Textos curtos de Fernando Pessoa
Definição de Fernando Pessoa para o homem: O homem é um cadáver adiado. Na atualidade não sei se minha vida está procrastinando ou antecipando. Talvez um meio termo. Não sei se amo ou odeio isso. Sabe aquela sensação que ainda falta muita coisa a fazer ou apenas ir desse mundo? Pois é. É dessas sensações que vivo. Ou morro.
Quero, é meio egoísta mas quero você só para mim. Tirarei você dos teus familiares, pois só egoísta. Meu amor não quer compartilhar o que tenho de melhor, que é você. Quero seu sorriso, quero sua felicidade, seu acordar, seu deitar, seu cheiro, seu corpo só para mim. Eu sou egoísta, por isso não compartilharei meu amor por ti com mais ninguém.
Uns, com os olhos postos no passado,
Vêem o que não vêem: outros, fitos
Os mesmos olhos no futuro, vêem
O que não pode ver-se.
Por que tão longe ir pôr o que está perto —
A segurança nossa? Este é o dia,
Esta é a hora, este o momento, isto
É quem somos, e é tudo.
Perene flui a interminável hora
Que nos confessa nulos. No mesmo hausto
Em que vivemos, morreremos. Colhe
O dia, porque és ele.
