Textos de Chuva
Ela é Ela
Ela é linda e intensa como a praia, mas calma como o som da chuva.
Ela não é minha, não é de ninguém.
É um pássaro livre, que não pode ser pego. Ela é aventura
E, ao mesmo tempo, é o sono que vem de noite.
Ela é simpática, mas, quando quer, sabe ser grossa.
Ela é animada, mas algo pequeno estraga seu dia.
Ela é linda como o luar.
É apaixonada como o coelho que habita a Lua.
E se agarra à ideia de que existem cores neon, mas também há as neutras.
Ela é feliz e radiante como o sol,
Mas intensa como o rock.
Ela é tudo e nada.
Na maratona da vida.
Eu corro do meu jeito
A chuva caindo disfarça meu próprio temporal.
Me aconselhei com o ponteiro.
Adiantei, corri e andei.
E mesmo seguindo tudo certinho.
Me atrasei.
A vida segue fluindo.
As folhas estão caindo como folhas de árvore no outono.
Alegria é companheira da felicidade.
E na falta delas vem a famosa
Decepção!
Esperando vendedores, eu abracei perdedores.
Comemoramos no pódio.
Aleatoriamente.
Bicho com gente. 🐢🐈⬛🦚
🐈
☾𖤓˚.⋆
O domingo é simplicidade o cheiro da terra,
Cheiro da chuva trás doces lembranças,
O canto tímido do pássaros enaltece nossas vidas...
O vento frio diz inverno chega em mais uma frente fria.
A nostalgia é simplicidade num fogão de lenha...
O barulho dos carros passando tem o sussurros dos sentimentos rústicos no espírito mais um final de semana.
Na há pipas no céus mais doçura do gavião voando no céus.
Na imensidão voz que devora alma e espírito no passar do tempo.
O almoço está quase pronto, mas, o sono é gostoso e o pássaros gritam esta frio a água ferve os borbulhas trazem a tona cheiro da lenha queimando. O feijão está ainda duro,
Mais carne chama os vizinhos. Canto junto com pássaros enquanto o gato mia com fome.
Chuva que cai la fora!
Chuva que lava a calçada
Lava também a alma
Chuva que molha a terra
Revigora as plantações
E também nossos corações
Que chova muitas bênçãos de Deus na vida de cada um de nós
Que o cinza do dia seja propicio a um momento de interiorização que nos aproxime sempre mais do Criador.
Lições da Natureza
Veio a chuva
Mansa e ligeira
chuva passageira
Mas qual menina brejeira
dançando prá lá e prá cá
Tanto brincou
que pétalas derrubou
Árvore depenada ,
a menina sorriu
e depois fugiu
matreira e sorridente
como uma fada displicente
sempre para trás a olhar
o tapete de pétalas douradas
no chão a se esparramar
voa alto , voa longe
sua varinha mágica
no ar a rodopiar
É chuva que vem
é chuva que vai
pétalas caem
Deixando uma mensagem
Pétala a cair
não é vida a se esvair
novas flores irão surgir
e a vida volta a sorrir
edite lima /16/04/2019
Enfim a chuva chegou! Chegou calma, chegou mansa.
Sem barulho de trovoada,
sem os clarões de relâmpagos costumeiros.
Há muitos dias brincando de esconde -esconde.
Prometia, mas não vinha
Trazia vento, trazia poeira.
Céu escuro, céu de chumbo
Como menina travessa, fazendo estripulias e fugindo sorrateira.
Ah, chuvinha abençoada! Há quanto tempo a terra te esperava...
Há quanto tempo a terra sofria com a tua ausência
Mas com prudência você chegou e a todos alegrou
Uma mudança de temperatura te acompanhou
Mas quem liga pra esse friozinho que só nos traz aconchego?
