Textos de Feliz Ano Novo para celebrar com esperança e otimismo

O rio segue seu curso.
O rio leva, consigo, seus peixes.
Leva-os para cada vez mais fundo.
Há rios em desuso.
Há outros que atravessam o mundo.
Vi e vivi muitas vezes.

Par Deus, que água gelada!
É quente, mas também fria.
Que peixes lindos!
De onde são vindos?
Cadê a dama que, nos meus dias de glória, para mim sorria?
A água está gelada, muito gelada.

O Sol aquece o rio;
O rio esquenta.
Por que não aparenta?
O que ocorreu para haver o desvio?

Os outros reclamam da água quente.
Afirmar-lhes-ia que está gelada.
Engraçado o que cada um sente.
Está gelada.
Para mim, já se manifesta congelada.

Tinha comigo a melhor das rosas,
A mais linda das flores.
Junto ao meu corpo, conduzia um regador.
Regava-a até o seu florescer.

A rosa, ainda tímida, encolhia-se quando via perigo.
Contudo, levantava as pétalas quando via seu amigo.
Faça Sol, faça chuva, ele sempre estava lá para a regar.
Quando a tristeza batia, a flor, de sua mão, nunca saía.
Ela dava-lhe o seu olhar.

A lua cheia daquele mês avisou da sua chegada;
O rapaz - com ânimo excepcional - beijou-lhe a mão para irem ao encontro da convidada.
A flor aceitou com um grande pulo de alegria, chocando assim os olhos daquele que lhe propôs o divertido encontro.
A flor e o rapaz correram pelo vale campestre e escorregaram no campo.
A moça - comovida com tudo aquilo - gargalhou um canto.
O rapaz - com os olhos presos ao fio que a prendia - sorria para a situação.
Ela levou-lhe sua mão; ele beijou-lhe mais amavelmente que antes.
Eles dançavam,
Eles se amavam,
Eles riam,
Eles se viam.
A noite se foi como o sopro de uma forte ventania;
Os dias - carregados por um coche - não paravam para deixar seus cavalos aspirarem o ar, que lhes dava energia.
A moça não o via mais com tanta frequência;
O rapaz - tomado por um ato de desespero - pedia-lhe a mão para correr pelo céu.
Ela não o respondia da mesma maneira.
Ele enviava-lhe cartas recheadas, mas, de sua querida, recebia meia dúzia de letras.
Os pássaros pararam de gorjear, mantiveram-se quietos em respeito à lucidez daquele que, com sua voz, ajudava-lhes a cantar das mais diversas canções.
As árvores - cuidadas e podadas todo ano por ele - encontravam-se turvas, em luto por aquele que lhes dedicava tanto zelo; suas folhas murcharam e destacam-se dos galhos que lhes davam sustentação.
O campo - que costumava ser rodeado e cuidado pelos lindos animais e pela cadeia alimentar destes - perdeu suas gramíneas, sua vivacidade e aquilo que mais temia: aqueles que, em seu solo, desfrutaram da mais bela benção que o ser humano é capaz de ser presenteado; em compasso com os outros, observava o rapaz e o lia.
O jovem - em prantos com a vida que levava - prostrou-se no chão e suplicava a Deus com a mão no coração.
“Por que me deste aquilo que tanto Te pedi para que, com uma frieza cruel, tirar-me?”
O cenário convergia sua visão àquele que implorava por respostas. A partir deste momento, tudo estava íngreme.
“Por que quando experimento da felicidade dada pelas Tuas mãos, tu a tiras de mim? Então, Pai Celestial, meu Deus, por que me concedeste a dádiva do amor se tinha em Tuas mãos, Pai, um fio amarrado em Teu mindinho para puxá-la de volta a Ti?”
As aves - com as penas caídas e descoloridas - aconchegaram-se no rapaz, que, naquele instante, com as lágrimas na mão e regando o chão com elas, era dominado pela mais intensa sanha.
Ele batia contra o chão; o campo soltava um gemido doloroso a cada vez que sofria, mas não se importava, pois aquele que mais lhe regou se sentia desconexo com aquele que lhe deu a vida.
“Diga-me, Senhor dos Céus, com qual objetivo Tu me sopraste com a vida? Fora para teres o luxo de me ver o sofrimento alheio?”
“Por qual razão, Deus, Tu, com um arsenal infinito de força, fazes da minha vida um grande paraíso para o Diabo?”
O campo, as aves e as árvores, todo o meio campestre derramava o gelo derretido de suas faces.
O jovem - ainda prostrado - prosseguiu com um longo silêncio.
Ele estava sem meio,
Enxugando as lágrimas, caminhou para longe.
Não se sabe em qual sege adentrou, mas que a razão não é mais aquilo que o tange.
Ele desmoronou sua estrutura no campo;
Este - gentilmente - enrolou-o num grande cobertor que lhe protegeria do frio que ali costumava a castigar.
As aves lhe beijaram o lábio;
As árvores, suor que escorria em seu olhar;
O campo, o braço que costumava regar.
O céu, cansado de tanto azul, se esvaiu.

