Textos de Feliz Ano Novo para celebrar com esperança e otimismo

As pancadas da vida

Eu sei que a vida às vezes é dura.

Às vezes ela não avisa.
Simplesmente vem…
e nos enche de pancadas.

E tem noites em que a gente fica acordado de madrugada pensando:
“O que eu poderia ter feito diferente para evitar tanta dor?”

A mente procura respostas.
O coração tenta entender.

Mas olhando por outro lado…
cada pancada também ensinou alguma coisa.

Você aprendeu a sobreviver.

Mesmo com traumas do passado.
Mesmo com momentos em que quase desistiu de tudo.

Ainda assim, em algum momento, você percebeu algo importante:
você era mais forte do que imaginava.

E mesmo depois de tantas quedas,
você continuou seguindo.

Porque às vezes a vida bate forte…
não porque você merece sofrer.

Mas porque, de alguma forma,
essas pancadas acabam revelando a força que existia dentro de você o tempo todo.

Intensidade


Às vezes a gente se culpa por ser intenso demais.

Muitos dizem que deveríamos mudar.
Que deveríamos tratar as pessoas da mesma forma que somos tratados.

Mas a verdade é que eu não sou assim.

Eu não consigo ser frio quando meu me coração é quente.
Não consigo devolver maldade quando o que eu carrego é amor.

Se alguém carrega ego…
eu carrego sentimento.

Se alguém carrega desconfiança…
eu carrego confiança.

Mas não qualquer confiança.

É o tipo de confiança que só pode ser quebrada uma única vez.

Por isso é preciso ter cuidado antes de tentar quebrar alguém por inteiro.

E a verdade é que o meu maior medo nunca foi ficar quebrado.
Porque todas as vezes que eu me quebrei… eu também me curei.

O meu medo é outro.

É que um dia, lá na frente, você perceba o que perdeu…
se arrependa de tudo…

E eu simplesmente não possa mais fazer nada.

Jogo da vida

A força que existe dentro de você é maior do que o medo de perder na jogada.

A vida, muitas vezes, parece um jogo cheio de riscos. Há momentos em que o medo de errar, de falhar ou de perder faz a gente pensar em não jogar. Mas existe algo dentro de cada pessoa que é mais forte do que esse medo: a coragem de tentar.

Quem vive apenas tentando evitar a derrota acaba nunca descobrindo até onde poderia chegar. Já quem encara o jogo, mesmo com o coração acelerado, aprende, cresce e se fortalece a cada passo.

Perder faz parte do caminho. Errar também. O que não pode acontecer é deixar que o medo seja maior que a vontade de viver aquilo que você acredita.

Porque, no final, não vence apenas quem nunca caiu.
Vence quem teve coragem de continuar jogando.

“A Coragem de Acreditar em Mim”

Com 23 anos, tenho minha própria barbearia.
No início foi duro. Eu duvidava de mim mesmo, achava que não seria capaz de ter clientes, mesmo sabendo que meu trabalho era bom.
Ouvi várias vezes pessoas ao meu redor dizendo que não daria certo, outras dizendo que eu precisava ter mais paciência.

Minha mente ficava dividida: “Estou indo bem ou estou fracassando?”

Sou um homem trans, e a vida, às vezes, é mais dura pra gente. Mas percebi que isso não pode ser um obstáculo, porque somos humanos como qualquer outro.

Por um tempo procurei fé em religiões, tentando achar respostas fora de mim.
Esquecia de algo essencial: acreditar em quem eu realmente sou.
A ciência, Deus, qualquer coisa… mas às vezes faltava acreditar em mim mesmo.

Houve momentos em que reclamava: “Por que faço bem para todos e nunca recebo nada em troca?”
Depois de dias refletindo, entendi algo poderoso:
Fazer o bem esperando “bens” é diferente de fazer o bem de verdade.

O bem verdadeiro está em cada manhã que você acorda com saúde e tem a chance de correr atrás do seu futuro.
Os “bens”, no entanto, são comparações, a busca de ter a mesma vida que os outros.

Foi nesse momento que percebi: a felicidade não está em ter o que os outros têm, mas em valorizar o que você constrói todos os dias, acreditar em si mesmo e continuar evoluindo, mesmo quando ninguém vê.