Nos coloca dentro de casa num marasmo a meditar
como ficará bela agora a paisagem
os animais a ruminar
pelos pastos logo a vicejar.
agosto/2022
"Faça chuva ou faça sol,
em todos os detalhes da natureza
pouso meu olhar e agradeço
Cada passo , cada oração
cada choro , cada grito
Louvar ao senhor é meu compromisso
Busco n'Ele orientação e saber
estou sempre a serviço
Me alegro em ser submisso
Suba até vos o meu clamor , ó Senhor
Na alegria ou na dor
A tua resposta chega com vigor
Abrandas o estertor
No silêncio da noite
no trovão ou na tempestade
haverá nos meus lábios sempre o louvor
para o meu Deus que é Vida, Luz e Verdade
editelima/2026
*******
Aquele tão sonhado beijo aconteceu debaixo da chuva, que chegou de repente, enquanto eu admirava sua boca e, por um instante, desejei ser o seu batom.
A água escorria pelos nossos rostos. Aproximei-me devagar e pude ouvir sua respiração. Quando nossos lábios se tocaram, o tempo parou, tudo ao redor desapareceu.
O gosto da sua boca parecia de fruta madura, tamanha doçura... Lembrou-me o sabor de uva, daquela uva doce que a gente prova devagar, querendo guardar na boca o sabor por mais tempo.
E a chuva continuava caindo, como se o céu também quisesse testemunhar aquele momento. Nossos olhos se encontraram, e naquele instante não existia mais nada: apenas nós, a chuva e o sabor daquele beijo tão esperado.
Depois, quando nossos lábios se separaram, ficou em mim a vontade de voltar àquele instante. Porque há beijos que terminam na boca, mas permanecem para sempre na memória.
E toda vez que eu ouvir “Sabor da Uva”, talvez meu coração volte para aquela chuva... para o encontro dos nossos lábios... e para o doce sabor da sua boca, que até hoje tem gosto de saudade.
RELÓGIO DE DEUS
Quarenta dias...
Tempo de chuva sobre a Terra, tempo de água sobre os erros, tempo de uma arca navegando entre o juízo e a esperança.
Quarenta dias...
O dilúvio cobriu montanhas, mas não afogou a promessa. Quando a pomba voltou com o ramo, a humanidade aprendeu que toda renovação nasce depois de uma tempestade.
Quarenta dias...
No deserto caminhou Moisés, entre o fogo da presença e o peso da missão. A pedra recebeu palavras, e o povo recebeu direção. A aprovação exige disciplina, e a liberdade cobra responsabilidade.
Quarenta dias...
Espias atravessaram Canaã, vendo cachos de abundância e muralhas de temor. Uns enxergaram gigantes, outros enxergaram futuro. A prova revelou o tamanho da fé de cada coração.
Quarenta dias...
Elias caminhou até Horebe, alimentado pela esperança quando a força já faltava. Aprendeu que Deus não mora apenas no trovão e no terremoto, mas também na voz silenciosa que resiste dentro da alma.
Quarenta dias...
No deserto esteve Cristo, entre a fome e a tentação, entre o poder e a renúncia. Ali não venceu pela espada, mas pela fidelidade. A aprovação tornou-se exemplo para todas as gerações.
Quarenta dias...
Após a ressurreição, o Mestre permaneceu entre os seus, ensinando que a morte não possui a última palavra. A renovação caminhava viva entre aqueles que ainda duvidavam.
Quarenta dias...
Punição para os soberbos. Salvação para os justos. Provação para os chamados. Renovação para os que perseveram.
Quarenta dias...
Não são apenas uma medida de tempo. São a forja da humanidade. São o intervalo entre o erro e o perdão, entre a queda e o recomeço, entre a travessia e a chegada.
Se hoje fossem dados quarenta dias à humanidade, não seriam para contar horas, mas para contar escolhas.
Pois quarenta dias, desde os tempos antigos, sempre foram o relógio de Deus marcando a oportunidade de um novo mundo nascer.
MINHAS ESCOLHAS!
Algum dia eu possa escolher
Entre brincar no meio da lama
Vendo a chuva galopando meu corpo
E transpor momentos inesquecíveis...
