Textos de Feliz Ano Novo para celebrar com esperança e otimismo
Sinfonia Inversa
Feche a porta invisível,
abra a janela já aberta.
Cavalgue um unicórnio lobuno,
voe numa libélula dourada.
Desça a serra de vidro,
suba num trampolim estático.
Nade no rio de lágrimas,
corra pela rua de cera.
Grite em barítono agudo,
cale-se em alto volume.
Leia o pergaminho ágrafo,
escreva com a pena de Roc.
Coma a fruta-bolacha,
beba o drink que evapora.
Durma com o sol na moringa,
acorde com os pés nas nuvens.
Mime um gato alado,
dome uma fera urbana.
Reze com evangelho apócrifo,
peque com um terço ao peito.
Conte uma estória verídica,
narre um crime perfeito.
Dance o tango inglês,
cante a ópera baiana.
Alvor
A inspiração é o dínamo do poeta;
A tessitura, o caminho da canção;
Os ciclos são finitos, aceite seus limites;
A oferta, o alvo da procura;
Os ossos do ofício, a labuta cotidiana;
O húmus, o vetor da colheita;
O gume, a fiação da carne;
A réstia, na chuva, é hidrófoba;
O mar nada é sem o vento;
A nau sem leme é pura abstração;
A lua sem fases, uma loucura;
Um ás imperito é um fake;
E a vida sem fé, um caos.
Meu Pai:
Senhor Jesus,
já me ajudaste muito…
já me ensinaste coisas espetaculares…
já me concedeste dádivas incríveis…
já alcancei graças intensas com a tua ajuda…
já me perdoaste milhares de vezes…
já me fizeste sorrir por centenas de dias…
Hoje te peço:
faz-me lembrar, sempre, de te agradecer.
LAGOANDO
(Ode à Lagoa do Apodi)
Teu olhar de paz,
Tua orla.
Teu brilho noturno,
Tua luz.
Teu mistério franco,
Tua água.
Teu sonho abissal,
Tua profundeza.
Teu celeiro de vida,
Tua recompensa.
Teu cardume plural,
Tua fauna.
Teu cheiro de mato,
Tua relva.
Teu canto solitário,
Tua saudade.
Teu trabalho diário,
Tua lavandeira.
Teu sorriso nu,
Tua exuberância.
Sonhar pra quê?
Só pra ver a vida de outro prisma,
Só pra viver uma realidade surreal,
Só pra esquecer a vida real,
Só pra tentar o impossível,
Só pra acreditar que é possível.
Pra esquecer o ontem,
Pra viver uma nova vida,
Pra ver o amanhã,
Pra projetar a vida,
Pra tentar ver alguém.
Mas vale a pena?
Mas é possível?
Mas faz bem?
Mas convém?
Mas faz parte é a vida?
Sonhar, sonhar… sonhar!
Fidúcia
A aparência pode até seduzir,
O olhar pode até encantar,
O sorriso pode até revelar,
O beijo pode até marcar,
O abraço pode até consolar,
A luxúria pode até deleitar,
O dinheiro pode até comprar,
A inveja pode até querer,
O orgulho pode até cogitar,
O medo pode até fugir,
A ira pode até frear,
A solidão pode até aumentar,
A insônia pode até sonhar,
Mas…
A fé sempre vai reinar!
Vamos nos perder no tempo?
Amanhecer o dia com a alegria de uma criança recebendo um brinquedo.
Acordar de súbito, sabendo que o sonho não passou de um pesadelo.
Levantar-se e ver a vida com a sutileza do voo de uma libélula em plena primavera.
Cair da cama e sair correndo para não deixar as coisas boas do mundo acontecerem sem a sua participação.
Sair de casa com a esperança de dias melhores, mesmo com o futuro recente incerto.
Apreciar, da janela, a firmeza e a dedicação de pessoas desconhecidas, porém essenciais no dia a dia.
Vestir-se de amor em todos os momentos e enfrentar, com cautela, tudo e todos.
Ir ao trabalho todos os dias, sem calendário, como se fosse uma eterna sexta-feira.
Ver o mundo, ver a vida, ver as coisas partindo do pressuposto da conformidade entre o que somos, o que temos e o espírito permanente de justiça.
Contemplar entardeceres, viver menos na compulsoriedade e aproveitar o hedonismo.
Rir, cantar e assobiar aquela musiquinha chata que não sai da cabeça.
Perder-se no tempo e voltar ao itinerário sem usar nenhum atalho.
Vamos nos perder no tempo!
