Textos sobre o destino
Dizem que somos livres, mas que liberdade é essa, se apenas aceitamos o destino sem escolha?
Somos mortais e sabemos disso. Mas de que adianta lembrar da morte se esquecemos como viver?
Viver... Talvez seja apenas colecionar fragmentos de felicidade, instantes breves que logo se desfazem.
“Viver” é buscar incessantemente esses momentos, mesmo sabendo que acabam num sopro.
SORVETE DE CAFÉ E DESTINO
Dois que se encontraram no tempo errado, mas ainda acreditam que o tempo pode-se redimir.
Um domingo qualquer, um convite, um encontro e um sorvete de café. Com eles vieram as mãos tremendo, a ansiedade, um olhar, um sorriso e um beijo. As mãos tocaram a nuca, e uma boca chegou até aquela curva, selando ali uma intenção. Os olhos dele percorreram o corpo dela, sentindo cada centímetro da alma. Os olhos dela revelaram tudo o que ele queria saber, e os dele mostraram o quanto aquele momento era importante. O instante foi valioso para ambos, uma mistura de querer mais e respeitar o que viria depois.
Pessoas intensas tendem a sentir tudo ao extremo. Não medem sentidos, desejos ou vontades, não se importam em temer, apenas mergulham. Vão ao fundo sem precisar cavar e sentem… Sentem a vida explodindo por entre os poros. É sensorial, é tato, é gosto. É a língua passando pelos lábios, a boca ficando seca, a voz embargada tentando expressar o que a alma já gritou em silêncio, o encontro de tudo o que já existia em algum universo.
Os corpos se encaixam, sentem as mãos tocando cada pedaço possível e extraindo reações. A mente viaja nas possibilidades vindouras. Essas almas pareciam buscar-se há uma eternidade. A consciência de que não devem ficar longe transcende qualquer universo. Mas o tempo é implacável e dita as regras, define a hora, onde e até quando.
É ele quem determina o nascimento, a morte, as vitórias e as derrotas. O tempo mede tudo, e apenas ele sabe quanto durará o percurso. Há, contudo, um tempo de espera. Esse tempo dirá se tudo será vivido nesta vida ou na próxima. O amanhã é incerto, mas carrega a esperança. Dizem que, quando se quer algo profundamente, o tempo caminha a favor, ou te desafia a provar o quanto está disposto a ter, e se esse “ter” vale a tua determinação.
Quanto se aguenta esperar? Até aquele momento havia apenas a ideia, mas ao provar a realidade, uma teia de acontecimentos se moveu no universo, colocando o tempo em alerta. É fato: eles querem e precisam. Mas o tempo aplaca o desejo e o testa. O tempo exige espera, e nessa espera as provas virão. Testarão o quanto desse sentimento sobreviverá, o quanto o desejo resistirá, o quanto de maturidade será exigido. Quantos monstros precisarão matar para viver o desejo real que anseiam?
É preciso cultivar, amadurecer, fortalecer, e se, ou quando, isso acontecer, será eterno. Precisam passar pelas provações que virão. E só assim, depois de vencidas todas as etapas, poderão sentir que valeu a pena e que era exatamente como imaginavam. Ou… só o tempo ganha.
Segundo a mitologia grega, existem quatro formas de amor: o romântico e passional, o fraterno, o familiar e o incondicional. Ainda segundo os mitos, amadurecemos ao viver um amor ao alcance das mãos , mas que nem sempre pode ser tocado ou visto.
Assim como no mito de Eros e Psique, que simboliza, segundo Jung, o processo de individuação, a jornada da alma rumo à totalidade. As tarefas de Psique representam provas internas que desenvolvem discernimento, coragem e autoconhecimento.
A união final entre Eros e Psique expressa a integração entre consciente e inconsciente, masculino e feminino, resultando em uma consciência mais plena e em um amor verdadeiro.
Em síntese, o mito mostra que o amadurecimento da alma ocorre por meio do amor, da dor e da integração dos opostos, caminho essencial para uma vida mais consciente e autêntica.
