Texto sobre Sol

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Sol e Sombra — Leão

És fogo dourado ao nascer do dia,
Presença que ilumina qualquer sala.
Tens no peito a coragem dos reis,
E nas mãos, o gesto generoso que acolhe.

Teu entusiasmo é chama que inspira,
Tua lealdade, muralha contra a tempestade.
Sabes liderar sem pedir licença,
E transformar o comum em espetáculo.

Mas… oh, Leão, o mesmo sol que aquece também cega.
Teu orgulho é coroa e armadura,
E às vezes teu rugido ecoa mais que a escuta.
O aplauso que te alimenta
Pode virar fome sem fim.

A vaidade pinta teu retrato
Com tintas que nem sempre são tuas.
E a sede de ser centro
Às vezes te afasta da constelação ao redor.

És luz radiante e sombra projetada,
Coração aberto e ego atento.
Virtude e defeito, tão juntos,
No reinado intenso de ser Leão.

Raios de sol despindo o véu que a madrugada vestiu ...Vejo o vento tilintando na saia da bailarina amarela fazendo-a levemente bailar... Enquanto seus soldadinhos verdejantes aplaudem a doçura de seus movimentos ...
Eu humilde espreito da janela tal espetáculo que nunca mais sera igual ...Mais lindo talvez ...Mais nunca igual...

Sol quente que queima o rosto,
rosto pálido, negro, asiático ou rico.
Sol que traz energia,
sol que pode extinguir o olhar da vida.

Nordeste é força,
que como o umbuzeiro se entrelaça para oferecer doçura.
Umbuzeiro que, para isso, entrega o seu fim,
mas, como nas anomalias da vida,
pode ressurgir.

Pois o mesmo sol que queima
é o que permite à vida renascer.

Embaixo de uma árvore, um menino acariciava um cachorro,
cachorro de pelos dourados com o sol que esverdeava folhas
folhas amassadas e quebradas pela bola arremessada que atingiu a árvore,
árvore que continha folhas, e ao redor do menino
um adulto que, obeso, reluta em levantar
o menino observa o adulto, homem que toca, que acaricia a própria barriga
o menino, em veloz movimento, toca o braço do homem
o homem, em espanto, escuta do menino: "Por que não está feliz nesse belo dia? Se levante."
o homem, com uma lágrima tímida, recita: "Não posso, não sou belo."
o menino acaricia o seu cachorro e diz: "Sabia que tem dias que é difícil acariciá-lo assim? Pois, se não remove o excesso de pelo, torna-se espesso e sufocante."
o homem mais uma vez acaricia a própria barriga, apertando como se quisesse arrancá-la, e recita: "Não é a mesma coisa, jovem menino."
o menino, em um belo sorriso, recita: "Eu nunca pude fazer sozinho, mas hoje cortei um pouco, somente um pouco. Você também consegue."
o menino se levanta, ao segurar o braço do senhor, o cachorro o auxilia e o senhor se levanta
a árvore que confrontava, agora brincava com a sombra, o homem que acariciava a barriga surgia magro, estendendo a mão ao menino, que em sombra era um belo rapaz.

⁠No jardim, coloridas flores nasciam
Éramos jovens e o futuro bem distante
O sol tocava levemente nossas faces
A felicidade, naqueles dias, uma constante.

Tua pele, pura seda, sempre perfumada
Teus beijos tinham gosto de hortelã
Passeávamos pelo jardim de mãos dadas
Vivíamos alegres num hoje sem amanhã.

O sol está quente, assolando meu inverno.
Sem você aqui, moça bonita, tudo é castigo.
O frio morde, e eu não sei fugir
dos pensamentos que insistem em ti.
Eles devastam meu mundo engessado,
preso, atado, sem saída.
Então resmungo em silêncio aflito,
grito alto teu nome — joia do Nilo —
para que ninguém perceba
a nudez da minha aflição.
Será castigo do céu me assolar assim?
Caio de cara na terra, esmurrando o chão,
até que toda força se acabe em mim.
Só então clamo aos céus, linda mulher.
Por quê? Por que me sinto desbravado,
preso numa liberdade vazia,
longe da mulher que me deste?
Quem sabe o céu conforte
essa angústia medonha.
Confesso tudo, até na prece mais fervorosa,
e chamo teu nome —
minha rainha.

