Texto sobre Saudade Amor
Der valor enquanto estiver aqui!
Animais, pessoas, objetos, e bens materiais nao duram para sempre! NADA DURA PARA SEMPRE...
De repente tudo muda e o destino leva! Ai ja vai ser tarde para dizer o quanto voce gosta daquela pessoa!
Ate mesmo o teu inimigo vai fazer falta!
Mais sempre Deus ama, Deus cuida, Deus protege...
Faça o que nosso pais faz!
Voce nao perde por fazer o bem!
Hoje eu acordei de um pesadelo em que voce nao estava ao meu lado... e a verdade fez doer!
Recolho do chao os pedacos espatifados de amor quebrado e o orgulho de nao te procurar!
A felicidade quimerica esta estampada em meus olhos que ofuscam o brilho arcaico da lembrança!!
Estou buscando sentido onde nao deveria ter e a saudade transborda no vale da tristeza..
Sinto sua falta... mas sinto mais falta de voce sentindo falta de mim!
se eu pudesse desaparecer..
não pensaria 2 vezes..
Que porcaria de vida esta ..
Num momento esta tudo bem..
Num momento eles estam ao nosso lado...
No outro, já só sei que nunca mais o vou poder ver, nunca mais o vou sentir, nunca mais vou ouvir a sua voz...
Só quero desaparecer de vez....
Teu cheiro ta no caderno
Escrito
Nas minhas linhas
Tá nas manhãs sem teus olhos
Tá nos dias.
Tá nas noites
No travesseiro
Teu cheiro tá na loucura
Na procura
Nas músicas que te vejo
No vazio
Na cadeira da sala
No preto e branco do meu quarto
No azul
No mar, no verde...
No vermelho da minha roupa
No shampoo,
Nos meus cabelos
Teu cheiro tá no copo
Na cerveja
No cigarro que trago
Desespero
Teu cheiro tá nos meus sonhos
Fantasias,
Manias, tardes...
Tá na saudade
Nos meus desejos loucos
Pecados
Tá na canção das madrugadas
Proibidas
Tá no meu peito
Nas batidas...
08/10/2017
►A Pintura De Um Soldado
Ah, pai, o senhor não conhecerá os meus filhos
Mas não se entristeça,
Pois direi a eles que você era meu velho e fiel amigo
E os ensinarei a consertar o que parece impossível
Eu contarei a eles como a vida do senhor fora difícil,
Enquanto eu usufruí do alívio
Mas, pai, não deixe de olhar lá de cima
Quero que você assista ao nascimento da minha filha
Direi a ela que o senhor se tornou a estrela que a guia
E que todos, um dia, irão se reunir à família.
Pai, não se esforce
O tempo é veloz, feroz
Sabemos que ele é o imortal algoz
O senhor não me ensinou a soltar pipa
Aprendi sozinho a andar de bicicleta, na esquina
Mas, o senhor me ensinou o respeito, a aproveitar pequenas alegrias
Saiba que meus filhos olharão para o céu,
E gritarão que você é um herói que se foi
E eu agradecerei por tudo que o senhor me ensinou.
Quando eu o chamei de pai pela primeira vez,
O senhor estava para se aposentar
Não me lembro, já que eu era apenas um bebê
Minha mãe que me disse, quando estávamos a conversar
Sua coluna nunca nos permitiu brincar,
Mas, ainda assim, muitas memórias possuo para guardar
Minhas crianças irão encontrá-las, e irão adorá-las
Pensando aqui, me entristeço apenas por saber,
Que jamais conseguirei te agradecer.
Me arrependo das brigas sem motivo,
Das vozes elevadas sem sentido
Agradeço pelos conselhos sugestivos,
Dos ensinamentos que até hoje estão comigo
O mundo me mostrou o seu lado perigoso,
Mas o senhor foi um dos poucos,
Que deram justificativa para os meus sorrisos.
O seu descanso me causará saudade,
Mas tudo isso faz parte
Minha vida será reduzida pouco mais da metade
E, quando minha mãe, sua esposa, se for
Eis que me restará apenas os textos escritos à tarde
Por isso eu digo, eu te amo, e a amo
Às vezes não demonstro, mas a paternidade é eterna
Escrevi um texto ontem, romântico
Joguei-o fora, mas este pintarei em uma tela
A pintura mais bela.