Caso contrário, a alma se entrega à melancolia e à depressão.
A melancolia reflete a perda do objeto de amor e a dificuldade de criar vínculos afetivos. O melancólico vive um luto constante e precisa amadurecer por meio de relações verdadeiras que fortaleçam o ego.
A depressão representa o vazio interior e a falta de profundidade no contato consigo mesmo. O depressivo precisa voltar- se para dentro e reencontrar o sentido da própria alma.
Ambos podem se curar através do amor maduro: o melancólico ao doar-se, e o depressivo ao amar-se.
Resta, então, a esperança de que, no final de toda a jornada, eles vençam o tempo e possam, enfim, ser imortalizados no amor.
Ana Cláudia Oliver- 27/10/2025
A força das águas reside na sua fluidez. Contornando obstáculos, insistem em cumprir seu destino. Sem cessar, abrem caminhos e desviam do que as impede. Calmas e tranquilas, vencem as barreiras e alcançam seu propósito. Ora ondas, ora correnteza, ganham identidade no movimento. Fluindo coletivamente por vários caminhos, convergem, enfim, para um único destino.Assim somos nós, fluindo. Todos rumo ao mesmo destino: os braços de Deus.
Rosinei Nascimento Alves
Ótimo dia!
Deus abençoe sempre 🙏🏾
Tenhamos fé!
Poema- teu corpo, meu destino
Te quero agora, sem relógio, sem tempo,
sem medo, sem dúvida, sem freio...
Te quero inteira, quente e entregue,
como o sol deseja o mar ao fim do dia.
Teus lábios são fogo que acende meu peito,
teu cheiro, meu vício, minha perdição.
Teu gemido é música que guia meus
passos,
e teu corpo... a estrada onde me perco sem
volta.
Cada curva tua é um segredo que desvendo,
com a ponta dos dedos, com a sede da
boca,
e a cada suspiro que roubo de ti,
mais eu sei... és meu tudo, minha louca.
Me deixa te amar sem medidas, sem pressa,
faz de mim tua casa, abrigo, teu céu,
te quero em suspiros, gritos e sussurros,
teu corpo no meu, um poema cruel.
Cruel porque nos devoramos,
porque não há amanhã, só agora,
porque cada toque é fogo na pele,
e cada beijo é promessa que implora.
Te amar não é escolha, é destino,
é desejo que me queima sem fim.
E se o amor tem nome, tem rosto, tem pele...
ele mora em ti.
Te quero sem pressa, sem medo, sem fim,
como se amar-te fosse a única verdade em mim.
Teu corpo é poesia escrita nos traços do tempo,
um mistério que meus dedos desvendam,
uma estrada onde meu coração caminha
e nunca deseja voltar.
Teu cheiro é brisa que embriaga meus sentidos,
teus lábios, doces como o mel mais puro,
tua pele, um santuário que minha alma busca,
onde cada toque é prece, e cada beijo, cura.
Quero perder-me no brilho dos teus olhos,
encontrar refúgio no calor dos teus abraços,
escutar tua voz baixinho, bem perto,
sussurrando meu nome como um segredo sagrado.
Não és apenas desejo… és encanto,
és ternura, és febre, és paz.
És tudo o que um homem pode sonhar,
tudo o que o amor pode ser.
E se ainda duvidas do que sinto,
fecha os olhos e sente meu toque,
pois nele, encontrarás tua resposta…
sou teu, sou teu… e sempre serei.
Corações velocidades à mais de 8 mil destino
agarrado nos números com tinta extinto Homos sapiens
Escrevo... Sobre 8 humanidades
ciclo que círculo eles num circo completo fuga do natural químico e poluição da ganância do esquema da arrogância que queima e mata
E eu tentando resolver a Solidão de dois mundos divina divida externa anos-luz... estava tão perto do braço e dos abraços escapou... Tento de novo na curva da luz...
