Texto Sobre Silêncio
É no barulho do silêncio
E no silêncio da multidão
Que posso ouvir você
Cantando uma canção
É recitando uma poesia
É conversando com a solidão
Que descubro que uma heresia
Pode ter perdão
É vivendo sem vida
É chorando sem lágrimas
É voltando sendo ida
É perdoando com mágoas
Vou vivendo sem sentido
E sem sentimento
Com tristezas
Mas também com alento
Ah, se por um momento
Ela me notasse de verdade
O meu pensamento
Se encheria de vaidade
29/08/2019
Silêncio é o mais alto barulho
É na calada da noite e no escuro
Que descubro o obscuro
Que minha doença eu curo
É durante esse momento
Que me vem um alento
Que o meu pensamento
Não é mais sofrimento
É durante as lagrimas
Que se acaba a solidão
É durante o nosso choro
Que preencho meu coração
É durante um abraço
Que o mais forte amasso
Se deságua em alegria
Trazendo-me euforia
É durante o seu beijo
Que sinto seu cheiro
É apenas neste momento
Que acaba meu sofrimento
18/08/2019
OUSADIA (soneto)
Longe do poetar o amor, a alma nua
A solidão escreve! Um silêncio cego
Do claustro, em um vazio e no ofego
Insiste e teima, sofre e tudo continua
Mas o velho coração na dor entrego
Na esperança que o pesar construa
Prática. E não a uma desilusão crua
Largue o querer, em um aconchego
De tal modo, que o viver no suplico
Então chore, grite, e assim agrade
A ilusão. E então valha o sacrifício
Porque a pureza, barda da liberdade
Da arte casta, nunca usa de artifício
Pra amar com leveza e simplicidade
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
11 de janeiro de 2020 - Cerrado goiano
Olavobilaquiando
Às vezes temos que alinhar coração e razão...
Ficar em silêncio, ouvir a respiração pulsar, ouvir ao seu redor o que há de acontecer
Voltar para si, olhar para si
Mesmo sabendo como é difícil, mas vale lembrar, é só questão de costume
E sei o que digo, pois o meu querer é tudo para ontem.
Tente viver com calma, sem pressa, viva para você.
Sou um Grito de Arte,
Uma escritora falida,
Num estrondo de silêncio,
Ensurdecedor,
Minha Arte vive em mim,
Mas, não posso viver da minha Arte,
Sou um Grito,
Estrondoso,
De silêncio,
A vida é uma violência à minha inteligência,
Onde todos os dias,
Sou violentada à deixar a esferográfica de lado para os versos,
E colocá-la entre os dedos,
Para melhor atendê-los,
Essas são as grades do capitalismo selvagem,
Onde,
Um uniforme, para alguns é capaz de ditar regras de julgamento,
Onde deixo meu mundo das ideias,
Escritora que sou, para escutar insultos,
Falta de educação, falta de empatia, não de todos,
Mas, de muitos,
Que julgam-se melhores por estarem por detrás de uma mesa...
Ou com um crachá de cargo à mais,
Tanto faz.
Plenitude do desejo 01
Perdido
Mesmo com o seu silêncio, viajo nos seus desejos, viajo em uma tempestade de maior grau de satisfação, quando atinge a plenitude do desejo.
Navego sem vento e sem sentido, navego sem barco, navego sem pensamentos, que vivi a procura de um porto sem atracação de navios... (rsm) 15/02/2020
"Hoje"
Hoje o dia!
Está vazio…
… e sem graça.
O silêncio está intenso…
… e eu não ouço a tua voz.
Hoje o dia!
Ele está em pedaços.
Hoje o dia!
Está calmo…
… sereno…
… e tranquilo.
Que pena!
Hoje o dia!
Não teve suas gargalhadas.
Hoje o dia!
Está se findando…
… sem a tua brilhante presença.
Que dor…
… que dor.
Que dor de saudade.
Hoje o dia!
Respirou a tua ausência.
Hoje o dia!
Ele gritou por você…
… praticamente o dia todo.
Olha!
Foi sem falhas…
… ou intervalos.
Hoje o dia!
passou o dia…
… esperando por você.
Admilson
16/02/2020
Se eu te vejo, mudo minha concepção de tempo e espaço.