Dozy di X
Ser criança é viver no paraíso sem escalas.
Ser criança é comer tudo de tudo.
Ser criança é errar o alvo.
Ser criança é cantar semitonando em gritos falsetes.
Ser criança é fazer um golaço com uma bola de meia.
Ser criança é sentir dor e continuar correndo.
Ser criança é tomar banho sem vontade.
Ser criança é brincar de vida real.
Ser criança é sonhar sem se preocupar com o amanhã.
Ser criança é ler sem a mínima fantasia.
Ser criança é crer no nunca.
Ser criança é um caldeirão de verbos, como a sutileza de uma pluma colorida e a veracidade de um dragão preto e branco.
Relatividades
A gênese do começo pode ser a explosão.
O apocalipse nem sempre será a extinção.
A agonia, às vezes, é a solução.
O antagonismo constante torna-se isonomia.
A réplica fidedigna parece autêntica.
O feixe de luz ao sol é apenas um brilho.
A lupa míope engole o ciclope.
O pirata matreiro é só um recruta.
A pirueta de manco vira cacoete.
O trago do vício é mero contentamento.
A escrita simétrica entorta a leitura.
O cavalo alado é refém do pasto.
A mágica do fraco é viver de consolo.
O lirismo da ode soa como poeta ultrapassado.
Falando comigo
Vou trabalhar,
desenho o percurso.
Planejo o dia,
refaço tudo.
Às vezes sou fraco,
sempre busco ser justo.
Pela manhã sou bicho,
à noite sou manso.
Suplico a Deus,
demoro a acreditar.
Quero mudar,
tento me controlar.
Assovio um canto,
escrevo um mote.
Levo pancadas,
levanto na fé.
Trabalho a mente,
oxigeno o corpo.
Penso na vida,
lembro do ontem.
Desisto no início,
mas ergo a cabeça.
Dedico meu tempo,
espero o dia passar.
Leio um livro,
aumento o som da TV.
Ajudo o próximo,
sinto-me útil.
Lembro da infância,
enxugo as lágrimas.
EliAfeto
A luz que a vida nos dá,
A paz serena de viver,
O zelo permanente pelo que é bom,
O limiar do bem em mãos seguras,
A dedicação constante ao que é certo,
A coerência vocacionada a servir,
O bem-querer de ser mãe,
O estado lúdico de sempre brincar,
A meiguice no olhar apaixonado,
A mais bela arte de viver,
O atento cuidado do lar,
O infinito amor pela maternidade,
A âncora vital da família,
A luz dos olhos de Deus.
A lua daqui
Eu não vou mentir: por onde quer que eu vá, sinto que o luar nunca é igual ao de minha cidade, Apodi. Aqui não há montanhas gigantes, nem encostas que façam o luar ser único. Mas, no Calçadão da Lagoa do Apodi, na parte meridional da cidade, a lua se matiza de prata, refletindo sobre a água como se o céu tivesse derramado um bujão de gás luminoso. Ela fica tão reluzente que encanta, apaixona e já fez gente simples se tornar famosa só por morar na cidade da lua platinada.
Percebo que as grandes cidades, com suas selvas de pedra ou litorais recortados por ilhas, nem de longe produzem luas como a daqui. Nossa jaci é uma verdadeira belezura: casais se enamoram e até brigam, mas, ao perceberem o luar, desarmam-se das intrigas e voltam a se amar.
Aqui nem pensar em lobisomens. Pelo contrário, o que a lua enfeitiça são os gatos, que deixam de ser apenas gatos e ganham nomes dignos de celebridade: Nâno, Tufão, Fábio Assunção, Nega Véia, Melissa Mel, Florinda, Bob Mel, Frida Mel, Pedro de Canoanés, Ceguinha, Morcego e até Paulo Jorge. Longe de quererem se tornar feras, eles só se deixam encantar. E, assim como nossos felinos se transformam em personagens, nossa cidade carrega consigo uma rica gama de apelidos, que vão desde as crianças até os idosos, passando por todos que têm história e memória por aqui.
A lua daqui parece tornar nosso povo ainda mais hospitaleiro, e quem bebe da água de Apodi tende a não sair jamais, encantado pelo luar, pela lagoa e pelo calor silencioso da nossa gente.
Fé infinita
O tamanho do universo é análogo ao amor de Deus: infinito.
A fé do homem deve ser na mesma proporção, também recheada de agradecimento e regada com perdão.
