Texto Sobre Silêncio
Dor dos meus Jejuns -
No branco silêncio de um depois
fica sempre um cheiro de vazio
porque esse alguém, p'ra onde foi,
não levou a saudade nem o frio.
E lá na rua onde morava
oiço ainda o eco dos seus passos
o cheiro a rosas que deixava
quando nos envolvia nos seus braços.
Às vezes, fechando os olhos, vejo ainda
aquele olhar que nos trespassava
e oiço aquela voz que nunca finda
dizendo o quanto nos amava.
Eram gestos, palavras incomuns
que ao fundo da infância davam paz
e fiquei livre da dor dos meus jejuns
minha alada e adorada Monsaraz!
Eu e nós outros
evangelista da silva
Recolho-me!......
Da janela vejo o silêncio mórbido das ruas.
Encontro-me frente a frente à tv.
Observo o carnaval.
Um surto psicótico explode!...
E as almas decaídas aprisionam os possessos
Endiabrando os corpos em estereótipos catatônicos
Que são conduzidos aos infernos.
É carnaval!...
A maioria dos mortais se desequilibram
Enquanto atentos outros usurpam o transe infernal.
E tudo acontece nesse instante:
Cenas macabras desfilam em sangue e mortes... Dessa forma a infelicidade aumenta:
Torturas, toxicodependência, e melancolia.
É carnaval!...
Das prisões às avenidas
Favelas e nobres bairros...
É um urro agonizante de desrealizações.
E, nesta fúria satânica e neutralizante,
Onde tudo se confunde,
Vê-se alegorias, fantasias, arte, circo e palhaçadas!...
Religião, zoada e perturbação musical.
Sim, é carnaval!...
Nesses instantes esquizofrênicos
Ninguém para nada serve
A não ser para lambuzar-se em merda.
Vai-se indo mais um carnaval!...
E neste frenesi torporizado
Entre o real e o imaginário,
Os manipuladores da emoção
Deformam a realidade.
Vendem felicidade e beleza.
Pregam em tudo, pureza e simplicidade
Enquanto a turba agitada e enlouquecida
Agita-se em movimentos bruscos
Ouvindo um som que vem dos infernos
Criando a sinfonia perturbadora das notas musicais.
Santo Antônio de Jesus, 27 de fevereiro de 2017.
Às 16h 03min.
SOFRÊNCIA
Nu, o meu lamento pranteia na solidão
Na minha dor o silêncio me comprime
E, em suspiro visceral que me oprime
A boca saudosa de teu beijo, só ilusão
Nessa tortura aflitiva do meu coração
O desejo de outrora não mais inanime
Uma realidade, o que já foi tão sublime
Faz-me arrepiar em amarga sensação
Em melancolias de dessabores infinitos
E minh’alma vozeando em frêmitos gritos
Rompe a exaustão do dia, em um frenesi
E o tempo alonga as horas, lentamente
Escreve a sofrência já no cerrado poente
Num soneto jeremiado, e chorado por ti...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
18/12/2019, 17’14” - Cerrado goiano
Olavobilaquiando
Quando eu for embora
Quando eu for embora
Ficarei
Primeiro nos segundos
Do minuto de silêncio
Das horas que se arrastam
Dos dias que não passam
Por anos estarei
Nas esquinas e olhares
Nos aromas e lugares
Nos conselhos que te dei
Povoarei sua lembrança
Cada olheira e cada trança
No vazio da madrugada
Nos sorrisos das crianças
Que rabiscam a calçada
Cada som e cada dança
Cada roupa amarrotada
Na ilusão da esperança
Naquela blusa emprestada
Até no brilho da lua
Na placa no nome da rua
Em cada historia sua
Eu viverei
Em cada momento
Nem que seja no esquecimento
Eu estarei...
Quando eu for embora eu não irei
São as mesmas noites longas e frias
Habituada escuridão
Fecho os olhos, respiro fundo
O silencio traz à tona o passado
Não sentia saudade, nem dor
Bons momentos estavam distantes em sua memória
As nostalgias não mais o faziam sorrir,
Nem sequer chorar
Pela janela do apartamento, olhou
Olhou para a imensa escuridão
Tantas vidas que se foram
Tantas vidas que querem ir
Olhou...