Algum dia eu possa colher
Flores e frutas no meio do mato
E achar que a bicicleta velha
É o melhor transporte do mundo...
Algum dia eu vou sair por ai
Sem escolher nada , sem saber de nada
Os pensamentos irão voando
Por onde quiserem ir
Por onde encontrarem caminhos
Que me levem sem as minhas escolhas!
JOÃO BATISTA BARBOSA.
QUANDO O TEMPO
Quando o tempo embalar minhas sombras
Entre as madrugadas frias
e chuva fina caindo...
Na memória percorrendo o tempo vivido
Como flash num
circuito muito veloz...
Quando o vento soprar novamente
Meu rosto sombrio, feito estátua
Meus olhos já não vertem lágrimas
Somente o vazio percorrendo o horizonte
Por momentos o coração parece parar
Fixado corpo sem nenhum movimento
Sem emoções que possam me envolver
Somente o vazio pairando no ar
Fecho meus olhos entre paredes vazias
Entrego meu corpo esparramado no chão
Deixando para trás as paixões tão sofridas
E sucumbir por latrinas da própria sorte
Quando o tempo soprar calado ao vento
Eu possa estar flutuando outro espaço
Entre lacunas que já foram transcritas
No destino passado que já fora vivido!
DESPERTAR
Chuva para refrescar
Sol para esquentar
Alguém para se amar
E a vida assim passar
Buscando paz para acalmar
Faço planos a sonhar
Cada segundo realizar!
Alma pura a brilhar
Chuva e Sol
Noite e dia
Risos e lagrimas
Partes dos momentos
Onde os sentimentos
Rolam nos pensamentos
Nos fazem perder ou ganhar
A formula para encontrar
Partes de uma felicidade
Que existe com certeza
Na vida sempre a despertar !
JOAO BATISTA BARBOSA
POESIAS E PENSAMENTOS
Como o vento a entrar pela janela.
"A Beleza da vida
É o Sol lá no céu
Numa noite de chuva
É saber sentir
Quando não houver
Sentido e nem valor
O que vale na vida é o amor
Amar é enxergar a beleza
E sentir o seu sabor
Na água da chuva que cai
Na beleza da noite
É olhar-se no espelho
Poder ver a sorte
Pela imagem refletida
Ser somente uma ilusão
Por mais bela ela seja
Pois a imagem verdadeira
É o Sol no céu
Numa mente que o veja
E que sejam todos nossos sonhos
Bem assim
Como o Sol que brilha
A beleza na vida é o olhar que trilha
Confiante
Encarar de frente a todas as vicissitudes
Como quem sorri perante o espelho
E entender que o velho Sol é também uma ilusão
Como a chuva que se torna tempestade
O que vale na vida é o amor
Que se vai, que voa e que evapora
E que volta maior quando retorna e que te invade
Como o vento pela janela
No momento em que transforma a brasa em chama
E a chama da vela em nada
Nada além de uma vela apagada
E teu quarto em escuro
Era tudo o tempo todo uma questão de proporção
Pense, que o futuro continua a pertencer a Deus
Apesar de tua ilusão ao olhar pro espelho
Pois, em toda tempestade que cair
O Sol vai estar brilhando lá no céu
Talvez leve algum tempo pra entender
Que a beleza mora lá no olhar
Que sorri quando chora e está aqui
Mas que olha e não vê. "
Edson Ricardo Paiva.
ABISMO DE CHUVA E SILÊNCIO.
A noite escorria pelas vidraças como um lamento antigo. A chuva, paciente e infinita, desenhava caminhos líquidos sobre o mundo adormecido, enquanto o vento carregava murmúrios que pareciam nascer das regiões mais esquecidas da alma.
Havia olhos perdidos diante da tempestade. Olhos que já contemplaram auroras e, ainda assim, encontravam-se aprisionados em crepúsculos intermináveis. Pupilas saturadas de desalento, refletindo relâmpagos distantes como se cada clarão revelasse uma ferida escondida sob camadas de resignação.
