Textos sobre o destino
Garagem vazia
Retorno de um de um destino planejado e encontro a garagem que antes repleta de carros, agora em um abundante vazio.
O esvaziamento provocado pela data que marca o dia do presente evento, sugere que aqui órfãos não moram.
Memorável dia das mães, que faz unir em um demográfico espaço, gerações, que por quadras, bairros, cidade, estados vivem distanciados.
É dia de celebrar, de relembrar o passado e homenagiar aquelas que com todo cuidado, amaram a missão por Deus ourtogada de amar, criar e educar cada semente inocente.
Valorizar é dever diário, expressar gratidão é obrigação, mas o que marca o dia aqui mencionado, é a celebração que trás alegria e união.
Mãe, não há uma melhor que a sua, por isso filhos, o óbvio também precisa ser dito.
Imensurável papel exerceram e ainda exercem para aqueles ainda gozam de sua presença, hà aquelas que souberam expressar, hà aquelas exageraram, e as que limitadas por suas feridas emocionais só puderam dar o que tinham, mas todas sem exceção, são as mais dignas de profunda gratidão, merecem ser lembradas , presenteadas, cuidadas e homenageadas.
Por isso, digo a todos que ainda podem, esforça-te para demonstrar, dizer que se importa é honrar e cuidar, seja presente, diga obrigado, e o eu te amo, demonstrado e falado.
E para turma dos órfãos, a qual me incluo, resta a lembrança, e o profundo respeito e muito carinho por todas que vivem, mesmo não sendo nossa.
Feliz dias das mães, que os carros das vagas vazias, encontrem seu espaço, e filhas e filhos com suas mães estreitem laços.
Júnior Oliveira.
Parei um pouco para olhar o caminho que percorri e percebi que a maior riqueza não está no destino final, mas em quem segura a nossa mão durante o trajeto. No fim das contas, a gente só quer alguém que entenda nossa bagunça e que escolha ficar, mesmo sabendo que não somos perfeitos.
E saber que você está ali, mesmo que não esteja perto.
DeBrunoParaCarla
Às vezes pergunto-me se fomos nós que nos escolhemos ou se foi o destino que se cansou de nos ver separados. Existe uma inevitabilidade no que sinto por ti. É como se todos os caminhos que percorri antes de te conhecer fossem apenas ensaios para o grande palco que é o nosso encontro. Este livro é a prova de que nada em nós foi por acaso. Cada palavra que escrevo é um prego que fixa a nossa história no tempo, garantindo que, venha o que vier, o que Bruno sente por Carla jamais será apagado.
DeBrunoParaCarla
Minha vida e a tua seguem na mesma direção, unidas pelo destino, guardadas no coração.
Tentaram nos separar, tentaram nos ver cair, mas aqueles que desejaram o mal não conseguiram nos destruir.
Pois há um lugar reservado para quem semeia a dor, mas nós seguimos firmes na força do nosso amor.
A luta é minha e tua, em cada amanhecer, e não existe tempestade que nos faça esquecer.
Se vier o frio, eu te aqueço, se vier a dor, vou resistir, porque minha vida sem a tua não saberia prosseguir.
E enquanto houver esperança, enquanto houver emoção, caminharei ao teu lado de mãos dadas com o coração.
DeBrunoParaCarla
Sobreviver, minha doce criança, é assassinar sonhos,
enquanto o tempo embaralha o destino com os tentáculos amargos do acaso,
as cores percorrem o mundo e são capturadas pelo
cansaço.
Restando, então, telas em preto e
branco,
não para serem coloridas, mas para esquecermos que
um dia já existiram tons azuis em
nossos
céus.
Você quer caminhar comigo?
Perguntou baixinho o teu olhar, como quem convida o destino pra desacelerar.
E eu quis. Quis teu passo ao lado do meu, quis dividir silêncios, risos, manhãs e o céu.
Porque caminhar contigo
não é só seguir uma estrada,
é transformar qualquer instante em eternidade apaixonada.
Se for tua mão na minha,
não importa o rumo ou o lugar, até os caminhos mais simples aprendem a florescer e amar.
Então repete outra vez,
bem perto, devagarinho:
“Você quer caminhar comigo?” — e eu vou por toda vida no teu caminho.
