olhos já fotografaram e guardaram na gaveta do tempo. Assim é o sopro da vida. Simples, intenso e belo. Se deixarmos passar em branco ele se vai sem deixar nenhum vestígio.

A Voz interna


Há dentro de mim uma voz que me chama sem cessar. Essa voz tem o poder de me tirar do eixo e me deixar fora de mim. Tento me conectar a ela e entender o que está acontecendo. Tento reorganizar minha vida. Tento interiorizar tudo que me atormenta.


Tento eleger um guia para me ajudar a caminhar sem me perder no meio do caminho; tento compreender essa voz e negociar com ela. Sentar em um lugar tranquilo e perguntar o que ela quer de mim.


Esta pressão é uma loucura. São tantas provocações, tantas buscas para entender todo o processo. Sei que algo está confuso, mas é difícil olhar para dentro. Quero ser alguém sem fantasmas. Alguém menos complexa. Ter o poder de comandar a própria vida sem que essa voz interfira.


As idas e vindas são um mistério. Todos os dias tem novidades. Há algo que pressiona minha cabeça de tal forma que, por instantes, penso que a morte chegou para me buscar. Quero muito entender esse emaranhado que mais parecem fios e mais fios – como aqueles que vemos nos postes de ruas: olhamos e não conseguimos compreender como funcionam.


Todos os dias, antes de entrar em casa, deixo para trás tudo o que pesa. Tiro os calçados, as roupas, e me banho de paz e harmonia. Depois do banho, visto roupas leves e, com os pés descalços, caminho pelo jardim. Observo os verdes vales naturais formados entre as montanhas e me delicio com tanta beleza.


Diante de tudo isso, fico mais calma. Parece-me que a voz se afasta – ou talvez tenha se cansado de mim. É somente com a mente vazia que consigo me libertar e seguir em frente.


Quando me entrego de alma e espirito, limpo a mente e faço a voz se calar. Ela sai de dentro de mim, e eu me sinto leve. Consigo enxergar além da carne. Consigo entender muitas coisas e caminhar pelos verdes vales apenas sentindo o aroma do fim de tarde.


Rita Padoin

A minha verdade


Enquanto houver verdade,
haverá em mim
um grito que não se cala.


Pois aqui habita
uma sabedoria única,
um sentimento inigualável.


Onde a destreza
provoca incertezas
e busca, no íntimo, a soberba.


O que se quer
é o que se vê,
não se inventa.


Apenas se compreende,
de certa maneira,
e não se explica.


A vida insiste
e, por ora,
é o que chega.


Nem há busca,
nem desespero;
por vezes, apenas exagero.


Ou talvez, esperança,
o que causa anseio.
E, no momento, é o que vejo.


Busco prazer
na simplicidade do acaso,
no milagre do amanhecer.


Em cada história
eu me encontro,
mas no amor, eu me perco.


Novamente,
como matemática básica,
não tem erro.


Essa sou eu:
não guardo segredos,
sou sempre do mesmo jeito.

Em Seus Braços


Deve haver um lugar para mim
que seja como em seus braços,
onde eu consiga ficar em paz.


Que seja parecido com você,
onde o silêncio me abrace
e eu não precise me perder.


Um lugar quentinho,
como o seu abraço,
onde os meus sonhos se acalmem
e o meu coração se sinta em casa.


Um canto quente e protegido
feito o teu aconchego,
onde os sonhos fazem ninho
e o amor vence o medo.


Deve haver um lugar pra mim
com cheiro do teu abraço,
onde o tempo anda devagar
e o silêncio não é cansaço.


Um canto manso pra deitar
os medos que eu não digo,
onde o sonho aprende a ficar
e a saudade dorme comigo.


Deve existir esse lugar,
mesmo longe do teu olhar,
onde o meu peito faz morada
até você voltar.


Se for preciso, eu vou
por caminhos sem direção,
só pra encontrar o calor
que acalma o meu coração.


Deve existir, sim, esse lugar
em algum canto, mesmo distante,
para que eu permaneça
até que eu te reencontre.