NÃO QUERO SER FÓSSIL VIVO
Eu me sento à beira do mar quando o sol ainda é promessa de luz. As ondas
vêm e vão sem perguntar se hoje me sinto disposto ou cansado, sem
perguntar se meu cabelo já é quase todo branco. Elas apenas chegam com a
mesma certeza de quem sabe seu lugar no mundo. Eu respiro fundo, e esse
ar gasto em todas as estações da vida me lembra de que, aos 80 anos, ainda
posso, sim, surfar a próxima onda.
E, nessas reflexões, me lembro também do dia em que comecei a pensar em
hormônios não como uma força do passado, mas como aliados do presente.
Certa manhã, enquanto fazia alongamentos, reparei que meu corpo reagia
diferente: as articulações falavam, a pele parecia pedir mais cuidado e, de
repente, descobri que o cortisol não precisava ser meu inimigo. Foi como
descobrir um velho amigo guardado em caixas de memórias, esperando para
me ajudar a encarar cada amanhecer com vigor. A cada dose de testosterona
que tomo, sinto não só o vigor físico, mas um frescor quase infantil de quem
redescobre o sabor de correr no parque, de sentir o vento bater no rosto. E
por que não correr? Meus ossos podem chiar, minhas costas podem
reclamar, mas meu coração ainda quer bater forte quando vejo o horizonte
se acender de laranja. Quero ver o sol despontar atrás das nuvens e também
contemplar a escuridão sem hora para acabar, porque a noite me lembra de
que há beleza nos mistérios, na imensidão da lua refletida na água escura.
Se alguém me chama de “velho”, não me ofendo: sou antigo como o oceano,
mas não sou “fóssil vivo”.
Aliás, já desenterrei esse termo do meu vocabulário — prefiro
“testemunha ativa”. Porque testemunhar, para mim, é participar: é pedalar,
é jogar basquetebol que amo e sempre amarei, é nadar, é jogar bola com os
netos que me vencem em agilidade, mas não me vencem em vontade de
viver.
Há dias em que a dor sussurra mais alto. A cada passada no asfalto ou a cada
curva do caminho, meu corpo lembra que o tempo deixou suas marcas. Mas
a dor, se bem entendida, não é sentença; é lembrete de que ainda estou
aqui, pulsando. Mesmo sentindo cada vértebra reclamar, descubro que
posso transformar essa dor em impulso para seguir adiante. É como se ela
fosse o vento que empurra minhas velas: incômoda, sim, mas necessária
para manter o barco em movimento.
Meus amigos dizem: “Quando a gente chegar à terceira idade, vêm a poeira
e a apatia”. Eu só sorrio e respondo com os olhos brilhando: “Terceira idade?
Estou criando turbinas” porque, no fundo, estarei sempre aqui.

Você é como um sol que nasce
Sem você, mulher,
Não existem o calor e o brilho
Que iluminam o nosso dia
Quando você nos brinda com sua presença
Seus olhos são duas contas preciosas
Que me dão vontade de viver
E transmitem amor desde o alvorecer.
Seu sorriso traz felicidade contagiante
A quem desfruta de sua presença cativante
Com ele, você alegra nosso coração e ilumina a nossa alma.
A suavidade da sua voz é como música para nossos ouvidos,
Sussurrando palavras de amor e carinho
E quantas são as vezes em que nos orienta para a vida.
Ela é uma obra de arte
Criada com amor e dedicação.
Cada detalhe, cada curva, cada linha
Representam a expressão da sua beleza exterior e interior
Sim, ela é incrível!
Quantas vezes, muitas vezes, somos apenas o complemento
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Nos Caminhos da Poesia com Raimundo Grossi
Várias vezes, sentimos que o sucesso depende dela
Fortalecida pela vida e iluminada pelo amor.
Sim, o sol em um dia nublado,
Um refúgio seguro em um mundo incerto.
Sou grato por ter uma mulher como a minha em minha vida, em nossa
família.
Obrigado, Cassinha, por compartilhar comigo seus sonhos e os meus
desejos.
Eu amo você mais do que as palavras podem expressar.
Você é a minha razão de ser, a minha alma gêmea.
São 51 anos de vida harmoniosa.
Ainda chegaremos aos 100 anos ou aqui ou onde estivermo

