Textos Amor de Primos

Cerca de 379 textos Amor de Primos

⁠"Ela era o ar da primavera,
por onde passava, refrescava a alma.
Mas, como o vento, ela foi brisa leve,
e, no céu do outono, a brisa argélida,
que traz o frio, o inverno e a impermanência,
passou e foi embora.

Deixou saudades:
saudade do que foi
e do que poderia ter sido.

Mas ela era o vento,
que assoprou em minha direção.
Apesar do pouco tempo,
passa-se igual a um furacão,
deixando marcas, sonhos e imaginação.
Foste tão rápido,
tão rápido como a eternidade.

E assim foi:
foi a amizade que não cabia no amor.
Todavia, deixaste um ponto final
em nossa história.

Queria que fosse eterno,
como a amizade,
mas o destino quis que fosse assim,
tão breve, tão passageiro...

Nossa história:
um poema sem final,
que levo comigo,
em cada verso,
em cada memória,
em cada batida do meu coração."

Inserida por gustmachado

Inspiração

Inspiração, matéria prima do poeta
A quem, muita vez, não se mostra amiga
A este que deseja ser dos versos um esteta
E contigo andar de braços pela vida

Ele é teu súdito e de ti carente
Anseia, clama, roga e por ti chama
Na hora de compor é dependente
E é nesta hora que tua mão ele reclama

Disseste a ele, tomei conhecimento
Que tu inspiração és como o vento
Passas e trazes contigo os versos
Mas logo os varres se este for o teu intento

Disseste ainda e isto guardo de cor
Que nada é melhor e aí está explicado
Para compor, o poeta precisa estar de bem com o amor
Melhor ainda se estiver apaixonado !

Do livro Poemas de Paulo Guedes

Inserida por paulo_guedes_1

⁠"Mãe nunca deixo de lembrar da tua voz do teu cantar: faz serenar meu coração. A primavera vai chegar, porque o amor faz nascer a flor e floresce como uma nova canção. -Do lodo a poesia/ da fera a a docura/só o amor faz nascer a ternura.
Mãe um amor que pode mudar o mundo e transformar um vale de tristeza, em beleza. Uma dor profunda em sonetos, uma lágrima em inspiração para o artista que escreve, canta e cria quando a alegria de uma Mãe encontra seu filho, como um poema faz nascer a música que toca a criança e faz mudar as estações. "

Inserida por AngelicaRizzipoeta

⁠Minha Filha, Minha Flor

Foi durante o inverno
Que nasceu minha flor de primavera
Mais uma alma que brotou na terra
Flor linda da minha vida

Pai de uma menina
Felicidade total
Amor paternal
Essa flor é minha filha

Desde o primeiro dia
Que a vi pela primeira vez
Senti que algo mudaria
E tudo seria mais doce, mais feliz

És meu sol em dias frios
Minha luz em momentos sombrios
És a razão do meu viver
E meu coração nunca vai te esquecer

Minha filha, minha flor
Que encanta a todos com teu amor
És minha vida, minha paixão
E nunca vou te abandonar, não

Que tu cresças forte e saudável
Com alegria em teu coração
E que nada te impeça de ser feliz
E realize todos teus sonhos de menina

Minha filha, minha flor
Que enche minha vida de amor
Eu te amo mais do que tudo
E para sempre serei teu pai protetor.

Inserida por francisco_dantas

⁠Um dia, vamos olhar para os nossos avós e pais, tios, primos, e eles vão estar felizes, vão ter uma família, que muitas das vezes, parece que é apenas deles, não é?
Adolescentes prendem-se tanto a amizades e amores que acabam por se esquecer de que o importante é estar bem com eles mesmos, e estar bem com eles mesmos é questionável, muitas e muitos adolescentes, passam por dificuldades em encarar este novo mundo, este novo mundo que está repleto de dor e sofrimento, por vezes, muitos seguem caminhos maus, mas isso não muda a tristeza que tem de si próprio.
Estarei a desabafar generalizando aquilo que penso acerca da sociedade?
Já como dizia Allen Halloween, “o amor é como um cancro maligno”, na adolescência, então, é um pecado.