Infelizmente, meus filhos não o conhecerão
Mas, ao menos, as fotos estarão aqui,
Para que eles possam te ver, imaginar
Como o senhor era, o que fez para me criar
Saudações, pai
Reverencio ao herói que bravamente lutou,
E que hoje, finalmente, depois de oitenta anos,
Descansa sobre o céu azul.
Sentados na calça, ainda meio terreiro, limpo e preparado para passar a noite ali. Uma roda ia se formando, velhos, crianças e cachorros.
De tudo se falava. Falava-se da filha da Maria que saiu de casa roubada pelo filho do Francisco. Comentava-se acerca do vestido da Joana, que não tinha necessidade de usar roupa nova antes da missa da quaresma. Os meninos ficavam a roubar pela rua, a roubar bandeira, brincadeira essa que fazia todos ficarem molhados de suor. Depois, sentavam-se todos aos pés das velhas senhores que contavam histórias assustadoras de seres encantados, assombrados e enfeitiçados. Até que se ficava tarde, já era hora de cada qual ir ao seu lugar. Nesse tempo, todos moravam perto. Não era preciso telefone para se comunicar. Se fosse necessário chamar alguém, bastava da porta gritar: “Fulano, é hora dormir”. A rua inteira ouvia, e prontamente o fulano corria para cama. Esse tempo era bom, era intenso e cheio de boa intenção. Tudo hoje mudou, queria eu poder voltar ao tempo que a rua era o lugar de reunião.
►Simples Anel de Coco
Ele estava sempre comigo
Aquele simples anel, sem brilho
Mas, que de alguma forma eu adorava
Eu o usava dentro e fora de casa
Mas, ontem quando o tirei,
Não mais o encontrei.
Ele era especial
Um presente vindo de uma musa celestial
Comprado em uma lojinha de rua, coisa e tal
Mas presenteado de modo tão singelo,
Que alcançou o meu lado sentimental.
Me perdoe, donzela
Acabei perdendo de vista a última lembrança
Sinto que estou te esquecendo
Como em um quebra-cabeça ficando sem peças
Aquele humilde anel guardava consigo a minha esperança
Hoje dormirei como um defunto, sem sonhos
Perdoe-me novamente, estou em prantos.
Ele era um simples anel de coco
Escrito com Gillette "Para o Meu Moço"
Se foi, como um sopro, sem eu perceber
Sei definitivamente que irei esquecê-la
Amanhã saberei realmente como é viver sem você
Perdoe minha conduta, minha outrora princesa
Em teu anel lembra-te para sempre do teu antigo Romeu.
Escreve até seus dedos doerem e sua mente falhar.
Espera a dor passar,porque chorar não vai adiantar.
Ame-os,mas não deixe a falta deles te arruinar.
Ore pra que Deus te console.
Não deixe que a ansiedade de adoeça.
Não deixe que a alegria deles te entristeça.
Não deixe que a distância te amargure.
Nem que a frieza te torture.
SAUDADES SECAS (soneto)
Saudades secas, no cerrado, banham
De lágrimas as lembranças já findas
E assim choram, tristonhas, e choram
Enxugando o soluço em sujas nerindas
Quando entardece as noites revindas
É hora de preces que os céus imploram
Oram de mãos postas, e ali tão pindas
Que tristuras secas, molhadas choram
Ao juntar estas secas dores na oração
Em vão as rezas murcham na emoção
E as saudades bebem fel na cacimba
São nostalgias que vivem de ilusão
Choram, oram, imploram recordação
Se quando no peito esquecer catimba
Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Março de 2017
Cerrado goiano
E você vai viajar,
Já estou morrendo de saudades.
A muito tempo estamos diferentes
Nossa essência continua a mesma
Nossos pensamentos permanecem
Porém, não estamos mais na mesma sintonia.
Somos inteligentes, soubemos administrar,
Estudamos e planejamos
Até prevemos alguns riscos
A gente sabia que iria acontecer.
Deixamos acontecer!
Forjamos um contrato, rimos disso.
Mas estamos ocupados de mais pra sofrer
Estamos voltando a ser independentes
Você vai, tem sua missão a cumprir com a pátria
Voltará com resultados e eu talvez tome uma decisão
Ou talvez você tome uma decisão
Depois que eu te mostrar os resultados.