Sua cidade vazia, rumo a destruição
Assim como a sua alma
Assim como o seu corpo
Se vai o que já não existia mais
Nosso Deus está marchando
O Senhor está em Seu santo templo. Que toda a terra fique em silêncio diante dEle. -
Habacuque 2:20
Escritura de hoje : Habacuque 2: 6-20
Em 1861, durante a Guerra Civil dos EUA, a autora e conferencista Julia Ward Howe visitou Washington, DC. Um dia ela saiu da cidade e viu um grande número de soldados marchando. No início da manhã seguinte, ela acordou com palavras para uma música em sua mente.
Ela estava ciente de toda a feiura da guerra, mas sua fé a levou a escrever: “Meus olhos viram a glória da vinda do Senhor.” Ela viu, creio, que apesar de e por toda a feiura, Deus estava "marchando" para o dia em que Ele corrigirá os erros dos tempos.
O profeta Habacuque chegou a uma conclusão semelhante. O capítulo 1 de seu livro nos diz como ele ficou perturbado quando soube que Deus puniria o povo de Judá, deixando-o ser conquistado pelos iníquos babilônios. No capítulo 2, Deus garantiu a Seu servo que - apesar de toda e feiúra e injúria da história - Ele está "marchando" para o dia em que "a terra será preenchida com o conhecimento da glória do Senhor" ( v.14).
Se acreditarmos que Deus está "marchando", apesar de todos os conflitos brutais que marcam nossos dias, não nos desesperaremos. Podemos aguardar silenciosamente o veredicto final de nosso Senhor, que governa o universo a partir de "Seu templo sagrado" (v.20).
Refletir e orar
Deus governa como Soberano em Seu trono,
Ele julga grandes e pequenos;
E aqueles que destruiriam a sua terra
debaixo da sua vara cairão. -D. De Haan
Um dia a balança da justiça estará perfeitamente equilibrada. Herbert Vander Lugt
Solitário.
No silêncio da noite
Eu sinto a dor
Desse pavor
A dor de amar
A dor de zelar
A dor da saudade
Saudade no peito
Eu tento matar
Mas aqui você não está
O corpo está
Mas você não está
O que devo falar?
Se eu falar
Eu sei que que vou me machucar
Melhor me calar
Sinto sua falta.
Intenso 01
Silêncio
Porque do seu silêncio, porque dos seus olhos a brilhar e a sua boca calar, que através de um brilho do seu olhar, viajo em letras tentando percorrer o universo de versos, tentando viajar em seu corpo em centímetro ainda não explorado por um prazer intenso... (rsm) 28/12/2019
MALALA
Grita ao mundo, Malala
Que nenhuma bala te cala
Escuta, Malala
O som da guerra, o silêncio da Opressão
Vencer a batalha de mulheres que unem a fala
E lutam para defender a Educação.
Um dia a vitória virá...
Malala, as marcas em seu corpo
Não calaram seu coração
Sua história nos ensina e ecoa como lição:
Que ninguém cala, a menina Malala!
No mundo tem adeptos
Sementes em solo fértil
Malala, você inspira gerações!
Num tempo em que bons exemplos
Hoje, são raras exceções!
Ah, como amo o silêncio, o observar da natureza, o canto dos pássaros.
Gosto do meu silêncio e pouco sou de conversar ou falar, pois percebi o quanto minha liberdade de pensamento ofende os que habitam na prisão da inconsciência.
Não quero nada da vida senão a liberdade de existir, de pensar e viver viajando pela superfície dessas bagunças.
Nilo Deyson Monteiro Pessanha
NOITE: ARDOR E MELANCOLIA.
Olho em volta pelas ruas aonde ando,
Ouço o silêncio que vem junto com o medo
De encontrar o desespero, de ouvir um grito
Ou ecoar um berro ou escutar tiros de balas
Noite cruel, malina, traz consigo seus estragos.
Ah, negra amarga!