O canto do sabiá espalha sua cor;
Campos, rios e lagos festejam com alvoroço,
Vivem a vida sem qualquer esforço;
Os homens que o escutam têm o coração tomado pelo fervor.

Os pássaros gorjeiam uma mimese;
Os humanos tentam reproduzi-lo em cordas;
O campo despreocupa-se de qualquer tentativa de síntese;
Os lagos, cansados pela monotonia, atentam-se às ondas.

Pergunto-lhes o motivo do enlevar,
Se todos, à sua maneira, conseguem gorjear.
Desde aquela vez, não houve mais sabiá;
Cansado da ninharia que ali havia, não gorjeou mais cá.
Nunca mais cantou o sabiá.

HUMOR


Vivemos de reflexos, de ecos de nós mesmos e do eco ampliado na sociedade num jogo de câmaras onde a imagem original se perde na repetição. Mas nesse salão de espelhos, resta sempre uma porta aberta: o humor, que não desfaz o engano, mas o tempera com a luz dourada do crepúsculo, lembrando-nos que, mesmo na mais sombria paisagem, o sol se põe para que possamos, ao menos, rir da nossa própria sombra.
António da Cunha Duarte Justo

A pressa.
Correndo entre círculos.
Uma vozinha miúda grita
Apressa o passo! Apressa.


Um torrão de açúcar.
Cercado por um formigueiro
Não é um bolo.
De dinheiro.


Uma lágrima amarela.
Não é uma aquarela.
Sem ler, você ainda pode ver.
O irônico é que até consegue.
Escrever!
Sem ver.
A pressa.
Não acompanha ninguém.
Apressa... Apressa.
E viva.
Bem.


🐜݁


Ouvindo: I'll Be There.

O meu namoro com a Matemática segue em perfeita harmonia. Pedir-me, porém, que o descreva é entrar no domínio da Geometria Descritiva, onde as palavras procuram dar forma ao que os olhos da razão já contemplam.


O meu conselho é simples: aprenda Geometria Descritiva. Talvez então descubra, por si mesmo, que a verdadeira beleza não está nas explicações, mas na capacidade de enxergar, para além das linhas e dos ângulos, o horizonte infinito onde a lógica e a imaginação se encontram.
Daniel Perato Furucuto

E se falta paixão, que falte a paixão…


O papel de quem notar primeiro
a chama a apagar-se
na parábola do caminho,
no pensamento de um caminhante
outrora conhecido.


Seu papel fundamental
é garantir equilíbrio,
mesmo dentro do desequilíbrio —
sustentável, cíclico, fragmentado —
numa sensação libídica
que ainda procura centro.


A meta
é fazer o soprano ténue
equilibrar-se com o desequilíbrio
metafísico e neuromolecular.


Se parar, causa ferida crónica.
Se parar, desperta empatia
e também desconfiança.