“Construindo em Silêncio”

Depois de cortar distrações e assumir o controle da minha vida, percebi uma coisa: a evolução real não grita, ela aparece devagar.

Cada treino cumprido, cada página estudada, cada decisão de agir em vez de procrastinar era uma vitória silenciosa.
No começo, ninguém percebe. Nem amigos, nem redes sociais, nem professores. Só você sente.

E isso é o ponto: progresso que depende de aprovação alheia não é progresso de verdade.
O que importa é o que você constrói enquanto o mundo assiste distraído.

Pequenos avanços se acumulam e, quando você olha pra trás, percebe que não está mais no mesmo lugar de antes.

E aqui vai a regra de ouro que aprendi:
Não se compare, não se distraia, não busque validação externa. Só construa.

Cada passo silencioso te deixa mais forte, mais preparado, mais consciente.
Cada vitória silenciosa é uma prova de que você está, finalmente, no controle da sua própria vida.

Nem todo mundo vai ficar

Uma das coisas mais difíceis de aceitar na vida
é que algumas pessoas fazem parte da nossa história…
mas não fazem parte do nosso destino.

No começo a gente não entende.

A gente tenta insistir.
Tenta consertar.
Tenta segurar alguém que, no fundo, já está indo embora.

Mas a vida tem uma forma curiosa de ensinar.

Algumas pessoas chegam para nos acompanhar por muito tempo.
Outras chegam apenas para nos ensinar algo.

E por mais que doa admitir isso,
nem todo mundo foi feito para ficar.

Algumas presenças nos ensinam sobre carinho.
Outras nos ensinam sobre limites.
E algumas nos ensinam a nunca mais aceitar menos do que merecemos.

O problema é que muitas vezes a gente confunde amor com apego.

Amor constrói.
Apego prende.

E quando alguém decide seguir outro caminho,
talvez não seja o fim de tudo.

Talvez seja apenas a vida abrindo espaço
para pessoas que realmente caminhem ao seu lado.

Porque no final, quem é de verdade
não precisa ser convencido a ficar.

Simplesmente fica.

“Felicidade na Realidade”

Por um momento em minha vida, pensei que não me tornaria nada.
Eu tinha medo da realidade e me comparava demais com os outros.
Achava que para ser como todos eu precisava fazer tudo o que todos fazem: viajar, postar fotos bonitas, estudar, malhar, mostrar sempre o lado bom da vida.

Mas percebi uma verdade simples e dura: nas redes sociais ninguém mostra o dia a dia de verdade.
Ninguém mostra quando o dia é duro, quando não consegue dormir, quando a mente fica sobrecarregada ou quando você pensa em desistir.

Eu não confiava na minha própria capacidade. Pensava em desistir por achar que não era suficiente.
Procurava apoio familiar, buscava relacionamentos perfeitos, achava que precisava disso para ser feliz.

E então percebi: a felicidade não está em um relacionamento perfeito.
Nos meus 23 anos, nunca vivi nada perfeito, e percebi que felicidade tem mais letras que amor.
— ela é complexa, real, feita de pequenas conquistas e aceitação da vida como ela é.

Desde então, parei de procurar a perfeição nos outros ou nas redes sociais.
Comecei a focar na minha realidade, no que passo, nas minhas escolhas e na minha evolução.

A felicidade verdadeira não é sobre aparências.
É sobre aceitar sua vida, aprender com seus desafios e crescer todos os dias, mesmo quando ninguém vê.

“A Vida é Sua, A Paz Também”

Quanto tempo você vai levar para cair na realidade e entender que a vida é sua?
Para que tanta pressa? A vida é sua, e cada escolha precisa ser sua.

Às vezes buscamos conhecimentos que parecem impossíveis, dúvidas que nos paralisam.
Mas no final, quando você mantém o foco, sempre descobre que consegue mais do que imaginava.

O que será da minha vida daqui para frente, eu não sei.
Mas algo que eu sei com certeza é o quanto vale a minha paz.

E isso é o que importa:
Foco no presente, construção diária, evolução silenciosa.
A vida é sua, e a paz que você conquista é seu maior bem.

“A Distração que Me Atraiu”

Durante muito tempo eu achei que estava atrasado.
Via pessoas crescendo, conquistando, mostrando resultados…
E eu me perguntava por que minha vida não andava na mesma velocidade.