Se não a vejo, o silêncio no olhar ensurdece-me a alma
e cala meus ouvidos,
me fazendo destilar a verdadeira mentira entranhada no amor
e disfarçada de prazer no calor estar em contato
com o teu corpo.
Preciso apenas de um olhar avulso, e de um sorriso perfeito
por trás da indiferença que não aprendi de certo administrar.
MEU SILÊNCIO
Eu consigo ouvir o som ensurdecedor do meu silêncio.
Um silêncio que não é completo e nem poderia ser.
O pulsar de cada artéria do meu corpo grita mais alto que um agonizante soldado ferido.
Mas, as falas dentro de mim, tornam-me mais audível, viva, serena.
Quisera ser somente eu e o meu silêncio.
Necessário é que seja assim.
Calo-me diante do meu silêncio e busco compreendê-lo. Saio do mundo para entrar dentro de mim mesma.
Por vezes falo mais alto que a voz dentro de mim. Perco-me em pensamentos incompreendidos justamente pelo fato de não deixá- los falar.
Aquilo que não é necessário falar não deveria ser dito. Aquilo que não pode ser compreendido deveria ser falado. Por vezes as repostas estão nas horas silenciosas que insistimos em falar.
As vezes no silêncio de mim mesma ouço outras vozes agonizantes, todas fora de mim.
Muitos que não ouvem seu próprio silêncio buscam ser ouvidos por quem não poderia compreendê-lo.
Minha atitude diante disso é o silêncio, silêncio que fala, que sente, que ouve.
Há um certo egoísmo no meu silêncio, e um certo altruísmo comigo mesma.
Calem-se todos, e fale eu! Eu ouvirei meu próprio silêncio. Mas, serei solicita as vozes que me falam.
Ouvirei muito, ouvirei tanto, até compreender a razão do silêncio dessas vozes. Compreenderei o vosso silêncio, e entenderei o meu.
Enquanto ouvem-se as vozes, eu ouvirei o silêncio, e falarei a mim mesma o que é pedido que eu cale. E, neste meu silêncio e no vosso silêncio, compreendo muito mais do mundo do que pelas vozes que me falam.
OUTRO CARNAVAL
Longe do agitado turbilhão da rua
Eu, num oco silêncio e aconchego
Do quarto, relembro, num sossego
Os carnavais com a folia toda nua
Mas a saudade palia de desapego
De desdém, mas numa trama sua
De tal modo que a solidão construa
Lembranças, e assim eu fique cego
Teima, lima, este fantasiado suplício
Dum folião, com o seu efeito de ter
Que no tempo não tenho mais início
Porque a disposição, gêmea do querer
A alegria pura, tão inimiga do artificio
Agora é serenidade e fleuma no viver...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
21 de fevereiro de 2020, Cerrado goiano
Olavobilaquiando
MUDEZ
De silenciar dores falo com propriedade!
Silenciei-as, silencio-as.
É vício, é praxe
calar a história vivida,
o amor perdido,
a dor mais sofrida.
Calo para não romper os elos
com o passado remoto;
como se falar sobre ele, o maculasse.
E assim, meu mundo interno só cresce,
quase não cabe em si
e a dor se agiganta,
sufoca, anestesia os sonhos!
Como libélula aprisionada,
não mais se debate,
apenas, em silêncio, "se ajeita".
Cika Parolin
Silêncio, entre perguntas, questionamentos que não querem por si serem resolvidas...
Chuva, sorridente como uma criança ao ganhar seu primeiro presente de natal, aqui dentro a ouço sobria, devastando as aguas dos mares do meu peito...
Neblima, fecha e abre estrada como quem dança ao som da música lirica, cá dentro o som alto pertuba meus timbres concetrados ao som do motor lá fora....
E agora sol, o céu repleto de luz, mas as campinas escurecidas pelo tom que natureza os deram, flores esmaecidas, talvez apenas as veja assim...
E pessoas, que vão, sentindo essa energia que o universo traz, vazios, fio por fio que se prende no alto dos morros...
Mas prepare-se, há muito mais que a energia interior, prepare-se pois o dia está só a começar...
Horizonte, veja, a um imenso horizonte, prepare-se...