Sentir nas alturas
a base da ciência humana
é fenomenal.


É uma aula infinita:
dias de Verão
em temas de Outono.


E na Primavera,
imigrantes do Norte ao Sul,
carregamos o Verão tropical
e o cacimbo cacimbado.


Parte-se para a toca,
e renasce-se
no modo coelho,
cara de hábito.


Éh… Vhdon.
NotasoltaS

Dominós Estreitos


Diz o ditado que o amor é fogo que arde sem se ver queimar.


O amor desvanece no temporal calado, no espetáculo paradoxal; interpõe-se na beleza natural e impõe a leveza do autoconhecimento.


O amor é o reflexo do interior notório, luz que transcende galáxias e supera os maiores corpos celestes.


O amor é o enigma mais lógico e, ao mesmo tempo, o menos provável. Neste intervalo, desfruta, sorri e entrega-te à chama da loucura, à chama da razão e da paixão.


Um cheiro que incendeia o controverso da natureza no tom de uma nota preta.


Eu me toco e te toco a dobrar.


Um toque complexo, cheio de aventuras; sentimento de alcance global, construído sobre dominós estreitos.


Éh... Vhdon.
NotasoltaS

POESIA É


Poesia é a voz do coração calado,
É paixão perigosa que queima e arde no fogo das palavras.


Poesia é a verdade da mentira,
É escândalo para os tolos,
É viver sem entender
E buscar entender.


Poesia é jogar o medo pela janela.
É enfrentar opiniões opostas e entendê-las de forma sensata!
É tirar a máscara que cobre os rostos.


Poesia é buscar as palavras em meio aos sentimentos!
É curar a alma com a mão.
É sentir o que se escreve
E se curar com o que se lê.


Poesia é alma inquieta,
É viver perdido em pensamentos
E se achar nas palavras.


Poesia é
Dizer para a alma o que o coração cala!


-Kaiane Macedo

Corações de Pedra


Há pessoas que parecem duras como pedras, mas, na verdade, nem sempre foram assim. Um dia, foram delicadas como pétalas de rosa, sensíveis ao toque e às palavras.


E corações sensíveis, como pétalas, tendem a ser mais frágeis, ferindo-se facilmente ao encontrar outros corações que, por também terem sofrido, deixaram de ser pétalas e se transformaram em pedras afiadas e cortantes.


Assim, a dor passa de um coração para outro, criando um ciclo de feridas que parece não ter fim.


Se um dia você tiver a sorte de encontrar um coração sensível como uma pétala de rosa, cuide dele. Não o machuque apenas para se vingar de um coração de pedra que, um dia, feriu o seu.


Porque quem escolhe preservar a delicadeza, mesmo depois da dor, também escolhe interromper o ciclo que transforma pétalas em pedras.


-Kaiane Macedo

Fale-as


Não aprisione suas palavras.
Permita que elas encontrem o mundo.


Expresse sua opinião, não se cale,
pois toda voz que se acostuma ao silêncio corre o risco de esquecer a própria força.


Há sentimentos que pedem coragem,
há verdades que precisam ser ditas.
Guardá-las para sempre é deixá-las morrer antes de viver.


Não permita que suas palavras caminhem com você até o túmulo.


Que elas encontrem o vento, alcancem outros corações e permaneçam quando o tempo passar.


Fale-as!


-Kaiane Macedo

TEMPO PERDIDO


Tempo que não passa,
Tempo que não volta.
Tempo que faz falta,
Tempo que faz história.


Tempo que traz mágoa,
Tempo que traz perdão.
Tempo que traz solidão,
Tempo que também traz paz.


Tempo de amar,
Tempo de dançar,
Tempo de falar,
Tempo de abraçar.


Tempo desperdiçado,
Tempo aproveitado,
Tempo abençoado...
Ou simplesmente, tempo perdido.


– Kaiane Macedo

No labirinto do amor, encontrei em mim alento.
Fulgor que incendeou meu ser,
Tu és minha aurora, o pulsar de minha alma!
Doravante, não me deixes desacompanhado jamais.