Eu passava horas olhando a vida dos outros. Instagram, redes sociais, conversas, fotos… Tudo parecia melhor do que a minha realidade.
E quanto mais eu olhava, mais distraído eu ficava. Mais minha energia se perdia.
Até que percebi: minha vida sempre esteve andando para frente. Eu é que estava distraído.

Foi nesse momento que comecei a tomar decisões diferentes.
Tirei o foco da vida alheia e coloquei no que realmente importava: meu corpo, minha mente, meus objetivos, meu crescimento.

Treinei, estudei, aprendi a disciplina e a paciência.
Cada pequena vitória que eu conquistava me lembrava que a evolução real é silenciosa, e que não precisava comparar minha jornada com a dos outros.

Essa foi a primeira lição: comparação é distração. Foco é poder.
E quando você entende isso, percebe que nunca está atrasado.
Está apenas se preparando para ser melhor do que ontem, de forma real, não de fachada.

“Disciplina é Liberdade”

Depois de perceber que eu estava distraído, veio a parte mais difícil: agir.
Parei de olhar pra vida dos outros e comecei a olhar pra minha vida de verdade.

O treino diário, os estudos, os pequenos hábitos que eu ignorava antes se tornaram minha arma contra a distração.
Descobri que disciplina não é prisão, é liberdade.
Porque quando você cumpre suas metas, por menores que sejam, você sente controle sobre sua vida.

Não foi fácil.
Houve dias que eu queria desistir, que a preguiça gritou mais alto.
Mas cada vez que eu escolhia agir em vez de procrastinar, eu me tornava mais forte.
Pequenas escolhas se transformaram em grandes mudanças.

E aqui está a verdade que muitos ignoram:
Não é sobre se tornar igual a alguém. É sobre se tornar melhor do que você era ontem.

A rotina que eu criei.
— treino, estudo, foco me ensinou que o progresso é silencioso, mas visível para quem realmente observa: você mesmo.
Cada pequeno avanço é combustível para continuar, e cada distração ignorada é vitória.

A realidade da vida

Em algum momento a vida deixa de ser aquela ideia bonita que a gente imaginava quando era mais novo.

A realidade aparece.
As coisas nem sempre acontecem no tempo que queremos.
Nem todas as pessoas ficam.
Nem todos os planos dão certo.

E é aí que muita gente pensa em desistir.

Mas a verdade é que a realidade da vida não veio para te parar.
Ela veio para te acordar.

Ela mostra que nem tudo depende da sorte, que muitas vezes vai exigir esforço, paciência e coragem para continuar mesmo quando parece que nada está dando certo.

A vida não promete facilidade.
Mas também não determina fracasso.

O fato de algo não ter acontecido como você imaginou não significa que acabou.
Significa apenas que o caminho mudou.

E às vezes, é justamente no caminho que a gente não escolheu que a gente encontra a força que nem sabia que tinha.

Desistir parece uma saída rápida.
Mas continuar é o que realmente transforma a história.

A força vem de onde você nem imaginava


Você acha que a força vem quando tudo está dando certo.

Quando você está confiante.
Quando tem apoio.
Quando tem resultado.

Mas não.

A verdadeira força nasce quando nada disso existe.

Ela aparece no silêncio depois da decepção.
No vazio depois da perda.
Na madrugada em que você pensa que não vai aguentar.

E mesmo assim… aguenta.

Você não descobre sua força nos aplausos.
Descobre quando ninguém está olhando.

Quando você levanta mesmo sem vontade.
Quando continua mesmo sem garantia.
Quando enfrenta mesmo com medo.

A força não é barulho.
É decisão silenciosa.

É você respirando fundo e dizendo:
“Eu não vou parar.”

Muita gente acha que é fraca porque chora.
Porque sente.
Porque dói.

Mas sentir não é fraqueza.

Fraqueza seria desistir de si.

E você ainda está aqui.

Talvez a força que você tanto procura não esteja fora.
Talvez ela esteja escondida dentro de tudo o que você já superou.

Você sobreviveu a dias que achou que não conseguiria.
Você enfrentou situações que jurou que te quebrariam.

E não quebraram.

Te moldaram.

