Textos sobre Dor
POEMA – PRECORDIALGIA NUMA QUARENTENA
Hoje, eu só queria falar da dor, da dor que enlaça o meu peito nesse momento de confinamento. Sei que está sendo difícil, já senti vontade de chorar, até. Talvez esse seja um momento de encontro comigo mesmo. Quanto tempo que não tive mais esse contato, esse encontro, talvez a dor surge em meio a essa dificuldade de me encontrar e de conectar-me a mim mesmo no dia-a-dia. Nesse momento, talvez um acalento singelo pudesse apaziguar essa dor tão devastadora que urge em meu peito. A precordialgia me invade! Nesse nome, percebo o quanto o preço da dor dói em mim, o quanto eu permito ela doer em mim. Qual o preço da dor? Qual o preço da cor? Não sei! Mas, sei que estou pagando o preço por guardar tudo em mim, esses sentimentos guardados se transformaram em dor no meu peito, essa dor que me sufoca, que me tira o fôlego, parece que estou morrendo, que tem algo me corroendo por dentro. Fico pensando e imagino que o preço da cor está naquilo que eu não faço ou gostaria de fazer. Até colorir isso tudo, essa dor que está aqui dentro, levarei uma quarentena. Talvez esse momento seja para isso: para transformar a dor em cor, para refletir se vale a pena cultivar essa dor, para transformar a escuridão em luz, para colorir em aquarela a algia que surgiu quando eu entrei em contato comigo mesmo. A dor tem preço, e desse preço eu quero levar o valor da cor. Ao fim da tão dolorosa quarentena, virei um pintor de mim mesmo: a dor virou cor!
MUNDO 🌹
Um mundo sem homens
Sem deuses sem tempo
sem destino sem hipocrisia
Sem dor e sem fome
O vento corre como um cavalo
Por todos os lados o mar rodeia-me
Deixando recados escritos na praia
Filha da espuma do beijo do mar
Intolerante, inquieto, inconstante
Chove lá fora e o meu coração
Chora de amor e saudade que vem
De dentro, caiem lágrimas de alegria
Afinal esperar por ti não foi em vão
O vento corre e galopa como um cavalo
Rodeado de mar, onde as ondas escrevem
Na areia poesias de amor
Cavalos selvagens, tempestade de neve
Onde correm como o vento
Do seu desalento, pranto sentido choroso
Lágrimas que derretem o gelo da alma
Como fogo ardente selvagem de uma paixão
Corpo nu belo charmoso quente
Quando o nosso sonho perder a luz
Sorria sempre que voltará a luz ao seu sonho encantador
Esse seu amor
No frio é o me calor
Essa sensação não tem valor
Com você não sinto dor.
O seu ciúmes
Tira-me de meus costumes
Não me entristesse
Porém, me aquece
De mim você quer cuidar
E agora eu vou deixar
Me amar por completo
Mas lembre-se de não brigar.
Quando o sol se levantar
Com beijos desejo te acordar
Para de bom humor o dia começar.
Passo o dia com você jogando
Nós dois brincando
Mas melhor que tudo é com você ficar conversando.
Por você estou apaixonada
E até pelos seus defeitos encantada.
EM CONFISSÃO (soneto)
Meu amor, minha paixão (dor e o contento)
Meu fado azarão, dedo turvo na predileção
O meu devaneio vestido, e desnudo o alento
Quanto o vulgo, sentimento, pura desilusão
Santo confessor! Ao meu flagelo fique atento
Sabeis tudo, tudo.... - dos segredos do coração
Meus lamentos, em vão, desastrado juramento
Nas juras, ao luar, evolou só insensata emoção
Um cativo na noite infinita, ó noite tão infinda
Sabeis que sem afeto o mundo é uma mentira
E que rude é a lágrima que escorre tão sofrida
Eis o meu amor, quebrável, em súplicas ainda
Santo confessor! Deste desventurado caipira
Quem pode detê-lo sem pô-lo de partida? ...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
28/03/2020, 23’13” – Cerrado goiano
TRIUNFO🌺
A dor que me rasga o corpo
Que me atormenta a alma
Que me tortura a mente
Que me inferniza o coração
É a dor que me ilumina e me castiga
Que Deus me alivie do vale da sombra
Hei-de passar pela dor infinita para triunfar
Soluços da alma gritos de dor
Lágrimas de agonia corpo da vaidade
Mente louca sádica masoquista
Devoradora gasta desprotegida abandonada
Deserta da solidão rua deserta
Beco quieto linha vazia
Calçada a portuguesa chuva de lágrimas
Jardim inacabado candeeiro sem luz
Altar sem cruz igreja sem sino
Pessoas sem destino futuro sem esperança
Janelas partidas viver sem lembrança
Olhar perdido adeus mudo
Vento forte tempo esquecido despedida cruel ..!
