⁠Para acariciar o ego de tantos... Alessandro Teodoro

⁠Para acariciar o ego de tantos Políticos Apaixonados, só a enxurrada de Eleitores igualmente Apaixonados. Há uma curiosa relação entre o Poder e a Paixão. O Po... Frase de Alessandro Teodoro.

⁠Para acariciar o ego de tantos Políticos Apaixonados, só a enxurrada de Eleitores igualmente Apaixonados.


Há uma curiosa relação entre o Poder e a Paixão.


O Político Apaixonado por si mesmo precisa, quase sempre, de uma multidão igualmente Apaixonada por sua imagem.


Não basta governar: é preciso ser Admirado.


Não basta apresentar propostas: é preciso ser Aplaudido.


Não basta ocupar um cargo: é preciso transformar o cargo em palco e o eleitor em plateia.


E assim se estabelece uma espécie de romance coletivo, no qual a razão frequentemente perde espaço para a devoção.


O eleitor deixa de perguntar “o que ele fez?” e passa a perguntar “como alguém pode falar mal dele?”.


A crítica vira ofensa, a discordância vira traição e o político deixa de ser um representante temporário da sociedade para se tornar, aos olhos de alguns, uma espécie de personagem infalível.


O problema é que a democracia não foi feita para produzir fãs.


Foi feita para produzir cidadãos.


Político não precisa de amor incondicional; precisa de cobrança.


Não precisa de seguidores dispostos a justificar todos os seus erros; precisa de eleitores capazes de reconhecer acertos sem fechar os olhos para os abusos.


Afinal, quando a paixão política se torna maior que o compromisso com a verdade, o cidadão corre o risco de defender aquilo que, em qualquer outra circunstância, condenaria.


Talvez o maior perigo não esteja apenas no político que alimenta o próprio ego, mas no eleitor que entrega voluntariamente a própria capacidade de questionar.


Porque o poder se torna realmente perigoso quando encontra não apenas quem queira mandar, mas quem esteja disposto a acreditar em tudo.


No fim, a enxurrada de eleitores apaixonados pode até acariciar o ego de um político.


Mas somente uma sociedade consciente, crítica e disposta a pensar por conta própria consegue impedir que essa paixão transforme a política em culto — e o cidadão, em devoto.


Porque votar é escolher representantes.


Não é entregar a eles a nossa consciência.