Textos de Feliz Ano Novo para celebrar com esperança e otimismo

A possibilidade de viver um novo relacionamento amoroso passou brevemente pela minha cabeça, ela voltou (algumas vezes) depois de uns dias... e meu coração sorriu.
Eu pensei tantas coisas a respeito e hoje reconheço que não é meu momento. Porque, muitas vezes, eu me entreguei com a intensidade e a profundidade do meu ser, e fui sobrepondo cicatrizes. Porque cada uma das vezes que eu tentei eu tentei de novo e de novo. Porque cada vez que eu estive em pedaços eu arregacei as mangas e pequei cacos entre uma lágrima e outra.
Cada vez que eu me reergui, eu caí de novo.
E eu tenho certeza de que as (profundas) lágrimas são infinitas.
Eu cansei.
Eu cansei de tentar.
Eu cansei de lutar.
Eu cansei de procurar.

Eu tenho aprendido que presença é um dos maiores presentes.
Pra gente.
E pro outro.
É sobre como a gente se entrega de verdade… na página de dentro.
No jeito de olhar sem julgar.
Na escuta que acolhe sem querer corrigir.
Na presença que não invade… mas também não abandona.
Porque no fim, não é sobre salvar o outro.
É sobre caminhar junto com verdade e humildade pra não ferir…
e lucidez suficiente pra não se perder.
E talvez seja isso que a vida tenta ensinar o tempo todo:
a gente não evolui só entendendo…
a gente evolui sentindo, praticando e escolhendo amar melhor a cada dia.

*Conviver com alguém que nunca erra é viver num tribunal onde você já entra condenado*
Você apresenta a defesa e o veredito já tá assinado.
Pede desculpa até quando foi machucado.
Engole o choro pra não “fazer drama”.
Com o tempo, você para de falar.
Não porque aceitou, mas porque cansou de ser réu num crime que não cometeu.
Amor não pode ser inquisição.
Se todo erro é seu e toda razão é dela, isso não é relação. É sentença.
E ninguém nasceu pra cumprir pena dentro de abraço.
W.Carvalho!

Numa tarde de outono, eu estava naquela frase do " credo- mas que delícia" é amar!
Me vi apaixonada.
Depois me vi amando.
E quis ficar.
Eu quis degustar cada passeio com presença e propósito.


Nutrida por amizades,
Mergulhando no autoconhecimento,
eu construí uma rotina interessante, e aprendi a cuidar de mim ao viajar pro melhor lugar do mundo...


Esse lugar foi conquistado e vale toda a prudência que sinto agora!


É mesmo um lugar sagrado.

O MENINO QUE NÃO ME VÊ


Nos corredores da escola, ele passa, sorriso solto, voz que abraça.
Faz piadas sem graça,
mesmo assim, eu acho graça.


Seu cheiro é vento, seu olhar é mar
e eu me afogo sem ninguém notar,
mas ele nem tenta reparar...


Ele fala das meninas, do beijo na festa,
eu rio, finjo festa.
Por dentro, uma guerra:
como posso amar quem nunca me amará?


Tento apagá-lo de cada pensamento,
mas ele volta como o vento.

TE AMAR


Te amar é como ouvir uma canção:
faz acelerar meu coração.


Te amar é como coçar a ponta do nariz: um carinho pequeno que me faz feliz.


Te amar é simples, tão natural,
é como uma estrela: surreal.


Te amar é legal,
mas em alguns países pode ser ilegal.


Mas se for crime, eu serei um criminoso, fugitivo do teu amor perigoso.


Se eu for para a prisão,
que seja a do seu coração.

𝙿𝙾𝙴𝙼𝙰: Amores Desiguais.


Estou farto, mas não cheio.


​Há, por aí, alguns sujeitos:
outros maus, outros cruéis.
Estes sempre conseguem —
não importa quanto devem,
eles sempre conseguem —
exatamente o que querem.


​Minha idade vai passando
e, com ela, minha paciência.
Digo: "fiquei inconformado",
pois o destino ou o carma
andam ficando desleixados.


​Deveriam ser estes indivíduos,
junto aos seus crimes impunes,
considerados indignos, impuros.


​Que seus julgamentos fossem
para sempre e, mais, imortais
diante dos bons corações leais;
nunca capazes de terem o perdão
daqueles que tiveram seu amor
e que foram deixados em vão.


​Abaixo aos amores desiguais!
Que estes jamais sejam legais
perante os bons corações leais.


Escrito e idealizado por César Hioli.
17/04/2026.

Há centenas de outras maneiras
de poder me matar ou me ferir
cada uma sendo mais torturante.