A solidão sentava-se ao lado da tristeza como uma companheira inseparável. Não havia vozes. Não havia braços. Apenas o eco de pensamentos vagando por corredores escuros da consciência. Dentro do peito, um precipício. E, no fundo desse precipício, outro abismo ainda mais profundo, onde desciam as esperanças abandonadas, os sonhos desfeitos e as palavras jamais pronunciadas.
Existem momentos em que o ser humano passa a acreditar naquilo que lhe imputam. Chamam-no de fracasso, e ele se vê derrotado. Nomeiam-no insignificante, e ele se sente invisível. Tratam-no como sombra, e ele aprende a caminhar entre as sombras. Aos poucos, a identidade torna-se uma veste costurada pelas opiniões alheias, até que resta apenas a sensação de ser nada.
Nada diante dos julgamentos.
Nada perante as expectativas.
Nada sob o peso das comparações.
E então surge a impressão de que o vazio venceu.
Mas o vazio mente.
Porque mesmo nas profundezas onde a luz parece impossível, permanece uma centelha indestrutível. Ela não grita. Não exige atenção. Não se impõe. Apenas resiste.
A chuva continua caindo.
Os olhos continuam chorando.
A noite continua extensa.
Contudo, nenhuma tempestade possui autoridade sobre a eternidade do amanhecer.
O abismo pode parecer infinito para quem está à sua margem, porém nenhum desfiladeiro é capaz de devorar aquilo que nasceu para ascender. A dor ensina permanência, mas a essência ensina transcendência.
Talvez hoje você caminhe entre ruínas.
Talvez carregue ausências.
Talvez sinta o coração cercado por névoas.
Ainda assim, existe algo em você que não foi derrotado.
Algo que sobreviveu a todas as quedas.
Algo que atravessou todas as noites.
Algo que permaneceu vivo quando tudo parecia perdido.
E é justamente esse fragmento luminoso que conduzirá seus passos para fora da escuridão.
Quando a chuva cessar, você perceberá que nunca foi o nada que disseram.
Era apenas uma estrela esquecida sob nuvens densas, aguardando o instante de voltar a brilhar.
Mensagem final
Nem toda tristeza anuncia um fim; muitas vezes ela prepara uma transformação. Os abismos que hoje parecem definitivos podem tornar-se as profundezas de onde nascerá sua maior força. Continue. Há auroras que somente os que atravessam a noite conseguem contemplar.
*O RELÓGIO QUE VOLTOU A ANDAR*
A chuva começou antes do almoço e, por algum motivo, resolveu ficar.
Não era uma chuva forte. Era pior. Daquelas que molham a cidade por horas sem produzir nenhum acontecimento digno de nota. O céu baixo, as janelas fechadas, o frio entrando pelas frestas. Um dia feito para não sair de casa.
Meu bourbon tinha acabado na noite anterior.
Considerei sair para comprar outra garrafa. Cheguei a procurar as chaves. Depois olhei pela janela e achei que morrer de frio por uma garrafa de bourbon seria uma maneira muito idiota de continuar vivo.
Deixei as chaves sobre a mesa.
Foi quando a energia acabou.
A casa ficou quieta de uma maneira diferente. A geladeira parou, o computador apagou, o relógio da cozinha perdeu os números vermelhos. Até a chuva pareceu mais próxima.
Acendi uma vela.
O cheiro da parafina tomou conta da sala quase imediatamente. Nunca entendi por que velas têm cheiro de coisa velha. Talvez porque geralmente só as acendemos quando alguma coisa deu errado.
O gato apareceu no corredor, olhou para a vela e depois para mim.
— Não fui eu.
Ele ficou me olhando mais alguns segundos.
Talvez estivesse tentando decidir se acreditava.
Ou talvez estivesse apenas esperando a hora da comida.
Abri uma das caixas empilhadas no armário.