Sei que é por pouco tempo
Eu já fiquei mais tempo longe
Mas naquele momento que eu estava distante,
Estávamos bem próximos.
"Todos foram embora, e só restou eu aqui sozinho. Minha única companhia tem sido suas lembranças e a esperança que um dia tudo pode voltar como era antes.
Até chegar lá, ficarei em pedaços, pois dia após dia que passa estou ficando cada vez mais destruído. E me pergunto se ainda verei esses bons dias que a esperança sempre me faz acreditar."
►Sempre o Mesmo Sonho
É dolorido,
Deitar e sonhar um sonho repetitivo
Eu estou em um loop infinito
E existe o lado terrível em tudo isso.
Às vezes me pego sonhando com ela
E já faz tanto tempo, que esqueci até a voz dela
Um sonho mudo, meio impuro
Não é natural, não poder escutar o vocal
Como de um pardal que não possui asas
Não é a mesma coisa, não escuto palavras
E, muitas são as vezes que não quero dormir,
Pois sei que em algum momento vou me iludir
Lá na terra das nuvens, ela estará comigo
Mas ao nascer do dia, me vejo sozinho
Sim, sim, debochem me chamando de carente
Como eu mesmo já escutei, "um viadinho"
Mas é o que eu passo, o que sinto.
O meu desejo? Ter um coração de gelo
Pois assim, eu nunca estaria com medo
Quem me dera poder sair em companhias distintas
Garotas que eu encontre na segunda, outras na quinta
Sem a vontade de escrever uma rima,
Que já julgaram serem "esquisitas"
Gostaria de ter para onde ir, para me distrair
Hoje esse meu texto não será relido por mim.
E eu sei por que isso está acontecendo
De antigas memórias eu estou vivendo
Não construo novas, por isso vivo nesse tormento
E sempre nasce um momento em que eu me lembro,
Daquele tempo que eu era amado por mais alguém
Me sentia especial, não era apenas um ninguém
Mesmo que essa época já tenha passado,
Parece que eu ainda estou ligado,
E sofro de uma dor sem escala,
Dela eu sinto considerável a falta.
Eu cheguei a escrever até mesmo uma canção
Retirando as mais belas frases do meu coração
Já houve um período que eu estava afastado da solidão
Eu, hoje, acabei retornando para a escuridão
Talvez seja errado dizer, mas me arrependo,
A certos textos que me machucam quando os leio
Talvez eu devesse ter parado nos primeiros
"Para Ela" foi um deles, que gostaria de nunca ter feito,
Pois ele mostra com clareza o meu ponto fraco
Sim, eu tenho, sou um ser um humano, tenho vários, é claro.
Não sei quando vou superar completamente
Já se passaram seis meses,
O tempo voou tão de repente
Sinto falta de me sentir feliz por um ou dois minutos
Hoje só quero que esse vazio me consuma em milissegundos.
►Legado De Um Senhor
Caminhando sobre uma estrada de terra, eu vou
Com apenas meus sonhos como mala,
E a saudade da minha casa
Parto para voltar um dia e reformá-la,
Antes que o tempo acabe com o aconchego que ela me dava
Conquistar o mundo e dá-lo aos meus pais
Sem eles nada seria possível
E é lá na minha terra que jaz
O sentimento que deixarei quando me for.
Um imigrante, viajante, a procura de um lugar
Desbravar as colinas que cercam o meu país
E um dia, talvez, eu chegarei onde sempre quis
Aqui, em casa, no quintal com pequeno jardim
Rodeado de tulipas e de minhas pequenas sobrinhas
Contando para elas as desventuras de minha vida,
Deixando para elas as experiências vividas,
E simplesmente me deitar sobre a grama verdinha
E descansar, sabendo que dei a elas o que nunca pude ter,
Liberdade e condições para viver, inventar e aprender
Dei a elas o poder de ter e também de oferecer.
Caminhando sobre uma estrada de nuvens
Despedindo-me dos sonhadores deste mundo
E lá em cima, me verei junto de meus amados pais, e avós
Esperando ter feito o meu melhor,
Para que os herdeiros tenham uma vida sem dor,
O amor será o legado deixado por este futuro senhor.
►O Verdadeiro Desafio da Baleia
Eu fiquei sabendo recentemente,
Que jovens estão tirando a vida regularmente,
Por causa de um jogo do presente
Colocarei aqui o que penso sinceramente,
E o quanto é imprudente o que está ocorrendo ultimamente.