O Semeador do Destino: Entre o Fim Inevitável e o Abraço do Agora
O homem desperta para a consciência de sua própria existência e depara-se com uma verdade nua: "O tempo é breve, a vida é efêmera e o nosso futuro é a morte." Esse horizonte definitivo não é um castigo; é a moldura que dá valor a cada batida do coração. Diante do eco silencioso do Memento Mori, o homem compreende que não há espaço para o desperdício, pois cada segundo que escorre é uma semente única jogada no tecido do tempo.
Com as mãos cheias de intenções e o peito despido de ilusões, ele assume o seu papel de semeador. O solo à sua frente é a própria vida, um terreno que muitas vezes apresenta secas imprevistas, tempestades violentas e pedras no caminho. É nesse exato momento de fricção entre o desejo do homem e a dureza da realidade que nasce o Amor Fati.
Amar o destino não significa resignar-se passivamente à dor, mas sim abraçar a terra como ela se apresenta. O sábio semeador não perde o seu tempo curto maldizendo o clima ou lamentando o inverno; ele ama a tempestade porque ela testa a sua resiliência, e ama o silêncio da terra porque ele exercita a sua paciência. Ele faz de cada obstáculo o adubo para o seu crescimento.
Guiado pela sabedoria de que o fim é certo, o semeador liberta-se da ansiedade do fruto. Ele encontra a sua eternidade no ato presente de lançar a semente do amor. Sabendo que o amanhã é uma promessa incerta e a morte é a única realidade futura, ele escolhe viver o agora com uma intensidade sagrada. Ele ama o seu destino, honra a sua finitude e, assim, transforma a breve semeadura da vida em uma obra de arte imortal.
-Rodrigues BFK
Flamengo
No peito rubro-negro arde o destino,
um grito antigo ecoa no Maracanã,
como se o tempo parasse no hino
e a noite virasse manhã.
É chama que não se apaga,
é sangue que sabe vencer,
quando a multidão se propaga
e o mundo aprende a tremer.
Nas ondas de preto e vermelho,
nas ruas, no ar, no olhar,
Flamengo é espelho
de quem nasceu pra lutar.
Se cai, levanta mais forte,
se chora, aprende a sorrir,
tem fé que desafia a morte
e um jeito próprio de ir.
Porque não é só time ou bandeira,
é paixão que não tem fim:
Flamengo é vida inteira
batendo dentro de mim.
Helaine dos Machado
O sentido da vida é a morte. Nascemos para morrer e seguimos em direção a esse destino. Mas o que nos leva até ele são as escolhas que fazemos em vida. Cada escolha gera consequências, e essas consequências se tornam nossas lições.
O que aprendemos ao longo da vida é o que deixamos quando partimos. E, no fim, o que realmente fica não são bens ou conquistas, mas os afetos que espalhamos pelo caminho.
Raízes do Fogo
Eles nasceram no mesmo sopro,
mas em margens que o destino rasgou.
Dois nomes escritos na mesma chama,
condenados ao nunca que o tempo selou.
Ela carregava o sol nos olhos,
um incêndio manso na pele a arder.
Ele era noite em silêncio profundo,
um abismo bonito de se perder.
Toda vida, o mundo os refazia,
em outros corpos, em outros lugares,
mas sempre havia algo entre eles ..
Um fio invisível… e mil altares.
Se cruzavam por um segundo apenas,
num toque que quase chegou a existir,
e o universo, cruel e preciso,
tratava logo de os dividir.
Era amor antes do nome,
antes da carne, antes da dor,
uma raiz cravada no tempo
que nem a morte arrancou.
Mas havia a maldição... Sempre ela...
Como um sussurro preso no ar:
“Vocês podem nascer mil vezes…
mas nunca vão se encontrar.”
E ainda assim, em cada vida,
algo neles insistia em lembrar:
um calor no peito, um vazio estranho,
um quase… que não sabia explicar.
Porque o amor deles não era escolha,
era destino em combustão —
um fogo que arde sem nunca tocar,
raízes presas na mesma escuridão.
E se um dia o erro do mundo falhar,
se o tempo esquecer de separar,
talvez o fogo encontre o próprio caminho…
e finalmente aprenda a queimar.