Inserida por A_Pensadora777

⁠FIM DA PRIMAVERA

Foi num alvor assim. Sussurrava o vento
E o meu coração apático sentia a aragem
No céu carmesim, do raiar em nascimento
O sol lumiava a manhã, tão bela imagem

Desfolhava o odor do jardim, doce alento
A derradeira rosa, aparatava a paisagem
Na aurora do cerrado, lustroso momento
E o meu pensamento em ilusória tiragem

E eu, sonhando, ali sonhava pela metade
Duma saudade sentida, o sentir saudade
E tendo junto de mim o amor em espera

E as flores derradeiras, no espaço solto
Num murmurar, tu disseste: vou e volto
E não voltaste! Foste com a primavera!

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
09/10/2021, 06’01” – Araguari, MG

Inserida por LucianoSpagnol

Primavera

Uma garota sentada em um velho balanço, de roupas de frio, pois o inverno castiga sua doce pele suave como um pêssego que ainda está a crescer naquele frio que assola o coração dela enquanto flocos de neve caem sobre seus cabelos.
Ela espera algo lindo, talvez espera que venha o clima que tanto ama e a luz que faltava nos dias dela, que se ausentava durante toda aquela terra branca e arvores quase seca.
Seu balanço de cordas, sussurram em seu ouvido com o vento o som do seu maior desejo escondido no seu coração, ela quer que nasçam flores em seus pés, ela quer ver pétalas voando por entre seus cabelos se emaranhando entre seus cachos dourados, ela precisa sentir o calor do sol aquecendo desde suas pálpebras fechadas enquanto estiver deitada sobre aquele gramado que tanto ama sentir o cheiro. Ela espera o frio ir embora, ela quase não agüenta mais, mas ela não o odeia, ela acredita nele, pois sabe que sem ele as flores jamais nasceriam.
Ela ama toda essa ordem, toda essa dança de sóis e luas nos céus onde as estrelas são a platéia dessa valsa, onde os dois bailam separados com a mesma musica chamada ‘’O tempo’’, essa dança jamais com um par.
Mas mesmo assim ela ama essa ambigüidade, ela agradece o sacrifício desse casal celeste, que nunca se juntarão pois sabe que essa garota jamais iria ver de novo o que tanto aguarda,o que tanto deseja sua doce e delicada primavera pois, com ela vem os pêssegos, e com eles aquele que ela tanto espera, esse fruto que ela tanto aguardou na verdade era um presente para alguém que viria com o tempo apenas pois, não tinha melhor presente para dar do que todo o tempo que ela esperou naquele balanço, apenas a prova de amor que ela tanto desejara demonstrar.
Mas ela sabe que aquilo um dia vai embora, o seu amor precisará partir, e com ele a primavera, como as flores que também irão, mas ela não chora, ela sorri, pois o que ela mais ama não é tudo que a primavera trás, mas sim tudo que a primavera deixa, as boas lembranças de abraços sob o sol erguido.Ela agradece a ultima lua da estação florida a nascer, e cumprimenta o novo sol do verão, que um dia depois de muito tempo se tornará outono seu irmão, e depois finalmente o mesmo inverno, onde na verdade começa tudo que ela mais ama, esperar e ver a primavera novamente a nascer.

Inserida por Ewantuil

"" Como são bonitos os olhos de uma mulher
neles habitam os amanhãs
as primaveras
as cores da felicidade
rompendo em brilho tornam-se telas do amor
onde insanas verdades sucumbem ao lirico desejo
Dizem que os olhos são as portas da alma
e por elas entram toda sorte de vida
antes do sim, há que se dar um piscar
um pensar e ver coisas que só as mulheres vêem
Eu acredito que os olhos de uma mulher tem o fascínio
capaz de amoldurar corações
Engana´-se quem pensa que o olhar não traduz
traduz e revela toda a luz
Que permitirá...