Cada amanhecer é um presságio do poder do Pai Celestial e um novo momento concedido pelo nosso Criador a todos nós.
A alvorada nos renova, e os primeiros raios de sol são bênçãos divinas.
Obrigado, Senhor, por mais um dia de vida!
Verbos & Verbos
É nobilíssimo trabalhar;
É esperançoso ajudar;
É simétrico contar;
É argumentativo conquistar;
É eloquente discursar;
É apaixonante desejar;
É lúdico brincar;
É ilegal sabotar;
É harmonioso consolar;
É utópico sonhar;
É grandioso triunfar;
É agonizante esperar;
É burlesco plagiar;
É vantajoso ganhar;
É sublime amar.
Mulher: matriz da vida
Tua luta firme e incansável nos protege todos os dias.
Tua força vigorosa e admirável nos sustenta todos os dias.
Tua sensibilidade delicada e humana nos ensina todos os dias.
Tua sabedoria prudente e luminosa nos orienta todos os dias.
Tua presença doce e inspiradora ilumina nossos caminhos todos os dias.
Tua esperança viva e resiliente renova nossas vidas todos os dias.
Teu brilho sereno e materno no olhar traduz tua delicadeza de ser mãe.
Teu sorriso largo e acolhedor nos encanta e nos abraça.
Teu carinho terno e generoso nos fortalece suavemente.
Teu carinho constante e afetuoso revela tua amabilidade e proteção.
Teu amor sincero e fiel e tua fé firme e serena são símbolos de paz interior.
Teu significado nobre e profundo é importante para todos nós eternamente.
Gênese do verso
Eu pensei em me calar,
procurei me segurar,
mas a vida logo me deu
o dom de improvisar.
Vou tentar não misturar
emoção com a razão,
pois se isso for tentado
tudo vira confusão.
É capaz de desandar
quem quiser se aventurar;
pois o que vou aqui falar
pode servir pra rimar.
O que for para ser dito,
que se fale sem frear;
que seja logo entoado,
rimado e improvisado.
Quando o mote apressar,
não corra, vai ficar feio;
procure ser mais matreiro,
não se faça de arengueiro.
O que aqui já narrei,
foi deixado no caminho;
sempre quis andar certinho
com a fé como vizinho.
Prometo sempre guardar,
esse dom que já citei;
eu me atrevo em cravar,
poeta nunca serei.
Na arte sempre há lugar
pra quem verseja com zelo;
por isso guarde com esmero
esse verso verdadeiro.
Eu ficaria parado por horas a fio, imerso na contemplação de cada traço teu, se a lucidez não me trouxesse o receio de parecer insano ante a tamanho sentimento por você. É um fascínio que me paralisa, uma hipnose consentida.
Vejo em ti uma deusa despida de vaidades terrenas.
Teus cabelos esmerados moldam um semblante onde a própria arte encontra o seu limite. Não se trata apenas da harmonia do teu rosto, mas da luz terna e quase melancólica que emana de ti. És a materialização da calmaria, o refúgio onde uma alma exausta como a minha ansiaria repousar.
E, no entanto, a cruel geografia ri do meu desespero.
Quilômetros e horizontes se estendem como um abismo infinito entre o bater do meu peito e a suavidade da tua pele. A matéria me aprisiona neste canto do mundo, enquanto o meu pensamento, rebelde e desesperado, já habita o teu espaço. É a mais sublime das torturas: ter o universo inteiro diante dos meus olhos através de uma imagem, e ao mesmo tempo ter as mãos atadas pela tirania da distância.
Nessa agonia do inalcançável, porém, encontro a minha mais pura certeza.
Minha essência, antes peregrina, cega e trôpega, reconhece na tua imagem o fim da sua busca. Não anseio mais pela abstração do ideal, pois o meu sentido encontrou pouso na tua existência.
Sinto, com a força de um paradoxo indomável, que és o encerramento da minha jornada. A mulher que desenhei nos meus delírios mais lúcidos, aquela a quem eu entregaria não apenas o meu amor, mas a eternidade dos meus dias. Estás tão fisicamente longe, mas, de alguma forma inexplicável, nunca alguém esteve tão perto de ser o tudo que me falta.
Essa Tal Modernidade
O mundo moderno é cheio de nuances que muitas vezes engolimos calados. Sábios pesquisam, experimentam e, ainda assim, não chegam a conclusões definitivas; as dúvidas persistem e, por vezes, se ampliam diante do status quo. Já os incautos do conhecimento, na linguagem criada por eles mesmos chamados de idiotas, exibem prontamente certezas ruidosas, empolgam-se com teses artificiais e chegam rapidamente às mais mirabolantes conclusões.