Só não fuja de mim...


Quando eu me aproximar,
depois de criar coragem
e falar do nada,
mesmo sem sentido algum...


Não precisa me responder.
Pode fingir que não me ouviu,
pode se calar
para não me magoar...
Com palavras
não pensadas,
ditas da boca para fora,
jamais do coração,
que saem como defesa.


Defende-se de um sentimento
que é cura,
não tormento.


Pode ficar quieto, parado,
e até me ignorar,
mesmo que eu não saiba o porquê:
se é amor, desejo ou desprezo...


Já não me importa tanto.
Posso até me enganar,
sem conhecer o real motivo.


Apenas fique.
E não fuja de mim!

Adeus-

Adeus, cá estou esperando
Venha aqui se despedir de mim
Eu estou tão saturado...
Olhe nos meus olhos, me impeça
Estou partindo agora
Se eu tenho certeza?
Juro que não pirei da cabeça

Adeus, o tempo parou perante nós
Até a lua se foi
deixando nós a sós
Me abrace forte, me conforta
Já vou indo para fora
Tu tem certeza?
De que não sente nada...?

Adeus, já estou longe agora
O dia está tão bonito lá fora
Me encontro além do mundo
Queria estar do teu lado
Mesmo que o mundo seja imundo
Se eu tive certeza?
É... talvez eu tenha pirado da cabeça

As pessoas olham para mim e pensam:
"Como ela é esperta e bonita."
Ajuda a mãe e é uma excelente filha,
é um poço de simpatia infinita.


E, quando perguntam como eu estou,
eu digo: "Bem."
Mas, na verdade, estou destruída,
pois a verdade eles não sabem.


Há tanto tempo sinto falta de mim.
Será que sei onde foi parar essa parte?
Acho que a deixei para trás,
junto das minhas obras de arte.


A única pessoa que sabe como estou
é minha melhor amiga.
Ela diz: "Marca uma psicóloga logo."
Eu sei que ela não quer me perder,
então finjo que estou bem de novo.

Querida solidão, por que não vai embora?
E leva contigo todo o mal que trouxe para mim
Desde muito nova, sempre fui acompanhada por ti.
Não sabia quem era você, por isso te acolhi.


Querida solidão, por que você é assim?
Seu coração é frio como o gelo,
Sua cabeça dura como uma pedra,
Mas você é como um grude em mim.
Mesmo rodeada de amigos, ainda sinto sua presença.


Querida solidão, por que escolheu a mim?
Sempre fui alegre e extrovertida,
Simpática com todos ao meu redor.
Mas, por tua causa,
Tornei-me mais fria e me isolei do mundo.


Querida solidão, por que faz isso comigo?
Nunca te fiz mal, nunca te tratei mal,
Mas você me faz sofrer.
Sempre que estou alegre, você chega,
E quando vai embora, eu me sinto ainda mais só.


Querida solidão, por favor, vá embora.
Não aguento mais você em minha vida.
Quero que tudo isso, toda essa dor, vá embora.
Porque, se você não for embora, eu é quem vou.

No labirinto do amor, encontrei em mim alento.
Fulgor que incendeou meu ser,
Tu és minha aurora, o pulsar de minha alma!
Doravante, não me deixes desacompanhado jamais.


Vejo-me envolto em júbilo,
Naquela noite de luar, rendi-me ao teu olhar.
Foi por ti que descobri que o amor é estonteante.
Inefável és tu, que fazes de mim um ser íntegro.
Doravante, não me deixes desacompanhado jamais.


— Kaiane Macedo

Ponderação Pessoal:
Para mim, o esplendor de Deus reflete nos horizontes neste solstício de verão de 21 de junho de 2026 às 18:00 horas.


O sol deixou seu emblema e sua insígnia com um poder inimaginável ao colorir o seu céu...


Ele indica o dia mais lacônico, ao representar a vida humana tão efêmera, com rápida utilização de nosso "kairós" existencial...