Eu vinha adiando aquilo havia meses. Dentro havia documentos antigos, fotografias, recibos, cartas, cartões de visita de gente que provavelmente já tinha mudado de telefone três vezes ou morrido. Era impressionante a quantidade de papel necessária para provar que uma pessoa existiu.
Comecei pelos documentos.
Certidões.
Contratos.
Papéis de bancos que já nem existem.
Depois encontrei fotografias.
Uma delas me pegou desprevenido.
Eu estava mais jovem, numa praia que não reconheci de imediato. Havia outras pessoas na fotografia. Algumas eu lembrava. Outras não.
Fiquei olhando meu próprio rosto durante um tempo.
Não gostei muito do sujeito.
Parecia confiante.
Isso me incomodou.
Eu não me lembrava de ter sido tão confiante.
Talvez eu apenas tivesse aprendido a posar.
Continuei remexendo na caixa.
Encontrei um relógio de pulso.
Eu o reconheci.
Era meu.
Coloquei-o sobre a mesa.
O relógio estava parado havia anos. A pulseira estava ressecada e o vidro tinha um risco atravessando o mostrador.
Aproximei-o do ouvido.
Nada.
Era estranho escutar o silêncio de um relógio.
Pensei em quantas coisas param sem que ninguém perceba.
Depois achei a velha chave de dar corda.
Ainda estava junto dele.
Dei algumas voltas.
O ponteiro dos segundos começou a andar.
Tic.
Tic.
Tic.
O gato levantou a cabeça.
Olhou para o relógio.
Depois voltou a deitar.
Eu ri sozinho.
Aquele animal tinha um talento irritante para não se impressionar com as coisas certas.
Fiquei sentado no chão, cercado por fotografias e papéis.
Foi aí que percebi que eu tinha passado boa parte da vida tentando guardar provas de que certas coisas aconteceram.
Fotografias para lembrar de pessoas.
Documentos para provar acontecimentos.
Cartas para conservar frases que alguém havia escrito quando ainda queria que eu as conservasse.
Como se a memória fosse uma repartição pública e, sem carimbo, nada tivesse validade.
Peguei uma fotografia.
Naquela época eu ainda achava que tinha tempo.
Não muito.
Mas algum.
É uma diferença importante.
A gente não percebe quando passa a contar a vida de outro jeito. Primeiro pensa em anos. Depois começa a pensar em coisas que ainda dá para fazer. Depois em coisas que talvez não valha mais a pena fazer.
E então surgem os pequenos acordos.
Não vou hoje.
Amanhã eu vejo.
Depois eu compro.
Depois eu telefono.
Depois eu arrumo.
Depois eu saio.
Depois.
Essa palavra tem uma capacidade impressionante de ocupar uma vida inteira.
O relógio continuava fazendo seu trabalho sobre a mesa.
Eu não.
Pelo menos naquele momento.
Eu estava sentado no chão de uma sala fria, com fome, sem bourbon, ouvindo a chuva e um relógio que eu tinha esquecido que existia.
O gato levantou, atravessou a sala e parou diante da janela.
Ficou ali olhando a chuva.
Pensei que talvez ele soubesse alguma coisa sobre permanecer.
Logo depois percebi que aquilo era apenas mais uma das minhas maneiras de transformar um gato em personagem da minha cabeça.
Ele provavelmente estava olhando um pássaro.
Ou querendo sair.
Ou pensando em comida.
Talvez não estivesse pensando em nada.
Essa última hipótese me pareceu bastante ofensiva.
E útil.
Voltei às fotografias.
Uma delas tinha uma dobra no meio.
Passei o dedo sobre ela, tentando alisá-la.
Não adiantou.
Deixei assim.
Durante muito tempo achei que continuar fosse uma espécie de vitória.
Hoje não sei.
Também não sei se é esperança.
Nunca fui muito bom com essa palavra.
Às vezes continuar é apenas aquilo que acontece quando você ainda não parou.
Você acorda porque o corpo acorda.
Faz café porque sempre fez.
Atende o telefone porque ele tocou.
Paga uma conta porque alguém inventou a conta.