Amor é dor
Calafrios nas mãos
Insônia com razão
Peito apertado
sensação de aflição
Vem, muda meus dias
Minha rotinha
Minha vida
E depois me deixa na esquina
Nua e sem qualquer quantia
Sou mendiga
Pleiteiando minha saída
Tento enxergar beleza nos dias
Aqueles que não vejo sua retina
Vivo o luto de sua despedida
Temendo aceitar sua partida
Ansiosa pelo fim desses dias
Na esperança que o sol ilumine meus dias
Amo e por isso sinto dor
Vc me conjuga com o verbo rancor
Penso em vc e perco o sono
La se vai uma noite sem dizer: te amo
Andando por aqui sozinho
Eu consigo enxergar a dor
A empatia que nos falta
Retrocede o que restou
Talvez seja questão de ser humano inteiro
Voltar e me olhar no espelho
Lavar a alma e tentar seguir em frente
Mostrar que tudo pode ser
Tentando escapar do que há de pior
Pois o mundo já não é o mesmo
Fácil de cair, sem sintonia não há paz
Vou recomeçar sem medo
As vezes sinto que a dor me consome e não é aquela que de repente some,e sim aquela que carrego no peito desde que não somos mais como éramos antes e não temos aquela antiga conexão constante.
Por isso eu só sinto,porque não quero acreditar que á pessoa que eu conheci,não me transmite mais aquela alegria pelas mensagens bem ditas,com aquele Bom dia crucial que acabava melhorando até oque eu diria as pessoas que rodam comigo com empatia,apenas lembro que dizem que você faz coisas,mas com a experiência digo que são só avarias.
Quero apenas te ouvir e te compreender e saber que esse desejo é mútuo com puro afeto entre almas com conexão...
Eu e eu
Eu converso comigo.
Logo me intrigo.
Um sonhador.
Que conhece a dor.
Houve se do amor.
Mas é na poesia que me torno trovador.
Cara imbecil.
Achar que a rédea da felicidade não tenha luta.
Labuta.
Mas a mente astuta.
Maluca.
Cuca.
Eu converso comigo muita bobagem.
Mas também carrego uma bagagem.
Um certo entendimento.
Não entenda como vanglória.
Aí que mora minha ignorância.
Minha covardia.
Em ver toda dia a fonte da razão.
Mas a teimosia.
Orgulho.
Ganância.
Soberba.
São elementos da cabeça humana.
Eu, eu continuo comigo.
Olhando para o umbigo.
Sem amar o próximo.
Vivo remorso.
É um diálogo perverso.
A mim eu confesso sem parar.
Como é difícil amar.
Giovane Silva Santos
SONETO INDOMÁVEL
Ó pranto! À dor, quando, entranho
Fico sem rumo certo pelo cerrado
O anoitecer, quando, chega calado
Tudo é solidão, e em nada é ganho
Tristura, fria, que pesa no passado
O vento é poeira de ardor estranho
E a hora lenta e tão sem tamanho
Que o olhar vazio, alheia, fissurado
No meu alvo silêncio, rude insônia
Clamo por todo o arrimo, em vão
Nada escuta, indigente cerimonia
Invento um verso, tento, e tento
E rasgo-o, continuas sem demão
Tudo é indomável no sentimento
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
04 de março de 2020 – Cerrado goiano
ALMA RASGADA 🌺
A minha alma gritava
E rasgava de dor
O meu corpo descosia
As linhas cerzidas
Onde eu remendava
A minha desalinhada mente
O sangue dói como as palavras
Que escorrem nos rios
Correndo para o mar
Gestos de lua, colhendo rosas
Estrelas cadentes, agonizada noite
Dedos feridos, crispadas mãos
Rimar poético, digno de louvor
Flutuado pensamento, nostalgia suspensa
Ausências no espaço, presença perfeita
A minha alma aclamava os espinhos
Que eu cosia e remendava as rosas
Para florir de amor de esperança
DOR DAS ROSAS
A minha alma aclamava os espinhos
Que eu cosia e remendava as rosas
Para florir de amor de esperança
O sangue dói como as palavras
Que escorrem nos rios
Correndo para o mar
Gestos de lua, colhendo rosas
Estrelas cadentes, agonizada noite
Dedos feridos, crispadas mãos
Rimar poético, digno de louvor
Flutuado pensamento, nostalgia suspensa
Ausências no espaço, presença perfeita
CORRE O RIO 🍁
Corre o rio de tristezas devagar cor de sangue
Sangue, sangue de dor arma enferrujada
Veias de veneno lapidado sugado no escuro
Corpo estendido esquecido e sentido
Sangue derramado de um soldado
Com o coração partido perdido, magoado
Guerra estúpida, sem tempo, sem hora
Humanidade despida sem destino nas areias
Escaldantes do deserto desentendidos, ignorantes
Corre o rio de dor, de sangue de odor, podre, fede
Carne apodrecida deixada à sua sorte
Veias lapidadas de cores de uma guerra estúpida
Sem honra, sem respeito, sem compaixão
Feridas feitas no peito de sangue que deixam cicatrizes.
Aquela dor
Estamos no mesmo lugar,
Diante dos mesmos barcos
E das mesmas pessoas.
Certamente,pensas que não
Lembro
De suas palavras
E gestos.