Chuva na infância, sol no futuro



Em um dia de chuva fina e céu fechado,
fui deixada, sem aviso, sem abraço,
com os olhos marejados e o coração rasgado,
vi meus pais partirem… sem sequer olhar para trás.


Tinha três anos e uma camisa laranja,
uma saia jeans e a alma em pranto,
o mundo tão grande e eu tão pequena,
perdida no tempo, sem um canto.


Fui criada por vozes frias, mãos distantes,
que diziam cuidar por obrigação.
Erguemos o lar entre irmãos sobreviventes,
com amor inventado na força da união.


Dia dos pais era só mais uma dor,
um desenho vazio sem destinatário.
Guardei segredos que pesavam demais,
num peito sem colo, num lar temporário.


Procurei amor onde não havia,
em rostos estranhos e toques vazios.
Mas hoje, enfim, encontrei abrigo,
entre braços que secam meus desafios.


E agora, à beira de um novo caminho,
sonho com filhos, com festa, com lar.
Prometo a eles o que eu não tive:
amor de sobra para transbordar.

Amanhecer.
Quando eu acordo e olho para um céu sem sol, percebo a necessidade que tenho da irradiação da tua energia sobre a minha vida.
A ausência dela me desfalece, me entristece e me limita.
Preciso de você, preciso da tua luz para iluminar, alimentar minha alma dessa doçura, desse espírito de paz que você me traz.

Quando eu morrer, estarei onde sempre desejo... Junto com as estrelas dormentes, e raios de sol... Ainda tocarei você mesmo que não veja, sou eu uma luz.
Não esqueça disto quando ver a escuridão, no escuro brilharei para você.
Se esquecer, lhe darei um choque!
Acorde ou morra...


-Bameyu

"Não perca seus sonhos de vista. Permita que eles sejam o sol e, então gire em torno deles. Se pensamentos de medo vierem, troque-os e projete na sua tela mental aquilo que você deseja viver, sentir e ser. Não foque nos problemas, foque na pessoa que eles estão te ajudando a ser. Agradeça. Confie. Receba!"


365 dias de Gratidão.


Flavia Melissa

Tenho medo…
Você diz que ama o sol,
mas quando ele aparece, se esconde numa sombra.

Tenho medo…
Você diz que ama a chuva,
mas quando ela cai, se esconde sob o guarda-chuva.

Tenho medo…
Você diz que ama o frio,
mas quando ele chega, se esconde entre cobertas.

Continuo com medo…
Você também diz que me ama.

Todo dia que levanto para lutar e me deito ao por do sol, me repousando em derrota. Vivendo nesse ciclo vicioso entre Granizo,
me alimentando de dor e tristeza. Mesmo que eu queira sair disso não consigo, porque o vicio da lua e maior do que a minha alma. Alguns nasceram para ser como o Sol e brilhar intensamente, outros para ser a lua, sem brilho próprio, vivendo a margem da dor.

Poema dos Apaixonados




Não sou o sol que nasce no infinito, mas posso bronzear o teu corpo.


Não sou a chuva que cai do céu azul, mas posso deixar-te molhada.


Não sou o mar que para na areia deserta, mas posso ser a lágrima salgada que entristece seu olhar.




Desconheço a autoria
Não sou o rio de água clara que te trouxe ao porto que uniu nossos sentimentos, mas posso levar-te em outro horizonte.


Não sou a balsa que segue no riacho do seu aconchego, mas posso ser a correnteza que leva pra longe tua íntima solidão.


Não sou a jangada que flutua no ribeirão sem fim, mas posso ser o peixe que nada em direção dos teus seios macios.