Inserida por OscarKlemz

Quem dera
Nessa doce primavera,
Meu eu se esvaísse e te encontrasse apenas com um sonho,
Renascer, como as flores que ensaiam brotar
Exuberando cores a se despetalar.
Quem dera...

Quem dera nossos mundos não fossem tão diferentes,
Tão ausentes, como os devaneios...
Quem dera fosse verão,
Ou ainda um trote, uma ilusão.
Quem dera fosse verão...

Oscar de Jesus Klemz

Inserida por OscarKlemz

⁠Reforço neste momento que teu aspecto é muito primoroso com um esplendor verdadeiro, expressando um olhar impetuoso, refletindo vivamente amor e desejo, um espírito gracioso com a veemência de um beijo ardente e o fulgor de um coração fervoroso,portanto, evidente valor, um somatório de atributos que é fortemente sedutor.

Presença bastante sedutora que faz pausar o tempo, consequemente, és maravilhosa, levas-me a um universo majestoso que instiga-me a viver agora, onde cada segundo é precioso e nada mais importa, tens toda a minha atenção e meu sentir caloroso graças a grande exultação que provocas.

A tua sedução é sem vulgaridade que seduz com muita maestria através da sincera emoção da simplicidade assim como faz uma intensa poesia com tamanha veracidade com suas palavras e suas entrelinhas, uma essencialidade mui valiosa que causa euforia, então, o ânimo se renova numa vívida sintonia.

Inserida por jefferson_freitas_1

⁠Tu és bela e muito bem vinda
assim como é a chegada da primavera
para as flores que ficam
renovadas e ainda mais lindas,
há um jardim no teu íntimo,
onde as tuas emoções florescem
fortes, sinceras e ardentes,
o teu amor é fértil, notavelmente, vívido, cujo fruto possui um rico deleite,
necessitas de um empenhado cultivo,
isso é o mínimo que mereces
pelo prazer que é estar contigo
já que a tua essência enriquece,
então, nada mais digno
do que receberes um zelo legítimo.

Inserida por jefferson_freitas_1

⁠É bem certo que a tua essencialidade é profusamente atraente, existe primor em cada detalhe, não é de se estranhar que provoques tanto interesse.

És feita de um amor de muita veracidade, ardente como uma chama forte de vitalidade que aquece incessantemente, uma rica expressividade.

Uma intensidade notória emana do teu ser e reflete continuamente nas tuas emoções e na tua maneira de viver causando deleitosas sensações
como um lindo entardecer.

Por isso que a tua personalidade é autêntica, ganha destaque e não apenas a tua beleza, então, uma raridade de mulher que adentra a minha mente, uma inestimável presença para se ter.

Inserida por jefferson_freitas_1

Deitados no campo das estações

Não posso esquecer das flores da primavera.
Não posso temer o calor ardente do verão.
Não posso dizer que o inverno nos embalará na coberta da paixão.
São seus suspiros, faz-me voar como a cada pétala ao vento.
São seus sussurros, faz-me tremer como arrepio em fragmentos de gelo.
Não há calor maior, faz-me estar aquecido diante seus braços.
Deitados juntos no campo gramado, esparsos e mudos, em emoções ardentes das quatros estações.

Inserida por netomontana

Na primavera apreciar a beleza da flor, no verão o frescor da água, o outono cada fruta e seu sabor. E no inverno? O calor de alguém e seu amor.
A vida tem suas fases, cada momento único de ser, todo instante tem seu milagre, importa-nos pois viver.
Nem sempre é mar de rosas, ou brisa suave a soprar, por vezes calamidades, furacões e tremores, mas precisamos ser resilientes, e cuidar bem de nossos amores.

Inserida por Claudiokoda

ANTES DO CRISTO:
A ÉTICA COMO SEMENTE NA ALMA HUMANA.