Srta.Spínola
Esperança nos tempos tristes
É bom que se espere e espere em silêncio pela salvação do Senhor. - Lamentações 3:26
Tristeza e tristeza são os grandes equalizadores da vida. Eles afetam a todos nós, em vários graus.
Às vezes, países inteiros sofrem. Em 1994, ficamos horrorizados com a enorme dor em Ruanda e na Bósnia. E todos somos tocados por tragédias de menor escala: acidentes, doenças, rupturas familiares, problemas financeiros. Independentemente de nossas próprias tendências otimistas, a tristeza nos visita a todos.
Mas há outro lado disso. Não importa quão trágicas nossas vidas possam ser, não importa se somos entregues à depressão e ao desespero em vez de felicidade e alegria, nunca ficamos sem esperança.
Isso porque a vida não é uma seqüência de circunstâncias acidentais. A vida tem uma dimensão espiritual que sempre pode ser impulsionada pelo amor, misericórdia e graça de Deus.
Veja, por exemplo, em Lamentações 3. Encharcado como esta passagem está na miséria do povo de Jerusalém, há esperança. Em meio aos detalhes do massacre e da devastação por atacado quando a cidade foi invadida, o autor inseriu a melhor esperança da humanidade por uma razão para continuar: o grande amor de Deus. Para combater a aflição e a tristeza, o escritor falou da compaixão de Deus, da sua fidelidade, da sua bondade e da sua salvação (v.22-26).
É notável! Não importa o que possamos estar sofrendo, podemos ter certeza de que Deus nunca nos deixará sem esperança.
Quando o problema procura roubar-lhe a respiração,
Quando a tragédia atinge com força e rouba seus dias,
Lembre-se de que Cristo suportou o aguilhão da morte;
Ele nos dá esperança e merece todo o nosso louvor. - Gustafson
Ninguém está sem esperança, cuja esperança está em Deus. Dave Branon
É preciso saber acolher este silêncio surdo, que marca a passagem entre duas experiências intensas: a Sexta-feira de dor e o Domingo de Ressurreição. No sepulcro, Jesus se faz solidário com toda a morte humana. E é preciso esperar com Ele. É preciso esperar em nossos projetos e sonhos, na libertação dos povos, em uma nova humanidade. Em nossas vidas teremos muitas sextas-feiras santas de dor e dias de páscoa, mas, teremos muito mais sábados de espera.
“Não vos deixeis roubar a esperança! Talvez a esperança seja como as brasas debaixo das cinzas; ajudemo-nos uns aos outros com a solidariedade, soprando nas cinzas, a fim de que o fogo volte a atear-se mais uma vez. Pois é a esperança que nos faz ir em frente. E isto não é otimismo, mas algo diferente. Todavia, a esperança não é de uma só pessoa, a esperança fazêmo-la todos juntos. Temos que alimentar a esperança entre todos, entre todos nós e todos nós que estamos distantes. A esperança é algo vosso e também nosso. É algo que pertence a todos” (Discurso aos trabalhadores de Cagliari – 22/set/2013).
A Cruz permanece em seu lugar, mas o sepulcro fica vazio para sempre!
É Ressurreição: vida plena antecipada.
Andrelina
Formação cristã
No silêncio da noite, e impossível controlar. A solidão invade minha alma.Pensar e imaginar está sendo a única coisa que faço! Os momento se perde no tempo, o desejo trama o ultimo suspiro. Deixei você entrar nos meus pensamentos, e me invadir á alma.O rangir dos vento rasgam o silêncio lá fora. Em noites assim viajamos até aquele canto secreto escondido dentro de nós, bem lá no fundo do coração onde só nós sabemos como entrar.
Um lugar onde a chave são nossas memórias, momentos inesquecíveis que ficaram ali adormecidos, às vezes o desejo de ir até lá nos chama. Boa noite
Me puseste em teu balaio de silêncio,
Me prendera onde não se escuta nem o vento lá fora ou a chuva que cai
Nesse silêncio no porão não sei quando está trovoando, quando virá a tempestade ou quando está sol
Nesse silêncio os meus gritos estão afogados, abafados, escolhi calar pra não gastar o resto de oxigênio do balaio e pra não morrer logo
Estive ansiosa quando ouvi passos na escada, mas logo depois veio um temor daquele ser o meu fim, mas não era nada, talvez meus ouvidos me traíram e ouviram mais do que era real
Não sei ao certo como vim parar aqui,
Não sei ao certo quanto tempo ficarei
Não sei ao certo se um dia sairei daqui com vida
A única coisa que esse silêncio me traz é um encontro, o encontro comigo mesma e a pergunta de Clarice Lispector "Se eu fosse eu" o que faria.