A força vem de onde você menos espera:
Ela vem das suas quedas.
Das suas perdas.
Das suas inseguranças.

Porque é ali que você descobre quem realmente é.

E quando você percebe isso…
Você para de ter medo do processo.

Você entende que não importa o que venha,
Você sempre vai encontrar força de novo.

Mesmo quando achar que acabou.

Quando a Carência Parece amor

Tem dias difíceis que fazem a gente acreditar que precisa de alguém ao lado pra continuar.

Não companhia.
Não parceria.
Mas necessidade.

E é aí que começa a confusão.

A gente mistura apoio com dependência.
Mistura carinho com muleta.
Mistura amor com medo de ficar sozinho.

Nos dias bons, você é forte.
Confiante.
Independente.

Mas nos dias ruins… você procura alguém pra te salvar.

Só que ninguém veio pra te salvar.
Vieram pra caminhar junto.

Existe uma diferença enorme.

Quando você acredita que só vence se alguém estiver do seu lado, você entrega o controle da sua vida nas mãos de outra pessoa.

E isso é perigoso.

Porque pessoas vão embora.
Mudam.
Se afastam.
Escolhem outros caminhos.

E se sua força depender delas, você desmorona junto.

Dependência emocional nasce do vazio que a gente não quer encarar sozinho.

É mais fácil ter alguém ali do que aprender a sustentar o próprio silêncio.

Mas maturidade é entender que companhia é escolha, não necessidade.

Você pode amar.
Pode se entregar.
Pode dividir planos.

Só não pode esquecer que antes de qualquer pessoa, você precisa ser suficiente pra você.

Relacionamento não é cura.
É complemento.

E complemento não substitui base.

Se você não aprende a se sustentar nos dias difíceis, qualquer ausência vira queda.

Aprende a ficar bem sozinho.
Aprende a atravessar o caos com a própria força.

Porque quando você deixa de precisar e passa a escolher, tudo muda.

Você não ama por medo.
Ama por vontade.

E isso transforma qualquer relação.

Menina Cinderela

Em uma casa simples, onde o sol entra pelas janelas de madeira
vive uma menina que sonha alto, mesmo com a vida difícil que leva
seus dias são cheios de tarefas, de limpeza e de cuidado
mas no fundo do coração, guarda sonhos que nunca abandona

Ela lava roupas no rio que passa perto da porta
cuidando das panelas, do jardim e do chão de pedra
seus passos são leves, mesmo carregando peso na alma
seu sorriso é suave, mesmo que às vezes seja só para si mesma

Seus irmãs mais velhas vivem de vaidade e de exigências
sempre pedindo ajuda, sempre querendo mais atenção
ela não se queixa – sabe que a paciência é uma força grande
e que um dia seus sonhos vão se tornar realidade, sem precisar de milagre algum

Um dia chega a notícia: há um baile na cidade grande
onde jovens de todo lugar poderão conhecer e dançar
seus irmãs se preparam com vestidos novos e roupas bonitas
enquanto ela continua suas tarefas, guardando a esperança em seu coração

Depois de arrumar tudo, ela vai até o guarda-roupa velho
e encontra um vestido que sua mãe usou em tempos passados
lava, passa e arruma com muito carinho e dedicação
transformando aquela peça simples em algo cheio de graça e emoção

Com sapatos de couro que consertou com muito cuidado
ela sai pela porta, caminhando com firmeza até a cidade
onde as ruas estão decoradas com bandeiras coloridas ao vento
o caminho é longo, mas seus passos não tremem nem um pouco

Chega ao local do baile quando já está escuro
as luzes das lâmpadas a céu aberto brilham forte
ela se junta aos outros jovens, que a recebem com sorrisos calorosos
ninguém liga para o vestido antigo – o que importa é o brilho em seus olhos

Ela dança com todos, com graça em cada movimento
seus pés deslizam como se estivessem flutuando no chão
os outros a elogiam por sua elegância e seu jeito sincero de ser
ela percebe que seus sonhos não precisavam de nada além de sua própria força

No dia seguinte, volta para casa com a certeza de que tudo é possível
suas irmãs olham para ela com outro olhar, já entendendo o valor da simplicidade
ela sorri de coração, sabendo que construiu seu próprio caminho.