Os jovens estão muito frágeis,
Os das décadas passadas eram mais ágeis
Hoje uma palavra pode fazer alguém se cortar,
Hoje uma ofensa pode fazer alguém se matar
Penso que, se alguém está com problemas,
Que ela procure ajuda, que não se contenha,
Pois, tirar a vida, é também tirar parte da família
Será que a mãe não ficará extremamente abatida?
E o pai? Que após a fatalidade,
Passará todo dia pelo quarto de sua querida, mas falecida, filha
Se ela sofria, tudo acabou naquele dia,
Mas e sua família? Como continuará sem ela em suas vidas?
Olhar o retrato do garoto risonho,
E brincar com ele, acordar e perceber que tudo era apenas um sonho
Não terá mais sentido os sacrifícios cometidos pelos pais,
Já que nunca mais ouvirão o seu filho,
Jamais poderão olhar para o álbum de família sem chorar
E este é o desafio da baleia que os filhos não sabem,
No fim eles se vão, mas o que eles fazem,
Acabam com o coração de seus amados pais,
Que irão procurar todo dia, por toda a casa,
Onde estão aqueles que se foram.
RIOS DE MINHAS LEMBRANÇAS
No rio de minhas lembranças,
Em águas claras de risos,
Banzeira toda minha infância
Debruçada em flores...
Nas espumas da saudade
Sob a quilha da velha canoa
Descortina-se minha Fonte Boa
Da fina névoa do tempo
Que o sentimento entoa!
Lá da proa do Velho Chico
Avisto a escadaria do porto
E a Lage que dava conforto
E abrigo ao povo de boa-fé:
No campo do Arigozinho
Rememoro a infante idade,
O amor secreto à deidade
Agasalhado no bauzinho
Singelo da doce memória!
Lembro-me da flor-do-dia,
Do apreciar do pôr-do-sol
E da primeira flor de girassol
Nascida à beira do barranco.
No Igarapé da Arapanca,
Leonardo, Estrada e Celetra
Nadávamos sem ser penetra
Nas gélidas águas do reino
Mítico das ninfas do Cajaraí!
Só recordo com pesar
A rede atada acima do paneiro
O lenço branco derradeiro
Estendido em despedida!
... As luzes se apequenando
E o barco singrando o rio
Deixando para trás todo brio
Das tuas noites de estrelas
Que cintilavam meus prantos.
Essa distância que me separa
É a mesma que fortalece o amor
Impregnado na seiva do ardor
De todas minhas lembranças...
No rio primaveril do destino
Navegando a bordo da igarité de sonhos
Logo atracarei teus portos risonhos
E deles jamais me desgarrarei
Como no pretérito tristonho!
EU VOU SENTIR TANTO A SUA FALTA
Olhando para minha realidade, desconfio que sofro de um intenso problema. Não entendo o seu inicio e no fim é sempre doloroso. Chamo pelo nome de "SEC" - Síndrome da Empatia Compulsiva. É estranho, eu sei. Em outras palavras: Eu me apego fácil as pessoas. Um problema? Um defeito? Que se dane! É uma bomba, cuja explosão é um rio de lagrimas. É terrível olhar para você e dizer: "Eu vou sentir tanto a sua falta."
Raízes
Na turbulência buscou fincar âncora nas raízes mais fortes e profundas que poderia ter
Então ouvindo o coração, pisou naquele chão.
Embora qualquer outro caminho pudesse percorrer,
sabia que outro não queria escolher,
pois foi ensinado que sobre alicerce fraco, prédios fortes não podem se erguer
sabia que colocar tijolos novos sobre qualquer outro chão,
poderia toda a sua construção comprometer.
Então ouvindo o coração, pisou naquele chão.
Tocar aquelas paredes, fez toda a sua lembrança acender,
paredes vazias para qualquer um que como ele não podia o mesmo ver
dali tirou o único combustível capaz da sua “roda motriz” abastecer
o que para todos era saudade, para ele era clareza de um valioso saber.
Como presente da natureza,
a lembrança se fez certeza
talvez a única, em um momento que tantas incertezas podia ter.
Então mesmo sem ter a resposta,
sobre ela fez a sua aposta
acreditou que merecia vencer
Percebeu que já poderia,
no suor de cada dia,
sua própria fortaleza erguer.