Vejo-me envolto em júbilo,
Naquela noite de luar, rendi-me ao teu olhar.
Foi por ti que descobri que o amor é estonteante.
Inefável és tu, que fazes de mim um ser íntegro.
Doravante, não me deixes desacompanhado jamais.


— Kaiane Macedo

A jornada da Vida


Nas voltas que a vida dá,
eu busco ser benfazejo.
Não sou, nem serei, melhor que nenhum outro alguém.
Mas almejo evoluir sem cessar,
sem menosprezar ninguém.


Faço da vida uma eterna travessia.
Seres que me encontram no percurso
levam de mim euforia e desventura.
Buscando me superar, vou tropeçando e me levantando,
mas sem jamais desanimar.


Perante a vida e a morte, tornamo-nos ensimesmados.
Ainda assim, sigo avante por meu caminho,
pois, ao fim, a jornada é meu destino.


— Kaiane Macedo

William Contraponto e a Escolha pelas Frestas






Há intelectuais que constroem suas carreiras em torno dos grandes centros de poder. Outros fazem da universidade sua principal trincheira. Há ainda aqueles que encontram na televisão, nas editoras ou nas redes sociais o caminho para alcançar notoriedade. William Contraponto parece ter escolhido outro percurso.


Sua trajetória revela uma opção incomum: permanecer escrevendo mesmo quando o reconhecimento tarda. Seus poemas e ensaios não nasceram da lógica do mercado editorial nem da busca por visibilidade imediata. Surgiram da insistência em pensar, publicar e dialogar com quem estivesse disposto a ler.


Essa escolha tem consequências. Longe dos grandes veículos culturais e das estruturas tradicionais de legitimação intelectual, Contraponto construiu sua obra nas margens. Fez da internet um espaço permanente de publicação e transformou plataformas abertas em uma espécie de praça pública para suas reflexões.


Há algo de latino-americano nessa caminhada. A persistência diante da escassez, a desconfiança em relação aos discursos prontos e a convicção de que a cultura também nasce fora das instituições consagradas. Mas existe igualmente um traço que lembra certas tradições cívicas do Norte da Europa: a defesa das instituições democráticas, da responsabilidade coletiva e da ideia de que uma sociedade se fortalece quando o debate público é guiado mais por argumentos do que por paixões momentâneas.


Sua escrita raramente busca oferecer respostas definitivas. Prefere formular perguntas. Em vez de apresentar sistemas fechados de pensamento, convida o leitor a participar da construção das conclusões. É uma literatura que não exige seguidores; exige interlocutores.


Talvez por isso sua obra circule de forma discreta. Em um ambiente que recompensa frases rápidas e certezas absolutas, textos que apostam na reflexão costumam caminhar devagar. E, ainda assim, continuam caminhando.


William Contraponto pertence a uma tradição de autores que entendem a escrita menos como instrumento de prestígio e mais como compromisso intelectual. Seu trabalho sugere que a função do escritor não é confirmar convicções coletivas, mas abrir espaços para que elas possam ser examinadas.


É possível que nunca ocupe o centro do debate cultural brasileiro. Mas isso talvez diga mais sobre o funcionamento do próprio debate do que sobre a relevância de sua produção. Afinal, parte significativa das ideias que transformaram sociedades começou longe dos holofotes, em jornais pequenos, cadernos esquecidos, círculos de leitura ou páginas acessadas por poucos.


Enquanto muitos disputam a atenção do instante, William Contraponto parece apostar em algo mais lento: a permanência das ideias. Não há garantias de que essa escolha conduza ao reconhecimento. Há apenas a convicção de que algumas vozes continuam necessárias justamente porque recusam adaptar seu pensamento às exigências da visibilidade.


Em tempos marcados pelo excesso de exposição e pela escassez de escuta, essa talvez seja sua característica mais singular: continuar escrevendo como quem acredita que uma ideia não precisa ser famosa para ser importante.