Nascimento de um Oliveira 101 nas correntes celebrais celebrando a face da poesia perfeita que bate martelando golpeia para se libertar para existir...
E estes números que me escapa, E é não é, é um pega de te pego! de quem é aquele? de quem é de quem?
E vem nos trens da estação inspiração
Transpasso o corpo e transcender a alma traço de audiência do rádio de cada da estação e nesta tração arrancado nesta extração sigo de voo em vão
Setenta vidas tentei e mais de mil destinos sucumbidos
No beijo preparava para decolar em contagem regressiva e vocês e foi e levou de mim o coração e de alma vazia... tento encher com a noite..., mas as vezes; quase sempre nem com a madrugada me completo
A medida de amar é amar sem medida
O destino, sentado na curva da estrada,
sozinho, em silêncio,
resmunga e se questiona:
— Por quê?
Por que o povo já não acredita mais em mim?
Pois é, destino...
O povo mudou.
Aprendeu que o destino não passa de uma palavra,
e que palavra alguma é capaz de dirigir uma vida vivida.
Quem vive de expectativas é teatro —
influenciadores.
O povo, esse sim, vive de realidade.
O destino não pode manipular
a vida de ninguém.
Eu, sem você,
Sou barco perdido em mares sem destino,
Sem porto, sem âncora, levado pelo sopro da saudade.
Teu amor é farol que rasga a escuridão atéas estrelas,
Bússola serena que orienta cada batida sas ondeno barco,
E transforma tempestades em calmaria no meu peito.
Quero ser a âncora dos teus sonhos velejando longe do porto,
O abrigo seguro na vastidão dos dias sem ti,
Navegar contigo até onde o horizonte se dissolve,
E descobrir no infinito a eternidade do nosso amor.
Aprenda —
ser feliz não é um destino, é um movimento silencioso,
uma decisão leve que nasce no fundo do peito
quando você simplesmente aceita continuar existindo.
A felicidade não é promessa, nem prêmio,
é um sopro antigo que já mora em você,
esperando apenas que seus passos
não sejam interrompidos pelo medo.
Viver é permitir que cada dia
revele um pequeno milagre,
mesmo que escondido no caos,
mesmo que tímido entre as dores.
A felicidade nasceu em você.
Não precisa buscá-la em ninguém,
nem provar nada ao mundo.
Só viver —
e deixar que esse brilho interno
cresça silencioso até iluminar tudo
que você ainda não percebeu que pode ser.
Não quero enganar o destino,
mesmo sem te conhecer já sinto que és parte de mim.
Carrego cicatrizes, marcas de batalhas,
mas nelas floresce a esperança de um encontro.
Hoje a tristeza me visita,
a fúria me atravessa,
a saudade me consome sem nunca ter tocado tua pele,
sem sentir o calor do teu abraço.
Mas antes de te encontrar,
queimar lembranças de angústia sofrimentos toda forma de dor em poʻ,
abrir espaço para o perfume da vida,
para o riso que virá quando teus olhos encontrarem os meus.
Quero que o amor seja mais forte que qualquer sombra,
que o teu corpo seja o refúgio onde minha alma descansa,
que os teus abraços sejam muralhas contra o medo.
E quando enfim eu te amar,
não haverá espaço para sofrer,
apenas para viver intensamente,
como quem dança no fogo da paixão
e descobre que o amor é a cicatriz mais bela:
a que nunca dói, apenas ilumina.
Estou andando pela rua sem destino, sem direção.
Em algum momento, sei que preciso voltar para casa.
Mas antes mesmo de abrir a porta, uma insegurança
já pesa no meu peito.
A mente inquieta pergunta:
qual das mulheres estará lá, me esperando?
Será aquela mulher sensata,
que acolhe com carinho,
que entende meus silêncios
e enxerga quem eu realmente sou?
Ou será a outra —
a que chega como tempestade,
Estressada, descontrolada,
e transforma meus dias em tormento?