Não sou o córrego que divide o arvoredo da floresta, mas posso ser o vulcão que seduz, e o medo que te apavora.


Não sou o lago tranqüilo do bosque da cidade, mas posso ser o descanso do teu paradeiro.


Não sou o dourado da lagoa esquecida, mas posso ser a águia dourada que pousa na pedra da ilha que cruza teu caminho.


Não sou a represa que mata a sede da garça branca, mas posso ser o prazer que mata os teus anseios.


Não sou a cachoeira cristalina que busca tua miragem, mas posso ser o pranto sentido que rola em tua face.


Não sou o navio que se perdeu no oceano solitário, mas posso deixar-te perdida de encanto na estrada que te leva ao paraíso.


Não sou o jardim que floresce na primavera, mas posso deixar o teu mundo florido.


Não sou o calor do verão que toca tua pele, mas posso deixar-te suar no delírio do êxtase que te domina.


Não sou o outono que enfraquece as folhas com a sua chegada, mas posso enfraquecer-te de saudades com a distância que nos separa.


Não sou a neve que enfeita a manhã de inverno, mas posso ser o manto branco que traz a pureza do teu sorriso.


Não sou a nuvem que deixa o dia nublado, mas posso deixar sua tarde sem cor com a ausência dos meus carinhos.


Não sou a lua que pranteia o anoitecer, mas posso ser o véu do luar que cobre teu destino.


Não sou a estrela que brilha na escuridão da noite, mas posso refletir no espelho do teu castelo de sonhos.


Não sou Saturno que às vezes surge na imensidão do espaço, mas posso enlaçar o teu amor com a fúria de um beijo.


Não sou o vento que murmura no silêncio da madrugada, mas posso ser o redemoinho que assanha teus cabelos.


Não sou a terra que dá força à natureza, mas posso ser o universo dos teus passos.


Não sou a dor que te maltrata sem nenhuma piedade, mas posso ser a erva silvestre que te alivia.


Não sou a mata virgem que refresca a tua alma, mas posso ser a sombra suave que enxuga sua ardente transpiração.


Não sou o ramo nativo que cresce na várzea sem ser semeado, mas posso ser a semente fértil que germina em teu pensamento.


Não sou o pomar do pequeno vilarejo, mas posso ser a fruta doce que te alimenta.


Não sou o perigo da selva abandonada, mas posso ser a fera que te sufoca de agonia.


Não sou o pássaro que voa sobre a montanha, mas posso deixar-te no ar com o desejo louco de amar.


Não sou o fogo que faz a queimada da serra seca, mas posso ser a chama que te queima de paixão.


Não sou a coragem do herói que luta em defesa do sertão, mas posso ser a armadilha que te prende de sensação.


Não sou aquela demanda que espanta o feitiço que tranca o teu caminho, mas posso ser a espada que te protege.


Não sou a ânsia que domina teu ser, mas posso ser o pecado que marca tua boca vermelha.


Não sou o dono de tua vida, mas posso ser o dono do seu coração.


Não sou Deus que criou a verdade, mas posso ser a luz que iluminará a tua eternidade.....












Desconheço a autoria

O DIA


Pela manhã, quando o céu decide se o sol vai brilhar ou a chuva molhar, o destino começa a se revelar.
À tarde, sob a luz do entardecer, piqueniques, borboletas no ar
e crianças a brincar, ali, o bem-estar escolhe repousar.
Na noite, as estrelas despertam, a lua cheia ilumina, grilos cantam de longe... E a noite, quem sabe, se faz infinita.
Mas o destino tem o dom de mudar tudo. Quando se pensa, sonha ou recomeça, o limite deixa de existir.
O dia pode ser breve, mas a alma reconhece:
a verdadeira conquista é transformar a dor em propósito e o propósito em novos recomeços.


- Iani Melo >•<

Num dia de sol, num parque em flor,

Cercado por risos, calor e amor,

Uma garota de alma tão pura,

Viu algo no chão que pedia ternura.



Um corvo caído, sujo e ferido,

De olhar apagado, peito oprimido.