Livro: @luccisantz by wattapd
A Cor da Pele
A cor da pele nunca foi destino,
apenas o primeiro verso do caminho.
Há quem enxergue fronteiras na superfície,
enquanto a alma desconhece esse artifício.
Minha pele guarda sol, vento e memória,
traz cicatrizes que também contam história.
Não mede caráter, coragem ou fé,
nem diz por onde um coração ficou de pé.
Quem aprende a olhar além da aparência
descobre no outro a própria essência.
Porque o corpo é só o lugar onde a vida mora,
mas o amor é a cor que nunca vai embora.
Lucci Santz
E se?
E se tudo fosse diferente?
E se o destino mudasse o roteiro?
E se o tempo voltasse em silêncio,
corrigindo cada desespero?
E se os encontros não fossem atraso,
nem as despedidas, punição?
E se o amor chegasse primeiro,
antes de qualquer solidão?
Talvez eu fosse outra pessoa.
Talvez o mundo fosse outro também.
Mas a vida não responde aos "e se...",
ela apenas pergunta:
o que você fará com o agora que tem?
O Destino de Quem Não Desiste
A colheita da vida nunca falha para quem semeia com constância e fé. O caminho da superação exige paciência, pois as grandes edificações da alma e da matéria não acontecem do dia para a noite. Se a jornada de hoje parecer lenta ou cansativa, lembre-se de que a gota d'água perfura a rocha não pela força, mas pela persistência. Continue firme nos seus propósitos, agindo no bem e trabalhando com afinco. O futuro reserva alegrias imensas para aqueles que se recusam a estacionar no desânimo. A sua vitória já está sendo construída a cada pequeno esforço de hoje.
Às vezes, uma palavra muda um dia.
Um gesto muda uma esperança.
Uma oportunidade muda um destino.
Nem sempre vamos lembrar exatamente do que dissemos, mas as pessoas quase sempre lembram de como se sentiram quando estiveram perto de nós.
Por isso, acredito que devemos procurar deixar marcas boas por onde passamos.
Levar incentivo onde existe dúvida.
Leveza onde existe peso.
Força onde alguém já está cansado de lutar sozinho.
Porque a vida já é difícil demais para que nossa presença seja apenas mais uma indiferença.
No fim, talvez o verdadeiro valor de uma vida não esteja apenas no que conquistamos, mas no quanto conseguimos melhorar, mesmo que um pouco, a vida de quem cruzou o nosso caminho.”
Olhar além do horizonte
Eu vejo
Caminhar com destino a felicidade
Eu ando
Nadar um percurso e descansar
Eu abraço
Sentir a brisa do mar
Eu vivo
As lágrimas caem
Eu choro
O (nascer e por) do sol
Eu contemplo
A lua e as estrelas
Eu admiro
Os passáros e as borboletas
Eu voo
A felicidade
Eu sorrio
Eu confesso que achei que o destino tinha uma criatividade meio limitada. Tipo aquelas novelas que só trocam o cenário, mas o roteiro continua o mesmo drama reciclado. Porque veja só, eu ali, carregando um primeiro amor como quem carrega um troféu meio quebrado, meio sagrado, meio inútil… e de repente, sem aviso prévio, virei o primeiro amor de alguém. Assim, do nada. Como quem tropeça numa pedra e descobre que era ouro.
E olha… tem um ego ali que dá uma esticadinha gostosa. Não vou fingir humildade espiritual, não. Existe um certo charme em ser o marco zero emocional de alguém. É tipo inaugurar um coração, cortar a fita vermelha de um território desconhecido, com direito a banda tocando e tudo, ainda que a banda seja só a ansiedade tocando desafinada dentro do peito.
Mas junto com esse charme vem aquele medo inconveniente, aquele que não pede licença, só chega, senta no sofá e começa a opinar. Medo de dar errado, medo de ser só mais um capítulo repetido com personagens diferentes, medo de investir sentimentos como quem aplica dinheiro num banco que já faliu antes. Porque a gente aprende, né. Pode até demorar, pode até doer, mas aprende. Nem que seja na base do “nunca mais eu faço isso”… pra depois fazer de novo, só que com mais cautela e um pouco menos de ingenuidade.
