Textos de Feliz Ano Novo para celebrar com esperança e otimismo
Se for da minha vontade
as minhas onze artes,
Encontrarão as suas onze artes,
com positividade, criatividade,
e a sua suprema vontade
de querer ficar por liberdade.
Sem dizer uma palavra,
estamos trocando bagagens,
risos, essências e raízes;
Sem a necessidade de pedir,
se formos par, sem dificuldades,
saberemos bem por onde ir.
Não nascemos para o convívio
ordinário com as subjetividades.
Nascemos para contemplar
o florescer da Bracatinga
alimentando as abelhas nativas,
e para desfrutar da companhia
quando o amor vier permanecer
inteiramente na nossa vida.
Seja na Capoeira, no Candomblé,
ou até mesmo na Umbanda,
o meu coração atende
ao toque do Barra Vento,
como fiel e protegida.
Este é o meu sentimento:
bater forte, como cada tambor
dos terreiro desta amada Pátria.
Na primeira linha de Xangô,
assumo-me herdeira
do poetinha do Brasil,
semeando esperança
para ser, sempre, vencedora
em qualquer demanda.
Depois de toda tempestade,
a bonança se anuncia,
e o meu Oxalá sempre será o maior;
só Ele é digno da confiança,
de toda glória e do mais alto louvor.
Olhar para o céu faz lembrar
que os pés estão presos à terra.
No Hemisfério Celestial Sul
é chegado o solstício de inverno,
e te habitar é o que mais quero.
Do meu território para o seu,
conhecer as rotas para habitar
na tua pele tem sido mistério.
Condor só voa com Condor,
e juntos ganham o universo.
O que é feminino e masculino
estão com as suas oferendas
sob a mesa, para reverenciar
a Pachamama e o Tata Inti:
é chegado o dia de Willka Kuti.
Observar o tempo astronômico
faz com eu me semeie, regue
cresça e crie raízes em você;
sem absolutamente nada temer,
faça noite ou dia, amar é viver.
A minha América do Sul
se tornou terra onde
ninguém mais descansa,
Que houve festança
pela vitória e recebeu disparos
intencionais de misantropia;
Para fazer o povo esquecer
que é a alegria que traz vida.
Só sei que quase ninguém
ultimamente está prestando
atenção com o desenrolar
da história na Bolívia,
Ainda trago algo mantém
forte tudo para que
faça que eu não desista.
Há quem destrua pontes
de boa comunicação,
E quando chegar a vez
da minha ponte ser destruída,
Darei a total distância,
mudarei a direção,
e optarei pela reconstrução;
Porque não quero perder
os meus olhos dos seus e nem do céu.
Existem coisa que escrevo que são para educar as minhas buscas que tentam fazer da minha poesia feminina uma poesia do gênero neutro, e tentam me enquadrar puramente como uma poetisa regional, eu escrevo poesia regional também.
Só que a minha poesia não é exclusivamente regional, é uma poesia popular, nacionalista romântica e latino-americana. As buscas precisam aprender e reconhecer a minha identidade como poetisa.
A swingueira é filha do samba de roda
do jeito que tu gosta,
do samba duro de ritmo profundo
e das tradições afro-baianas
nascidas além mar e em Salvador
sob a bênção de Nosso Senhor.
Tu me encontrou nela em passos rápidos,
entre os meus passos rebolados,
E pegou na minha cintura e quase
me deu um ligeiro nos meus lábios.
Agora, estamos prá valer apaixonados,
se não fosse a Bahia e a swingueira
o que seria de nós e do amor?
Se não tivéssemos por esta obra do destino
talvez não teria nos encontrado com tal fervor.
Não te quero como dependente,
desejo-te como território livre,
tão livre que escolha ficar ou ir,
e que só possa morar o amor
até quando pensar em desistir.
Tal qual as petúnias-nativas
nas encostas serranas do sul a escalar,
e pelos campos de planalto
a me espalhar, pouco a pouco,
em ti tenho feito o meu lugar.
O solstício de inverno dança
hoje sobre o Hemisfério Celestial Sul,
Rendo-te a sagração inaugural,
por perceber a aproximação primal,
é inexplicável sentir pairar o inevitável.