Os outros diziam: “Não toque, não veja,

Ele vai te ferir, trazer só peleja.”



“Esse corvo é livre, não sabe ficar,

Mesmo se curado, vai te abandonar.

Leva doenças, te fere em vão,

Não merece abrigo, nem teu coração.”



Mas ela, teimosa, quis insistir,

Achou que amor pudesse redimir.

Cuidou com carinho, limpou sua dor,

Mesmo sendo arranhada sem pudor.



Com dedos sangrando, ainda assim sorria,

Mesmo quando a alma já não resistia.

Ignorou alertas, deixou-se doer,

Acreditou que amor pudesse o corvo deter.



E então, num dia tão claro quanto o primeiro,

O corvo se ergueu, virou passageiro.

Abriu suas asas, cortou o céu,

Sem olhar pra trás, sem um gesto fiel.



Não foi por maldade ou falta de afeto,

Mas o corvo é assim — livre, inquieto.

A garota ficou, com o peito em pedaços,

Percebeu que amor demais também deixa espaços.

SERTANEJO FORTE

⁠Sob o sol ardente do sertão vasto,
Vidas resistem no calor nefasto.
A terra seca, chão de batalha,
Que o povo abraça, enfrenta e trabalha.

Na dureza do solo, desponta a esperança,
É no suor do rosto que brota a confiança.
Homens e mulheres, de fibra, valentes,
Carregam nos olhos histórias latentes.

Quando a chuva cai, milagrosa e rara,
O solo se renova, a alegria dispara.
A terra fértil transforma-se em festa,
Floresce a vida, a natureza se manifesta.

No sertão árido, o verde renasce,
O coração do nordestino se aquece.
E entre risos e preces, o sertanejo forte,
Celebra a vida, dança com a sorte.

Crônica do Reino Onde o Povo Não Cabe
Ó terra formosa, de rios largos e sol antigo,
onde o chão é fértil, mas o pão é curto,
ergue-se um reino que se diz mãe,
mas que só embala alguns filhos no regaço
e lança outros ao frio da madrugada.
Neste reino de Angola
— que outrora cantou esperança
como quem canta a liberdade recém-nascida
—governam senhores de palavra grossa e ouvido fino,
mais atentos ao eco do próprio nome
do que ao clamor do povo que sangra calado.
Há um partido, não feito de todos,
mas de escolhidos.
Aos que juram fidelidade, chama “companheiros, camarada...os camaradas”;
aos que ousam pensar, chama “inimigos”.
E assim divide o corpo da nação
como espada que corta a própria carne.
Prometeram pão, mas deram discursos.
Prometeram justiça, mas semearam medo.
E enquanto o povo sua na lavra da vida,
os senhores banqueteiam-se em mesas altas,
onde a miséria não tem lugar nem nome.
Oh pátria minha, por que consentes tal trato?
Por que permites que te amem apenas em tempos de voto
e te esqueçam nos dias de fome?
És cantada em hinos, mas negada na prática;
és exaltada nos palanques, mas ferida nas ruas.
O pobre, que é maioria, tornou-se estrangeiro em sua casa.
O jovem, que é futuro, virou ameaça.
E a verdade, que deveria ser farol,
foi vestida de mentira
para não ofuscar os olhos do poder.
Mas saiba o reino — e saibam os senhores —
que nenhum poder dura quando despreza o povo,
pois a história, severa mestra,
cobra com o tempo aquilo que o medo adiou.
E virá o dia em que Angola não será partido,
nem cor, nem clã,
mas casa comum, onde ninguém será inimigo
por pensar,
nem excluído por existir.
Até lá, canta-se esta crônica
não por ódio, mas por amor à pátria,
pois quem critica por justiça
é mais fiel
do que quem aplaude por conveniência.

“Somente no recuo da maré é possível ver os presentes do mar deixados na areia.

Será o sol e as lembranças do verão que irão aquecer nossas manhãs de outono.

Serão os risos provocados e as demonstrações de afeto, que adoçarão a alma e nos ajudarão a suportar o dia do luto.

Por que a vida como tudo passa, mas algo de bonito sempre permanece”