No fundo, essa dúvida revela mais do que quero admitir:
a verdade de nós se esconde nas escolhas que fazemos,
e na coragem de reconhecer
quem queremos ao nosso lado
e quem precisa ficar no passado.
Porque paz também é amor.
E amar, às vezes, é saber voltar para casa
sem medo do que vai encontrar.
MÃE SOLO
Lá vai uma mulher na rua,
Andando sem destino,
Com um semblante no rosto,
Ainda não definido.
No seu rosto ainda sem definição,
Não sabemos se é de choro
Ou de gratidão,
O que sabemos é que recebeu uma notícia
Que afetou seu coração.
Lá vai uma mulher
Com as mãos tremendo,
segurando um papel
Que tocou em seus sentimentos.
Lá vai uma mulher que terá que tomar uma decisão, agora tem um filho em seu ventre
E sozinha terá que comprir está missão.
A missão de ser mãe,
mãe solo e sem companhia-
Nas estradas da vida
Terá que se virar sozinha.
Lá vai uma mulher agora com uma criança em seus braços,
Tentando fazer de tudo para que cresça forte e saudável.
Lá vai uma mulher forte e guerreira
sem depender de ninguém,
Suas vestes são coragem, seus calçados
São esperança, e sua missão é cuidar com muito amor
Desta criança !
Hoje a criança cresceu,
Que orgulho tem desta mãe,
Que por vários lugares percorreu - o sentimento é somente gratidão.
Homenagem a minha mãe
Ivone Gomes Pinho
De sua filha
Thaiara Gomes Pinho.
03/05/2025. Gaibu PE.
Bendito é o pássaro, esse errante, que, não tendo casa, não conhece o destino de estar perdido.
Mas eu, pobre de mim, vagueio vacilante, entre o ser que sou e o ser que sonho, tímido e escondido.
Como pode um coração ousar ser verdadeiro e não temer a sombra de ficar sozinho? Ou será que a dor da solidão, esse lobo sorrateiro, doa menos que o disfarce de um falso carinho?
Eu que pensei ter asas, bati-as ao vento para garantir pouso, pão, algum alento. E eis que desperto bicho sem nome, que às vezes sequer sente fome quando tenta, com estômago vazio, digerir o peso inteiro dos sentimentos.
Dizei-me: também as aves levam cicatrizes dos ninhos quentes, dos pousos infelizes, dos amores que encontram pelo céu afora? Pois eu, sem jamais ter aprendido a voar, trago marcas que nenhum tempo leva embora.
E perdoai-me a tristeza da notícia: quem não sabe o último dia em que o pai lhe tomou nos braços, também não sabe medir a saudade antiga por nunca ter a quem oferecer seus laços.
Ah, mas não é esta a sina humana? Dar o que lhe falta, sofrer o que é seu, sonhar o que nunca alcança, buscar no outro o espelho dos sonhos que inventou no seu?
Por isso, digo em voz baixa, como quem teme a própria vida — preferiria ser pássaro, simples e passageiro: não ter morada fixa, não disputar o coração alheio, não desejar casa em peito que só bombeia sangue e dos quais a propriedade não leva nome.
Ela é amada pelo meu amor —
e isso não é exagero, é destino.
Desde que você chegou, meu coração aprendeu um novo idioma,
feito de silêncio, desejo e entrega.
Eu te amo não apenas com palavras,
mas com tudo aquilo que sou quando penso em você.
Você é o verso que faltava nos meus dias,
o encanto que transforma cansaço em esperança.
Quando te olho, o mundo desacelera
e tudo ganha sentido, mesmo o que antes doía.
Se o amor tivesse nome, teria o seu.
Se tivesse forma, seria o teu abraço.
E se tivesse morada, viveria em mim,
porque é em você que o meu amor escolheu permanecer.
Ela é amada pelo meu amor
porque meu amor aprendeu a ser verdadeiro ao te encontrar.
Um dia, uma vez, em outro momento — tudo pode acontecer nos caminhos da vida.