Auspiciosa e voraz
Não baila mais a minha lida
Companheira de tantas outras datas
Agora, fadigo nos fiéis compromissos da vida.
Que saudade de ti, menina...
Lembro de nossa amizade,
Quanta cumplicidade, alegrias, dores e amores.
Carregas comigo um laço que teimas em não desfazer
Porque como a ti, sou negra, obscura, estranha, cruel, malina,
Doce, meiga, afável, bela, serena, acolhedora e encantadora.
Amada escuridade,
Não aguento mais este cativeiro de livros, pdfs e artigos;
Preciso de ti, do teu consolo, do teu abraço, do teu corpo;
Corpo esse que me blinda de romance e longas histórias;
Por isso te quero novamente em minha vida!
Somos mais que amigas...
Pelos locais que encosto, buscando abrigos, sorrisos,
Vejo que tens outros amantes, felizes, e assim,
Embebeda-nos com teus contos, mentiras,
E cheiro fétido de cerveja passada no chão,
Junto a baganas de cigarros mal tragados.
Eu queria poder me separar de ti,
Não te ver mais, não te desejar,
Mas tudo que sei, nesses últimos dias,
É pensar, quão bom seria estar de preto
Sem me preocupar com as horas.
E assim, vou seguindo meus dias...
Imaginando o momento que andarei por tuas ruas,
Dobrarei tuas esquinas, beberei do teu mel,
Sem me preocupar com o fel da ressaca no dia seguinte,
Somente por te amar, por não conseguir te esquecer,
Por te ansiar nesta dura rotina.
Não desista de mim! Espere!
Pois em breve meu corpo vagará por ti,
Desfrutando de cada néctar que emana do teu existir
E continuarei a persistir até que meus dias findem
Ou que haja um significado existencial pra não te querer,
Madrasta noite,
Me tens em ti...
Mesmo levando minha santidade...
Meu resguardo espiritual...
Minh´alma à perdição....
Sou tua refém,
Sem saber como fazer...
Sentindo o enorme amor...
Sem capacidade de administrá-lo...
Sempre acabo me entregando a ti...
O que fazer
Pra não mais
Querer-te assim,
Diante da mania,
Chona, concubina, amada?!
Noite traíra, dissimulada, ácida, pacata, gentil e amiga...
Santa Suellen.
NO SILÊNCIO DA NOITE.
Eu busco avistar te
Nos lugares mais distantes.
Quando penso encontrar te,
Em meu mundo, meu instante.
Em meus sonhos eu te vejo.
Como homem, meu amante
E os seus beijos tão ardentes.
Despertando meu viver.
É triste.. muito triste.
Quando chega o entardecer.
É triste a minha vida
E o meu mundo sem você.
Já é tarde, muito tarde.
Já é tarde, mas dá noite.
Eu aqui estou sozinha.
E você está tão longe.
A lembrança vem buscar me.
Para onde eu não sei.
Carregou me em seus braços.
Foi então que desmaiei.
Acordei já era tarde,
De um novo amanhecer.
Meu coração bateu mais forte,
Quando olhei para você.
Era apenas a sua foto
Que sorrindo estava pra mim,
Com ela está esperança,
De que você volte logo e me diga assim.
EU TE AMO.
INSATISFAÇÃO
Pela manhã o silencio dos homens
Faz frio e a chuva cai
Proporciona prazer o som que
o gotejar produz ao tocar as folhas
das arvores e os telhados das casas
As nuvens no céu são densas
quase não se pode enxergar os montes
O cão ladra, uiva
talvez sentido o cheiro do cio
Os pássaros surpreendem
voam e cantam como se fosse
um dia ensolarado de primavera
E o homem que percebe tudo isso, murmura
Manhã
Uma manhã qualquer
Um silênciodegustante
De quem devora a própria vida.
O amargor que desce é rompido
Pele estalar das cordas Grunhindo,
No clamor do pare.
Mais uma manhã,
Fria em seus tons de cinza
Onde o cobertor não mais aquece.
Pequenas gotas caem
Pela janela, pelos olhos
Na timidez de quem só se apresenta
Sem pretensão de ficar.