Essa convicção profunda do homem venerável traça sua existência como quem já antecipa sua intemporal felicidade...!


O mundo das ilusões irá impedir sua intrepidez, ao vencer o seu próprio eu hostil inimigo...


O que resta então?
Cada ser humano já tem a sua própria resposta...!

Gordinha..
Ela feita de gostosura
absoluta e senhora de mim!
Não aceita criticas,
Conceitos tolos
Ou qualquer outra coisa assim!
Não nasceu pra ser rotulada, Muito menos pra te agradar!
Não ta nem aí pra quem fizer cara feia
Ou querer questiona la!
Fora das medidas
estão as pessoas mesquinhas
que nasceram pra criticar! E nada vai me derrubar!
Ela é gordinha sim,
Aprendeu a conviver bem com isso.
Afinal, não tem pacto com a magreza
E com a fome, nenhum compromisso!
Além do mais, A sua auto-estima vai além da balança!
Seu poder de sedução não está no seu peso
Mas na sua confiança!
E se querem saber,
Quem a julga é quem se incomoda com ela!
Ocupa-se de seu tempo a critica-la A cuidar do próprio umbigo!
Ela se ama da cabeça aos pés
É inevitável que ela cause rebuliço!
E se acaso morrer de amores por ela,
Não foi por falta de aviso!

​O Vento e a Coragem


​Eu busco em mim palavras de incentivo,
Aquelas que me fazem refletir.
Anseio por um passo decisivo,
Só falta a coragem para ir.
​Recomeçar comigo, lado a lado,
Deixar para trás o que já não me traz bem.
O coração, por vezes machucado,
Já tentou tanto ser feliz com alguém.
​Fecho os olhos, me vejo num lugar alto,
O vento no rosto, a bela paisagem...
O pensamento livre, num sobressalto,
Encontrando na paz a minha coragem.
​Talvez o meu destino seja este,
Sem a cobrança de um amor perfeito.
E se você me entende e reconhece,
A paz que busco já mora no meu peito.

📜 Vida e morte, para mim, tornaram-se uma coisa só. Aquela velha ilusão de que o fim e o começo correm em direções opostas não existe. Hoje, eu compreendo o ciclo. Compreendo que foi preciso desintegrar cada pedaço do que eu achava que era para, finalmente, me unificar ao TODO. Ao abraçar o fim de todas as minhas pequenas certezas, eu me tornei TUDO. Tornei-me o vento, o vácuo, o silêncio e a própria força que movimenta as estrelas.
🕊️ E o que ficou para trás? Apenas o resto. Olho para os dramas, para as urgências da matéria, para as dores que antes pareciam intransponíveis, e os vejo como poeira cósmica. Não há mais peso no que é supérfluo. A vaidade do mundo perdeu a gravidade sobre mim. O que antes me separava ou me confundia no plano denso agora não passa de um ruído distante, incapaz de tocar a minha verdadeira essência.
☀️ Eu apenas deixei a terra. E agora vivo no paraíso!

Ela tem o poder de desenterrar o que trago guardado nas sombras, revelando partes de mim que só ganham luz no contraste com a intensidade dela. Somos uma colisão inevitável, uma forma de loucura que faz pleno sentido apenas quando nossos corpos se encontram e o mundo ao redor simplesmente deixa de existir.​Existe uma entrega profunda e inebriante na forma como ela se torna minha, sem reservas, e na maneira como me desfaço inteiramente para ser dela. Não há fronteiras entre nós,somos um território onde o desejo não conhece a moderação. Nesse prazer insaciável, que arde e consome, compreendi que não sou apenas um amante, mas um prisioneiro voluntário.​Estou acorrentado ao toque dela, ao perfume que fica na minha pele e à forma como o seu olhar me domina, desarmando qualquer defesa que eu ainda ousasse manter. É uma rendição absoluta. E, na doçura desse cativeiro, descobri que não quero liberdade, pois a minha maior plenitude é exatamente estar preso a esse sentimento, refém da sua entrega e da nossa fome compartilhada.
_Enzo Ruchell_