NENO M. MARQUES

“Amor por Dois”

Se um só coração pode amar apenas um destino,
então talvez eu esteja traindo.

Porque amo você...
e amo a mim,
por ainda ser capaz
de sentir um amor tão profundo.

É difícil amar por dois.
Que coração suporta
o peso de duas almas
sem se romper pelo caminho?

Talvez seja por isso
que o meu vive em pedaços.

Eu perdoei.
Não porque a dor foi embora,
mas porque o amor
se recusou a morrer.

Só pedi que me reconquistasse.
Nunca coloquei um prazo.
Acreditei que quem ama
entende que a confiança
não renasce de um pedido de desculpas,
mas de atitudes.

O tempo passou.

E, aos poucos,
o seu sorriso foi ficando distante,
o carinho virou silêncio,
as palavras se tornaram espinhos,
e eu passei a me sentir sozinho,
mesmo segurando sua mão.

Enquanto isso,
minha mente me atormenta.

Ela me faz reviver
o dia em que tudo mudou.
Ela me faz acreditar
que ainda existem verdades escondidas,
porque quem já quebrou minha confiança
transformou qualquer silêncio
em motivo para eu temer.

Não dói amar.

Dói amar alguém
e não saber
se ainda existe um lugar
para esse amor.

Dói olhar para você
e me perguntar
se algum dia fui amado
com a mesma intensidade
que sempre te amei.

Se isso é o amor incondicional,
como eu poderia simplesmente ir embora?

Como abandonar alguém
que ainda mora no meu coração,
quando o meu próprio coração
se recusa a desistir?

Talvez eu ame mais do que deveria.

Talvez eu espere
que um dia você escolha
me reconquistar
com a mesma força
com que eu escolhi ficar.

Porque existem amores
que sobrevivem à traição,
mas morrem, aos poucos,
quando apenas um coração
continua lutando por dois.

"Onde não existe sabedoria
não existe
paz, onde não existe paz
não existe amor e onde não
existe amor
não existe justiça: aquilo que para você é
visto como evolução, aventura
ou novidade,
para mim é percebido como repetição
vazia, superficialidade ou falta
de propósito."


Álbum: O Mundo Jaz no Maligno


(Autor-desconhecido)⁠

(Homem Perfeito)
Joelma


Quem se atreve
a sequestrar minha tristeza
Trazer-me a lua, mil estrelas
E meus beijos despertar?


Ai quem se atreve
a despertar os meus desejos
A sufocar-me com teus beijos...


Me pegar com braços fortes
E levar-me pra dançar?
Pedaço de esperança, não
me canso de esperar, ah!


Esse Homem Perfeito um dia chega
E me faz prisioneira
Numa noite de estrelas
Eu tenho tanto amor pra dar


Mas todo esse sonho dura pouco, pois está com ela
Mas sei que não és dela
Pois um verdadeiro amor sempre volta
E eu ainda te espero


Quem pretende ganhar todo o meu carinho
Andar pra sempre em meu caminho
E se perder de tanto amar?


Ai quem me entenda
E me encha de alegria
Que se entregue noite e dia
E não me deixes solitária,
Sem teus beijos, sem me amar


Por esse homem não me canso de esperar
Esse homem perfeito um dia chega e me faz prisioneira


Numa noite de estrelas
Eu tenho tanto amor pra dar
Mas todo esse sonho dura pouco, pois está com ela
Mas sei que não és dela
Pois o verdadeiro amor sempre volta


By-Marcélio⁠

(O Sonho Acabou)
Jade Lima


Ao te conhecer pensei que era pra valer
Mas foi somente um sonho bom
Que a gente não quer acordar
Era tudo tão perfeito
quando eu estava com você


A chuva, o sol, o vento, o mar
E a natureza a abençoar


Mas de repente, o sonho acabou
Você se foi e eu fiquei sozinha aqui
No nosso mundo, sem chuva e sem sol