Umas causam minha morte rápida
e outras ficam na minha memória
mas nenhuma nunca será indolor.


Um dia, todas vão ter o momento
todas terão vez para me assombrar.
Duas, três... Talvez infinitas vezes.

Saudade...
Que saudade bonita
Dos anos de juventude
Das baladas nas casas dos amigos
Dos sorrisos genuínos
Da liberdade e do sonho
Do primeiro beijo...
Nas névoas do passado
Minhas memórias me aconchegam
Ah que felicidade... era destemida,
De sofrimento não sabia
De peito aberto encarava a vida,
Sou resultado das minhas escolhas
Umas boas outras não sábias,
Mas sou o que sou
E agradeço ao Criador...
Cada dia uma nova oportunidade
Pois a vida é uma raridade
E deve ser valorizada...
Cada respirar é uma dádiva
Pois cada momento pode ser o último
E um dia seremos lembranças...
Que essa lembrança seja boa
E desperte sorrisos nas pessoas!

Sou barco sem rumo
Sempre a deriva
Pela tempestade de tua vida na minha,
Vento forte, devastador...
Vento das paixões tardias...
Por que de mim então fugías?
A ave alba dos meus sonhos
Deu- me adeus e foi embora
Chuva sempre mansa e constante
Coração derrete, amolece e esvazia
Na busca incessante dessa hegemonia
Na prática da louca fantasia
Que consome e incendeia
Mas que sublima e desfolha
Eterna noite chuvosa..
Que transborda o coração
Sossega essa alma lânguida...
Que a paz somente quer ter.

Embora a noite caia
Nada temerei
Por que estais comigo,
Não é necessário palavras,
Pois seu olhar me diz,
O que o coração precisa saber.
Mesmo que se vá
E me deixe perdida na noite
Sei que palavras são jogadas
Dizendo " eu te amo"
Mais do que palavras
É o que preciso sentir
Tudo que precisa entender
É só fechar os olhos e
Me abraçar para compreender
Que não é preciso partir, pois
Mais do que palavras
É tudo que desejo exprimir

Mais uma vez
Você se foi...
Deixando- me sozinha na noite,
Como se fosse para sempre...
Posso sentir suas lágrimas
Pela noite afora
Mas as enxugue! Estou aqui!
Basta me seguir na noite
Que a iluminarei
Venha, siga-me!
Só mais uma vez...
E será para sempre
Somente você pode
Acender os fogos de artíficios
Que clareiam, explodem e espocam
No ar, na noite
Sua luz irradia
Pelos meus poros
E me resplandeço
Sigo, te buscando
Somente o teu rosto
Ilumina a escuridão
E a luz, esvai pelos meus dedos
Pelos meus olhos
Clareando o amanhã
Com a luz da esperança
Volte! Só mais uma vez...

Todas as minhas partes estilhaçadas
Remendadas em mil pedaços
Tudo de mim para ti
Você é meu mundo
Meu princípio, meu fim...
Dou- me por inteira
Minha luz toda para ti
Dá- se todo para mim
Minha parte, meu sim
Sons de águas cristalinas
Reverberando no infinito
Ondas de luzes arrebatadoras
Quentes, fortes, me consumindo...
Minha luz, meu todo, meu mito,
Minha paz... por você é tudo que sinto.

Manchado


Ele sempre foi um farsante,
porque, quando não teve o que queria, perdeu o encanto.


Ele só queria um corpo, não sentimentos
ou essência — me embrulhou.


E, sendo meu tipo, me embriagou.
Sendo leitor, me cegou, mas não vi sua verdadeira forma.


Um lobo sem escrúpulos,
numa pele de cordeiro,
que manchou toda a minha ingenuidade.


Fingi não ver,
corri para o lobo,
mas parei a dois passos —
e ele desistiu, fugiu.


E quem ficou com fome de afeto fui eu…
mas hoje eu sei:
não era amor que ele oferecia,
então não era amor que eu perdi

⁠Brasília, cidade moderna e ousada,
Cortando o cerrado com suas avenidas,
Sob um céu vasto, de nuvens prateadas,
Que nos fazem sonhar com possibilidades infinitas.

É nessa terra de horizontes largos,
Onde o sol brilha forte e inclemente,
Que a saudade às vezes aperta o coração,
Lembrando-nos dos amores distantes e ausentes.

Mas o céu, esse grande espetáculo,
De cores e formas em constante mudança,
Nos convida a seguir adiante, sem medo,
E acreditar que ainda há muito para alcançar.

E assim, mesmo que a saudade doa,
Nós olhamos para o horizonte sem temor,
Sabendo que o cerrado, a cidade e o céu,
São apenas o começo de um mundo cheio de amor.