Eu não esqueci,
Mas deixei de me importar
Pois não é algo relevante.
Como eu já disse,
Da mesma maneira que eu
Posso gostar de ti
Eu também posso Desgostar.
Nunca volto atrás
Daquilo que um dia me feriu,
Então,
Adeus.
-Gabriela Bonfanti
Será que temos 2°, 3°,4°,5° Chances no amor?!
Depois de tantos erros , só nos sobra a dor.
O coração partido pela dor de um amor nao mais correspondido .
Só quem passa por essa dor ,sabe o que é o verdadeiro amor .
2° ,3°,4°ou 5° Chance é as vezes impossível é coisa de romance , por que na vida real já se passou a chance de ser a atual .
A Dor Da Perda
Quando você recebe algo
Você nunca quer perder,
Pois se torna algo especial
Que é muito dificil de esquecer.
Deus me deu uma mãe maravilhosa
Que me deu amor e também me ensinou,
Mais Deus me deu esse presente
E ao mesmo tempo me tirou.
No dia 25/12/15,
Algo muito triste aconteceu,
Minha mãe não somente se foi,
Metade de mim também morreu.
As vezes eu choro,
Choro igual criança
Pois minha mãezinha se foi
E só restou as lembranças..
Mãe é o bem mais precioso
Mas eu nao poderia prever,
Cuide da sua mãe a cada dia,
Para amanhã você não perder e se arrepender..
Mãe como eu te amo
Um amor mais puro do que mel
Cuide de mim daí de cima
Pois o seu lugar é agora no céu..
Colo
A minha dor dorme
Na fuga do pensamento.
E de uma lembrança
Descobre o sentimento.
Me deparo com o destino
Agora coberto de pó
E num furor matutino
Percebo que não estou só
Pinto o tempo a mão
E a cor de ideia triste
Desde já inexiste
No colo do amigoirmão.
As horas de todas as cores
Um conselho vem doar
Aproveitas todos os amores
Antes de o tempo acabar
(mote)
Fique inteiro.
Ande...
De carinho.
Seus amigos estão ao seu lado.
Não desperdice este ninho!
Enide Santos 07/04/20
No meu caminho de dor e luta,
Veio um ser cacheado com um timidez absoluta,
Me vendo no meio do caminho desistir,
Se envolveu sem deixar horas pra partir,
Me desviou do penhasco e do abismo,
Mesmo machucada me mostrando cada risco,
Esse cuidado me fez aproximar,
Desse anjo cacheado que sorrindo,
Não parava de chorar,
O que ouve divindade com o seu coração?
Só vejo cacos e pedaços de anos de ilusão,
Entreguei meu coração a alguém, e ele nao cuidou,
Coração pequeno e frágil que 10 anos despedaçou,
Presta atenção pequenina no que vou dizer,
Você me fez o homem mais feliz, sem nem mesmo perceber,
Em troca disso quero dividir contigo meu coração,
Que antes machucado, hoje esta transbordando de paz amor e união.
Não vai ser fácil pra você como foi pra mim recuperar,
Mais eu sei que meus sentimentos com o tempo te mostrará,
Que o mundo está cheio de pessoas, com coração vazio, e maldade na mente,
Mais juntos podemos mostrar pro mundo que o amor de verdade é totalmente diferente!
NASCER DE NOVO
Nascer: findou o sono das entranhas.
Surge o concreto,
a dor de formas repartidas.
Tão doce era viver
sem alma, no regaço
do cofre maternal, sombrio e cálido.
Agora,
na revelação frontal do dia,
a consciência do limite,
o nervo exposto dos problemas.
Sondamos, inquirimos
sem resposta:
Nada se ajusta, deste lado,
à placidez do outro?
É tudo guerra, dúvida
no exílio?
O incerto e suas lajes
criptográficas?
Viver é torturar-se, consumir-se
à míngua de qualquer razão de vida?
Eis que um segundo nascimento,
não adivinhado, sem anúncio,
resgata o sofrimento do primeiro,
e o tempo se redoura.
Amor, este é o seu nome.
Amor, a descoberta
de sentido no absurdo de existir.
O real veste nova realidade,
a linguagem encontra seu motivo
até mesmo nos lances de silêncio.
A explicação rompe das nuvens, das águas, das mais vagas circunstâncias:
Não sou eu, sou o Outro
que em mim procurava seu destino.
Em outro alguém estou nascendo.
A minha festa,
o meu nascer poreja a cada instante
em cada gesto meu que se reduz
a ser retrato,
espelho,
semelhança
de gesto alheio aberto em rosa.
Chorando por ti de noite, pensando em ti de dia,
será que algo nesse mundo essa dor anestesia?
vou meter umas tatto...
a agulha me queimando
por instantes, faz com que eu não pense em ti.
O duro é quando cê me encara,
Seu olhar me matando faz com que eu só pense em ti,
então saia daqui,
já que quer voar, bate suas asas,
to abrindo a sua gaiola.
Mas nunca teve gaiola,
você sempre foi livre,
e nunca voou, porque cê nunca quis ir embora.