Só me restou meu pranto que não para de cair


Aquele brilho que havia dentro do meu olhar
Se apagou quando você se foi
E o que me resta agora é recordar


Era tudo tão perfeito quando eu estava com você
A chuva, o sol, o vento, o mar
E a natureza a abençoar


Mas de repente, o sonho acabou
Você se foi e eu fiquei sozinha aqui
No nosso mundo, sem chuva e sem sol


Só me restou meu pranto que não para de cair


Mas de repente, o sonho acabou
Você se foi e eu fiquei sozinha aqui
No nosso mundo, sem chuva e sem sol


Só me restou meu pranto que não para de cair


Mas de repente, o sonho acabou
Você se foi e eu...


By-Marcélio




DEPOIS QUE TUDO VAI EMBORA


Será que o amor realmente existe depois que tudo de 'bom’ acaba? Pois bem, sabemos que esse sentimento está presente de diversas maneiras na vida do ser humano e está lá até antes mesmo de nascermos. Mas como saber se todo amor que damos, sentimos ou recebemos é de fato algo real, profundo e verdadeiro? E até que ponto ele é capaz de chegar? Eis algumas das questões mais alarmantes da humanidade.


Para ilustrar tudo isso melhor, tomarei nota de um livro que li recentemente, A Metamorfose de Franz Kafka. A partir do momento em que Gregor se transforma em um inseto de certa forma asqueroso, ninguém mais é capaz de amá-lô, exceto pela mãe dele que até certo ponto não permitiu que ô matassem, mas não foi suficiente. Essa é uma das metáforas mais verdadeiras que existem, quando alguém perde a serventia o amor raso não resiste. Não é preciso ir muito longe para ilustrar isso na vida real. Quando um ente querido de nossa família adoece, por exemplo uma mãe ou algo do tipo, perde-se a felicidade em estar com ela. O indivíduo torna-se um fardo para todos da família. Mas as pessoas, na maior parte do tempo, não levam em consideração como foram amadas por aquela pessoa, como ela serviu toda a família por incalculáveis anos, e agora descartam-na, como se nunca tivesse tido importância. Desse modo, onde está o verdadeiro amor nesses casos? Se realmente fosse real, a união não se perderia por simples acasos.

As pessoas neste mundo levam muito em consideração a aparência uma das outras. De certa forma não acho que esteja totalmente errado, mas tudo nessa vida tem limites, por mais asqueroso que Gregor tenha se tornado após a metamorfose, ele continuava sendo o mesmo. Seus princípios e sentimentos internos estavam ali, mesmo que parecesse imperceptível, um livro de capa duvidosa, mas de páginas que nunca perderam seu valor. Independente de sua indumentária, ele continuava sendo filho, irmão, amigo, era parte de uma família, de uma sociedade, e não poderia ser apagado de forma impiedosa somente por que não podia mais dar sustento à sua família.


Infelizmente, nós, seres humanos somos substituíveis, isso de acordo com o pensamento da grande maioria, que mesmo achando não pensar dessa forma no fundo agiria do mesmo modo. Obviamente eu não concordo com essa afirmação, o amor verdadeiro está aí para quebrar isso, se existe esse sentimento os laços são eternos, independente dos ocorridos da vida. Quem ama de verdade não dá tanto valor ao externo, quem ama de verdade leva muito mais em consideração os sentimentos que têm ao estar ao lado daquela pessoa querida. Contudo, se queres transformar-se insubstituível, valorize e lapide seu interno, mas tome cuidado, pois somente pessoas de consciência semelhante, são capazes de valorizar a índole do ser em primeiríssimo lugar. Caso contrário seu destino corre o risco de ser parecido com o de Gregor, se não houver uma mudança. Talvez aí esteja a solução, ter deveras atenção em quem ama, porque um rostinho bonito acha-se em qualquer lugar, mas histórias ricas são raras, então se for de amar alguém, que seja por um todo e não somente por aquilo que é supérfluo, e claro sempre em alerta. Isso, meus caros amigos, serve para toda relação interpessoal humana.