Nem sempre gosto das minhas próprias respostas
Talvez se eu fosse eu, nem teria vindo parar aqui, nem de longe
O meu eu me diz que é tempo de silêncio, mas que em breve, muito breve eu verei o nascer do sol, o orvalho da noite e no céu enluarado com aquela lua bem cheia e o céu completamente azulado, os ventos cortando meu corpo e sentirei aquela paz de criança na alma.
Por hora espero, aguardo, sobrevivo no balaio, balaio de sentimentos, emoções, balaio de nada.
Tô no silêncio da casa, algumas coisas pra arrumar e nenhuma vontade
Com um pouco de sono, talvez seja a bobagem de estar só
Talvez eu quisesse um abraço bem apertado, quase daqueles estranguladores que tiram suspiros, ou apenas um bom sexo, daqueles que você passa dias lembrando, ou eu não queira nada disso, apenas quisesse algo intenso, daquelas coisas que nos fazem sorrir atoa por sentir a vida
A tv no mudo, nada alí me interessa, o vinho que ganhei ao lado, as pedras adquiridas da cachoeira amontoadas em um tipo de equilíbrio pra que eu lembre que devo manter minha mente equilibrada, parece loucura mas faz tempo que não fico assim, sozinha, a casa, e é gostoso, é divertido, gosto de minha companhia, curto meus pensamentos, que na grande maioria são otimistas
Fumo um cigarro ( eu sei, não devo), escrevo meus rápidos pensamentos, tento não achar todo mundo um saco
Não fixo meu pensamento em algo exclusivo, quero criar
Chata, insana, indecente, com mil devaneios de coisa nenhuma, talvez amanhã eu tenha mais que hoje pra escrever.
AO QUE FOI EMBORA
A minha dor é um grito rouco
E no silêncio lamenta essa triste vida,
Tudo se troca por tão pouco
A lida, os dias belos e os dias loucos.
E por aí, na imensidão da noite
eu te procuro, por caminhos escuros...
no frio da madrugada, onde a lua se esconde
oh, triste fim! Oh, triste açoite!
E enfim, outro dia amanhece
Em que da esperança me descanso
Outra noite há de chegar, mas o tempo,
nenhuma alegria tece no manto um alento,
como lençol estendido a enxugar meu pranto .
E aos testemidos que buscam na distância
a alma daquele que foi embora:
Não, não voltará nunca mais em nenhuma aurora.
JOANA DE OVIEDO – DIREITOS RESERVADOS
A Cavalgada
A lua banha a solitária estrada...
Silêncio!... Mas além, confuso e brando,
O som longínquo vem-se aproximando
Do galopar de estranha cavalgada.
São fidalgos que voltam da caçada;
Vêm alegres, vêm rindo, vêm cantando.
E as trompas a soar vão agitando
O remanso da noite embalsamada...
E o bosque estala, move-se, estremece...
Da cavalgada o estrépito que aumenta
Perde-se após no centro da montanha...
E o silêncio outra vez soturno desce...
E límpida, sem mácula, alvacenta,
A lua a estrada solitária banha…
Como uma bela canção entoada,
Minimalista,
Feita pelas mãos do Mestre,
Entre sons e silêncio,
Aguardo,
Faço-me e refaço-me,
Em letras disfarçadas,
Embaralhadas,
Acordes dissonantes,
Entre cordas e metais,
Tempos e contratempos,
Distraio-me,
Perdendo-me no compasso,
Partitura rasgada,
Vista embaçada,
Regida pelas mãos do Maestro,
Retorno,
Desprovida de semitons,
Permaneço,
Agradeço,
Olhos fixos no Maestro,
Até o fim do concerto,
Mantendo-me em acerto,
Plateia singela,
Quieta, feito vaca amarela,
Sem grandes aplausos ao findar,
Para que toda Glória ao Grande Maestro,
Eu possa dar.