Só que dessa vez eu fui diferente. Não fui aquela versão minha que mergulha sem saber se tem água. Eu fui com calma, quase desconfiada, quase científica, analisando cada gesto, cada silêncio, cada palavra não dita. Parecia que eu estava montando um quebra-cabeça sem saber qual imagem deveria aparecer no final. E, curiosamente, foi exatamente isso que tornou tudo mais verdadeiro. Porque não tinha fantasia suficiente pra me enganar.
E aí, quando eu menos percebi, fez sentido. Não aquele sentido cinematográfico, cheio de música alta e beijo na chuva, mas aquele sentido quieto, que se instala devagar, que não precisa provar nada pra ninguém. O amor deixou de ser incêndio e virou casa. E casa não precisa pegar fogo pra ser quente.
Hoje, olhando pra tudo isso, eu entendo que amar não é mais sobre intensidade descontrolada. Não é sobre se perder. É sobre permanecer. É sobre escolher, todos os dias, ficar. Mesmo quando é mais fácil sair, mesmo quando dá preguiça emocional, mesmo quando o outro não tá na sua melhor versão. É uma teimosia bonita, quase um pacto silencioso entre dois seres imperfeitos que decidiram não desistir tão fácil.
Não é perfeito. E ainda bem que não é. Porque perfeição não sustenta ninguém. O que sustenta é o real. E o real, minha querida, tem rachaduras, tem dias ruins, tem dúvidas… mas também tem presença. E no fim das contas, talvez seja isso que mais importa. Não ser o primeiro amor de alguém, nem o mais intenso, nem o mais inesquecível. Mas ser aquele que ficou quando tudo já não era mais novidade.
A vida é uma dança constante entre o que planejamos e o que o destino nos impõe de repente.
Entre o silêncio da calmaria e o estrondo da pressa, o tempo veste diferentes máscaras.
Há o tempo que pede calma, o tempo que apenas flui e, claro, as urgências que não negociam com o relógio.
Abaixo, exploramos três momentos distintos da urgência, o que pode esperar, o que exige atenção imediata e aquilo que transborda o próprio conceito de tempo.
Evangelista Araújo leite
30/07/2026 ✍️
Erguem-se os homens ao trono do Estado,E em suas mãos, o destino de milhões,Sob um comando cego e implacável,Que move massas, forças e nações.Por essa glória de ilusório brilho,Caminham firmes, sem poupar a ética,Trilhando a fraude, o erro e o desvario,Numa vaidade estéril e patética.
O ego impera, a ganância dita as leis,Promessas voam como fumo ao vento,Rios de ouro vertem para estes reis,Mas o povo padece no esquecimento.Quem os contesta enfrenta a vil vingança,Pois a injustiça é a arma de quem pregaUma disputa onde a virtude cansa,E a própria pátria ao exterior se entrega.
Nenhum dos lados traz a solução,Nenhum partido cumpre o seu papel,Enquanto o povo espera na opressão,Sob o silêncio de um decreto cruel.Contudo, a culpa não reside neles,Não são as cores que nos dão o norte;A verdadeira história não é deles,É sobre nós que pesa a nossa sorte.Onde se esconde a alma verdadeira,Que zela pelo todo e o bem comum?Quem erguerá a mística bandeira,Sem esquecer de povo algum?
Ass: Roseli Ribeiro 2026
Mais que destino, foi profecia
Grande demais para ter uma festa, pequena ainda para entender que ela é a homenageada, mas que a celebração é minha.
Aquele laudo inesperado, meses antes do casamento, dizendo que eu não seria mãe; as lágrimas secando, a cura e a volta da razão...
Aquilo tudo não era uma sentença, porque nada pode contra Deus, e Ele já tinha me mostrado o resultado final.
Era fé.
Era destino.
Era profecia.
Era amor.
E já estava escrito, lá nas estrelas e no meu caderno, quando eu era apenas uma adolescente.
Às minhas gêmeas, Iala e Isla, e ao caçula, Iarane Jr. Era como se o meu amigo imaginário saísse dos meus sonhos, das nossas conversas telepáticas intermináveis, e viesse ao meu encontro para ser o pai dos meus filhos. Sim, estava escrito. Eu mesma escrevi... porque Deus me permitiu.