Não é o destino que decide sozinho, mas os gestos que carregamos no coração.
Um olhar sincero pode atravessar muralhas invisíveis.
Um abraço verdadeiro pode curar feridas que ninguém vê.
Uma palavra de carinho honesto pode reacender esperanças que já pareciam apagadas.
Às vezes, é nesse instante simples, quase despercebido, que o rumo de toda a caminhada se transforma.
Porque a vida não se mede apenas em grandes conquistas, mas na força dos pequenos atos que revelam quem realmente somos.
AO PROFESSOR QUE NASCEU PARA SER PROFESSOR
Agradeço todos os dias ao destino, pela graça de ser educador. Arte-educador. Inserir-me nesse contexto como profissão me fez mais do que um profissional: alguém que se reconhece como quem nasceu para isso. Tenho, evidentemente, minhas angústias relacionadas a proventos, condições ideais de trabalho e as grandes dificuldades externas que acompanham nossos alunos até os espaços formais de aulas, oficinas e projetos educativos, tanto no conceito pedagógico, especificamente, quanto nos conceitos da arte e da cidadania.
Sou um professor que não dá nota. Que pode mudar, todos os dias, as estratégias para vender suas ideias e seduzir os alunos. Atraí-los para contextos mais prazerosos do que a obrigação de alcançar notas e pontos para passar de ano. Às vezes, adulá-los. Talvez por isso, eu não tenha nem condições de alcançar a grandeza dos esforços diários dos professores em disciplinas obrigatórias, que têm a dura missão de preparar pessoas para o mercado de trabalho. Para disputas mercadológicas e a sobrevivência em uma sociedade competitiva e cruel, devido à falta de espaço confortável para conquistas.
Não tenho a mínima condição de avaliar precisamente a realidade total das salas de aula, mas sempre que vejo um professor de pelo menos alguns anos de profissão, admiro-o profundamente por ter atravessado esses anos, diante do que vejo. São muitos e muitos os professores que portam condições plenas de abraçar profissões muito mais rentáveis, e o fariam competentemente, mas não fogem do que escolheram, porque seriam somente profissionais. E como nasceram para ser professores, não seriam felizes se não fossem profissionais e seres humanos, como tem que ser, mais do que ninguém, quem nasceu para ser professor.
Reitero, portanto, meu profundo respeito e minha admiração aos que trabalham com amor e sofrimento; com revolta e dedicação; com sorrisos muitas vezes salobros, porque se misturam ao pranto, mas logo se sobressaem, porque o amor ao que fazem tem sempre reserva de otimismo.
Ao mesmo tempo, meu desprezo profundo e a não admiração aos patrões da educação tanto particular quanto pública e aos cidadãos de má vontade responsáveis pelo sofrimento, a revolta e as lágrimas do professor que nasceu para ser professor.
Algo brando e singelo sou,
eu e você
em um destino paralelo.
Era eu a te amar,
você a me escutar —
sou verdade
ou pesadelo
no teu pensar?
Poderíamos ter sido
o amor mais verdadeiro,
nos amar de janeiro a janeiro.
Mas o amor,
essa droga delicada,
ficou entre parênteses.
Você foi faísca.
Eu fui quem te ofereceu
o mundo inteiro.
Girei palavras
tentando falar de amor:
era você e ela
ou era você e eu
nesse mundo
onde eu pensava
que tudo era só dor?
Você é minha inspiração diária,
o fragmento mais belo
nesse mundo de ilusões
onde sobrevivi
escutando refrões
de um amor
que nem sei se foi verdade
ou se foi meu pensamento
afastando a realidade.
A cruzada dessa guerra
foi perdida uma vez —
só para eu saber
se caminho sozinha
ou se ainda vou te encontrar
para viver
uma vida bela,
leve
e singela.
Almas que o tempo não apaga
Dois corações, um só destino,
cruzaram-se na curva do divino.