Detalhes da Existência

Existe uma beleza na vida
que nunca se impõe.
Ela não grita,
não exige atenção,
não disputa espaço com o barulho do mundo.

Ela apenas permanece
nos detalhes.

Talvez por isso
quase ninguém a perceba.

Vivemos ocupados demais
procurando o extraordinário,
o que parece grande,
o que pode ser mostrado aos outros.

Mas a verdade da existência
raramente está nas coisas grandiosas.

Ela mora no modo
como alguém diz o seu nome.

No olhar que se demora
como se ali existisse
uma pergunta silenciosa.

No abraço que dura um pouco mais
como se dois corações, por um instante,
tentassem escapar da solidão do mundo.

Há algo profundamente humano
nesses pequenos gestos.

E talvez fosse isso
que os pensadores da angústia humana
tentavam dizer:

que a vida não se revela
nos grandes espetáculos da existência,
mas nos instantes simples
onde duas almas realmente se encontram.

Porque no fundo,
o ser humano não sofre
pela falta de grandes acontecimentos.

Ele sofre
quando os detalhes desaparecem.

Quando ninguém percebe seu silêncio.
Quando seu nome é apenas um som.
Quando seus dias passam
sem um gesto que diga:
“eu vejo você.”

E então a existência continua,
o tempo segue,
os dias se repetem…

mas algo dentro da alma
começa lentamente
a se tornar vazio.

Talvez seja por isso
que a beleza da vida
se esconde nos detalhes.

Porque são eles
que lembram ao coração
que existir
ainda tem sentido.

— Sariel Oliveira

A Metafísica dos Pequenos Gestos


Existe uma beleza na vida
que não se anuncia.
Ela não chega fazendo barulho,
nem pede para ser notada.

Ela apenas acontece.

Habita os detalhes.

No modo delicado
com que alguém pronuncia o seu nome,
como se ali existisse
mais do que uma simples palavra.

No olhar que permanece
um segundo além do necessário,
como se quisesse dizer algo
que a linguagem não alcança.

No abraço silencioso
onde dois corpos se encontram,
mas quem realmente se toca
são as almas.

A vida esconde sua verdade
nesses pequenos instantes.

Mas quase sempre
estamos ocupados demais
correndo atrás do que parece grandioso,
do que o mundo chama de importante,
do que brilha por fora.

E assim deixamos escapar
o essencial.

Porque o essencial
não se impõe.
Ele se oferece.

E só percebe
quem aprendeu a sentir.

Talvez por isso,
quando o tempo passa
e a memória começa a recolher
os fragmentos daquilo que fomos,

não são os grandes acontecimentos
que permanecem.

São os detalhes.

Um gesto.
Um olhar.
Uma palavra simples
dita na hora certa.

Coisas pequenas
que, de alguma forma misteriosa,
se tornam eternas.

Porque quando os detalhes desaparecem,
a vida continua existindo…

mas perde
a sua profundidade.

E sem profundidade,
até o tempo
parece vazio.

— Sariel Oliveira ✍🏻

Fonte de amor
De paz
E de luz,


Olha só a flor,
Que plantou Jesus
Com todo amor
Carregou a cruz


Nunca reclamou
Sempre nos ensinou
O valor da vida


Do grande amor
Da alma sabida
E da pequena flor


Então posso falar
Jesus quis nos ensinar
E você entendeu
O verdadeiro valor
Da palavra
amar

Soneto de Nenhuma Dor

Nenhuma dor dói mais que dor nenhuma,
Nenhuma palavra pode até ser um soneto,
Nenhum sorriso não quer dizer tristeza,
Nenhuma verdade torna o silêncio obsoleto.

Nenhuma dor me traz a solidão,
Nenhuma ausência me faz sentir sozinho,
Tanta paixão me deu nenhum amor,
A solitude amplia meu caminho.

Nenhum ocaso me faz pensar que é tarde,
Nenhuma verdade me faz refém do medo,
Nenhum perdão me ameniza a mágoa.

Nenhuma lembrança é a dor que ainda arde,
Nenhuma saudade tem o gosto azedo,
Nenhuma agrura me arranha a alma.

LEILA

Conheci o poder das tuas franjas
e do teu sorriso
Tu trazias a lua pra varanda
E improvisava um paraíso

Aprendi s admirar mulheres de óculos
A desejar seus os óculos...
A acordar de madrugada
Sem ter saudade da namorada...