Sabia que de noite ou de dia, um farol teria
para o seu caminho iluminar e proteger.
Então ouvindo o coração, pisou naquele chão
Deixou a brisa leve no seu rosto bater,
fechou os olhos, e sem espelho pode ver
que algo nele havia mudado, sem que antes pudesse perceber.
Entendeu que por toda vida foi folha de uma linda árvore frondosa a florescer,
mas a vida fez a folha amadurecer,
e hoje para as suas mudinhas que estão a crescer,
a forte raiz, foi ele quem passou a ser.
VOLTA
Minha andorinha,
Voando sozinha,
Fugindo assim;
E porque fugir,
Sair do teu sossego,
Do teu aconchego,
Segui outro rumo?
Voas sem pensar,
A qualquer direção,
Expõe-se ao perigo,
Sem saber se um dia,
Poderás voltar.
Minha menina ,
Dengosa, teimosa,
Tentas apagar,
Lembranças de mim,
E da sua agenda ,
Deleta meu nome,
À se distanciar,
Através do tempo,
E seguindo ao vento,
Sem ter a certeza,
Onde irá pousar,
Nessa insegurança,
Não encontra abrigo,
Menina teimosa...
Volta minha vida,
Minha pombinha,
Vem de regresso,
Ao teu lugar certo,
Que em nosso ninho,
É o teu lugar.
Eu vivo a chorar
Essa sua ausência
Que me joga ao léu
Sou o teu menino
Que chora teu Abraço
Que sem teu calor
Não me resta vida
É só você mesma
Que me dá sossego.
Meu bem meu amor
Volta minha vida
Minha andorinha
Voa pra meus braços
Não se exponha ao vento
Seja em movimento
Seja contra o vento
Estou te esperando
Pois aqui é teu lugar.
1+1=1...
Roubaste-me de mim
Lento e desejosamente
Em fim de noite que abraça a madrugada
Quando as horas, aos poucos, dispersam estrelas
Ali, no quase raiar do dia
Já não sabíamos mais qual corpo
Era parte de mim ou a ti pertencia
A magia somou dois... em único amor
Nossa melhor amiga: gratidão!
Pela vida, pelo encontro... por nós
Pela cumplicidade das marcas
Mudas e ocultas, sãs em nossa paixão
Tenho andado dias sem saber que horas são, sem saber que dia é, se é fim-de-semana, se é o aniversário de alguém. Dias em que nem troco de roupa, dias em que troco de roupa mais do que o necessário só para sentir que o tempo passa. As horas passam bem mais devagar quando não se tem ninguém para falar. Coisas como tomar banho e pentear o cabelo são descartadas, eu quero ter-te aqui, nada mais importa. Eu quero ir embora, apenas isso; e já passaram semanas desde a última vez que pude respirar fundo e rir livremente sem a imagem do teu sorriso na parte mais funda da minha mente. Todos os aparelhos que tenho dizem-me horas diferentes e eu pergunto-me há quanto tempo estou neste semi estado de ser, neste quase respirar profundamente mas nunca o conseguir porque o peito dói, bem na zona do coração, e é físico. Então respiro de forma suave, superficial, lutando por ar rarefeito quando o meu corpo se resigna que o oxigénio não me fará bem algum. Respirar para quê? Eu quero conseguir viver. Tenho passado horas a encarar o teto do quarto, tenho acordado sobressaltada, de lençóis molhados por um suor sem razão e eu não lembro mas tenho acordado tão cansada que a maioria das vezes apenas volto a dormir mesmo empapada em suor. As horas passam bem mais depressa quando tenho os olhos fechados e uma garrafa ao lado da cama. Tem dias que não levanto, tem dias que abro a janela, mudo de roupa, de lençóis, de tudo e tem dias que apenas estou ali, num ato entre levantar, viver ou permanecer enterrada entre cobertas quentes de mais para o calor que faz. E está frio mesmo no verão porque eu não sei mais o que fazer, está frio pelo simples facto de eu não conseguir colocar uma pedra sobre certas coisas, ou esquecer, ou superar. Nada.
Tem dias em que não saio da cama, tem dias em que a “cama”, áspera e quente e perigosamente confortável, não sai de mim. E eu, ainda, não sei qual o pior.