Imparável diariamente tem sido
ler os olhos e os detalhes bonitos,
em todos tenho-me reconhecido,
e em vez de sentir inquietação:
sinto tudo muito mais tranquilo.
Amar a sua melhor versão e a pior,
e a sua versão que não conheço,
e, mesmo assim, querer continuar.
Porque em ti como eterna viajante,
não pretendo nenhum pouco parar,
mesmo nascendo diariamente.
A tua existência está a convidar,
por ela não tenho conseguido,
não me permito sossegar,
e nem pretendo jamais parar;
mesmo quando não for tempo
de itaúba em florescimento.
Não precisarei criar subterfúgios,
porque tua alma é feita de liberdade
de ave assim como a minha,
Dos ruídos do mundo elegemos
o que é o melhor porque fica;
sinto que o nosso dia se aproxima.
Viver para os cânones da poesia
não me causam empolgação,
simplesmente tocar o seu coração
é a minha bonita obstinação,
Sonho inspirar os amores eternos
que depois de nós dois virão.
O experimento mental e elegante,
acopla sutilmente o mútuo gradiente
à livre termodinâmica simplesmente.
De tudo o que induz ao anfoterismo,
reajustando os desejos às leis
que regem o Universo e o destino,
porque sentimos de longe o caminho.
Sem largar mão da primeira atração
do instante que nos conhecemos,
para a nossa implacável preservação.
Amar tem sido a decisão desde
o momento que nos vimos,
Como uma visão sem explicação
embaladora para o coração.
Tenho me visto sem cessar contigo
como tivéssemos antes vivido
a delicada florada do araçá-rosa
em alguma encosta do litoral.
Se é poética alucinação, não sei,
se for de verdade, que o amor
se torne lei universal e entre nós grei.
Que não há alma?
Existe a nossa - que é única.
Insensatos! Eu a vi: é de luz...
Nos teus olhos - inequívoca.
Com relação à minha luz:
(Assoma às tuas pupilas
quando me olhas tu.)
Quem me disse foi
o poeta Rubén Darío, e não tu!
(As "Rimas XII" são dele e minhas.)
Noites de verão
sob a Via Láctea,
nos aproximarão.
As ondas do mar
os pés acariciarão,
e as palmeiras
nos reverenciarão.
Nas tuas mãos
macias e solares,
estarei nos teus
paradisíacos lugares,
e você nos meus,
nós em encaixes.
Com água de coco
e nossos beijos:
as sedes cessarão.
O amor e a paixão
as apostas dobrarão.
O meu brio encontra o seu,
ambos pantaneiros,
concedidos pelo nosso Deus:
vivemos tempos alvissareiros.
Durante a descida dos andores,
todos com beleza adornados,
os corações batendo feito tambores
ao som do cururu, todos animados.
Com as mãos mergulhando
São João no Rio Paraguai,
eu de Corumbá e você de Ladário,
o meu coração apaixonado,
morando contigo lado a lado.
Contigo não tem sido diferente:
estamos morando um no outro,
ainda protegidos de toda a gente,
esperando o dia certo para anunciar
que viveremos só de amor imparavelmente.
Nasci orgulhosamente
nesta terra austral,
Não nego que carrego
na minha amorosa alma
de tudo um pouco
das caravanas ancestrais:
as bibliotecas perdidas
e os percursos mais
antigos da Rota da Seda.
Quando a tua alma gentil
encontrou e roçou na minha,
No dilúculo da existência,
percebi que eu comecei
a ser realmente lida;
Senti, sem dificuldades,
que a gente se combina.
Na doce viração entre
a aurora matutina
e a aurora vespertina,
passei a desejar fazer
parte da sua vida linda;
E venho percebendo
que tens cobiçado a fazer
parte da minha vida,
Há sinais claro que
somos, enfim, além da poesia.
Na tua madrugada
surjo como galáxia,
A sua atenção trago
toda concentrada.
Balança a ventania
a Canela-sassafrás,
A aurora em sintonia
solene acompanha.
O aroma das flores
paira e aqui fica,
e de mim não desliga.
Trago o carinhoso
sopro de harmonia,
paz, fé e amor para a sua vida.
Entre os nossos hemisférios,
existem os dois trópicos;
além da distância que desafia,
habitar numa única aorta
está escrito com intensidade fina.