Aprendi a achar que o mundo precisa de Leilas
Dengosas , belas e meigas
Cheguei a achar que o destino
Contigo podia ser melhor,

Mas o destino te deu amor.
O mundo te deu paixão
E a vida te deu David, o Abrahão...

Agora me falas de Tempo,
Ninguém conhece mais o tempo do que eu...

A beleza não perece com o tempo,
Ela se protege na alma...
Continuas linda...
Quem te conhece sabe,
Quem tem sensibilidade vê...
FELIZ ANIVERSARIO

RASTAFARI

O Promotor soltou o verbo; grave, sua voz soou aos meus ouvidos ao som de todos os idiomas e todos os dialetos, como uma declaração a humanidade, sobre quem era o mais espúrios dos seres sobre a face da terra: eu. O juiz que me lembrava um camarão, pela cor da sua pele e pelo seu bigode aparado e sua toga irrepreensível, apenas assentia. Imaginei atrás daquele birô, uma guilhotina com lâmina tão afiada, que certamente faria minha cabeça saltitar como uma bola de basquete nas mão de Magic... ou talvez fosse uma corda preparada num cadafalso; e eu morreria dando língua, deboche à burguesia e seus valores fajutos... quiçá uma fogueira queimasse todas as minhas máculas. Talvez. O promotor continuaria horas a fio com os ‘’elogios’’a ponto de eu imaginar acentuando-se os meus pés-de-galinha, aliás, toda a minha face estaria traçada por aquela angústia, não fosse a providencial e majestosa presença da princesa, que adentrara o tribunal.
Seus impetuosos seios pareciam uma oferenda. Até então, eu não sabia qual era o meu crime, até reparar em toda a sensualidade da boca da princesa. Eu fora sempre alguém torpe assim, ou era a presença da princesa que me tornava um cafajeste? Seus quadris também não me passaram despercebidos; centenas de adjetivos fervilhavam na minha cabeça, todos lidos e entendidos pela majestade a ponto de fazê-la enrubescer. O promotor também parecia conseguir essa proeza, pois no seu lero-lero, palavras como torpe e sadismo, passaram a serem ouvidas com freqüência.
A sentença parecia implacável, irremediável, mas depois de conhecer toda aquela graça, morrer seria um grande azar; restava-me a esperança da defesa; era um negro, cabelos tipo rastafári, estatura mediana numa França burguesa, loira e de olhos claros, onde já havia perecido dentre outros, Joana D’arc a guerreira; contudo se a defesa tivesse metade do “queixo” da promotoria, eu seria absolvido.
O martelo do meritíssimo soara trazendo-me a realidade, quando eu quase sentira o sabor sexy da burguesinha; a palavra foi dada à defesa: Serafim, parecia escárnio, mas não, era a graça do nosso herói, que mais parecia um representante do reggae da memorável Jamaica do Bob Marley. Ou seria um macumbeiro da periferia soteropolitana, ou dos confins maranhense... em que ele se basearia, além do baseado?

O negro começou com um linguajar de fazer inveja a qualquer jurista, deixando todos boquiabertos inclusive o jurista Cid Carvalho emtão famoso pela sua inigualável oratória, mas depois introduziu uma enxurrada de gírias, fazendo aparecer nos lábios da princesinha o mais belo dos sorrisos e nos seus olhos um ar de cumplicidade. O rastafári estava conquistando aquele reinado, e, provavelmente eu seria absolvido para testemunhar a majestade viciada e sodomizada, não, preferível a guilhotina!
Senti o corpo todo estremecer, depois percebi a leiteira ainda pingando nas mãos de Isabel. Eu estava todo molhado entre lençóis e travesseiros deitado na cama, tudo não passara de um pesadelo, e, provavelmente, indignada com alguma reação minha durante o sonho, Isabel tomou essa atitude de me acordar assim. Um negão rastafári abotoava o vestido de Isabel, no que pude perceber, era uma fantasia de princesa. Era desfile da escola de samba e o enredo era o império.
Será que o meu sonho tornar-se-ia realidade? Isso me assustaria, se eu não percebesse que esse rastafári era um fiel representante de uma comunidade gay...