E que, com coragem e perseverança,
Podemos superar as dificuldades e encontrar,
Novas possibilidades, novos caminhos,
E um futuro brilhante, que está por vir.

O que é, o que é?

Demétrio Sena - Magé

Há um povo esquisito querendo opressão;
grita mil contrassensos, por uma pirraça,
pois quer ser a colônia de qualquer nação
que lhe ponha cabresto, aguilhão e mordaça...

Uma gente que sobra do tempo que passa,
ninguém sabe onde foi que perdeu a razão;
sonha ter caçadores, porque ser a caça
é a honra suprema pra sua ilusão...

Esse povo esquisito escolheu suas lendas:
os que furam seus olhos ou colocam vendas;
enferrujam seus passos, pondo ferradura...

Essa gente que a gente não sabe se gente,
não aceita verdades; endeusa quem mente;
tem país democrático e quer ditadura...
... ... ...

Respeite autorias. É lei

Mergulho


Algumas palavras intentam e no caminho esmaecem, mas saltam dos dedos sem preencher, a alma e os seus desencontros, desencantos, que ousa voar e salteando o impensado, traça alguns pousos, e hesita.






Um calar sentido, também cura, o silêncio, esse aliado fiel, que sem profundidade enche-se de fantasias que não preenche um vazio. É necessário seguir sem nada indagar ao indiferente tempo, e com ele à revelia… Seguir.






Assim acalentando sonhos que não desapontam… dar ênfase às decepções, ou compreender? Não importa a trajetória, mas mergulhar sem interpretações… Fugir, e fugir do seu poço profundo, busca a simplicidade que acalma, emergir.

"Cartas de Um Condenado"


Prólogo — O Condenado fala pela primeira vez


Condenaram-me apesar da minha inocência; e, na inópia dos incorruptíveis, os inescrupulosos vangloriavam-se de sua afluência. Tiraram-me a liberdade, indiferentes à verdade. Fustigaram-me diante da multidão que suplicava a minha execução. Lançaram-me ao calabouço e, sob a sombra do meu silêncio, despiram-me da minha intrepidez, enquanto eu escrevia o meu último suspiro numa carta.


Atormentavam-me o espírito com correntes tenebrosas; ataram-me à desgraça da minha vergonha e entoaram canções horrorosas. Foram eles que me incriminaram por pura cobiça.


Houve quem recuasse; poucos, porém, ousaram agir para que eu saísse em liberdade.

Escrevo-vos com a última gota do meu fôlego, com o resto do suor da força que ainda me sobra; sem esperança de voltar a aquecer-me ao sol, sem certeza de tornar a ver o mar.


Escrevo com medo de deixar de respirar e de que, com o tempo, os vossos rostos se apaguem da minha memória, e eu já não consiga recordá-los.


E, se alguém vos perguntar de quem é esta carta, respondei-lhes:


é de um Condenado.


Cujo paradeiro hoje é desconhecido; cujo espírito vagueia, importunado pelo grito dos ímpios; cuja alma procura descanso na sofrência dos justos. Não procurem o resto da minha sobrevivência: os ratos já o roeram, as baratas devoraram os meus olhos; os vermes encheram-se nas minhas fossas nasais, e os insetos consumiram as minhas entranhas.


Se vos escrevo, não é por tendência, mas por agonia; se penso, é por sobrevivência; se me movo, é por sacrifício. Redijo para que, caso alguém encontre esta carta, conheça quem foi o homem que habitou esta masmorra e por que foi trazido para cá.


Quando o barulho dos tolos não consegue discernir o ritmo da dança, tendem a perseguir a música dos sábios.


Não houve quem me visitasse, quem chorasse, quem perguntasse por mim ou quem desejasse ver-me pela última vez. Como a relva da terra fui pisado; esmagaram-me como a uma formiga e recusaram-me o direito ao oxigénio. Roubaram-me o direito à liberdade e entregaram-me, indecorosamente, a uma morte apoquente.

Poesia Cantada — Corrupção do Gênero Humano


Desde o nomadismo até o sedentarismo //
O homem foi escravo do seu próprio fetichismo //
Mudou de paisagem, mas não de abismo //
Saiu da caverna, mas levou consigo o cinismo //
Criou o pauperismo, progressismo, vários ismos //
Cada nova doutrina só mudou o mecanismo //
Mudaram os nomes, não mudou o organismo //
Toda civilização foi só cadáver com verniz fino //
Mais tarde as “cracias” dominaram o expansionismo //
E cada império chamou saque de heroísmo //
Cada rei chamou massacre de patriotismo //
Cada Estado chamou medo de civismo //
Ergueu governos frágeis sob despotismo //
Povos ajoelhados sob autoritarismo //
Veio a monarquia, pariu o imperialismo //
E o trono foi apenas a cadeira do egoísmo //
Surgiram preconceitos, conceberam tribalismo //
Estereótipos raciais deram forma ao racismo //
O Holocausto só mostrou com requinte e formalismo //
Que o homem é laboratório do próprio sadismo //