Almas gêmeas, em puro esplendor,
vivendo intensamente o mais belo amor.
Mas veio o tempo com sua dureza,
soprando orgulho, ferindo a leveza.
Palavras caladas, silêncios gritantes,
e o amor, tão vivo, tornou-se distante.
Seguiram caminhos, corpos separados,
mas os sonhos... ainda entrelaçados.
Cada gesto, cada som, cada cheiro,
era a lembrança do tempo verdadeiro.
O sol que aquece, a chuva que cai,
tudo recorda o que o tempo não trai.
Mas o orgulho, teimoso, cresceu demais,
e cavou entre eles abismos mortais.
Mesmo longe, a dor é presença constante,
como um eco do amor, ainda vibrante.
Dormem e acordam com o mesmo vazio,
tão perto no amor, tão longe no frio.
E o coração? Ainda pulsa em tortura,
amando em segredo, sofrendo a amargura.
Pois saber que se ama e não poder tocar
é o castigo mais cruel de se amar.
A CARAVANA DOS DESALENTADOS
Pelas estradas sem destino eles andam
Buscando um lugar pra chamar de lar
Mas só encontram nada além de espinhos
E o silêncio que os faz chorar.
É a caravana dos desalentados
Dos que perderam a esperança,
É a caravana dos desalentados
Dos que o sistema trata com indiferença.
Muitas portas fechadas eles já bateram
Muitos nãos e desculpas já ouviram
Como inúteis já se sentiram
De tanta luta já se cansaram.
É a caravana dos desalentados
Dos que enfrentam a tempestade e nada encontram,
É a caravana dos desalentados
Dos que no peito a dor carregam.
As primeiras vítimas da crise
Desse possesso mercado,
Do privilégio da elite
E do seu atraso escancarado.
É a caravana dos desalentados
Dos que buscam apenas um sustento e direção,
É a caravana dos desalentados
Dos que precisam de menos julgamento e mais atenção.
William Contraponto
É preciso ter coragem para colocar nosso barco da vida no mar bravio do destino.
Nosso barco será castigado pelas tempestades dos nossos problemas e das nossas adversidades, mas quem confia e tem fé, sua proa sempre apontará para o norte de Deus e jamais estará perdido na imensidão das suas lágrimas ou na escuridão de seus medos.
Navegar é preciso ! Sempre !
A Última Cartada
Kleber Ferreira
Espelhos eu nunca quebrei, mas de joelhos me pôs o destino
Com gato preto nunca cruzei, sou brinquedo nas mãos do divino
Vou arrumar uma ferradura: Vou mudar o meu caminho
Mudar a sorte desta loucura, eu não vou viver sozinho
Os dados do vento da sorte: Creio que estão viciados
Num jogo de vida ou morte, me tornaram um azarado
Oh, querida, deve ser azar, só pode ser maldição
Ter-te foi meu prêmio, perder-te, minha perdição
Se tive, já gastei toda a sorte, agora sou só um azarão
O infortúnio bateu forte, fez sombra no meu coração
Ontem, você me amava, hoje terminou comigo
Ontem, seus lábios eu beijava, hoje, sua ausência é um castigo
Antes eu era tudo em sua vida, agora você não quer mais me ver
Hoje esta ferida aberta, sangra por eu te perder
Será que minha estrela está apagada? Será que nasci marcado?
Será que joguei minha carta na hora errada, num lance desesperado?
Oh, querida, deve ser azar, só pode ser maldição
Ter-te foi meu prêmio, perder-te, minha perdição
Se tive, já gastei toda a sorte, agora sou só um azarão
O infortúnio bateu forte, fez sombra no meu coração
Oh, querida, deve ser azar, só pode ser maldição
Ter-te foi meu prêmio, perder-te, minha perdição
Se tive, já gastei toda a sorte, agora sou só um azarão
O infortúnio bateu forte, fez sombra no meu coração
É, pra anular o azar que me cerca a todo instante
Minha aposta é você, vou tirar a sorte grande