Então, era apenas uma questão de tempo. Eu esperaria um ano, faria tratamentos, desceria qualquer escada de joelhos, não por duvidar Dele, mas porque acreditava que nada vem de graça; é preciso merecer.
Coloquei uma data, sem compreender o tempo divino. Não sabia que aquele sono inesperado durante o show do Cirque du Soleil, enquanto tentava assistir ao La Nouba, nem que o sono durante as apresentações da NASA, em Cabo Canaveral, e a fome constante no Magic Kingdom eram por acaso.
Ela era, realmente, uma princesa vivendo o seu primeiro drama: uma viagem clandestina de ida e volta, acompanhada da irmã.
Aquele teste de farmácia e o exame de sangue não eram as provas necessárias para um milagre. A confirmação viria no ultrassom. Mas a alegria e a dor, muitas vezes, moram juntas, e, naquele dia, apenas um coração batia.
Eu não estava errada. Ele não errou. Talvez fosse apenas o intervalo entre as linhas... Talvez, quando pensei que havia perdido, Deus apenas estivesse me conduzindo a um novo destino.
Logo entendi que o tempo e o espaço trabalham de maneira diferente no mundo divino. Nem toda alma gêmea chega junto, e nem todo gêmeo nasce ao mesmo tempo.
Eu iria até o infinito. Brigaria com o inimigo. Seria humilhada e viveria uma vida diferente daquela que imaginei... tudo para proteger, para vê-la feliz.
Existe algo muito maior, muito além daquilo que conseguimos compreender. É difícil explicar. Pequeno para mim e, ao mesmo tempo, grande demais para uma menina entender que tudo é uma questão de amor e fé...
Ou talvez de fé e amor.
*ASAS*
Houve um tempo
em que eu acreditava
que o destino de uma árvore
era morrer no inverno.
Porque eu ainda não conhecia
a primavera.
Então você chegou.
Não como chegam as tempestades,
que arrancam galhos
e deixam lembranças violentas.
Você chegou como chega a manhã.
Sem pedir licença.
Sem fazer barulho.
E, de repente, descobri
que dentro de mim havia janelas
que nunca tinham sido abertas.
Foi estranho.
Passei tantos anos
aprendendo a ser muralha,
que esqueci
que algumas casas
foram feitas para ter varanda.
Você não me ensinou a amar.
Seria injusto dizer isso.
O amor já morava aqui.
Apenas dormia.
Você só acendeu a luz.
E eu vi.
Vi um homem
que escrevia versos escondido da própria voz.
Vi mãos fortes
capazes de tocar o mundo
sem precisar apertá-lo.
Vi que coragem
também podia ser delicadeza.
E que firmeza
não precisava vestir armadura.
Depois...
A vida fez aquilo que a vida faz.
Mudou os caminhos
sem pedir nossa opinião.
Por muito tempo
achei que a dor era você indo embora.
Hoje sei.
A dor era acreditar
que você tinha levado comigo
a parte mais bonita de mim.
Mas ela ficou.
Quietinha.
Esperando que eu percebesse.
Levei anos.
Anos para entender
que ninguém leva embora
aquilo que ajudou a revelar.
As asas
não pertenciam ao vento.
Pertenciam ao pássaro.
Você apenas apontou para elas.
Hoje ainda penso em você.
Há dias em que seu sorriso
atravessa minha memória
como um raio de sol
atravessa uma casa antiga.
Não para machucar.
Mas para iluminar
a poeira que o tempo deixou.
E eu sorrio.
Não porque deixou de doer.
Mas porque finalmente compreendi
que algumas pessoas
não entram em nossa vida
para permanecer.
Entram
para nos apresentar
a alguém.
No meu caso...
A mim.
Agora sigo.
Não correndo.
Não fugindo.
Não esperando.
Sigo como quem conhece a estrada.
Porque aprendi
que o amor nunca foi um lugar.
Era a forma
como eu caminhava
quando me sentia inteiro.
E hoje...
Mesmo sem sua mão na minha,
continuo andando.
Não para longe de você.
Mas para perto
de quem eu descobri ser.
Obrigado por não ter sido o fim da minha história.
Obrigado por ter sido o capítulo em que descobri que eu também sabia escrever.