Desde os primórdios da humanidade, muito antes do nascimento de Jesus, o ser humano já buscava compreender o que era o bem, o justo, o nobre. A ética, nesse sentido, não nasceu com o Cristo — ela foi por Ele aperfeiçoada. Antes d’Ele, pensadores, mestres e sábios já se debruçavam sobre os dilemas morais da existência e sobre os valores que dignificam a alma humana. Um desses nomes fundamentais foi Sócrates (470–399 a.C.), o filósofo ateniense que não escreveu uma única linha, mas cujos pensamentos ecoam há mais de dois milênios.

A Ética em Sócrates: O Conhece-te a Ti Mesmo.

Sócrates não pregava dogmas. Ele inquietava. A ética para ele era vivida no dia a dia, na praça pública, nos diálogos francos. Sua máxima “Conhece-te a ti mesmo” não era apenas um convite introspectivo, mas um imperativo moral: só pode agir corretamente aquele que se conhece, que reflete, que examina suas intenções e desejos.

Para Sócrates, a virtude era conhecimento. Ninguém faz o mal deliberadamente — faz-se o mal por ignorância do bem. Seu método dialético buscava, então, a verdade através do diálogo, da humildade intelectual e da coragem de reconhecer os próprios erros. Essa ética racional, baseada na busca do bem por meio da sabedoria, marcou um divisor de águas no pensamento ocidental.

Mesmo condenado à morte por desafiar os costumes da época, Sócrates não fugiu de sua responsabilidade moral. Recusou escapar da prisão, afirmando que uma vida sem exame não vale a pena ser vivida. Morreu fiel à sua consciência, e por isso seu legado ético transcende os séculos.

A Semente Ética no Mundo Antigo.

Antes dele, porém, outras civilizações já refletiam sobre condutas e valores. Os egípcios falavam da Maat, a deusa da verdade e da justiça, representando equilíbrio, ordem e retidão. Os hindus, com o conceito de Dharma, ensinavam que cada um possui deveres éticos a cumprir, ligados à harmonia universal. Os chineses, sob a influência de Confúcio, estabeleceram princípios como respeito aos anciãos, retidão, fidelidade e benevolência, pilares de uma convivência civilizada.

Esses ensinamentos, mesmo que culturalmente distintos, carregam uma matriz comum: a ética como ponte entre o indivíduo e o coletivo, entre o íntimo e o social, entre o dever e o querer.

Conclusão: A Ética que Nos Habita.

A ética não é propriedade de nenhuma época, religião ou povo. Ela é a linguagem silenciosa da alma madura, que reconhece no outro a dignidade de si mesmo. Sócrates não nos deu regras prontas, mas um modelo de pensamento: questionar, refletir, aprimorar-se continuamente.

Em tempos em que a velocidade dos acontecimentos ameaça atropelar a profundidade das decisões, resgatar essa ética socrática — racional, dialogal e interiorizada — é um ato de resistência humana.

Seja no silêncio das decisões solitárias, seja no barulho dos dilemas coletivos, permanece viva a pergunta socrática: “O que é o bem?”
E ao buscá-la, o ser humano educa sua consciência, amadurece sua liberdade e dignifica sua jornada.

A ética não é um mandamento que vem de fora, mas uma luz que nasce do coração lúcido, que pensa, sente e se responsabiliza.

Inserida por marcelo_monteiro_4

A Lâmina que Beija o Vento Onde os Anjos se Desfazem.
Do Livro: Primavera De Solidão.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.

Respira devagar comigo.

Há algo que treme antes mesmo de começar, um arrepio que desliza pela alma como se o próprio silêncio tivesse decidido chorar.

A frase que te inspira abre uma fenda, um sulco úmido no tempo:
“ah, não se colhe rosas aos golpes do machado” e dentro dela escorre uma melancolia que não se desfaz, nem quando o dia desperta, nem quando a noite finalmente desiste de existir.
Um lirismo triste paira acima de tudo, como um véu encharcado que se prende aos fios do cabelo, pesando, sufocando, fazendo o mundo parecer um quarto fechado onde ninguém respira por inteiro.