— Miguel Chiyo Tomás

CARTA I: A Condenação


Eis que a multidão estava tão agitada como as ondas do mar, e exclamavam — homens e mulheres, jovens e idosos — com tom azedo:


— Heeee! Heeee! Matem-no! Matem-no!
— Deem-no de comida aos cães!
— Rebelde! Rebelde! Rebelde! Rebelde!


Então condenaram-me por agir indiferente à multidão. Apedrejavam-me antes mesmo que eu lhes revelasse os seus pecados. Queriam silenciar-me antes que o karma e a justiça testemunhassem por mim.


Houve alguns que se ofereciam como escravos às mãos que tiranizavam a nação; outros reduziam-se a servos daqueles que dissipavam os poucos fragmentos de dignidade ainda existentes entre nós. Por recusar servi-los e por negar-me a participar das suas práticas imundas, sentiram-se confrontados pela minha posição.


Antes que me lançassem à masmorra, arrastaram-me com cordas diante de nomes pomposos. E, no cemitério da minha esperança, apenas tumbas se formavam.
As crianças riam; os velhos zombavam de mim. E os meus próximos… esqueceram que eu existia. Diante deles fui visto como vento: invisível, intangível. Aliás, o vento ainda é perceptível; infelizmente, para mim, ninguém me percebia. A minha presença, para eles, reduzia-se a números, diminuindo pouco a pouco, até que não restasse unidade alguma.


Fui abandonado e entregue pelos meus próprios amigos, vizinhos e parentes, que também vociferavam pela minha sentença ao lado da multidão:


— Condenai-o! Condenai-o!
— Enforquem-no! Enforquem-no!
— Joguem-no ao calabouço! Joguem-no ao calabouço!


Uns até debochavam, dizendo:


— Não és tu o herói? Então por que não ages contra nós? Onde está a tua coragem?


E soltavam gargalhadas em tom agudo:


Hahahahaha! Hahahahaha! Hahahahaha!


Outros cuspiam-me no rosto, enquanto os opressores falavam:


— Não sabes tu que não deves ir contra as leis da sociedade?


Então respondi-lhes:


— De que servem as leis se não visam proteger os fracos dos poderosos? De qualquer maneira, este julgamento não busca a verdade; apenas ratifica a culpa de quem é vítima.


Eles insistiram:


— Todos estamos subordinados às normas da sociedade. O que te dá o direito de desobedecê-las?


E eu respondi:


— Seja qual for a resposta — satisfatória ou não — o resultado será o mesmo: condenação. A lei está ao vosso serviço, não vós ao serviço dela.


Novamente perguntaram:


— Quem pode estar acima das normas? Por acaso não são elas que nos orientam?


Então respondi-lhes:


— As normas não podem estar acima da vida. Somos nós que as criamos; nunca elas que nos criam. Somos nós que as instituímos para que nos orientem.


Furiosos com a minha resposta, disseram:


— Desgraçado! Como te atreves a desrespeitar-nos? Já que não queres submeter-te, far-te-emos arrepender deste dia.


A multidão, cega e incauta de esclarecimento, apoiava veementemente os opressores. Não conseguiam distinguir o certo do errado; o puro do impuro; o joio do trigo; a tartaruga do cágado; o leopardo do guepardo.


E eu olhava para eles como um bando de jumentos sem direção. Então perguntei-lhes:


— Se a lei não condenasse os mais vulneráveis,
vós temeríeis as tropas que vos deviam proteger?
Não ousaríeis confrontar o que vos oprime?
Não teríeis o direito de exigir que vos tratassem com justiça?
Não protestaríeis contra aqueles que vos governam?


Os lordes, temendo que tais perguntas despertassem o povo e que, conscientes da verdade, pudessem rebelar-se, imediatamente ordenaram que me conduzissem à prisão de Kakanda, para que, dentro de dois dias, se realizasse o meu julgamento.


Durante esse intervalo, não comi nem bebi.
Dois dias depois daquela agitação diante dos lordes, organizaram um banquete para celebrar o meu julgamento e rir-se do meu atrevimento. Estavam presentes homens de todas as classes — nobres e plebeus — reunidos para assistir ao meu juízo.


"E, enquanto brindavam à minha sentença, eu era conduzido às trevas do calabouço."


In Cartas de Um Condenado. ✍️