Olhando em seus olhos
Perdi o meu chão
Encontrei no teu silêncio
A respostas da minha solidão
Olhando em seus olhos
Encontrei sabor
Seu silêncio me fez ver
Que sem você não
Existe amor
Olhando em seus olhos
Consigo amar
Amar e nunca te esquecer
Amar você é voar
Olhando em seus olhos encontrei
A razão para viver
Viver esse grande amor
Que é como o sol
Nunca chegara ao fim
Te amo com todas as minhas forças
E sei que o seu amor
É bem maior por mim.
No cilêncio da noite
Busco no silêncio da noite uma solução para os meus problemas...
A noite logo, logo, vai embora, e a manhã já vem chegando...
E os meus pensamentos viajam por dimensões, mergulhados no passado de um amor mal resolvido...
O verão já se decipou, e lá vem a primavera, e agora o que fazer que não estou mais com ela.
Com os olhos cansados e tristonhos, eu não consigo parar de pensar nela...
Robson de Carvalho
O tempo levou
Carregou com peso
Nós estávamos caindo
No silêncio profundo
Naquele quarto escuro
Diminuindo o ritmo
Não pude encontrar
Saída mais leve
Corri contra o vento
Pra poder caber
Me desmanchei em segredo
Tentando entender
Clareando o caminho inteiro
Deixar ir, deixar ir
Chuva forte
Vem sem avisar
Invadindo a alma
Você sabe que eu posso ir mais alto
Te olhando de longe
Minha janela sem trava
Está sempre aberta
Eu procurei por palavras a serem ditas, procurei em meio ao silêncio a melhor forma de sentir saudades. Mas em mim não existe saudades, existem diferentes tipos de apegos; apego as lembranças que eu deveria esquecer, apego as pessoas que foram embora quando eu pedi pra ficar; apego aos desejos e sonhos mais antigos, como aqueles deixados bem no fundo de minhas memórias. Mas o que eu poderia fazer para não me sentir apegado?
Eu procurei em meio ao silêncio a melhor forma de sentir amor. Amor as lembranças que precisam ser lembradas; amor a pessoas que ficaram quando eu pedi pra ficar; amor aos desejos e sonhos novos e também os mais antigos, porque sei que algum lugar eles se guardam. Mas como poderia existir amor em alguém que não acredita sentir saudades?
Então eu procurei em meio ao silêncio a melhor forma de viver, porque vivendo eu saberia que é possível sentir apego na mesma intensidade que é amar e sentir saudades.
Acho que sou distante de tudo
Sempre quero me resguardar
Permaneço em silêncio
Ninguém consegue me decifrar
Sei que quero estar em qualquer lugar
Pra poder fugir da incerteza
Me pergunto todo dia
Se o que eu sinto vai passar
Queria achar uma alternativa
Pra escapar de mim
Certos momentos pedem calma
E eu sei por começar
Mas as vezes não encontro a graça
Nas histórias contadas pra agradar
Sei que quero estar em qualquer lugar
Pra poder fugir da incerteza
Me pergunto todo dia
Se o que eu sinto vai passar
Queria achar uma alternativa
Pra escapar de mim
QUARENTENA II
Mais um dia de quarentena, onde o silêncio monitorou todos os meus passos, sem abraços.
Só olhares familiares, cúmplices de sentimentos, antes tão ocultos, agora tão expostos.
Dia sim, dia não, essa melancolia, essa agonia, saudade de liberdade, que sequer era notada. O ir e vir foi delimitado, imposto sem minha permissão, por um desconhecido assustador.
Todos dizem, tudo passa, mas enquanto isso, fico me reiventando pelos cômodos da casa, pelas gavetas, com as panelas. Remexendo, tentando entender, tentando não transparecer essa insegurança nos meus próprios pensamentos.
E o dia termina como se fosse o fim da água fresca do pote, mas na certeza de que a noite chega para fornecer as provisões esgotadas e restabelecer novo alento e esperança para continuar a jornada.
melanialudwig - 21/04/2020