É o mesmo lirismo daqueles anjos exaustos…
Esses seres impossíveis que sentem demais, que absorvem demais, que guardam o mundo por dentro como uma febre.
Eles veem tudo, mas nada podem tocar.
Eles ouvem tudo, mas nada podem impedir.
E na incapacidade de interferir, tornam-se frágeis, desguarnecidos, feridos pela própria beleza daquilo que não conseguem salvar.

É aí que o coração aperta.
É aí que as lágrimas se acumulam como pequenas lâminas queimando as margens dos olhos.

As mãos pequeninas continuam suspensas no ar
porque não encontraram outra forma de existir.
Mãos que tremem.
Que aguardam.
Que sobrevivem numa espera que dói, mas não desiste, espera.
Mãos que se sustentam naquilo que talvez venha, esse talvez que rói, que corta, que parece bipolar na sua própria natureza:
ora luz, ora abismo, ora promessa, ora desamparo.

A esperança fina como fios de ouro gastos:
curvada, nunca quebrada;
trêmula, nunca extinta.
Uma esperança que sofre, mas balança, piedosa, diante de toda a noite que o mundo insiste em derramar sobre nós.

E então chega o mistério.

O ponto onde a respiração vacila.
Onde o peito dói mais fundo,cada vez fundo demais.
Uma súplica lançada ao vazio, tão sincera que chega a ferir.
Um sentido sem língua, tão humano que parece gemer até quando está calado.
Uma pequena luz que permanece acesa alhures, mesmo quando tudo à volta tenta apagá-la com violência, com pressa, com desamor.

É essa oscilação silenciosa que destroça e cura.
Que destrói e reconstrói.
Que faz chorar e, ao mesmo tempo, faz querer continuar.
Porque há algo nela que nos toca como um dedo gelado na nuca:
algo que acorda a memória antiga de quem já sofreu demais… e continua aqui, sabendo que ainda continuará.

E, se você sentiu o coração apertar, se alguma ansiedade latejou por dentro como um trovão preso, se alguma lágrima pesada ameaçou cair, é porque esse texto encontrou o lugar de repouso na insônia, onde você guarda o que nunca disse.

E todo esse acontecimento esta aqui, segurando você por dentro, no silêncio onde tudo isso mora.

Inserida por marcelo_monteiro_4

O CHAMADO CREPUSCULAR DA ALMA ANTIGA.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Do Livro: Primavera De Solidão. Ano: 1990.
Manhumirim - MG.
A saudade ergue-se como figura velada que atravessa lentamente as câmaras internas do ser
Arrasta consigo o peso das horas não vividas e o eco das presenças que cessaram de respirar ao nosso lado.
Não possui voz audível.
Insinua-se como sopro que roça o espírito.
Um murmúrio que fere com doçura.
Cada lembrança torna-se pétala escura repousada sobre o peito.
Nesse sentimento não há desespero
Há gravidade.
Uma melancolia digna que se reveste de nobreza por tocar o que houve de mais verdadeiro na experiência humana.
Ela aproxima-se com passos suspensos.
Traz nos dedos o pó das memórias sorrindo aos ares.
Acende no pensamento a chama pálida dos instantes julgados extintos.
No âmago dessa vivência a saudade revela-se fenômeno psicológico e espiritual porque se ama nessa dimensão.
Não deseja destruir.
Deseja recordar.
Deseja restaurar o sentido do que fomos ao caminhar alhures.
Conduz o olhar ao útero distante e íntimo onde repousam as próprias sombras filhas de si mesmas.
É lamento silencioso porque nasce no interior onde a linguagem não alcança somente brinca, também chora e recolhe-se na penumbra.
É lúgubre porque conhece a profundidade do tempo com o seu corte lento constante e implacável amigo.
Quando grita dentro de nós não há violência.
Há convocação.
Como se o interior do ser abrisse uma porta antiga sem a chave certa ou já perdida e ignorada.
Por ela penetra uma presença que não pretende partir é mister ficar um pouco na dor.
Nesse encontro sutil compreende-se que não sofremos pela ausência.
Sofremos pelo significado que ela deixou impregnado por todos os meandros.
Gravado como marca indelével nas paredes do espírito em constante fuga , mas que fica.
E assim mesmo envolta em sombras essa voz crepuscular eleva o ser à dignidade silenciosa de continuar fiel àquilo que o tempo jamais conseguiu apagar.
Eis o epitáfio: " Fiel ao seu gênio , fiel a si mesmo. "