Por onde o Trópico de Câncer
passa a imaginária linha,
tu sabes que da Mata Atlântica
sou a mais devotada filha,
e a que te busca para ser
a tua mais alta galhardia.
O nosso mundo é grande,
e para nós a única barreira
que interessa é a indômita
Grande Barreira de Corais;
e o que não nos traz paz,
somos capazes de deixar para trás.
A tua plenitude existencial
provoca, infrene, a cobiça;
Ver toda a tua beleza física
plena, a minha fantasia atiça.
A reverência e a exaltação
tão queridas serão prestadas
quando nas nossas mãos forem entregues
as rédeas da inequívoca cumplicidade
com intensidade e verdade.
Não é porque é Lua de Morango
que ilumina o Alecrim-do-campo,
Que estou de peito aberto revelando:
é porque sinto que estou me apaixonando.
Com ancoragem nos efeitos
de primazia e de recências,
mesmo com ímpares contrastes,
com jeito e sem nenhum alarido,
manterei o fogo da paixão
aceso com toda disposição.
Se não for para contrariar
o que dizem ser coisa de novela,
ou o que só está escrito
nos livros de romance,
é melhor nem começar.
Em ti quero me enlaçar,
para nunca mais soltar,
e sei que partilha de igual pensar.
Baixo ao Hemisfério Austral,
florescem as manduiranas
no início do inverno junino.
A chuva e a escuridão,
trazidas pelo El Niño,
não afetarão o nosso destino.
Quando há o que é recíproco
e a vontade de dar certo,
não há o que se preocupar
se existe alguém interferindo;
e sim manter desejo vívido,
cultivar para viver o amor,
e eleger vê-lo sempre sorrindo.
Reger as tuas vias dopaminérgicas
Para alçar a sensação de prazer,
Tocar no teu sistema de recompensa
Para a motivação se arrojar a fazer
Mais e melhor, como a sentença.
Para ativação intensa sem temer
O comportamento de dependência,
E colocar tudo meu nas tuas mãos
Com certeza, vontade e excelência
Afinadas numa inequívoca cadência.
Deixar que os conceitos externos
Se diluam com a chuva que cai
E rega a malva-silvestre em flor,
Para nada atrapalhar o nosso amor,
E nos permitir viver como tem que ser.
Porque julho gentil abriu a porta,
Com os jogos de sedução agora,
Sabemos que não há queda de braço
Entre dois vencedores nesta história:
É só questão de afinar passo a passo.
Com doçura, ciência e instrução afetiva.
Tornar-me o sol pela manhã,
o caminho ao ar livre,
a sua alimentação, a gratidão
e a razão da sua satisfação,
que aumenta a sua serotonina.
Ser tudo isso com equilíbrio e alegria,
para que eleja todos os dias
viver com a minha companhia.
Deixar que a Timbuva cresça
onde quer que ela eleja,
para quando o verão chegar
tenhamos uma boa sombra fresca;
jamais deixar perder o espírito
de diversão, aconteça o que aconteça.
Que o amor nos colha como
a queda d'água que desce a serra,
para que venha em cheias,
e encontre, com bondade, a terra.
Permitindo eleger orgulhosamente
o que vale à aferra, e nada encerra;
para que sejamos naturalmente
o curso e o ciclo intermináveis onde
só há emergência pela matéria;
buscando ser o que somos entre dogmas,
sem entrar no campo do comum
de gente habituada a fazer guerra.
Fazendo da palavra a joalheria,
não busco o atalho do desejo;
E sim, insisto ser todo o universo
para recebê-lo potente e íntegro.
Não nos temos no momento,
mas me vejo sendo o teu riso,
o seu lidar com todas as artes
com domínio e pedestrianismo.
Enquanto não me tens mesmo,
sou a maior fonte de endorfina,
Tornei-me a sua grã liberação
com toda a calmante poesia.
Como afelandra em flor e raízes
imortais na amada Mata Atlântica,
não sou apenas enfeite ou pista,
assumo que sou a protagonista.
Porque descobri ser a alma da tua,
e a recíproca tem sido verdadeira;
Habitamos a transcendescência
com apego e sem interferência.
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