A dificuldade de escutar, aliada à febre da chamada leitura dinâmica, gera intelectos rasteiros, repletos de pseudorrazões. A antiga aliança entre o desejo de saber e a pesquisa praticamente desapareceu. Questionamentos naturais e concepções enraizadas na razão perderam espaço para leituras de manchetes e informações sinopsadas, que hoje parecem conter o contexto de nossa sociedade.
A crise do século XIV foi provocada por uma combinação de fatores: a crise agrícola e a fome decorrentes de más colheitas, agravadas pela Grande Fome de 1315–1317; a devastação causada pela Peste Negra, que matou cerca de um terço da população europeia; os efeitos destrutivos de conflitos prolongados como a Guerra dos Cem Anos (1337–1453); e o aumento das tensões sociais que geraram revoltas camponesas, como a Revolta dos Camponeses de 1381. Esses fatores enfraqueceram o sistema feudal e mergulharam a Europa em profunda instabilidade.
Há quem sustente que tudo isso foi consequência do afastamento do homem da religião, interpretação difundida por setores da própria Igreja medieval, então grande detentora de terras e poder político.
No presente, o estancamento do conhecimento que vivemos pode ser associado ao distanciamento da leitura didático-hedonista e à supremacia de uma tecnologia que incentiva o “saber fácil”. A antiga pesquisa, realizada em diversos livros impressos e confrontando autores e ideias, perdeu espaço para cliques rápidos que oferecem um conhecimento leve e, muitas vezes, superficial.
Ainda assim, a defesa integral da tecnologia como fonte preponderante em nosso trabalho diário será sempre minha bandeira. A utilização racional dessa ferramenta nos conduz a ratificar e ampliar substancialmente o conhecimento. A convergência entre saber empírico, ciência e tecnologia torna-se um levante do bem para a expansão maciça de nosso entendimento.
Dói o grito que sufoca, a vontade que se desfaz como cinza entre meus dedos. Então eu me ajoelho diante do céu e chamo por Deus, imploro por uma saída, por um sinal, por qualquer respiro, mas em noites como esta, parece que Deus apagou meu nome do livro divino, parece que minha voz não atravessa o silêncio do firmamento.
E eu fico aqui sozinho tentando acreditar que Ele ainda me escuta e, totalmente perdido, tento manter a fé.
Pensamentos ao Vento, Cordas ao Coração
Meus pensamentos são pássaros sem gaiola nenhuma
que decolam do peito quando a alma chama
às vezes voam baixinho, rente ao chão
com a leveza de um suspiro em meio ao trovão
Outras vezes alçam voo alto, até o céu azul profundo
cruzam nuvens de prata, onde os sonhos se fundem
às vezes são murmúrios, como folhas no vento
outras, gritos silenciosos que o peito não contém
E no colo, meu violão — madeira e alma junta
cada corda sabe bem qual é a sua cunha
para cada pensamento que bate na minha porta
ela encontra a melodia que faz o coração sorrir ou chorar
Quando os pensamentos são de amor, suave e terno
as cordas vibram em dó maior, calmo e eterno
dedos deslizam leve, como beijos na pele
a música envolve tudo, fazendo o mundo parecer belo e pequeno
Se forem pensamentos de saudade, pesados e densos
a afinada vira ré menor, caminhando devagar, como em densos caminhos
cada nota é uma lembrança, um nó na garganta
a ressonância ecoa no peito, como um eco que não acaba
Há momentos em que a mente corre, agitada e rápida
os dedos correm pelas cordas, ritmo acelerado, quase febril
como um trovão que se aproxima, forte e inesperado
a melodia é um turbilhão, onde emoções se entrelaçam e explodem
E quando a paz finalmente chega, calma e serena
o violão sussurra em lá menor, suave e sereno
pensamentos flutuam como nuvens de algodão
a música embala tudo, fazendo o tempo parar e o mundo ficar só
Meus pensamentos voam livre, sem destino nem lei
e meu violão os acompanha, sempre com a melodia certa pra dizer
que cada emoção que vivemos, seja dor ou alegria
tem sua voz na música, sua casa na minha história
Que as cordas nunca se quebrem, que os pensamentos nunca se fechem
que o vento leve cada nota, onde quer que o coração queira ir
pois assim é a vida: feita de voos e de sons
de pensamentos que cantam e de violões que dão voz aos sentimentos.
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