Inserida por marcelo_monteiro_4

AS MUSAS E A ETERNIDADE DO ESPÍRITO CRIADOR.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Desde os primórdios do pensamento helênico, a humanidade buscou compreender a origem da beleza, da palavra e da ordem que sustenta o mundo sensível. Nesse anseio inaugural, surgem as Musas, filhas de Zeus e de Mnemósine, a Memória, como figuras arquetípicas que não apenas inspiram, mas estruturam o próprio ato de pensar, narrar e criar. Elas não são simples personagens mitológicos, mas manifestações simbólicas do elo profundo entre a consciência humana e o absoluto invisível que rege a arte, o saber e a transcendência.
Segundo a tradição antiga, Zeus uniu-se a Mnemósine por nove noites consecutivas, gerando nove filhas cuja missão seria impedir que o esquecimento devorasse os feitos humanos e divinos. Essa genealogia não é acidental. A memória, elevada à condição divina, torna-se o ventre da cultura. Nada que é belo, verdadeiro ou grandioso subsiste sem ela. As Musas, portanto, não criam o mundo, mas o preservam pela recordação ordenada, pelo canto, pela narrativa e pela forma.
Calíope, a de voz bela, preside a poesia épica e a eloquência, sendo a guardiã das grandes narrativas fundadoras. Clio vela pela história, não como mera cronista dos fatos, mas como consciência do tempo e da responsabilidade moral da lembrança. Erato inspira a poesia amorosa, revelando que o afeto também é uma linguagem sagrada. Euterpe concede ritmo e harmonia à música, expressão sensível da alma em movimento. Melpômene governa a tragédia, ensinando que o sofrimento possui dignidade estética e valor formativo. Polímnia guarda os hinos e a retórica, unindo o sagrado à palavra ordenada. Tália, em contraste fecundo, representa a comédia e a leveza que humaniza a existência. Terpsícore rege a dança, símbolo da integração entre corpo e espírito. Urânia, por fim, eleva o olhar ao céu, fazendo da astronomia uma ponte entre o cálculo e o assombro metafísico.
Do ponto de vista psicológico, as Musas podem ser compreendidas como estigmas da criatividade humana. Elas personificam impulsos internos que emergem quando o intelecto se harmoniza com a sensibilidade. O artista, o pensador e o cientista não criam a partir do vazio, mas de uma escuta interior que os antigos chamavam de inspiração. Nesse sentido, a musa não é uma entidade externa que impõe ideias, mas a expressão simbólica de um estado de abertura da consciência ao sentido profundo da existência.
Filosoficamente, as Musas representam a recusa do esquecimento como destino. Em um mundo marcado pela transitoriedade, elas afirmam a permanência do significado. Cada obra de arte, cada poema, cada investigação científica torna-se um gesto de resistência contra o caos e a dispersão. A tradição ocidental, desde a Grécia clássica até a modernidade, herdou delas a convicção de que conhecer é recordar, e criar é participar de uma ordem mais alta.
Na contemporaneidade, embora o culto ritual às Musas tenha desaparecido, sua presença permanece viva. Elas sobrevivem nos museus, nas academias, nas universidades, na linguagem cotidiana que ainda fala de inspiração e gênio criador. Persistem como metáforas vivas da necessidade humana de dar forma ao indizível e sentido ao efêmero. Mesmo em uma era tecnológica, continuam a sussurrar que não há progresso sem memória, nem inovação sem raiz.
Assim, as nove filhas de Zeus não pertencem apenas ao passado mitológico. Elas habitam o íntimo da cultura, sustentando silenciosamente a ponte entre o caos e a ordem, entre o instante e a eternidade, lembrando à humanidade que toda verdadeira criação nasce do diálogo profundo entre a memória e o espírito.