Alimenta o gato porque, aparentemente, o gato não está disposto a participar das suas crises existenciais.
E isso vai formando uma espécie de rotina sem discurso.
Talvez seja pouco.
Naquele dia, foi o que eu tinha.
A energia voltou no começo da noite.
A geladeira ligou.
O computador acendeu.
O relógio da cozinha voltou aos números vermelhos.
A casa recuperou seus pequenos ruídos.
Eu poderia ter ligado a televisão.
Não liguei.
Fiquei ouvindo o relógio de pulso.
Tic.
Tic.
Tic.
O gato dormia no sofá.
Guardei os documentos de volta na caixa.
As fotografias, não.
Deixei algumas sobre a mesa.
Não por nostalgia.
Ou pelo menos foi isso que disse a mim mesmo.
Depois fui até a cozinha.
Abri a torneira.
Bebi água.
Não era bourbon.
Mas era água.
Voltei para a sala.
O relógio continuava andando.
Dessa vez não o tirei do ouvido.
Fiquei apenas escutando.
E, naquela noite, pela primeira vez em algum tempo, não tive pressa nenhuma de fazê-lo parar.
A noite se estende, insônia cruel
A chuva cai mansa, única fiel
Companhia silenciosa, som de paz
Enquanto o mundo dorme, eu sinto a solidão
Gotas no telhado, ritmo lento,
Pensamentos que não cessam.
A escuridão abraça, a chuva sussurra
"Está tudo bem", mas a alma ainda não sacia.
{Saul Beleza)
Não fui a única testemunha,
sob o sol e sob a chuva,
que vi os 50 gols do Vini JR.
Enquanto a vitória estava ali,
a um palmo, para se agarrar,
no primeiro tempo,
o pênalti foi espatifado no ar —
mas no final a honra foi salva
ao menos com um gol do Neymar.
As lições desejáveis que ficam
são que, além de aprender a remar,
é preciso aprender a domar
a atenção, para não se dispersar.
Quem persiste em se achar,
perderá, inevitavelmente na vida,
a oportunidade de golear.
Caiam sobre nós as pétalas
da chuva-de-ouro nativa,
Não podemos negar
que do pensamento um
do outro a gente habita,
Nós temos o tom certo
que afina o coração um
do outro do jeito que ninguém
nesta terra sequer imagina,
Estamos certos que não
tem nada a ver com fantasia.
Não há jogo da conquista,
porque o mundo é nosso!
Tudo em nós nos alinha
com grandeza magnífica.
Estão reservados o seu ser,
o seu querer e a vontade
que sussurrada irá dizer
"Que o seu equilíbrio magnífico
está em vir a me pertencer";
Eu sei que sou com todas
as grandezas a sua mulher.
Não é preciso o inverno cessar,
porque sabemos o que queremos,
Sem subterfúgios e sem adereços,
só pertencemos a nós mesmos.
Cobiço a sua existência,
como os ghuts anseiam
ser inundados pela chuva
para verdejar a flora;
Com discrição de dama,
a curiosidade te namora.
A imaginação viaja longe,
ansiando estar contigo
na Antígua e Barbuda,
sob o sol e sob a lua,
sem pressa nenhuma.
Calipso quero dançar
na beirinha do mar,
sem se preocupar
se haverá alguém
olhando para nos julgar.
Sob a Antigua whitewood
abraçados descansar,
com a certeza de que
não são só juras de amor
que por nós irão passar:
O amor irá nos arrebatar.
Depois da chuva cair,
seguir os teus passos,
Sentir a delícia que é
o aroma de petricor,
Dançando o Cacuriá
no ritmo do tambor,
que faz o nosso amor.
Tocando na varanda
para a vizinhança ouvir,
Não conhecemos mais
outro ritmo a seguir,
O que queremos traz
só o que ancora e faz.
O mundo lá fora para
tanto faz, e não perfaz
sobre o que importa,
E nunca será diferente
porque amamos amar
avassaladoramente...