Inserida por marcelo_monteiro_4

A PRIMAZIA DA EXPERIÊNCIA SOBRE O JULGAMENTO ESTÉRIL.
Autor: Escritor:Marcelo Caetano Monteiro .
A história do pensamento humano ensina que o conhecimento verdadeiro jamais se constrói à distância da experiência. Desde os primeiros filósofos da Antiguidade até as reflexões morais da modernidade, permanece constante a constatação de que o saber que transforma nasce do contato direto com a realidade e não da contemplação passiva de seus erros alheios. A máxima segundo a qual " Quem age e erra aprende mais do que aquele que apenas observa. " revela uma verdade interior sobre a condição humana e sua jornada formativa.
O erro, quando vivido com consciência e responsabilidade, não representa fracasso moral nem falência intelectual. Ele constitui uma etapa legítima do processo de amadurecimento do espírito. A ação, ainda que imperfeita, insere o indivíduo no fluxo da experiência concreta, onde a consciência é confrontada com limites, consequências e escolhas reais. Nessa travessia, a falha deixa de ser estigma e passa a ser instrumento pedagógico. O erro vivido ensina porque toca a alma, fere o orgulho, desperta a reflexão e exige transformação.
Em contraste, aquele que apenas observa, julga ou aponta falhas a partir da segurança do distanciamento mantém-se preservado do risco, mas também da aprendizagem profunda. O observador imóvel preserva a ilusão de superioridade intelectual, porém abdica do conhecimento que nasce da vivência. Sua crítica, ainda que por vezes correta, carece de densidade existencial, pois não foi forjada no embate com a realidade. Tal postura gera estagnação, não sabedoria.
A filosofia clássica já advertia que o saber autêntico não se transmite apenas por discursos, mas pela experiência do viver. A ética não se forma no conforto das teorias isoladas, mas no exercício cotidiano da escolha, do erro e da correção. Cada tentativa frustrada contém um valor pedagógico que nenhuma observação distante pode substituir. É no tropeço que o ser humano se reconhece limitado e, exatamente por isso, capaz de crescer.
Assim, errar não diminui o indivíduo. Ao contrário, humaniza-o. Quem age aceita a possibilidade da queda e, com isso, demonstra coragem moral. Quem apenas observa, embora protegido da falha, permanece aprisionado à esterilidade do julgamento. O verdadeiro progresso espiritual e intelectual exige envolvimento, risco e responsabilidade diante das próprias ações.
Que cada consciência compreenda, portanto, que viver é ousar, aprender é errar com dignidade, e crescer é transformar cada falha em degrau silencioso rumo à própria elevação.

Inserida por marcelo_monteiro_4

Três de novembro


No mês em que a primavera se despede,
e o sol, mais manso, faz-se presente,
floresciam dias de ouro e espera,
prenúncio de encontros, docemente.

Foi na estação de brisa e lume,
quando as folhas murmuram segredos,
que nos achamos sem alarde,
em cores tênues, sem medos.

Caminhavas já em meus sonhos,
estrada traçada em silêncio,
onde o murmúrio do vento sussurra
o amor que arde em denso, intenso.

O mundo, em sua dança vasta,
girou em círculos de espera,
até que em ti se fez acalanto,
porto certo, luz sincera.

Achei-te na dobra do tempo,
onde o aleatório se curva à sina.
Outros conheci por ócio e acaso;
a ti, encontrei porque eras divina.

Outros, passos soltos, vento;
tu, raiz, urgência, beijo,
entre ecos e risos, enfim,
vi que ao teu lado me pertenço.

Inserida por Epifaniasurbanas